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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Exposição a agrotóxicos pode causar alterações no DNA, mostra pesquisa

Trabalho analisou 108 produtores rurais de Caxias do Sul (RS)

Valquíria Vita
Divulgação
Os resultados de uma pesquisa apresentada na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), pela bióloga geneticista Juliana da Silva, professora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) reforçam um aviso sempre necessário: os agricultores devem utilizar equipamentos de proteção (EPIs) para lidar com os agrotóxicos.

A pesquisa, realizada pela Ulbra, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de Caxias do Sul (UCS), analisou, de 2001 a 2003, as células de 108 viticultores da cidade de Caxias do Sul (RS), todos homens, expostos a agrotóxicos há cerca de 30 anos. Foram detectadas lesões no DNA de todos os produtores, sendo que eles apresentaram aproximadamente seis vezes mais lesões no DNA do que um grupo de pessoas não expostas aos agrotóxicos.

A geneticista explica para os leigos:

– Alteração no DNA significa que a célula avaliada possui quebras. Muitas vezes as células não conseguem consertar essas quebras e acabam morrendo. Se ela morrer, o organismo tem que produzir mais células, e, nesse sistema de morre e produz, a célula pode ter algum problema e começar a se dividir sem parar. É aí que pode surgir um tumor.

Os danos das células, segundo Juliana, podem se acumular no sistema de uma pessoa, causando, no caso dos expostos aos pesticidas, não somente câncer, mas outras doenças, como Alzheimer.

– Alegaram ter incidência de câncer na família 40% dos entrevistados. Ainda foram observados problemas reprodutivos em aproximadamente 18% deles – afirma Juliana.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Trabalho envenenado


Viviane Tavares - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Uso de agrotóxicos afeta diretamente os trabalhadores rurais que sofrem com intoxicação e outras doenças mais graves.
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Embora trágico, isso já não é mais novidade. No entanto, recentes pesquisas latino-americanas mostram que, além da intoxicação via alimentos, os trabalhadores também tem sofrido com esse impacto.

 E essa realidade está longe de ser mudada. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na safra 2010/2011, o consumo foi de 936 mil toneladas de agrotóxicos, movimentando US$ 8,5 bilhões entre dez empresas que controlam 75% desse mercado no país.

No artigo "Uso de agrotóxicos no Brasil e problemas para a saúde pública", publicado na última edição dos Cadernos de Saúde Pública, as autoras Raquel Maria Rigotto, Dayse Paixão e Vasconcelos e Mayara Melo Rocha afirmam que entre 2007 e 2011, de acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), houve um crescimento de 67,4% novos casos de acidentes de trabalho não fatais devido aos agrotóxicos. No mesmo período, as intoxicações aumentaram 126,8%. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda maior, 178%.

Para as pesquisadoras, os agrotóxicos constituem hoje um importante problema de saúde pública, "tendo em vista a amplitude da população exposta nas fábricas de agrotóxicos e em seu entorno, na agricultura, no combate às endemias e outros setores, nas proximidades de áreas agrícolas, além de todos nós, consumidores dos alimentos contaminados", explicam no artigo.

Agrotóxicos no trabalho

O pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro Henrique de Abreu, em sua pesquisa "O agricultor familiar e o uso inseguro de agrotóxicos no município de Lavras, em Minas Gerais", afirma que "não existe viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de uso seguro de agrotóxicos no contexto socioeconômico destes trabalhadores rurais." Pedro visitou 81 unidades de produção familiar em 19 comunidades no município de Lavras (MG). Ele usou como referência os manuais de segurança da indústria química e do Estado e tentou verificar a viabilidade do cumprimento dessas normas na agricultura familiar.

Em sua pesquisa, Pedro utilizou manuais de segurança elaborados pela associação das indústrias químicas no Brasil e por instituições públicas de saúde, agricultura e trabalho. "Os resultados apontaram que a aquisição de agrotóxicos é feita sem perícia técnica para indicar a real necessidade de utilização desses produtos, que a receita agronômica é predominantemente fornecida por funcionários dos estabelecimentos comerciais e que os agricultores não recebem informações e instruções adequadas sobre medidas de segurança no momento da compra", explica a pesquisa.

 Além disso, segundo o texto, o transporte de agrotóxicos é realizado nos veículos disponíveis, como caminhonetes e caminhões, que são não adaptados aos requerimentos de segurança. A questão do armazenamento também é crítica, pois os agricultores utilizam as construções que dispõem para o estoque dos agrotóxicos, independente das condições estruturais e da proximidade das mesmas com residências ou fontes de água.

 Além disso, o tamanho das propriedades, em grande parcela próxima das residências dos agricultores, impossibilita que o preparo e a aplicação sejam realizados a uma distância que impeça que os agrotóxicos atinjam residências.

 A falta de informação e de assistência técnica no que diz respeito aos EPIs e outras medidas de segurança necessárias, como o descarte nessas atividades também carecem de atenção.

 "As dificuldades criadas pelos estabelecimentos comerciais, assim como os custos envolvidos na atividade são os principais motivos para a não devolução das embalagens vazias; e que, por carência de informação, a lavagem das vestimentas e EPIs contaminados por agrotóxicos é entendida como atividade doméstica comum, sendo, portanto, realizada sem a observação de medidas de segurança", explica o estudo, que completa: 

"Conclui-se que a tecnologia agroquímica não pode ser utilizada sob os conceitos de controle de riscos na estrutura geral das unidades produtivas de agricultura familiar. Não existindo, desta forma, viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de uso seguro de agrotóxicos no contexto socioeconômico destes trabalhadores rurais".

Consequências mais graves
Recentemente publicado em sites de movimentos contra o agrotóxicos, o Grupo de Genética e Mutagêneses Ambiental (GEMA), formado por pesquisadores da Universidade Nacional de Río Cuarto (UNRC), declarou depois de oito anos de pesquisa e quinze publicações científicas, entre elas a "La genotoxicidad del glifosato evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas", na revista científica Toxicologia Ambiental e Farmacologia, da Holanda, que os agrotóxicos causam alterações genéticas e aumentam as probabilidades de contrair câncer, sofrer abortos espontâneos e nascimentos com malformações. 

Os estudos foram confirmados em pessoas e animais. Entre os venenos mais recorrentes estão o glifosato, endosulfam, atrazina, clorpirifos e cipermetrina. 

Em diversas pesquisas confirmamos alterações genéticas em pessoas expostas a agrotóxicos. A alteração cromossômica que vimos, indica quem tem mais risco de sofrer de câncer, a médio e longo prazo

Assim como outras doenças cardiovasculares, malformações, abortos", explicou Fernando Mañas, doutor em Ciências Biológicas e parte da equipe da UNRC, em entrevista para o Página/12, da Argentina.

domingo, 19 de outubro de 2014

O uso de pesticidas por agricultores, ligados a altas taxas de depressão, suicídios



Testes com animais demonstram alteração no funcionamento de células nervosas; estudos nos EUA, na China e no Brasil também sugerem aumento no risco de depressão em seres humanos
viso de toxicidade por uso de pesticidas: doenças mentais, depressão e suicídios de agricultores podem estar relacionados aos produtos químicos

Em sua fazenda no estado do Iowa, nos Estados Unidos, Matt Peters trabalhava do nascer ao pôr do sol plantando 1500 acres com sementes tratadas com pesticidas. "Sempre me preocupava com ele nas primaveras", diz a esposa Ginnie, "e me sentia aliviada quando ele terminava o trabalho". Em 2011, o marido "calmo, racional e carinhoso" se tornou subitamente deprimido e agitado. 

"Ele me disse: 'Eu me sinto paralisado'", conta. "Ele não conseguia dormir ou pensar. Do nada, ficou deprimido".

Matt, aos 55, tirou sua própria vida. Ninguém sabe o que engatilhou sua mudança súbita de humor e comportamento.

Matt Peters deixou para trás sua esposa, Ginnie, e dois filhos
Mas, desde a morte do marido, Ginnie se lançou em uma missão para não apenas conscientizar as pessoas sobre o suicídio em famílias de agricultores, como também para chamar atenção para as crescentes evidências de que os pesticidas podem alterar a saúde mental dos agricultores.

domingo, 29 de junho de 2014

Estudo americano aponta relação entre autismo e pesticidas


Imagem: Timothy Archibald

Uma mulher grávida que vive perto de uma fazenda onde são utilizados pesticidas tem 66% mais chances de ter uma criança autista, revelaram pesquisadores da Universidade da Califórnia Davis em um estudo publicado nesta segunda-feira (23).

Esta pesquisa publicada na revista Environmental Health Perspectives analisa a associação entre viver perto de um lugar onde são usados pesticidas e os nascimentos de crianças autistas, apesar de não deduzir uma relação de causa e efeito.

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que atinge uma em cada 68 crianças nos Estados Unidos. Um número crescente em relação a 2000, quando a desordem afetava uma em cada 150 crianças americanas.

Os pesquisadores compararam dados sobre a utilização de pesticidas na Califórnia na residência de 1.000 pessoas que participaram de um estudo de famílias com crianças autistas.

"Observamos onde viviam os participantes do estudo durante a gravidez e no momento do nascimento", explicou um dos autores do estudo, Irva Hertz-Picciotto, vice-presidente do departamento de Ciências e Saúde Pública da Universidade Davis da Califórnia.

"Constatamos que foram utilizados vários tipos de pesticidas, em sua maioria perto das casas onde as crianças desenvolveram autismo ou distúrbios cognitivos."

Cerca de um terço dos participantes do estudo vivia entre 1,25 e 1,75 quilômetros de onde foram usados pesticidas.

Os pesquisadores também descobriram que os riscos foram maiores quando o contato com o pesticida se deu entre o segundo e o terceiro mês de gravidez.

O desenvolvimento do cérebro do feto poderia ser particularmente sensível a pesticidas, de acordo com os autores do estudo.

"Este estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores que constataram ligações na Califórnia entre o fato de uma criança ter autismo e estar exposto a produtos químicos agrícolas durante a gravidez", indicou Janie Shelton, co-autora do estudo.

"Apesar de ainda termos que ver se alguns subgrupos são mais sensíveis do que outros a exposição a pesticidas, a mensagem é clara: as mulheres grávidas devem prestar atenção e evitar qualquer contato com produtos químicos agrícolas.".

Fonte: UOL Saúde




sábado, 8 de março de 2014

Desordens neurológicas em crianças são associadas com produtos químicos

Produtos químicos tóxicos podem estar na base dos recentes aumentos nos problemas de desenvolvimento neurológico entre as crianças, tais como autismo, déficit de atenção e hiperatividade e dislexia.

Os pesquisadores dizem ser urgente a adoção de uma nova estratégia global de prevenção para controlar o uso dessas substâncias.




Veja também : Agrotóxicos causa transtornos em crianças

"A maior preocupação é o grande número de crianças que são afetadas por danos tóxicos ao desenvolvimento do cérebro sem um diagnóstico formal. Elas sofrem redução na capacidade de atenção, atraso no desenvolvimento e mau desempenho escolar. Produtos químicos industriais estão agora emergindo como as causas mais prováveis," disse Philippe Grandjean da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (EUA).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Estudo aponta descontrole com inseticidas

" A notícia abaixo, é um dos reflexos, do desmonte da assistência técnica oficial, e o grande déficit de extensionista, fazendo com que muitas vezes, o agricultor fique apenas nas mão de vendedores, que não tem interesse em técnicas como manejo integrado de pragas e doenças - que levam a a redução de agrotóxicos, e o resultado é já conhecemos; o Brasil se tornou o número 1, no uso de agrotóxicos, com todas suas consequências para o consumidor, agricultor e meio ambiente e ao invés dos políticos e governos, estar preocupados com isso, estão preocupados em mudar as regras, e facilitar ainda mais o registros de novos agrotóxicos e retirar a Anvisa, a responsabilidade pelas avaliações de defensivos."

Por Mauro Zafalon


Parte dos produtores está deixando para trás as boas práticas de combate ao percevejo, um inseto que ataca as vagens da soja.

Referência mundial na década de 1980 por boas práticas no combate ao percevejo e redução no número de aplicações de inseticidas, o país volta a elevar o número de pulverizações.

Nos anos 1980, o produtor se destacou ao utilizar o chamado "Manejo Integrado de Pragas", quando reduziu as aplicações de inseticidas de cinco para duas vezes. Agora, as aplicações chegam a até sete por safra.

Os dados fazem parte de estudo feito pela Embrapa Soja em áreas de produtores da cooperativa Coamo. O estudo, feito em lavouras de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mostra um descontrole nas aplicações de inseticidas no campo.

O resultado traz preocupações tanto econômicas como ambientais. A empresa constatou que os produtores que ainda se utilizam de boas práticas para o controle das pragas necessitam de apenas duas aplicações por safra.

O estudo constatou ainda que é comum a aplicação preventiva de inseticida. "Essas aplicações não resultam em benefícios para a produtividade ou qualidade dos grãos, além de não reduzir a intensidade do ataque da praga na fase crítica da soja", diz Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pela pesquisa.

Daniel Ricardo Sosa-Gomez, da Embrapa Soja, diz que a aplicação de inseticidas antes do período crítico do ataque dos percevejos elimina os inimigos naturais da praga, favorece o desenvolvimento de insetos resistentes, além de elevar custos.

Esse manejo inadequado por parte do produtor no combate às pragas permite, ainda, o aparecimento de outras espécies que antes eram consideradas secundárias, como lagartas e ácaros.

Roggia diz que a pesquisa apontou que o monitoramento das lavouras dever ser o subsídio básico para o controle da praga. "Há a necessidade do uso de amostragens para o momento correto das aplicações", diz ele.

Para a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann Campo, da Embrapa Soja, apesar desse certo descontrole no combate à praga, há informações disponíveis para o produtor reverter esse quadro.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pesquisadora alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde e na alimentação

Pesquisadora coordenou um estudo sobre a contaminação das águas por agrotóxicos em comunidades do Ceará atingidas pelo agronegócio. 

Gleiceani Nogueira - Asacom

Pesquisadora coordenou um estudo sobre a contaminação das águas por agrotóxicos em comunidades do Ceará atingidas pelo agronegócio. Não dá pra falar de alimentação sem associar à qualidade dos alimentos que consumimos. Nesse quesito, os brasileiros estão sofrendo uma grave ameaça devido a grande ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos. Uma pesquisa feita pela Anvisa em 2011, nos 26 estados da Federação, relevou que 63% das amostras analisadas estavam contaminadas por agrotóxicos, sendo que 28% apresentaram ingredientes ativos não autorizados para aquele cultivo e/ou ultrapassaram os limites máximos de resíduos considerados aceitáveis. No topo da lista estão o pimentão (91,8%), o morango (63,4%), o pepino (57,4%), a alface (54,2%) e a cenoura (49,6%), além de outras culturas.

Para alertar o Estado e a sociedade do impacto do uso de agrotóxicos, que vem crescendo a cada ano, sobre a saúde pública e a segurança alimentar e nutricional da população, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) lançou em 2012 o dossiê “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”, que está divido em três partes. Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quarta-feira (16/10), achamos pertinente divulgar esse documento com o objetivo de contribuir com a divulgação de informações que ajudem a população a conhecer melhor o assunto e poder fazer escolhas conscientes de consumo.
Quem comenta o dossiê é a médica, pesquisadora e integrante da Abrasco e da Rede de Justiça Ambiental, Raquel Rigotto. Na entrevista concedida à jornalista da Assessoria de Comunicação da ASA (Asacom), Gleiceani Nogueira, a pesquisadora responde a questões da parte 1 do dossiê intitulado “Agrotóxicos, Segurança Alimentar e Nutricional e Saúde”. Ela explica o motivo do crescimento do uso de agrotóxicos na agricultura, fala dos riscos à saúde e do papel das políticas públicas. Além disso, ela fala de um estudo sobre a contaminação das águas por agrotóxicos em comunidades da Chapada do Apodi do lado do Ceará afetadas pelo agronegócio e dá dicas de como ter uma alimentação mais saudável e se prevenir dos riscos dos agrotóxicos. Confira!

sábado, 12 de outubro de 2013

Pesticidas e Doenças Hematológicas e Oncológicas das Crianças



Seminário: Os Agrotóxicos, seus Impactos na Saúde e as Alternativas Agroecológicas no Município de São Paulo, 15/04/13. Ação da Frente Parlamentar Pela Sustentabilidade da Câmara em parceria com a Campanha e movimentos sociais paulistanos que buscam o cultivo pela Vida. (Direção de Fotografia e Edição de Betina Schmid, membro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida).


Veja também:

Programa De Frente Com Gabi - OS PESTICIDAS COMO FATOR DE RISCO PARA A CARCINOGÊNESE.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Denúncias - Dr. Rosinha: Agronegócio vence batalha para colocar mais veneno na mesa

Mais venenos para o Brasil


por Dr. Rosinha*

Semana passada, o povo brasileiro sofreu mais uma derrota na Câmara dos Deputados. Pode-se dizer que, de maneira sorrateira, os ruralistas — usando de criatividade e em parceria com outros setores do parlamento e do governo federal — facilitaram mais um avanço ao uso de insumos químicos (venenos) no Brasil.

Quem saiu vitorioso foi o agronegócio e a estreita relação com as empresas multinacionais (financiadoras de campanhas), que movimentam bilhões de reais por ano e que dão ao nosso país o imperioso título de maior consumidor de agrotóxicos do planeta.

Cansados, como eles afirmam, de se submeter aos procedimentos adotados pela ANVISA, IBAMA e Ministério da Agricultura (MAPA), que regulam e normatizam a produção, uso, comercialização e importação de agrotóxicos no Brasil, passaram a construir uma nova estratégia.

Na noite, quase sempre à noite, do dia 25 de setembro de 2013 foi votada e aprovada a Lei de Conversão (nº25/2013) da Medida Provisória 619/2013, que vai agora para o Senado Federal. No projeto, foram introduzidos três artigos, os de nº 52, 53 e 54, que tratam de agrotóxicos.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Envenenados: agrotóxicos contaminam cidades, intoxicam pessoas e já chegam às mesas dos brasileiros

Reportagem publicada originalmente na REVISTA GALILEU

Todos os anos, milhares de habitantes do campo são intoxicados. Alunos atingidos por pesticidas, resíduos no leite materno e alta em taxas de câncer acendem um alerta entre pesquisadores sobre falta de controle das substâncias no Brasil.


Editora Globo

Editora Globo
DESCAMINHO DA ROÇA: Após a escola ter sido banhada por agrotóxicos, Iturival Cruvinel e sua filha, Sara, apresentaram problemas de saúde

Lorrana, 9 anos, brincava no balanço. Sua prima Luana, 11, no gira-gira. Outras crianças lanchavam galinhada com milho verde; um grupo jogava bola na quadra. Às 9 e 15 da manhã de 3 de maio, boa parte dos alunos da escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, em Rio Verde (GO), estava na hora do recreio. O sol era forte, como sempre, até uma estranha garoa cair sobre o local. Pelo alto, um avião agrícola despejava o agrotóxico Engeo Pleno, usado para matar insetos, sobre o colégio. Alunos e professores foram atingidos pela substância. Trinta e sete foram parar no hospital com dor de cabeça intensa, falta de ar, vômito, náusea e alergia. Todos intoxicados. 


O episódio jogou luz em denúncias sobre falta de controle no uso de pesticidas feitas nos últimos dois anos por pesquisadores de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Universidade de Brasília (UnB). Em documento recente, eles compilaram indícios de contaminação ambiental em diversas regiões do Brasil — do Ceará ao Rio Grande do Sul. Aumento nas incidências de câncer, de depressão e de suicídios foram identificados em estudos epidemiológicos.

 Para muitos dos examinadores, a presença dos agrotóxicos estaria relacionada a esses — e outros — males. Por isso, muitos se aproximaram da Campanha Permanente Contra o Uso de Agrotóxicos e Pela Vida, criada em 2011 por movimentos sociais para pressionar pelo banimento de substâncias proibidas em outros países. 

GALILEU esteve em áreas rurais com registros de mau uso das substâncias em Goiás, Mato Grosso e Rondônia e constatou uma série de problemas relacionados aos pesticidas empregados na produção da nossa comida. Conversamos com pessoas afetadas diretamente por eles, com pesquisadores, membros da Anvisa e representantes da indústria química. As histórias a seguir são uma pequena parte dos percalços passados no Brasil pela falta de controle apropriado dos agroquímicos. 

Editora Globo
Editora Globo
 CONTAGIOSO: Lorrana e Luana com sua avó, Arlete Borges, que passou mal ao ver as duas no hospital


OS “ENVENENADOS” DE RIO VERDE 

Quando o avião passou pela primeira vez sobre a escola, a aula de Geografia do primeiro ano do Ensino Médio estava no fim, e Talya Faria, 15 anos, ouvia o professor explicar o trabalho pra casa. “Ele dividiu a sala em dois grupos. Um ia defender o uso de agrotóxicos, outro ia argumentar que era ruim.” Talya estava no primeiro grupo. Após o barulho do avião cessar, o professor terminou a explicação.


domingo, 29 de setembro de 2013

Os perigos da uva - Pesquisadores constatam elevado nível de intoxicação em vinicultores gaúchos



Por: Henrique Kugler

Um estudo inédito sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação. Análises feitas em 108 trabalhadores rurais da região nordeste do estado mostraram que todos apresentam danos em seu material genético. A pesquisa, que resultou de uma parceria entre a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi publicada recentemente na revista internacional Mutagenesis.

“Selecionamos para o estudo agricultores que trabalhavam com agrotóxicos há cerca de 30 anos”, diz a primeira autora do estudo, a geneticista Juliana da Silva, atualmente no Programa de Pós-graduação em Genética e Toxicologia da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas (RS). A ideia era estudar os efeitos dessa exposição e avaliar os danos celulares que os trabalhadores vêm sofrendo.

Para isso, os pesquisadores analisaram o perfil genético de cada um dos produtores rurais. Foram utilizados três tipos de testes: o de mutagênese (para detectar lesões permanentes no DNA), o de estresse oxidativo (para detectar lesões oxidativas no DNA) e o de genotoxicidade (para detectar danos genéticos causados por fatores externos).

Os resultados não foram animadores. “Constatamos que, em média, 11% das células de cada agricultor apresentavam algum tipo de lesão no material genético”, conta Silva. Além disso, quase todos tinham cerca de seis vezes mais lesões no DNA do que os indivíduos do grupo controle (que não estiveram expostos à ação de agrotóxicos). “Por meio de análises sanguíneas, observamos que 51% dos produtores rurais apresentavam valores de estresse oxidativo acima dos padrões normais”, acrescenta. Problemas reprodutivos também foram identificados em cerca de 18% dos indivíduos testados.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Estudo comprova alteração genética em trabalhadores de soja em Porto Alegre - RS

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Ilustração: Allan McDonald - IUF Latina


Um estudo científico, encontrou alterações no DNA em trabalhadores expostos a agrotóxicos, na cidade de Espumante, no Rio Grande do Sul, um dos estados do Brasil , onde o  cultivo de soja é mais difundido.


Em Montevidéu, Maria Isabel Carcamo Os pesticidas no banco dos réus
Brasil



A pesquisa, publicada no início deste ano, foi realizado entre 2008 - 2009 por cientistas de várias universidades do sul do Brasil, que removeu células bucais para avaliar os efeitos da exposição a pesticidas para os trabalhadores agrícolas da soja Sparkling.

Foram avaliados 127 indivíduos, 81 expostos e 46 não expostos.

O estudo revelou danos no ADN e à presença de células mortas (cromatina condensada, as células karyorhectic e karyolitic) em organismos trabalhadores expostos.

As amostras foram analisadas por emissão de raios-X induzida por partículas Concentrações mais elevadas observadas nas células dos trabalhadores eram de magnésio, alumínio, silício, fósforo, enxofre e cloro.

Os pesquisadores recomendaram que realizar o monitoramento de toxicidade genética em soja trabalhadores rurais expostos a pesticidas.

Em todo o mundo, os agrotóxicos têm sido amplamente utilizados desde os anos 40.

O Brasil é o maior consumidor destas substâncias: entre 1991 e 1998, as vendas de agroquímicos locais aumentaram 160 por cento.

O gigante sul-americano, por sua vez, o segundo maior produtor e exportador de soja. Sua terra agrícola dedicada ao cultivo de soja aumentou de 11,5 milhões de hectares em 1990-21700000 em 2009.

Cinco estados respondem por 80 por cento da produção de soja Brasil . Um deles é o Rio Grande do Sul

O aumento da produção de soja envolve o uso de vários pesticidas para protecção das culturas e controle de pragas. Os trabalhadores agrícolas são simultaneamente expostos a uma mistura complexa de inseticidas, talescomo organofosforados, piretróides e organoclorados e fungicidas e herbicidas utilizados na preparação e aplicação destes produtos químicos.

Os efeitos da exposição prolongada a baixas doses de pesticidas são muitas vezes difíceis de avaliar, uma vez que os sinais e sintomas associados não podem se manifestar clinicamente.

A informação sobre a toxicidade de pesticidas, pode não ser suficiente medir a riscos para a saúde. Alguns de seus compostos são considerados potenciais iniciadores de câncer e pode levar a uma maior incidência de doenças crônicas e degenerativas e malformações congênitas por causa de seus efeitos genotóxicos.

Estes últimosvarían consideravelmente, dependendo do grau de intoxicação, a via de absorção, as características específicas dos produtos, práticas culturais e os fatores individuais, tais como idade, sexo, estado nutricional e estado geral de saúde do aplicador ou aplicador .

Provavelmente, se estudos como este devem ser realizados em outras regiões do Brasil e outros países da América Latina, onde é cultivado ou outra monocultura de soja transgênica, como Argentina , Paraguai e Uruguai , os resultados seriam muito semelhantes aos obtidos pela equipe do Rio Grande do Sul.


Notícia relacionada:


Veja também:



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Plantas Doentes Pelo Uso de Agrotóxicos







Chaboussou (1980) em sua obra – plantas doentes pelo uso de agrotóxicos mostra inúmeros trabalhos realizados por ele e outros pesquisadores onde comprova o aparecimento de muitas doenças e pragas associado ao uso de determinados agrotóxicos.

Nessa obra o pesquisador procura demonstrar que o aparecimento de muitas pragas e doenças não pode ser explicado apenas pela destruição de seus inimigos naturais como normalmente é colocado; e por analogia da mesma forma que determinadas afecções no ser humano pode ser desencadeado pelo uso determinados medicamentos em patologia vegetal o mesmo pode ocorrer em relação ao uso de agrotóxicos que podem ter uma incidência positiva no desenvolvimento de várias doenças fúngicas, viróticas e bacteriana e na multiplicação de pulgões, ácaros, lepidópteros e outros.

Tudo se passa como se, por sua ação nefasta sobre o metabolismo da planta, os agrotóxicos rompessem a sua resistência natural.
O agrotóxico – mesmo não provocando queimaduras ou fenômenos de fito toxicidade aparentes – pode mostrar-se tóxico para a planta, com todas as conseqüências que isto pode causar sobre a resistência a seus agressores, sejam eles fungos, bactérias, insetos ou mesmo vírus. (CHABOUSSOU, 1980, p.34 e 35).

terça-feira, 25 de junho de 2013

Avaliação Toxicológica e o Estabelecimento de Limites Máximos de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos

SIMP�SIO BRASILEIRO SOBRE RES�DUOS DE AGROT�XICOS EM

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Estudo em MT acha agrotóxicos em leite materno

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Mais informações acesse:

Contaminação de leite materno por agrotóxicos no Mato Grosso

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2.


Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer
Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Em sua coluna de março, o biólogo Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa e evidências crescentes das relações estreitas entre essas substâncias e doenças crônicas.



A relação epidemiológica entre o uso de pesticidas e a crescente incidência de males como câncer, problemas hormonais e reprodutivos, entre outros, é cada vez mais clara. Mas novos estudos têm apontado uma nova e incômoda conexão, desta vez entre pesticidas e diabetes tipo 2, o que poderia explicar, ao menos parcialmente, as proporções epidêmicas que essa doença vem assumindo em escala global.

A edição de janeiro da Environmental Research traz um estudo de Arrebola e colaboradores, da Universidade de Granada, Espanha, que é, ironicamente, uma bomba. A equipe dosou resíduos de diversos pesticidas no tecido adiposo de 386 pacientes adultos em dois hospitais do sul do país e concluiu que os pacientes com maiores níveis de DDE (um produto da degradação do DDT) tinham quatro vezes mais probabilidade de ter diabetes tipo 2.

Os autores observaram ainda que um dos componentes do popular pesticida Lindano também favorece o surgimento do diabetes tipo 2. A relação direta observada entre os níveis de poluentes orgânicos persistentes e o desenvolvimento de diabetes era independente da idade, sexo ou peso corporal do paciente.

Segundo os pesquisadores, o acúmulo desses poluentes lipofílicos na gordura corporal poderia explicar por que os obesos têm maior tendência a desenvolver diabetes. Não se sabe ao certo o mecanismo envolvido, mas os autores sugerem que os pesticidas provocam uma reação imunológica em receptores de estrogênio envolvidos no metabolismo dos açúcares.

As autoridades de saúde estimam que, em 2030, cerca de 4,5% da população mundial será diabética. Atualmente, cerca de 346 milhões de pessoas sofrem da doença, enquanto 35 milhões são acometidos pelo Alzheimer. As duas condições geram muito sofrimento e elevado custo social.


Correlações perturbadoras
Se você já estava se perguntando o que diabetes têm a ver com meio ambiente, a menção ao Alzheimer talvez aumente a confusão.

Mas, justamente, diabetes, Alzheimer e obesidade estão aumentando exponencialmente e com correlações perturbadoras entre elas. Da mesma forma, a disseminação da junk-food (comida-lixo) e da agricultura industrial regada a pesticidas que a sustenta andam juntas.

Ok, pesticidas/junk-food e obesidade/diabetes já são binômios quase familiares para aqueles que leem as magras seções de ciência da grande imprensa, mas a insistência do Alzheimer em se meter em estatísticas onde não foi chamado já intrigava os cientistas há algum tempo, a ponto de esses começarem a buscar uma relação causal entre essa doença, o diabetes e a obesidade.
Kit diabetes
Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas?

Já se sabia que há uma forte associação entre diabetes, obesidade, dieta, demência e Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm probabilidade 2 a 3 vezes maior de desenvolver Alzheimer do que a média da população. A conexão obesidade-Alzheimer é menos estudada, mas sabe-se que a obesidade em idade madura predispõe ao Alzheimer e que uma vida ativa e dieta saudável reduzem a ocorrência de demência.

Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas, entre outros disruptores endócrinos? Isto poderia explicar as correlações observadas. As evidências nesse sentido são tantas que muitos especialistas já defendem que o Alzheimer seja considerado como um diabetes tipo 3, pois vários estudos sugerem que o Alzheimer seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina.

Esta, além de regular o metabolismo do açúcar, tem papel bem definido na química cerebral, modulando a troca de sinais entre neurônios e atuando no aprendizado e na memória, bem como na manutenção dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.


Tomografia de um cérebro humano com Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. Especialistas defendem, inclusive, que o Alzheimer seja considerado um diabetes tipo 3, pois há evidências de que seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina. (imagem: NHI/ Wikimedia Commons)
Eu achava que o sistema hormonal funcionava, por analogia, como uma orquestra em que o som produzido por um instrumento influencia o som de todos os outros, e vice-versa. Já era complicado o bastante, mas escrever esta coluna me ensinou que a imagem mais correta seria a da mesma orquestra, mas com cada músico tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, e todos os sons se influenciando mutuamente. Agora imagine se colocarmos pó-de-mico na gola dos músicos... É o que ocorre quando um disruptor endócrino é absorvido por inalação, ingestão ou via cutânea.

Portanto, se você achava que por ser um urbanoide não-obeso, que gasta boas quantias em alimentos orgânicos, você estaria a salvo, pode tirar o cavalinho da chuva: os pesticidas são apenas uma das várias categorias de disruptores endócrinos, e a dieta é apenas uma das vias de exposição aos pesticidas.


Equacionando prós e contras

E a junk-food, onde entra nisso tudo? O X-tudo com fritas e o rodízio de salgadinhos já era apontado como fator de desenvolvimento de Alzheimer devido à redução de irrigação sanguínea causada pelo colesterol e aumento da pressão sanguínea, mas os estudos mais recentes sugerem que alimentos com muito açúcar e gordura podem danificar o cérebro por interromper seu suprimento de insulina.

Cachorro-quente
Naturalmente, como sempre, mais estudos são necessários etc. etc., mas se as relações causais aqui descritas forem confirmadas, será uma ótima notícia. É uma esperança de melhores tratamentos para os que já sofrem com esses males e de melhores prognósticos para os ilesos até aqui.

É também um exemplo que gera reflexão sobre o custo/benefício do modo de vida que adotamos. Sim, a tecnologia nos permite viver com mais conforto e por mais tempo, mas também nos rouba qualidade de vida.

De que adianta termos Viagras e cia. se não lembrarmos mais para que serve uma ereção, nem quem é aquela pessoa idosa dormindo ao nosso lado? Quantos hectares de soja, arroz ou milho são necessários para bancar um ano de tratamento de um diabético ou uma vítima de Alzheimer?

Somando esses e outros custos, ambientais e de saúde, podemos talvez acabar concluindo que o modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada.

O modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada
Estudos como os aqui relatados nos dão pistas importantes de como equacionar tudo isso e tornam mais premente a discussão do tema.

Por último, mas não menos importante, cada novo estudo apontando efeitos negativos de pesticidas – ou qualquer outra substância sujeita à regulamentação – desmoraliza um pouco mais os órgãos que autorizaram sua produção e uso e não monitoraram seus efeitos.

Acredite se quiser, mas a liberação é baseada em testes de até 60 dias com animais de laboratório. Quem realiza esses testes? O próprio fabricante, ou alguém que ele contratou para isso.

Mas relaxe, está tudo dominado.


Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Publicado originalmente em : Ciência Hoje

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os pesticidas estão diminuindo a inteligência humana.

Apesar de nossos avanços nas últimas dezenas ou mesmo centenas de anos, alguns "especialistas" acreditam que os seres humanos estão perdendo capacidades cognitivas e cada vez mais tornando-se instáveis   emocionalmente.

 Um pesquisador da Universidade de Stanford e geneticista, Dr. Gerald Crabtree, acredita que o declínio intelectual como uma raça tem muito a ver com mutações genéticas adversas. Mas a inteligência humana está sofrendo por outras razões também.

De acordo com Crabtree, as nossas capacidades cognitivas e emocionais são alimentadas e determinadas pelo esforço combinado de milhares de genes. Se ocorre uma mutação em qualquer uma destes genes, o que é bastante provável, então a inteligência ou estabilidade emocional pode ser influenciada negativamente. "Eu seria capaz de apostar que, se um cidadão médio de Atenas de 1000 A.C. aparecesse subitamente entre nós, ele estaria entre os mais brilhantes e intelectualmente ativos de nossos colegas e companheiros, com uma boa memória, uma ampla gama de idéias, e uma visão lúcida das questões importantes. Além disso, eu acho que ele ou ela estaria entre os mais emocionalmente estáveis de nossos amigos e colegas", o geneticista iniciou seu artigo na revista científica Trends in Genetics.

Além disso, o geneticista explica que as pessoas com mutações genéticas adversas específicas são mais propensas do que nunca a sobreviver e viver entre os "fortes". A teoria da "sobrevivência do mais forte" de Darwin é menos aplicável na sociedade de hoje, portanto, aqueles com melhores genes não são necessariamente os de "maior destaque na sociedade" como foram no passado.

Embora esta hipótese tenha algum mérito: são os genes realmente a principal razão para o declínio cognitivo global da raça humana? Se os seres humanos realmente estão carentes de inteligência mais do que antes, é importante reconhecer outras possíveis causas. Vamos dar uma olhada em como o nosso sistema alimentar desempenha um papel em tudo isso.

É triste, mas é verdade, o nosso sistema alimentar hoje está contribuindo para diminuir a inteligência humana através do tempo.

Os pesticidas estão diminuindo a inteligência humana.


Um estudo publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências descobriu que os pesticidas, que são comuns entre os alimentos, estão criando mudanças duradouras na estrutura do cérebro em geral - mudanças que têm sido associados a menores níveis de inteligência e diminuição da função cognitiva. Especificamente, os pesquisadores descobriram que um pesticida conhecido como chlorpyrifos (CPF) tem sido associada a "alterações significativas". Além disso, o impacto negativo verificou-se mesmo com baixos níveis de exposição.

A pesquisadora Virginia Rauh, professora da Escola Mailman de Saúde Pública, resumiu os resultados:

"A exposição tóxica durante este período crítico (infância) pode ter efeitos de longo alcance sobre o desenvolvimento do cérebro e do funcionamento comportamental."

Alimentos processados como HFCS (High Fructose Corn Syrup) - Xarope de milho rico em frutose podem tornar as pessoas mais "estúpidas".

Observando 14 mil crianças, os pesquisadores britânicos descobriram a ligação entre os alimentos processados ​​e o QI reduzido. Depois de gravar as dietas das crianças e analisar questionários preenchidos pelos pais, os pesquisadores descobriram que, se as crianças estavam consumindo uma dieta processados ​​aos 3 anos, o declínio de QI poderia começar nos próximos cinco anos. O estudo descobriu que por 8 anos, as crianças tinham sofrido uma queda de QI. Em contrapartida, as crianças que comiam uma dieta rica em nutrientes, incluindo frutas e vegetais foram associadas a um um aumento de QI durante um período de 3 anos. Os alimentos considerados ricos em nutrientes pelos pesquisadores são a maioria das frutas e legumes convencionais prováveis​​.

Curiosamente, um ingrediente especial presente em alimentos processados ​​e bebidas açucaradas em todo planeta, xarope de milho de alta frutose - foi associado ao QI reduzido. Os pesquisadores da UCLA também descobriram que HFCS pode danificar as funções do cérebro dos consumidores em todo o mundo, sabotando a aprendizagem e a memória. Na verdade, a declaração oficial vai além, afirmando mesmo que o xarope de milho de alta frutose pode torná-lo "estúpido".

As mutações genéticas podem ter algo a ver com o declínio contínuo da inteligência humana, mas vamos parar para pensar por um momento no que estamos fazendo a nós mesmos para contribuir com este declínio ainda mais proeminente.

Fonte: undergroundhealth e Natural Society


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