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domingo, 22 de dezembro de 2013

O glifosato nosso de cada dia nos dai hoje...

Ronaldo Santos de Freitas Engenheiro Agrônomo, Técnico em Educação Não-Formal – FASE/MT

O herbicida glifosato, comumentemente conhecido como “mata-mato”, é o agrotóxico mais comercializado no mundo. Ele possui ação sistêmica, ou seja, ao ser aplicado nas folhas das plantas este pode ser translocado até as raízes; além disso, possui uma outra ação chamada não seletiva, pois aplicado em doses adequadas levará qualquer planta à morte, menos plantas transgênicas.
Em bioquímica estuda-se que o glifosato atua sobre as plantas inibindo a ação da enzima 5-enolpiruvil shiquimato-3-fosfato ácido sintetase (EPSP). As enzimas são catalisadores biológicos, tendo a função de facilitar as reações químicas. A inibição da atuação da enzima EPSP compromete a síntese biológica de alguns aminoácidos essenciais para o crescimento e sobrevivência de muitas plantas, além de comprometer a síntese de clorofila. O glifosato causa a alteração da estrutura celular das plantas levando a danos celulares irreversíveis, causando a morte das plantas.

Em plantas geneticamente modificadas, como por exemplo, a soja transgênica, a indústria introduziu a proteína CP4, extraída de uma bactéria do gênero Agrobacterium freqüentemente encontrada nos solos tropicais. A proteína CP4 introduzida na soja tem a função de conferir à planta tolerância em relação à ação do glifosato.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Justiça determina fiscalização no uso de agrotóxico nas fazendas de soja transgênica do MA



Nota do blog: parabéns a justiça do Maranhão! Que esse exemplo, seja  repetido em outros estados.


Vale a pena ler a belíssima sentença expedida pelo Juiz Federal Substituto Caio Castagine Marinho

Jornal Pequeno, 09/08/2013

O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) obteve liminar, junto à Justiça Federal, para garantir fiscalização do uso do herbicida Glifosato, utilizado no plantio de soja transgênica, na região do baixo Parnaíba. A União, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Maranhão (Aged-Ma) e o estado do Maranhão tem 180 dias para cumprir as determinações da Justiça, sob pena de multa.

Após constatar a falta de fiscalização adequada dos órgãos estaduais e federais, bem como o emprego excessivo do Glifosato no plantio de soja do Maranhão, o MPF/MA moveu ação civil pública contra a União, a Aged-Ma e o estado, em maio deste ano.

As investigações do MPF, feitas com auxílio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Grupo de Estudos Rurais e Urbanos (Gerur) do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), identificaram diversas consequências do uso incorreto do agrotóxico, como: contaminação dos recursos hídricos e das áreas usadas na produção de alimentos, destruição de nascentes, assoreamento de cursos d’água, contaminação de riachos por conta do despejo de produtos com aviões, entre outras.

Na decisão, o juiz da 8ª Vara da Justiça Federal considerou que a prova documental oferecida pelo MPF indica a negligência no uso, armazenamento e descarte do herbicida, por parte da União, Aged-Ma e estado. A sentença afirma ainda que a continuidade do uso incorreto do Glifosato consolida “uma situação de gravíssima degradação ambiental, que comporta perigo elevado ao ecossistema local e à saúde humana”.

A Justiça deferiu o pedido de liminar do MPF e determinou que União, Aged-Ma e estado promovam, em 180 dias, levantamento das condições das lavouras que fazem uso do Glifosato no Maranhão, com realização de vistorias e estudos técnicos para definir medidas de correção sob pena de multa diária de R$ 180 mil; que União e estado do Maranhão realizem, no mesmo prazo, análise dos resíduos de Glifosato nos produtos de origem vegetal, para monitorar a presença excessiva do referido agrotóxico; que o estado do Maranhão observe determinados requisitos antes de conceder novas licenças ambientais a empreendimentos agrícolas que façam uso do Glifosato, sob pena de multa de R$ 100 mil para cada licença irregularmente concedida e que União e estado não admitam o uso de aeronaves na aplicação do herbicida, inclusive promovendo fiscalização.

(Ascom/MPF-MA)

terça-feira, 9 de julho de 2013

[ESTUDO Glifosato] Causa Câncer de Mama em Níveis Inferiores aos Permitidos no Brasil



Estudos recentes mostram que o limite em água potável para o glifosato, o herbicida para transgênicos mais utilizado no Brasil, podem aumentar a chance de câncer de mama em até 1300%.

 O glifosato foi desenvolvido pela Monsanto, mas a patente expirou e agora várias empresas vendem os produtos com esse componente.

Como se já não houvesse inúmeros argumentos contra os transgênicos. Na semana passada um estudo revelou que o glifosato – o nome químico do herbicida Roundup – multiplica a proliferação de células de câncer de mama de 500% até 1300%… mesmo em exposições de apenas algumas partes por trilhão (ppt).

O estudo, publicado na Food and Chemical Toxicology, é intitulado “O glifosato induz crescimento de células de câncer de mama em humanos por meio de receptores de estrogênio“. 

Você pode ler o resumo do estudo aqui.

Há muito mais nesta história, mas no entanto para segui-la, você precisa entender os seguintes termos:
ppm = partes por milhão = 10 (-6) = número de partes em um milhão
ppb = partes por bilhão = 10 (-9), que é 1000 vezes menor do que ppm
ppt = partes por trilião = 10 (-12), que é 1000 vezes menor do que ppb e 1.000.000 de vezes menor do que ppm

A medida mg/L, ou miligramas por litro, pode ser equivalente ao ppm em se tratando de água.
O estudo constatou que a proliferação das células do câncer de mama é acelerada pelo glifosato em concentrações extremamente baixas: de ppt para ppb. O maior efeito foi observado no intervalo de ppb, incluindo ppb de um dígito, como um ppb (1000 vezes menor que 1 ppm).

Esta notícia, por si só, enviou ondas de choque através da net todo fim de semana. As mulheres estavam perguntando coisas como: “Você quer me dizer que os resíduos de glifosato em lavouras nas concentrações de apenas alguns ppt ou ppb pode me dar câncer de mama?” Não é exatamente traduzido assim. Depende de quanto você come versus sua massa corporal (nanogramas de glifosato por quilo de peso corporal). Mas com ridiculamente pequenas quantidades deste produto químico sendo correlacionada com a proliferação de células de câncer, você não tem que comer muito para colocar-se em risco.

Mas não é apenas comer glifosato que é o problema. Você também está bebendo ele!

Glifosato na água potável dos brasileiros

No Brasil, o limite de glifosato para água potável (definido pela PORTARIA Nº 518/GM de 25/03/2004) é de 500 µg/L, 0,5 mg/L ou 0,5 ppb (partes por bilhão). Isto quer dizer, baseado no estudo acima citado, que o limite máximo de glifosato no Brasil é o suficiente para causar a proliferação das células do câncer de mama!

Estou fazendo o orçamento para fazer a análise de algumas amostras de água potável e pretendo em breve divulgar aqui. Vou aproveitar a chance e fazer uma análise quanto ao nível de flúor.

PL 4412/2012 – Reavaliação do Glifosato, possível banimento em breve

Artigo abaixo foi retirado do site Diário Popular-RS:

Ingrediente ativo dos principais herbicidas utilizados no controle de ervas daninhas nas lavouras, o glifosato entra na mira da Câmara dos Deputados, em Brasília. Se aprovado um projeto de lei do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a substância será avaliada durante 180 dias e poderá ter, inclusive, a comercialização cancelada após a conclusão do estudo.

Para que o projeto de lei 4.412/12 entre em vigor falta apenas a votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A proposta original já teve parecer favorável do relator Pedro Uczai (PT-SC). O projeto prevê que os produtos que tenham o glifosato como ingrediente ativo sejam reavaliados em até 180 dias após a publicação da nova lei. Durante a análise dos possíveis danos causados pela substância, os produtos serão reclassificados como extremamente tóxicos ou altamente perigosos, com consequentes restrições de uso.

Caso a reavaliação não se conclua dentro do prazo de 180 dias, os registros existentes poderão ser suspensos e a comercialização do agrotóxico proibida. Se a reavaliação apontar danos ao solo e à saúde dos agricultores, há até mesmo o risco de suspensão efetiva das licenças de produção e comercialização dos agrotóxicos.

A Carcinogenicidade do Glifosato foi documentada anos antes

A autoridades já estava ignorando deliberadamente o crescente conjunto de evidências científicas que documentam a toxicidade do glifosato. Por exemplo, um estudo publicado em 1995 – no Journal of Pesticide Reform (Volume 15, Número 3, Fall 1995), escrito por Caroline Cox concluiu:

Produtos à base de glyphosate são altamente tóxicos para os animais, incluindo os seres humanos. 
… Em estudos com animais, alimentando-se de glifosato por três meses causou redução no ganho de peso, diarréia e lesões de glândulas salivares. Alimentação pela vida inteira com glifosato causou excesso de crescimento e morte das células do fígado, catarata e degeneração lentes oculares, além de aumento na freqüência de tumores na tireóide, pâncreas e no fígado.
Produtos à base de glyfosato causaram danos genéticos em células sanguíneas humanas … contagem reduzida de espermatozóides em ratos machos… um aumento na perda fetal …
Em outras palavras, os vários governos que estabeleceram o alto limite do glifosato sabiam – ou deveriam saber – que o glifosato é prejudicial aos seres humanos. Mas o governo brasileiro, assim como americano (que mantém o limite em 700 ppb, ainda mais alto que no Brasil) deliberadamente ignorou esta prova, permitindo assim que mil vezes os níveis mais elevados de glifosato em água potável do que sabemos agora que é o suficiente para causar a proliferação de células cancerígenas.

O texto abaixo é um trecho do Journal of Pesticide Reform de 1998, também de Caroline Cox, traduzido por Nicoleta T.N. Sabetzki:
Carcinogenicidade: Todos os estudos disponíveis sobre a capacidade do glyphosate provocar o cancer foram conduzidos pelo fabricante deste produto2. O primeiro estudo sobre a carcinogenicidade submetido ao EPA (1981) detectou aumento no índice de tumores testiculares em ratos machos e na incidência de cancer de tiróide em fêmeas, sob as dosagens mais elevadas. Ambos os resultados ocorreram sob a dosagem mais alta (30 mg/kg de peso por dia)75,76. O segundo estudo (1983) detectou uma crescente tendência na frequência de tumores raros no rim em camundongos machos77. Já o estudo mais recente (1990) demonstrou maior incidência de tumores no pâncreas e fígado em ratos machos e do mesmo tipo de cancer da tiróide em fêmeas, detectado em 1983.78. De acordo com o EPA, todos estes aumentos na incidência de tumores ou de cancer ”não podem ser associados ao composto”. (Isto significa que EPA não responsabilizou o glyphosate pela ocorrência dos tumores). No caso dos tumores de testículo, o EPA acatou a interpretação do patologista da indústria que afirmou que a incidência de cancer nos grupos tratados (12%) foi similar à incidência observada (4.5%) nos ratos não tratados com glyphosate. 78 Com relação ao cancer de tiróide, o EPA atestou ser impossível distinguir entre cancer e tumor da tireóide, de modo que os dois deveriam ser considerados juntos. Todavia, a combinação dos dados não é estatisticamente significante 76. No caso dos tumores de rim, o fabricante re-examinou o tecido e descobriu tumor adicional nos camundongos não-tratados, anulando a significância estatística. Isto apesar do laudo do patologista do EPA afirmando que a lesão em questão não era realmente tumor77 . Quanto aos tumores pancreáticos, o EPA declarou que não estavam relacionados às dosagens. Com referência aos tumores de fígado e tiróide, o EPA afirmou que as comparações entre animais tratados e não-tratados não foram estatisticamente significantes78 O EPA concluiu que o glyphosate deve ser classificado como Grupo E, “evidência de não- carcinogenicidade para pessoas”78 , mas que esta classificação “não deve ser interpretada como definitiva”78 Os testes de cancer deixaram muitas perguntas sem respostas. Com relação a um dos estudos sobre carcinogenicidade, um estatístico do EPA afirmou: “O ponto de vista é aspecto crítico. O nosso ponto de vista visa proteger a saúde pública quando se trata de dados suspeitos.”79 Já infelizmente o EPA não adotou o mesmo ponto de vista quando avaliou a carcinogenicidade do glyphosate. … Efeitos reprodutivos A exposição ao glyphosate foi associada a problemas reprodutivos nos seres humanos. Um estudo em Ontario, Canadá, detectou que o uso de glyphosate pelos pais acarretou aumento no número de abortos e nascimentos prematuros nas famílias rurais.87(ver Figura 5). Além disso, um relatório da Universidade da Califórnia discutiu o caso de uma atleta que apresentava redução dos intervalos menstruais sempre que competia em raias tratadas com glyphosate88. Estudos laboratoriais também demonstraram inúmeros efeitos do glyphosate sobre a reprodução. Em ratos, o glyphosate reduziu a população espermática sob as duas concentrações maiores utilizadas (ver Figura 5). Em coelhos, o glyphosate, em concentrações de 1/10 e 1/100 de LD50 , aumentou a incidência de espermatozóides anormais e mortos. 89 Nas coelhas.
o glyphosate provocou uma redução do peso fetal em todos os grupos tratados. 90.

Existem muitos outros estudos e artigos sobre o tema, mas gostaria de apresentar um trecho deste outro artigo:

Doença renal misteriosa da américa central pode estar ligada a agrotóxicos

Uma doença renal misteriosa que atinge camponeses em El Salvador e outros países da América Central mobiliza os ministérios de saúde da região. No dia 27 de abril, foi assinada em El Salvador uma declaração conjunta qualificando o combate da doença como de alta prioridade para a saúde pública e definindo uma série de ações nesse sentido… “Essa é uma doença de pessoas pobres”, diz Rodriguez. “Uma doença de pessoas que trabalham nos campos e tem condições de vida muito ruins”…. Dois produtos químicos, em particular, entraram na mira dos pesquisadores tanto em El Salvador quanto no Sri Lanka, o 2,4-D e o glifosato. 2,4-D é um herbicida comum usado para controlar ervas e o glifosato é o ingrediente ativo do herbicida mais popular do mundo, o Roundup. Ambos são usados no mundo inteiro, inclusive em inúmeras áreas não afetadas por essa forma estranha de doença renal crônica… Os testes com pacientes em El Salvador, na Ciudad Romero — a comunidade contaminada por metais pesados — revelou que 100% e 75% dos pacientes, respectivamente, relataram usar 2,4D e glifosato. No Sri Lanka, resíduos de ambos os produtos foram encontrados em amostras de urina de alguns pacientes doentes.

O glifosato é o novo DDT

Baseado no que estamos vendo agora, acredito que o glifosato é o produto químico mais tóxico que já foi amplamente implantado em toda a nossa cadeia alimentar. O glifosato é o novo DDT, e está contaminando nossas águas, solos, alimentos e corpos.
Fontes:



Para aprofundar:

domingo, 7 de julho de 2013

Análise da toxidade e da genotoxidade de agrotóxicos utilizados na agricultura utilizando bioensaios com Allium Cepa





RESUMO:
O modelo de agricultura adotado no Brasil baseia-se no uso de agrotóxicos,
entretanto, seu uso desordenado e excessivo vem provocando diversos impactos sobre o
meio ambiente. Dependendo da natureza química e da concentração, os agrotóxicos
lançados no ambiente podem causar danos diversos na biota a eles expostos. Vários
estudos têm demonstrado em diferentes organismos que alguns agrotóxicos podem ser
tóxicos e/ou genotóxicos e influenciar na sobrevivência, fertilidade e composição
genética das populações. A partir desse contexto, torna-se importante que o
conhecimento sobre a toxicidade e a genotoxicidade dos agrotóxicos utilizados nas
culturas brasileiras seja ampliado. Os bioensaios com vegetais são testes eficientes para
o monitoramento da toxicidade e da genotixicidade de poluentes ambientais. O objetivo
geral do presente trabalho foi utilizar bioensaios com cebola (Allium cepa) para avaliar
a toxicidade e a genotoxicidade das formulações comerciais dos agrotóxicos cujos
ingredientes ativos são o glifosato, o mancozeb, o fention e a beta-ciflutrina. Para cada
concentração testada e para o controle negativo (água) foram utilizados cinco bulbos de
Allium cepa. Os bulbos foram inicialmente colocados em água destilada, durante 24
horas a temperatura ambiente, para estimular o desenvolvimento do meristema
radicular. Após este período, os bulbos foram colocados nas soluções-teste por um
período de 48 horas. As concentrações utilizadas para cada tratamento variaram de 1 a
20 PL/L para o glifosato; 25 a 250 PL/L para o fention; 0,25 a 2 PL/L para a betaciflutrina
e, de 250 a 1500 mg/L para o mancozeb. Foram avaliados parâmetros
macroscópicos e microscópicos. Como parâmetro macroscópico, o comprimento das
raízes foi utilizado como índice de toxicidade. Os parâmetros microscópicos utilizados
foram as freqüências de micronúcleos e de anormalidades da anáfase-telófase, utilizados
como indicadores de genotoxicidade. Foi observada redução significativa do
crescimento das raízes, indicando toxicidade dos quatro agrotóxicos testados. No caso
dos agrotóxicos cujos ingredientes ativos são o fention e o glifosato, há sugestão de
toxicidade dependente da concentração. Além disso, os agrotóxicos contendo glifosato,
beta-ciflutrina e fention apresentar aumento significativo das freqüências de fragmentos
cromossômicos, pontes, cromossomos retardatários e total de anormalidades da anáfasetelófase,
bem como de micronúcleos, indicando ação genotóxica. O agrotóxico
contendo glifosato apresentou aumento significativo da freqüência de pontes e
cromossomos retardatários na anáfase-telófase nas concentrações de 3 PL/L e 4 PL/L,
mas não nas concentrações de 1 PL/L e 2 PL/L, sugerindo genotoxicidade dependente
da concentração. Os resultados do presente estudo sugerem que os agrotóxicos
analisados podem comprometer a sobrevivência e a estabilidade genética de populações
expostas.

Palavras-chave: Micronúcleo, aberrações na anáfase-telófase, agrotóxico, Allium cepa.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Porque temos herbicida no nosso corpo?

No Brasil será diferente?





No exame de urina em 18 países europeus encontraram vestígios do herbicida glifosato, um estudo encomendado pela Amigos da Terra e cujos dados foram publicados hoje (1).

Estes resultados levantam sérias preocupações sobre aumento dos níveis de exposição a herbicidas à base de glifosato, herbicida de uso comum por parte dos agricultores, autoridades públicas e jardineiros em toda a Europa. Se aprovado mais culturas modificadas geneticamente na Europa, então a quantidade de glifosato aumento adicional (2).

Apesar do seu uso generalizado, actualmente há muito pouco controle da presença de glifosato em alimentos, água e no ambiente em geral. Esta é a primeira vez que é efectuado na Europa um estudo semelhante ao aparecimento do herbicida no corpo humano.

O porta-voz da Amigos da Terra Europa , David Sanchez, disse: " A maioria das pessoas estão preocupadas com a presença de herbicidas em seu corpo. Analisamos a urina de pessoas que viviam em 18 cidades espalhadas por toda a Europa e encontraram vestígios de herbicida em todos os países. Estes resultados sugerem que o glifosato estão expostas ... em nossas vidas diárias, mas não sabemos de onde vem, como é difundido no meio, e os danos que está causando à nossa saúde. "

" Este estudo destaca a negligência grave por parte de autoridades públicas em toda a Europa e indica que esse herbicida é usado excessivamente. Os governos têm de intervir para fazer um controle e fornecer medidas urgentes para reduzir seu uso. Isto inclui a rejeição de todas as formas de culturas geneticamente modificadas, o que aumenta o uso de glifosato. "

Amigos da Terra apela à União Europeia para investigar urgentemente caminho glifosato contaminação das pessoas, aumentando os níveis de vigilância no ambiente, comida e água, aprovando restrições imediatas sobre o uso de glifosato.

Amigos da Terra Europa exames laboratoriais comissionados que analisa amostras de urina de voluntários de 18 países europeus e concluiu que, em média, 44% das amostras continham glifosato. A proporção de positivo para a presença de glifosato varia entre os países, com Malta, Alemanha, Reino Unido e Polônia, que deu resultados mais positivos, e os níveis mais baixos na Macedônia e na Suíça.

Todos os voluntários que forneceram amostras de urina vivia em cidades , e nenhum deles tinha manipulado ou usado produtos com glifosato no período anterior à conclusão da análise, que foram realizadas entre março e maio de 2013.

O glifosato é usado em muitas das culturas geneticamente modificadas. Eles estão à espera de aprovação na Europa 14 novos cultivos transgênicos projetados para uso com o glifosato. A adoção dessas culturas conduziria inevitavelmente a um aumento no uso de glifosato na União Europeia.

O maior produtor de glifosato é a Monsanto , que vende sob a marca Roundup. Há duas semanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou que tinha encontrado desenvolvido pela Monsanto GM trigo, o trigo que não tinha sido aprovado para o cultivo em um campo no Oregon, o que levou alguns países têm restringido as importações trigo dos Estados Unidos, que arquivam processos contra a empresa.



Notas:

(1) As amostras de urina foram coletadas de voluntários da Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, República Checa, França, Geórgia, Alemanha, Hungria, Letónia, Macedónia, Malta, Polônia, Espanha, Suíça, Países Baixos e os Estados Reino Unido. Das 182 amostras coletadas, 80 continham glifosato. Todas as amostras foram coletadas de pessoas que vivem em cidades, inclusive com vegetarianos e não dieta vegetariana. Não há duas amostras foram coletadas na mesma casa. As amostras foram analisadas pelo Dr. Hoppe, que tem um laboratório médico em Bremen, Alemanha.

Os resultados completos estão disponíveis neste link: " Determinação de traços de glifosato em amostras de urina humanos de 18 países da Europa " , realizado por um laboratório médico em Bremen.


Notícias abaixo

Plano de contaminantes ambientais:

comtaminantes ambientais


Veja também:

Participante de um trabalho que possibilitou a revisão bibliográfica de 359 artigos científicos sobre o impacto de diferentes herbicidas, em sua apresentação Rubens Onofre Nodari mostrou diversos estudos que relatam efeitos dos agrotóxicos. Entre eles, morte celular, alterações endócrinas, redução de espermatozóides e alterações nos gametas, além de preocupações sobre impactos neurológicos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Roundup da Monsanto, novo estudo estabelece ligações ao autismo, mal de Parkinson e Alzheimer

argentina dominou soja GM pulverizada 53 milhões de litros ano roundup


O glifosato é um componente principal do herbicida Roundup da Monsanto. O glifosato foi fabricado pela Monsanto e é um dos herbicidas mais amplamente utilizados em todo o mundo. Uma série de estudos científicos em torno glifosato lançaram luz sobre os seus efeitos no organismo humano. É responsável por desencadear problemas de saúde como distúrbios gastrointestinais, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, mal de Parkinson e doença de Alzheimer.

Quando você ingerir Glifosato, que está na essência alterar a química do seu corpo. É completamente não-natural e o corpo não entrar em ressonância com ele. P450 (CYP) é o caminho do gene interrompido quando o corpo tem de glifosato ( 3 ). P450 cria enzimas que auxiliam na formação de moléculas em células, bem como decompondo-os. Enzimas CYP são abundantes e têm muitas funções importantes. Eles são responsáveis ​​pela desintoxicação xenobióticos do corpo, coisas como os vários produtos químicos encontrados em pesticidas, medicamentos e substâncias cancerígenas. O glifosato inibe as enzimas CYP. A via CYP é fundamental para, funcionamento normal e natural de vários sistemas biológicos dentro de nossos corpos. Porque os seres humanos that've sido expostos ao glifosato têm uma queda nos níveis de aminoácido triptofano, eles não têm a necessária sinalização activa do neurotransmissor serotonina, que está associado com o ganho de peso, depressão e doença de Alzheimer.
Obviamente, a composição química atrás glifosato é conhecido pela Monsanto. O fato de que atrapalha o caminho do gene CYP, as enzimas que desempenham um papel importante na desintoxicação do corpo é algo que pode facilmente contribuir para doenças e enfermidades. Eu me pergunto se isso tem uma correlação direta com a indústria farmacêutica, possivelmente? Os mesmos grandes instituições financeiras que possuem grandes empresas de biotecnologia e de alimentos também possuem a maior parte das grandes empresas farmacêuticas. Eu não sei como as pessoas pensam que é uma conspiração para pensar que a nossa indústria de alimentos é projetado para nos fazer mal. A grande mídia sempre vai promover OGM e Roundup, bem como enfatizar a sua segurança. Isso não poderia estar mais longe da verdade, eles danificam seu DNA e genoma de RNA, e não apenas para o lucro, mas para a experimentação e controle. Fidelity Investments, State Street Corporation, JP Morgan Chase e The Vanguard Group parecem possuir todas as grandes empresas de alimentos e empresas farmacêuticas ( 1 ) ( 2 ).

Não faz muito tempo uma vez, um gene viral oculto também foi descoberta em cultivos transgênicos. Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA), os pesquisadores descobriram um gene viral previamente desconhecido, que é conhecido como "Gene VI." É encontrado em lavouras transgênicas mais proeminentes, e pode atrapalhar as funções biológicas dentro de organismos vivos. Você pode ler mais sobre isso aqui . Não só temos grandes problemas com Roundup, também temos grandes problemas com as culturas de OGM que são pulverizadas com o Roundup. Nós damos muito poder sobre a essas empresas, pertencentes a grandes instituições financeiras, e eles ditam claramente a política do governo, você pode ler mais sobre isso aqui . Nós vimos evidência desse recentemente, quando Obama assinou a lei de protecção de Monsanto.


Meios de comunicação alternativos estão trabalhando juntos para compartilhar informações em todo o mundo. Podemos facilmente aceitar algo que não sabe nada sobre, e colocar a nossa confiança nas corporações e governos que pensamos que estamos aqui para servir os nossos interesses. Só é preciso um pouco de questionamento crítico e de investigação para descobrir a verdade por trás de nossa indústria de alimentos. Criar consciência é fundamental que as pessoas possam fazer as melhores escolhas em sua vida!

Este estudo foi realizado por Anthony Samsel e Stephanie Seneff. Stephanie Seneff é um cientista de pesquisa sênior em Ciência da Computação do MIT eo Laboratório de Inteligência Artificial. Recebeu o grau de bacharel em Biofísica em 1968, o MS e graus de EE em Engenharia Elétrica em 1980, eo grau de doutorado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação em 1985, todos da MIT. Ela já publicou mais de 170 artigos arbitrados sobre estes temas, e foi convidado para dar palestras em várias conferências internacionais. Ela também orientou Mestrado numerosos e teses de doutoramento no MIT. Se você tem alguma dúvida sobre o papel do glifosato no organismo humano, você pode contatá-la em seneff@csail.mit.edu.

Fontes:










Fonte onde foi tirada a matéria:


Mais artigos sobre o glifosato:




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pesquisa: Toxicidade do herbicida Roundup subestimou




Pesquisa: Toxicidade do herbicida Roundup subestimou: "Glifosato, o ingrediente mais conhecido no herbicida Roundup, tem sido recentemente o foco de um intenso debate sobre se é ou não perigoso, mesmo cancerígenas, para aqueles expostos a ele através dos alimentos e do meio ambiente. Monsanto, o criador original e titular da patente do glifosato, e do mais famoso glyphosate na formulação Roundup, que financiou a pesquisa negar a emergente glifosato câncer link, mas o mais recente estudo de alimentação (e único conhecido) de longo prazo a partir de uma pesquisa independente indústria grupo fora da França, indica que o material transgênico dentro Roundup-Ready milho Monsanto , bem como a própria Roundup, são altamente cancerígenos, e deve ser proibida para proteger os milhões de pessoas que já estão consumindo-lo em uma base diária."

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Glifosato: A Trajetória da miséria humana



Glifosato: A Trajetória da miséria humana | Entrada Blog | GreenMedInfo: "O glifosato foi provavelmente causado mais danos à saúde humana do que qualquer outro produto químico já produziu. Na verdade, é provavelmente a causa da explosão em doenças crônicas. Certamente, a civilização não pode ser mantida quando a pessoa média é irrevogavelmente doente. Essa trajetória da miséria humana deve chegar a um fim.

 O glifosato foi introduzido pela primeira vez em 1974 e tornou-se herbicida mais dominante do mundo. Agora é genérico, por isso há muitas marcas e formulações. Como resultado, é praticamente onipresente, encontrado em quase toda parte na terra . Além disso dirigindo seu uso são geneticamente (GM), que foram inicialmente desenvolvidos com o propósito de criação de plantas tolerantes ao glifosato, geralmente conhecida como Roundup Ready modificado. Estes resultaram em uso cada vez mais descarada e livre, especialmente na esteira de super ervas daninhas resistentes ao glifosato. Estimativas indicam que as culturas GM tolerantes ao glifosato em 90% de todas as culturas transgênicas. "


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Pesquisa: Roundup Diluído por 450-Fold ainda é tóxico para DNA

Pesquisa: Roundup Diluído por 450-Fold ainda é tóxico para DNA: "Nova pesquisa divulgada ahead of print e publicado na revista Archives of Toxicology indica que o Roundup , a formulação mais comum do herbicida glifosato , não só é mais tóxico do que os seus ingredientes constituintes, mas é capaz de danificar o DNA dentro de uma linha celular humana quando diluído até 450 vezes menores concentrações do que actualmente utilizados em aplicações agrícolas transgênicos. Nas próprias palavras dos pesquisadores, Roundup tem "efeitos genotóxicos após breve exposição a concentrações que correspondem a uma diluição de 450 vezes maior de pulverização utilizado na agricultura.""



Herbicida Roundup relacionado ao crescimento excessivo de bactérias mortais



Herbicida Roundup relacionado ao crescimento excessivo de bactérias mortais: "Poderia herbicida Roundup à base de glifosato da Monsanto ser líder para o crescimento excessivo de bactérias mortais em animais e seres humanos consumindo alimentos geneticamente modificados contaminado com isso? Esta questão decorre um novo estudo publicado na revista Current Microbiology , intitulado "O Efeito do glifosato sobre Patógenos Potenciais e membros benéficos da microbiota Poultry In Vitro", que descobriu que o ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Monsanto , conhecido como o glifosato, impactado negativamente as bactérias do trato gastrointestinal de aves in vitro. Os pesquisadores apresentaram evidências de que as bactérias altamente patogênicas resistiu glifosato, enquanto que as bactérias benéficas foram moderadamente a altamente suscetíveis a ela."

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Em pratos limpos » Roundup afeta bactérias intestinais benéficas

por AS-PTA, Via GMWatch



Pesquisadores da Universidade de Leipzig publicaram estudo mostrando que o herbicida Roundup impacta negativamente bactérias gastrointestinais de aves. Os testes, realizados in vitro, revelaram ainda que enquanto bactérias altamente patogênicas como as que causam salmonela e botulismo resistiram ao Roundup, aquelas benéficas foram de moderada a altamente suscetíveis ao produto.

O estudo fornece bases científicas para os relatos de aumento de doenças gastrointestinais em animais alimentados com soja Roundup Ready, que é tolerante ao herbicida Roundup, cujo ingrediente ativo é o glifosato. No Brasil, quando liberado o sistema soja RR-herbicida Roundup, o governo multiplicou por 50 o limite de resíduo de glifosato permitido nos grãos modificados.


Abstract

Shehata, A. A., W. Schrodl, et al. (2012). The effect of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. Curr Microbiol. Publ online 9 December.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23224412



Abstract: The use of glyphosate modifies the environment which stresses the living microorganisms. The aim of the present study was to determine the real impact of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. The presented results evidence that the highly pathogenic bacteria as Salmonella Entritidis, Salmonella Gallinarum, Salmonella Typhimurium, Clostridium perfringens and Clostridium botulinum are highly resistant to glyphosate. However, most of beneficial bacteria as Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium, Bacillus badius, Bifidobacterium adolescentis and Lactobacillus spp. were found to be moderate to highly susceptible. Also Campylobacter spp. were found to be susceptible to glyphosate. A reduction of beneficial bacteria in the gastrointestinal tract microbiota by ingestion of glyphosate could disturb the normal gut bacterial community. Also, the toxicity of glyphosate to the most prevalent Enterococcus spp. could be a significant predisposing factor that is associated with the increase in C. botulinum-mediated diseases by suppressing the antagonistic effect of these bacteria on clostridia.

…………………….

Fonte:  AS-PTA,

Em pratos limpos » Roundup afeta bactérias intestinais benéficas

Em pratos limpos » Roundup afeta bactérias intestinais benéficas: "ram ainda que enquanto bactérias altamente patogênicas como as que causam salmonela e botulismo resistiram ao Roundup, aquelas benéficas foram de moderada a altamente suscetíveis ao produto. O estudo fornece bases científicas para os relato"

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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Roundup é mais tóxico que o glifosato




Número 623 – 05 de abril de 2013



Em uma nova pesquisa publicada na prestigiosa revista Toxicology [1], Robin Mesnage, Benoît Bernay e Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, provaram, através do estudo de 9 herbicidas do tipo Roundup, que o composto químico mais tóxico não é o glifosato (seu princípio ativo e substância mais avaliada pelos órgãos reguladores), mas sim um composto que nem sempre é mencionado nos rótulos, o POE-15. Foram aplicados testes em 3 tipos de linhagens de células humanas e de espectrometria de massa (que avalia a natureza das moléculas) para identificar o composto e analisar seus efeitos.

O contexto: O glifosato é o “princípio ativo” do herbicida Roundup (da Monsanto), o mais utilizado do mundo, e de outras formulações comerciais parecidas. Ele foi avaliado em mamíferos previamente a sua autorização comercial. Mas os líquidos nos quais ele é diluído para compor os produtos comercializados, como em todos os agrotóxicos, contêm também adjuvantes classificados como “inertes”, frequentemente confidenciais, destinados a estabilizar o princípio ativo e permitir que ele seja absorvido pelas plantas, como espalhantes e umectantes. Dessa forma, esses herbicidas podem afetar todas as células vivas, inclusive as humanas. Isso porém acaba sendo negligenciado porque o glifosato e o Roundup são tratados como se fossem uma única coisa e a não toxicidade presumida do primeiro serve de base para as autorizações do segundo. Os órgãos reguladores e os fabricantes de herbicidas à base de glifosato fazem avaliações com o glifosato sozinho, e não com o herbicida em suas formulações comerciais. Os detalhes dessas avaliações são considerados confidenciais e mantidos sob sigilo pela indústria e órgãos de saúde e meio ambiente.


Conclusões e consequências: Este estudo demonstra que todos esses herbicidas à base de glifosato são mais tóxicos que o glifosato sozinho. Os níveis máximos de resíduos autorizados no meio ambiente e nos produos alimentares parecem, portanto, equivocados. A toxicidade de uma bebida (como a água de torneira) regularmente contaminada por resíduos de herbicidas como o Roundup, assim como de uma alimentação de soja ou milho geneticamente modificados para tolerância ao Roudup, já foi demonstrada em estudo com ratos publicado recentemente (2) pela equipe do professor Séralini, que também publicou as respostas a todas as críticas que recebeu (3). Esta nova pesquisa explica e confirma em grande parte esses resultados científicos.

Mas, além disso, trata-se de uma grave questão de saúde pública. Não apenas as autorizações dos herbicidas do tipo Roundup devem ser urgentemente questionadas como também as normas de avaliação de riscos devem ser completamente revisadas e realizadas de forma transparente e independente. Na verdade, os órgãos de avaliação, que sempre chegam à mesma conclusão que a Monsanto a respeito da inocuidade do produto, estão falhando por seu laxismo e suas práticas confidenciais que evitam a realização de avaliações completas. A primeira etapa de uma nova avaliação pelas agências sanitárias é a disponibilização na internet de todos os dados relativos às autorizações e os pareceres favoráveis ao uso do Roundup e produtos similares. Os dados toxicológicos da indústria devem ser publicizados.

Os adjuvantes da família do POE-15 aparecem agora como novos princípios ativos de toxicidade sobre células humanas e devem ser regulados como tais. Devem ser considerados nos testes de toxicidade. Demandamos uma revisão dos processos de homologação dos agrotóxicos de modo a incorporar testes de longo prazo das formulações comercializadas e utilizadas no meio ambiente.

Além disso, uma vez que os compostos tóxicos confidenciais são utilizados de maneira generalizada nas formulações de agrotóxicos, é de se temer, a partir destas descobertas, que a toxicidade de todos os agrotóxicos existentes tenha sido fortemente subestimada.

Este estudo foi conduzido na Universidade de Caen com o suporte estrutural do Criigen (Comitê de Pesquisa e Informação Independente sobre Engenharia Genética), que faz parte da Rede Europeia de Cientistas pela Responsabilidade Social e Ambiental (ENSSER www.ensser.org).

Nota à imprensa, Criigen em 21 de fevereiro de 2013.

Tradução: AS-PTA

PARA APROFUNDAR










terça-feira, 12 de março de 2013

Na Argentina, uma condenação histórica contra o Herbicida glifosato






A Justiça de Córdoba condenou a três anos de prisão (que serão cumpridos em trabalhos sociais) um latifundiário e o piloto de um avião que fumigou plantações de soja numa região urbana. Dois componentes químicos – endosulfán e glifosato – foram espalhados, em 2004 e 2008, nas plantações de soja de Francisco Parra, vizinhas ao bairro de Ituzaingó, em Córdoba. Foi a primeira vez que a Argentina condena o uso de glifosato, produzido pela Monsanto.

O artigo é de Eric Nepomuceno(*).


Buenos Aires - A Argentina é um país de julgamentos. Agora mesmo estão sendo julgados antigos ditadores, generais que ordenaram assassinatos e roubos de recém-nascidos, agentes das forças armadas e da polícia que participaram do terrorismo de Estado durante a ditadura cívico-militar que imperou entre 1976 e 1983. E, como se fosse pouco, um ex-presidente, o frouxo e confuso Fernando de la Rúa (dezembro 1999-dezembro 2001), aquele que foi posto para fora por manifestações populares e escapou da Casa Rosada pelo telhado, está no banco dos réus, acusado de subornar senadores peronistas, de oposição, para que votassem a favor da nova legislação trabalhista.

Com tanto vai-vem, com tanto entra e sai de tribunais, uma sentença determinada por um tribunal de Córdoba, a segunda província e a segunda maior cidade do país, abriu espaço e conquistou atenções: num julgamento considerado histórico num país de julgamentos históricos, a Justiça cordobesa condenou a três anos de prisão (que serão cumpridos em trabalhos sociais) um latifundiário e o piloto de um avião que fumigou plantações de soja numa região urbana. Dois componentes químicos – endosulfán e glifosato – foram espalhados, em 2004 e 2008, nos inseticidas fumigados pelo piloto Edgardo Pancello nas plantações de soja de Francisco Parra, vizinhas ao bairro de Ituzaingó, em Córdoba.

Foi a primeira vez que a Argentina condena o uso de glifosato, produzido pela multinacional envenenadora Monsanto – a mesma que desenvolveu o ‘agente laranja’ utilizado pelos Estados Unidos na guerra do Vietnã e produz sementes transgênicas utilizadas em vários países, o Brasil inclusive.

É o resultado de uma luta de dez anos dos moradores de Ituzaingó e de outras localidades argentinas, que denunciam as conseqüências do uso do glifosato nos agrotóxicos produzidos pela Monsanto e fumigados a torto e a direito país afora. O embriologista argentino Andrés Carrasco, que há anos denuncia os altíssimos riscos de contaminação do agrotóxico Roundup, fabricado pela Monsanto à base de glifosato, já havia antecipado, à exaustão, o que o tribunal de Córdoba agora concluiu: quem usa esse produto comete crime ambiental gravíssimo.

Contra todos os argumentos da envenenadora multinacional, o tribunal de baseou em dados inquestionáveis: de 142 crianças moradoras de Ituzaingó que foram examinadas, 114 contêm agroquímicos em seu organismo, e em altas quantidades. Foram constatados ainda 202 casos de câncer provocados pelo glifosato, dos quais 143 foram fatais num lapso curtíssimo de tempo. Houve, em um ano, 272 abortos espontâneos. E dos nascidos, 23 sofrem deformações congênitas. Moram em Ituzaingó pouco mais de cinco mil pessoas, o que dá uma dimensão clara dos males sofridos.

A cada ano que passa cerca de 280 milhões de litros de Rondup – ou seja, de glifosato – são despejados nos campos argentinos. São cerca de 18 milhões de hectares aspergidos ou fumigados nas plantações de soja transgênica, que significam 99% de tudo que o país produz. O mais brutal é que essa soja nasce de sementes geneticamente modificadas, produzidas pela própria Montanto. O glifosato contido no Roundb destrói tudo – menos a semente.

Ou seja, a multinacional do veneno criou uma semente que é a única que resiste ao agrotóxico produzido pela mesma indústria. Até agora, as denúncias de Andrés Carrasco, diretor do Laboratório de Embriologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, haviam esbarrado num muro aparentemente intransponível: em 1996, o glifosato foi autorizado por lei na Argentina, durante o governo de Carlos Menem.

Detalhe: a lei foi aprovada a toque de caixa tomando como base estudos financiados pela própria Monsanto. Das 135 páginas do tal estudo, 108 estavam escritas em inglês. Sequer se deram o trabalho de traduzi-las.

Há outras denúncias, há outros processos. Também em Córdoba foram detectados casos assustadores na localidade de Matabrigo, cercada de plantações de soja transgênica fumigadas com glifosato.

O glifosato continua sendo usado em campo aberto. Mas, na Argentina, já não poderá mais ser aplicado em áreas próximas às zonas urbanas. Além de abrir jurisprudência no país, a sentença do tribunal cordobês abre um precedente importante para milhares de processos em andamento em toda a América Latina.

Aqui no Brasil, nada muda. O veneno continua sendo um dos motores principais do agronegócio. Em nosso país, o volume de pesticidas e agrotóxicos utilizados no campo é mais de três vezes superior ao da Argentina. Somos campeões mundiais de veneno, e tudo continua igual. A Monsanto continua, impávida, envenenando o dia a dia de milhões de brasileiros.

Aliás, e por falar em Monsanto: alguém se preocupou em saber como anda a questão da soja transgênica semeada no Paraguai e fumigada ou aspergida com glifosato? Ou seja, alguém se preocupou em saber até onde a reforma agrária defendida pelo deposto presidente Fernando Lugo afetaria os interesses da Monsanto no país?

(*) confira o artigo na fonte original acessando:




quarta-feira, 6 de março de 2013

Monsanto paga para produtores usarem mais veneno




Nada como um dia após o outro para se derrubar um a um os embustes promovidos pela Monsanto e suas congêneres. Na sua terra natal, a empresa está pagando até 50 dólares por hectares para os produtores usarem dois outros herbicidas sobre as plantações transgênicas. Tamanho o estrago causado pela adoção massiva das sementes resistentes ao Roundup que a empresa agora tem que pagar o mico de subsidiar venenos de suas concorrentes.

As diferentes espécies de mato que ganharam resistência ao glifosato (Roundup) já se espalharam por 22 estados norteamericanos, onde outros produtos mais tóxicos são necessários para controlá-las. No Brasil, são pelo menos 4 milhões de hectares com o mesmo problema.

A Monsanto anunciou que está oferecendo abatimentos de 15 dólares por hectare para os herbicidas para a soja e aumentou para até 50 dólares os descontos para o algodão Roundup Ready, cultura onde o problema é maior. Com a medida a empresa espera conter o aumento da área com mato resistente e seguir vendendo seu Roundup. O subsídio vai para um produto da própria Monsanto, chamado de Warrant, e para um da Syngenta.

Mesmo diante do fiasco a empresa e seus especialistas segues alimentando ilusões. Tentam minimizar o problema alegando que o pacote “semente Roundup Ready + herbicida Roundup” permite que os produtores controlem o mato sem ter de arar a terra, evitando assim perdas de solo por erosão. Em 2007, relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (National Resource Inventory) informou que “não houve progesso na redução da erosão do solo no cinturão do milho desde 1997”. É nessa região no meio-oeste que se cultiva o grosso do milho e soja resistentes ao Roundup no país. E o relatório ainda informa que uma propriedade média de Iowa perde cerca de duas toneladas de solo por hectare/ano.

Onde estão os experts do CIB, da CTNBio, do governo e os ruralistas que sempre defenderam a liberação dos transgênicos alegando que eles iriam reduzir o uso de venenos e ajudar o meio ambiente? Houve até quem dissesse que os produtores estavam tendo mais tempo para pescar e ficar com a família depois que passaram adotaram as milagrosas sementes da Monsanto. De que lado afinal de contas está o obscurantismo?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pesquisador revela efeitos do glifosato em embriões humanos e é ameaçado


AndresCarrasco-Argentino-Agrotoxicos

Segundo Andrés Carrasco, o estudo atesta o que outros cientistas também já confirmaram

Do IHU*
Reproduzido do Página 12

Há duas semanas, o professor de embriologia Andrés Carrasco denunciou no jornal Página/12 os efeitos devastadores do composto herbicida glifosato sobre os embriões humanos. Esperava uma reação, "mas não tão violenta": foi ameaçado, armaram uma campanha de desprestígio contra ele e até afirmaram que suas investigações não existiam. Nesta entrevista, Carrasco contesta e renova suas acusações contra as multinacionais químicas.

A reportagem é de Darío Aranda, publicada no jornal Página/12, 03-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ameaças

Ameaças anônimas, campanha midiática de desprestígio e pressões políticas foram algumas das consequências de um duplo pecado: investigar os efeitos sanitários do modelo agropecuário e, mais grave ainda, se animar a difundi-los.

No segundo piso da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA), trabalha Andrés Carrasco, professor de embriologia, principal pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas(Conicet) e diretor do Laboratório de Embriologia Molecular. Com 30 anos de trabalho científico e acadêmico, confirmou, há 20 dias, o efeito letal do glifosato em embriões, cuja marca comercial mais famosa é a Roundup, da multinacional Monsanto.

Reação

Ele sabia que viria uma réplica do setor, mas não esperava que fosse de um calibre tão alto. "Não descobri nada novo. Só confirmei o que outros cientistas descobriram", explica, em seu escritório pequeno e luminoso. Passaram-se duas semanas complexas, com uma campanha de desprestígio que ainda não terminou. Ele preferiu o silêncio e também avançar em novas provas. Até que colocaram em dúvida a existência da sua pesquisa. "Eles acham que podem sujar 30 anos de carreira facilmente. São hipócritas, capachos das corporações, mas têm medo. Sabem que não podem tapar o sol com a peneira. Há provas científicas, e, sobretudo, há centenas de povos que são a prova viva da emergência sanitária".

Na Justiça

Há 20 dias, quando o jornal Página/12 divulgou a sua pesquisa, nenhuma empresa nem meio de comunicação do setor retomou o tema. Mas, três dias depois, conheceu-se outro fato, inesperado: a Associação dos Advogados Ambientalistas apresentou um amparo judicial à Corte Suprema de Justiça, pelo qual solicitou a proibição de uso e venda até que os efeitos do produto na saúde e no ambiente sejam investigados. As empresas acenderam a luz amarela e começaram a divulgar comunicados, alarmadas pela possível queda de rentabilidade. Cinco dias depois, na segunda-feira, 20, o Ministério da Defesa proibiu a semeadura de soja em seus campos, fazendo eco ao efeito nocivo do agrotóxico. Foi um fato político inédito, uma pasta nacional alertou sobre os males dos agroquímicos.

Nesse momento, empresas, câmaras do setor, meios de comunicação e operadores políticos declararam o alerta máximo. Nunca antes as multinacionais do agronegócio e seus porta-vozes haviam reagido tão violentamente. Durante toda a semana montaram uma campanha em defesa dos agrotóxicos e, ao mesmo tempo, de desprestígio às vozes críticas. O temor dos defensores dos agronegócios é a proibição de seu agrotóxico mais famoso, um dos químicos emblema do modelo agropecuário atual.

Você esperava uma reação como a que ocorreu?

Não. Foi uma reação violenta, desmedida e suja. Sobretudo porque não descobri nada novo, só confirmei algo a que outros haviam chegado por outros caminhos. Por isso, não entendo porque tanta agitação das empresas. É preciso lembrar que a origem do trabalho remonta a contatos com comunidades vítimas do uso de agrotóxicos. Elas são a prova mais irrefutável do que eu investiguei com um sistema e modelo experimental com o trabalho de 30 anos, e com o qual eu confirmei que o glifosato é devastador em embriões anfíbios. Mesmo em doses muito abaixo das usadas na agricultura, ocasiona diversas e numerosas deformações.

Os resultados são extrapoláveis à saúde humana?

Os modelos animais de vertebrados que hoje são usados na pesquisa embriológica têm a mecânica do desenvolvimento embrionário precoce e uma regulação genética comum. Os resultados devem ser considerados extrapoláveis quando um impacto externo os altera. O mundo científico sabe disso, e os funcionários dos ministérios também. Por isso, quando encontrei essas evidências, surgiram duas questões a serem resolvidas: como continuar a pesquisa para saber qual é a mecanística de um efeito que altera a forma normal do embrião, o que está em marcha. E a outra decisão era como dá-la a conhecer.

Por que a difusão se transforma em um problema?

Porque não há canais institucionais confiáveis que possam receptar pesquisas desse tipo, com poderosos interesses contrários. Então, a decisão pessoal foi torná-la pública, já que não existe razão de Estado, nem interesses econômicos das corporações que justifiquem o silêncio quando se trata da saúde pública. É preciso deixar claro: quando se tem um dado que só interessa a um círculo pequeno, podemos guardá-lo até que o tenhamos ajustado até o menor detalhe e canalizá-lo pelos meios para esse pequeno círculo. Mas quando demonstramos fatos que podem ter impacto na saúde pública, é obrigação dar-lhe uma difusão urgente e massiva.

É uma prática comum difundir um avanço científico antes de ser publicado em uma revista científica?

É algo totalmente comum. No país, há instituições que todos os dias difundem seus progressos científicos, que até possuem agentes de imprensa que difundem os avanços. Ninguém os questiona, e os meios de comunicação os replicam sem perguntar. Difundem progressos, sem papers, sem publicações, e está muito bem. Mas, claro, essas difusões não afetam interesses de grupos poderosos.

Mas existe uma tensão no âmbito científico sobre quando dar a conhecer um avanço.

A tensão é se a divulgação deveria esperar ser "aprovada" (reforço as aspas, porque é todo um tema à parte, que leva anos). Agora, se a pesquisa tem implicâncias além do acadêmico, se afeta a sociedade, o dilema moral é se eu a guardo até que termine o menor detalhe, e meu narcisismo esteja satisfeito, ou dou o alerta. Eu decidi dar o alerta e insisto que não é nada novo, há antecedentes claros como Robert Belle e Gilles-Eric Seralini, que fizeram estudos com outros modelos, publicados e com resultados mais importantes do que os meus. O que as instituições tinham que fazer em vez de me atacar, como está acontecendo com alguns funcionários e as empresas, é se informar e começar a trabalhar para remediar o ocorrido.


As empresas e os meios de comunicação dos agronegócios defendem que não há estudos sérios.

Há pesquisas em diversas partes do mundo, e são muito sérias, como as que eu acabo de mencionar. As empresas e seus jornalistas empregados desqualificam uma pesquisa, mas, ao mesmo tempo, não escutam a catarata de quadros médicos palpáveis nas zonas de soja. As províncias estão cheias de vítimas de agrotóxicos, mas os jornais não querem chegar aí, e muito menos as empresas responsáveis. Não entendo por que meu relato tem mais importância que o dasMães de Ituzaingó (bairro dos arredores de Córdoba, emblema da contaminação com agroquímicos). Os médicos das províncias estão denunciando há anos, os agricultores e os bairros urbanos também. E fica tudo silenciado. É uma evidência da realidade e é incontestável. Eu me inspirei nessa realidade, e os resultados são os conhecidos. As empresas do agronegócio, os meios de comunicação, o mundo científico e os dirigentes políticos são basicamente hipócritas com relação às consequências dos agrotóxicos, protestam e desqualificam uma simples pesquisa, mas não são capazes de observar as inumeráveis evidências médicas e reclamações em Santiago del Estero, Chaco, Entre Ríos, Córdoba e Santa Fe.

Que outros trabalhos existem?

Belle e Seralini na França. Também há trabalhos da Universidad Nacional del Litoral e de pesquisadores comoAlejandro Oliva, de Rosario, que contou com a colaboração do INTA [Instituto Nacional de Tecnología Agropecuária] e da Federación Agraria. Há estudos dos doutores Rodolfo Páramo (Santa Fe) e Darío Gianfelici (Entre Ríos). Não são muitos, mas existem, são sérios e estão disponíveis.

Por que o setor científico não estuda?

Porque não é em todo o mundo que há essa enorme quantidade de hectares com soja como ocorre na Argentina. Há quase 18 milhões de hectares. Do ponto de vista ecotoxicológico, o que acontece na Argentina é quase um experimento em massa.

Tentou-se deslegitimar a sua pesquisa dizendo que a UBA e o Conicet não sabiam do seu trabalho.

A UBA e o Conicet são organismos de gestão, não têm por que conhecer tudo o que eu faço ou o que todos os seus pesquisadores fazem. Está dentro de nossas faculdades definir as linhas de trabalho, investigar e dar a conhecer resultados. É a lógica da pesquisa. Por isso, eu não tenho que pedir autorização para iniciar uma ideia ou um tema novo, e eles não têm por que conhecer isso, porque a ciência não funciona com organismos fiscalizadores dos temas que escolhemos. Faz parte da liberdade acadêmica, nos movemos por hipóteses, perguntas e desenvolvemos pesquisas. Também se disse que o Conicet, como instituição, não assinou embaixo da minha pesquisa. E é verdade, porque eu não pedi isso, e ele não tem por que assiná-lo no marco de uma ideia nova dentro da amplitude de um projeto. É o que acontece em centenas de pesquisas que se realizam. Que fique claro: o Conicet não tem responsabilidade sobre as minhas decisões. É uma decisão pessoal, como corresponde, não institucional. E está dentro das minhas faculdades. Também não se requer autorização institucional para desenvolver pesquisas, mesmo que saibamos que algumas sofrem mais resistência do que outras.

São públicos os convênios entre o Conicet e a mineradora Barrick Gold, e também com a Monsanto, com a qual até contavam com um prêmio de pesquisa conjunto ("Animarse a Emprender"). As pesquisas que podem ser críticas com esses setores são menos bem-vindas do que outras?

(Sorri). Prefiro não responder.

O senhor poderia investigar para a Monsanto?

Sim. O Conicet e a UBA permitem. E mais, muitos cientistas trabalham há anos para empresas de biotecnologia sob a figura de assessor-consultor, pela qual o Conicet permite até 12 horas semanais que seus pesquisadores forneçam serviços ao setor público ou privado.

Acusa-se a sua pesquisa de não estar validada em uma publicação científica.

É uma artimanha barata, de quinta categoria, que só mostra o temor das empresas. No mundo científico, é sabido que a validação de um trabalho não se dá por sua publicação em uma revista do setor. E mais, os cientistas são testemunhas de erros e inclusive de fraudes que são publicados em revistas especializadas. Muitas vezes, publica-se algo e depois se demonstra que é errôneo. E, por outro lado, muitas vezes há investigações que não são publicadas não porque sejam ruins, mas porque a revista não se interessa, seja por linha editorial ou por interesses em jogo. Um exemplo pessoal: em 1984, descobrimos genes muito importantes para o desenvolvimento embrionário, genes Hox. Publiquei dois papers na Cell, uma das melhores revistas do mundo, e havia quem acreditava e quem não. Tiveram que passar anos para que a comunidade científica os validasse.

O Laboratório de Embriologia é dependente do Conicet. Seu trabalho tem que ser validado pelo Conicet?

Que fique claro, por favor: nem o Conicet, nem um comitê editorial validam pesquisas. O que eles fazem é avaliar a evidência que apresentamos e julgam a solidez a partir da apresentação. Eles não têm maneira de verificar os resultados de forma prática. A única certeza de uma validação se dá em que outros pesquisadores podem repetir de forma sistemática, e até aperfeiçoada, os resultados da investigação realizada.

Quando vai compartilhar seu trabalho para colocá-lo em discussão na comunidade científica?

Em breve. Devo terminar alguns ensaios e estará pronto. O que eu mais quero é passá-lo aos colegas, pesquisadores que repliquem o trabalho. De fato, já o compartilhei com pares do país e do exterior. Desde já, deviam ser estudos independentes, não os previstos pelas corporações ou espaços do Estado a seu serviço.

A Monsanto poderá replicá-los?

Se contratar pesquisadores idôneos, sim. Não tenho dúvida de que os tem, e todos sabemos a quais resultados chegarão.

Como continuará a pesquisa?

Já confirmamos as más-formações. Agora, estamos avançando em conhecer qual é o mecanismo de ação, é um passo a mais. Como é um trabalho científico, continuarei com o grau de liberdade acadêmica de que disponho, tentando ver quais são as causas mecanísticas e moleculares das observações feitas para publicar os resultados. Aparte do anfíbio que nos serve de modelo, estenderemos os experimentos a outros modelos de desenvolvimento embriológico, como aves.

Pode acontecer que, com essas novas provas, os resultados difundidos – de más-formações – não se repitam?

Não há como. Porque foram experimentos controlados, nos quais fomos rigorosos. E, além disso, porque já há evidência científica que vai nesse sentido. Por isso, insisto, não descobrimos nada novo. Eu cheguei a um resultado e acredito nele. Se a comunidade científica chegar a outra conclusão, bem-vinda seja. O centro do problema não deveria ser essa investigação. Seria querer tapar o sol com a peneira. Eu só trouxe um ponto a mais à discussão. Mas há setores que querem encerrá-la, nem sequer por convencimento ideológico, só por conveniência econômica.

Acusa-se o seu trabalho de usar um método errôneo com o glifosato, e que, por isso, os resultados são devastadores: que as concentrações da experiência nunca são as que eventualmente um humano poderia receber ao ser aplicado no campo. Houve quem mencionasse que "se colocarmos gasolina no copo de leite, claro que ocasionará intoxicações, e nem por isso se proibirá o combustível".

Esse tipo de afirmação tem várias facetas. Por um lado, mostra desconhecimento biológico, o que é entendível para quem não se dedica a esse ramo da ciência. Mas, na boca dos porta-vozes das corporações, também mostra uma intencionalidade distante da inocência, com intenções de desprestigiar uma estratégia de análise mundialmente aceita. Então, sim, me parece uma comparação pouco séria, maliciosa e hipócrita. É sabido, tanto na comunidade científica quanto no setor agropecuário, que a aspersão do herbicida afeta ecossistemas, operando direta ou indiretamente sobre insetos e outras espécies animais quando se colocam em contato com o herbicida. Ou seja, além de células vegetais, também afetam organismos compostos por células animais. Nossas experiências alertam que tanto o coquetel comercial como a droga pura em células animais geram alterações do desenvolvimento embrionário.

Portanto, o glifosato dentro da célula embrionária altera o funcionamento celular, tal como ocorre nas células vegetais das ervas daninhas. Por outro lado, já está provado que os herbicidas se transladam pela ação do vento. É uma prova da realidade, incontestável, o padecimento de famílias de campos limítrofes ou de bairros próximos às fumigações. Portanto, o glifosato pode atravessar barreiras respiratórias ou placentárias e entrar nas células embrionárias, inclusive existem avanços científicos nessa direção, como também existem registros de glifosato e de seus possíveis metabolitos presentes em mulheres grávidas. Isso poderia se correlacionar com potenciais efeitos de má formação. Portanto, desentranhar se o glifosato puro injetado tem efeitos sobre o comportamento de células embrionárias animais durante o desenvolvimento era inevitável em uma estratégia experimental correta, e insisto que utilizei uma estratégia de análise clássica da pesquisa científica.

Acredita que deve se proibir o glifosato?

Em meu trabalho, eu não proponho isso. E não é da minha competência propor uma medida desse tipo. A única coisa que eu afirmo, respaldado em 30 anos de estudo na regulação genética embrionária, é que esse produto gera alterações no desenvolvimento, estou certo disso.

Seus resultados não correspondem com a classificação do Senasa [Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria] ou as recomendações da Secretaria da Agricultura.

É um claro problema deles, que o classificam como de baixa toxicidade. Todo o contrário do que os diversos estudos afirmam, que confirmam a alteração de mecanismos celulares e, sobretudo, contrário ao que as famílias de uma dezena de províncias padecem. É loucura pensar que não acontece nada.

Dado seu trabalho no Ministério da Defesa, vincularam sua investigação a uma operação do governo contra as entidades patronais do campo.

Nenhuma pessoa séria poderia pensar nessa possibilidade. Por um lado, ninguém com 30 anos de trabalho acadêmico colocaria em risco essa trajetória. Por outro, é um fato da realidade, o governo não pediu, não acredito que queria e nem possa proibir o glifosato. Alguns meios inventaram essa conspiração, uma jogada de má intenção. De fato, sofremos algumas pressões desde o centro do oficialismo. Por isso, ninguém pode me dizer que é uma operação do governo.

Que funcionários o pressionaram?
Prefiro, agora, não dar seus nomes.

Além dos funcionários que impulsionaram e defendem os agronegócios – sobretudo na Secretaria da Agricultura –, existem altos funcionários ligados ao setor das biotecnologias e que impulsionam os agrocombustíveis, uma segunda "sojização".

Não vou dar nomes. Mas, em vez do confronto ou da pressão, se deveria aprofundar os resultados, formar equipes interdisciplinares. A reação mais razoável, a mais científica, a mais humana teria sido essa, sobretudo se há um sinal de alerta sobre uma questão relacionada com a saúde humana. A reação lógica teria sido aprofundar as pesquisas, estudar a diferença entre biodegradabilidade e decomposição, as diferentes vias de penetração, revisar a normativa de uso e controlar os efeitos sobre a saúde humana de maneira sistemática. Mas se privilegiarmos os negócios, não avançaremos com novos estudos.

* Instituto Humanitas Unisinos

Fonte: Caros amigos

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