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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vaca transgênica


Uma vaca clonada por cientistas argentinos com genes bovinos e humanos começou a produzir leite similar ao materno como forma de contribuir na luta contra a mortalidade infantil, informou nesta segunda-feira (11) a universidade responsável pelos estudos.

Pesquisadores da Universidade Nacional de San Martín (Unsam) e do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta) inseriram dois genes humanos codificadores de duas proteínas presentes no leite humano em "Issa", uma vaca clonada no ano passado.

As proteínas são lactoferrina e a lisozima, incorporadas no DNA da vaca, também conhecida como "Rosinha". "Esta é uma maneira de contribuir com a luta contra a mortalidade infantil, já que uma proteína permite evitar doenças infecciosas do aparelho digestivo e evitar anemia nos recém-nascidos", explicou o reitor da Unsam, Carlos Rota.

De acordo com o investigador Germán Kaiser, do Grupo de Biotecnologia da Reprodução do Inta, a pesquisa não pretende substituir o vínculo mãe-filho durante a lactação, mas é destinada aos bebês que, por distintas razões, não têm acesso ao leite de suas mães, acrescentou.

Os cientistas conseguiram assim incluir na vaca transgênica dois genes humanos no genoma bovino, o que permitiu que as duas proteínas estivessem presentes na glândula mamária durante a amamentação, indicou a universidade.

"Issa", nascida em abril de 2011 no Inta, foi apresentada em junho do ano passado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Na ocasião, Cristina garantiu que a vaca se transformaria na "primeira no mundo capaz de produzir leite materno".

Argentina entrou no clube da clonagem destinada a criar vacas transgênicas com fins medicinais em agosto de 2002, com o nascimento de "Pampa", fruto de uma clonagem realizada por analistas do laboratório local Bio Sidus com o intuito de obter leite bovino com a proteína de crescimento humano "hGH".

Os descendentes de "Pampa", a primeira bezerra clonada na América Latina, produzem leite do qual é extraída essa proteína para produzir remédios para crianças com problemas de crescimento com menor custo.

Nos últimos anos, cientistas argentinos clonaram cavalos e touros a fim de obter exemplares de melhor rendimento.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Movimento Occupy Monsanto

Boletim AS-PTA
Monsanto_1454480.jpg 
O novo movimento Occupy Monsanto, uma ramificação do Occupy Wall Street, está convocando pessoas e organizações de todo o mundo a fazer parte de um dia internacional de protestos em 17 de setembro, quando o movimento Occupy Wall Street completará um ano.

O grupo demanda, entre outros, a rotulagem obrigatória de alimentos contendo ingredientes transgênicos (que não existe nos EUA) e que não sejam aprovados novos cultivos transgênicos desenvolvidos para tolerar aplicações de herbicidas altamente tóxicos (como é o caso da soja tolerante ao 2,4-D, já em testes no Brasil).

 “Goste você ou não, é provável que a Monsanto tenha contaminado a comida que você comeu hoje com agrotóxicos e transgênicos. A Monsanto controla a maior parte do suprimento global de alimentos às custas da democracia alimentar ao redor do mundo”, diz o site do movimento.

Na última terça-feira (20/03), manifestantes do Occupy Monsanto colocaram faixas em 13 passarelas sobre rodovias que cruzam a cidade de St. Louis, nos EUA, onde está a sede da empresa. Elas traziam dizeres como “O FDA* está contaminado pela Monsanto”, “Biorrisco Genético: Defenda-se”, “99% vs. Mon$anto” e “Presidente da Monsanto = Milionário; Consumidor da Monsanto = Rato de Laboratório”.

No gramado em frente à sede mundial da empresa uma faixa dizia: “Sr. Presidente, rotule os alimentos transgênicos. Com amor, Michelle”, em referência à primeira dama. Até o meio-dia de terça-feira todas as faixas haviam sido removidas por autoridades locais.

O protesto aconteceu um dia após a realização de uma marcha pelo centro de St. Louis e alguns dias depois de terem sido realizadas manifestações contra a companhia em cerca de 30 cidades americanas e em várias outras partes do mundo, incluindo a Espanha, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Japão e Canadá.

No fim de semana anterior, 150 manifestantes do movimento fecharam a unidade de pesquisa da empresa em Davis, na Califórnia. Na ocasião, a Monsanto disse aos seus funcionários que eles não precisavam ir trabalhar devido a preocupações com relação à segurança em função dos protestos.

E os recentes protestos contra a gigante da biotecnologia não começaram por aí. No final de fevereiro, a polícia americana prendeu 12 manifestantes que estavam em frente aos escritórios da Monsanto em Washington participando do “dia nacional de solidariedade”. Dois dias antes, uma ação judicial contra a empresa movida por um grupo de agricultores fora rejeitada. O grupo pedia a invalidação de patentes agrícolas da empresa, alegando o receio de que as sementes patenteadas aparecessem em suas lavouras (via contaminação). O protesto era realizado em solidariedade e em conjunto com o dia nacional de ação contra o Conselho Americano de Intercâmbio Legislativo (ALEC, na sigla em inglês), organização de lobby que defenda a criação de incentivos fiscais para as corporações.



A Monsanto é a líder mundial de sementes transgênicas, e os vem conseguindo impor em uma série de países a despeito de crescentes evidências dos efeitos danosos que provocam sobre o meio ambiente e a saúde. Via de regra, a empresa bloqueia os esforços em prol da rotulagem dos alimentos contendo ingredientes transgênicos. Também é famosa por articular a perseguição de cientistas que publicam estudos demonstrando efeitos danosos provocados por transgênicos e agrotóxicos.

A própria pesquisa independente tem sido comumente inviabilizada, pois a empresa usa a legislação de patentes para negar a utilização de seus produtos em experimentos científicos. Ela também tem tornado os agricultores reféns de suas sementes (e agrotóxicos de uso associado): detendo a maior parte do mercado de sementes, a empresa vai gradualmente eliminando a oferta de sementes convencionais não patenteadas.

Como se não bastasse, é prática da multinacional processar os agricultores cujas lavouras são contaminadas pelos seus transgênicos – eles são acusados de violação de direitos de patente.

Como se vê, já passa da hora de se articular um grande movimento internacional buscando frear o domínio da Monsanto sobre nossos sistemas agrícolas e alimentares. Ocupar a Monsanto, aí vamos nós!

FONTE: AS-PTA


Para saber mais:

O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO

Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente

domingo, 18 de março de 2012

Pesquisadores suíços confirmam efeito letal de toxina Bt sobre joaninhas


 
O lamentável é ver na reportagem abaixo que a ciência deixa de ser ciência e se torna um jogo político na mãos de grandes corporações que manipulam dados e/ou utilizam metodologia que não serve para aquilo que se esta investigando.  Simplesmente utilizam uma metodologia para alcançar os resultados pré-determinados e depois dizem que isto é ciência.

Um governo sério deveria no mínimo pedir estudo independente e não simplesmente aceitar o estudo da empresa que desenvolveu determinada tecnologia - e nesse sentido o governo alemão esta de parabéns.


E no Brasil?


Sobre a liberação dos transgênicos no Brasil o jornalista Washington  de Novaes  colocou que o Ministério do Meio Ambiente chegou a anunciar que iria votar pela exigência do estudo de impacto ambiental antes do plantio da soja transgênica.

Mas quando foi a votação na comissão o Ministério do Meio Ambiente foi a favor da liberação da soja transgênica e ao ir atrás da informação foi informado que a decisão veio da Presidência da República da época - que pediu ao Ministério  que não fizesse essa exigência. 

O cientista representante do Ministério do Meio Ambiente se recusou a votar a favor e  foi substituído  e o jornalista foi conversar com o suplente que diz  que havia recebido a determinação de votar a favor mas que não queria discutir questões políticas.

Segundo a informação no Ministério do Meio Ambiente foi que a Presidência da República tomou esta decisão porque a empresa que  produz o glifosato no Brasil ameaçava a cancelar  investimento de 600 milhões de dólares  se não fosse autorizado o plantio.
Fonte:http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2011/12/programa-roda-viva-debate-sobre-os.html

Veja a reportagem:


“É surpreendente que as autoridades europeias, após implementarem a legislação de biossegurança, que é baseada no Princípio da Precaução e que demanda pesquisas de avaliação de risco ecológico cientificamente robustas e acompanhamento por duas décadas, ainda se fiem em protocolos sistematicamente falhos e em dados produzidos e promovidos pela indústria de biotecnologia e seus cientistas colaboradores”, declarou o Prof. Brian Wynne, do Centro de Estudos dos Aspectos Econômicos e Sociais da Genômica (Cesagen), da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

 
Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça (ETH), em Zurique, confirmaram a descoberta anterior de que a toxina Bt Cry1Ab produzida por plantas de milho transgênico aumenta a mortalidade de larvas jovens de joaninha de duas pintas (Adalia bipunctata L.) em testes de laboratório. Esses insetos são típicos “organismos não alvo” que supostamente não seriam afetados pelo milho transgênico. Além disso, são insetos benéficos, que promovem o controle biológico de outras pragas.

Em 2009 a equipe de pesquisadores liderados pela Dra. Angelika Hilbeck publicou o estudo original, que foi incluído, juntamente com muitas outras pesquisas, entre as provas utilizadas pelo governo alemão para justificar o banimento do plantio comercial de milho transgênico que expressa a toxina testada.

Não demorou para que a pesquisa começasse a ser atacada pelos defensores dos transgênicos, que em fevereiro de 2010 publicaram um conjunto de artigos na revista “Transgenic Research” acusando o estudo de ser baseado em “pseudo-ciência” e apresentando pesquisas próprias com o objetivo de desmentir o trabalho de Hilbeck.

Agora, em 15 de fevereiro de 2012, a equipe da Dra. Hilbeck publicou os resultados de testes complementares que confirmam as descobertas publicadas em 2009.

Os pesquisadores suíços também investigaram porque as pesquisas que buscavam desmentir as descobertas não puderam repetir os primeiros resultados, e chegaram a uma simples conclusão: “Mostramos que os protocolos aplicados por Alvarez-Alfageme et al. 2011 eram significativamente diferentes daqueles usados em nossos primeiros estudos, e muito menos propensos a detectar efeitos adversos de toxinas do que o estudo de 2009, assim como dos nossos experimentos complementares”, explicou Hilbeck. “Quando testamos os protocolos de Alvarez-Alfageme et al. 2011 com organismos alvo susceptíveis ao Bt, no caso a lagarta do cartucho, eles também não foram afetados pela toxina Bt – isso claramente desqualifica o método para avaliar efeitos negativos do Bt em organismos não alvo”.

Os autores da nova pesquisa destacaram ainda que as pesquisas que apresentam resultados que aparentemente sustentam os argumentos da ausência de riscos dos transgênicos recebem muito pouco escrutínio, aceitando-se, comumente, ciência de baixa qualidade. Por exemplo, crítica comparável à que atacou a pesquisa da Dra. Hilbeck não foi difundida em casos em que o organismo selecionado para testes foram larvas de Chrysopidae, que sem dúvida não eram capazes de ingerir a toxina Bt oferecida – portanto, fornecendo resultados do tipo “falso negativo”.

Embora o Departamento de Proteção Ambiental do governo dos EUA (EPA, na sigla em inglês) tenha reconhecido há alguns anos a inadequação da Chrysopidae para experimentos de avaliação de riscos de lavouras transgênicas, estudos com o inseto ainda constituem a base para a aprovação de lavouras transgênica Bt e são considerados “ciência rigorosa” por autoridades europeias.

“É surpreendente que as autoridades europeias, após implementarem a legislação de biossegurança, que é baseada no Princípio da Precaução e que demanda pesquisas de avaliação de risco ecológico cientificamente robustas e acompanhamento por duas décadas, ainda se fiem em protocolos sistematicamente falhos e em dados produzidos e promovidos pela indústria de biotecnologia e seus cientistas colaboradores”, declarou o Prof. Brian Wynne, do Centro de Estudos dos Aspectos Econômicos e Sociais da Genômica (Cesagen), da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.
“A inútil controvérsia a respeito dos experimentos com a joaninha chama atenção para a necessidade do estabelecimento de protocolos e de pesquisas de avaliação de riscos ambientais relevantes. Instamos as autoridades europeias a superar sua confiança na expertise de apenas um setor – dominado pela indústria – ao estabelecer padrões para a aprovação de organismos transgênicos. 

Além disso, é necessária uma revisão das autorizações comerciais vigentes para o cultivo de plantas transgênicas.”, concluiu o Dr. Hartmut Meyer, coordenador da Rede Europeia de Cientistas para a Responsabilidade Social e Ambiental (ENSSER).
Extraído de:

Para saber mais:

Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente

http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/03/alimentos-transgenicos-criam-polemica.html


Novo estudo avalia combinação de toxinas Bt com glifosato em células humanas


[ESTUDO] Toxina de Transgênicos Está Presente no Sangue Humano, Contrariando os Apologistas


Soja geneticamente modificada é testada em Piracanjuba, Goiás.


 

"Um novo tipo de grão está chegando ao mercado goiano: a soja geneticamente modificada. O alimento é resistente ao glifosato, um tipo de herbicida, e também às principais lagartas que atacam a planta na fase de desenvolvimento. Além de mais produtiva, ela não precisa de inseticida para combater a praga."

Veja a reportagem:
G1 - Soja geneticamente modificada é testada em Piracanjuba, Goiás - notícias em Goiás:
'via Blog this'


No final da reportagem  é colocado que não há nenhum risco para o consumo humano. Como em todas as reportagens que sai sobre  o tema - apenas um lado da moeda é mostrado, procurando conduzir o consumidor a simplesmente aceitar os transgênicos como se não tivesse nenhum controvérsia  e dúvidas sobre o tema.
Normalmente quem busca uma forma alternativa de se informar por natureza busca se aprofundar sobre tema e segue abaixo sugestões de links para entender as discussões que existem sobre o tema que normalmente não sai nas reportagens dos grandes veículos de comunicações.

Para saber mais:

Para saber mais:

Pesquisadores suíços confirmam efeito letal de toxina Bt sobre joaninhas



Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente

http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/03/alimentos-transgenicos-criam-polemica.html


Novo estudo avalia combinação de toxinas Bt com glifosato em células humanas


[ESTUDO] Toxina de Transgênicos Está Presente no Sangue Humano, Contrariando os Apologistas


Programa Roda Viva - Debate sobre os transgênicos


O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO

domingo, 11 de março de 2012

Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente


Você sabe o que são os alimentos transgênicos?

Você  conhece as polêmicas ligados aos alimentos transgênicos?
É seguro utilizar esse alimento?
Existem riscos?
Você sabe como identificar esse alimento ?
Você sabia que tramita no congresso nacional dois projetos de leis que quer derrubar a exigência da rotulagem dos produtos transgênicos?
De quem é este interesse de tirar do consumidor esta informação?


Você  sabe o que é a CTNBio?

Você conhece as principais dúvidas que pesquisadores e autoridades levantam sobre o papel da CTNBio?
Se você respondeu não para algumas destas perguntas - não deixe de assistir abaixo um programa da Globo News sobre a polêmica relacionados aos transgênicos.






Para saber mais: O Mundo Segundo a Monsanto.
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com/2011/12/o-mundo-segundo-monsato.html

Atualizado em 11 dezembro 2012

Marco Maia e ruralistas podem votar fim da rotulagem de transgênicos

Programa Roda Viva - Debate sobre os transgênicos

Cientistas franceses põem milho transgénico debaixo de fogo

sábado, 3 de março de 2012

Novo estudo avalia combinação de toxinas Bt com glifosato em células humanas


 
Novo estudo científico avalia efeitos da combinação de toxinas Bt com glifosato sobre células humanas

A revista científica Journal of Applied Toxicology publicou em 15 de fevereiro de 2012, em sua versão eletrônica, o primeiro estudo a analisar os efeitos combinados, sobre células humanas, das toxinas inseticidas produzidas pelas plantas transgênicas Bt e dos herbicidas à base de glifosato, usados nas lavouras transgênicas do tipo Roundup Ready (RR).

Note-se que o estudo de efeitos combinados entre diferentes agrotóxicos ainda representa um grande desafio para a toxicologia, ao passo que nas lavouras transgênicas “piramidadas” sobrepõem-se na mesma planta genes que conferem tolerância a herbicidas (que deixam resíduos nas plantas alimentícias) e aqueles que produzem toxinas inseticidas.

Pela primeira vez, foram testados os efeitos das toxinas Bt Cry1Ab e Cry1Ac (de 10 ppb a 100 ppm) em células embrionárias de rim humano, assim como o seu efeito combinado com o Roundup, num período de 24 horas, em três biomarcadores de morte celular. Os experimentos foram repetidos pelo menos três vezes em diferentes semanas, em três meios independentes.

Os dados mostram que a toxina Cry1Ab pode induzir efeitos citotóxicos (que provocam danos às células) através de um mecanismo necrótico a uma concentração de 100 ppm.

Essa concentração é relativamente alta em comparação às concentrações produzidas pelas plantas transgênicas (entre 1 e 20 ppm). Entretanto, há que se levar em conta (e avaliar!) a bioacumulação da toxina nos tecidos, assim como os efeitos de longo prazo, uma vez que plantas Bt podem ser consumidas em grandes quantidades por mamíferos. No ano passado um estudo realizado no Canadá detectou resíduos de toxina Bt no sangue de mulheres, gestantes e fetos.

Os autores da pesquisa observam ainda que a descoberta de efeito tóxico da toxina Bt é compatível com os dados verificados em outro estudo, em que o consumo de milho MON810 produziu sinais subcrônicos de alterações hepatorrenais quando utilizado na alimentação de ratos de laboratório.
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A toxina Cry1Ab é justamente aquela presente no milho transgênico da Monsanto MON810, que foi proibido em diversos países europeus. No Brasil, este milho está autorizado desde 2008 apesar das manifestações contrárias de Ibama e Anvisa; além dele diversos outros milhos piramidados autorizados no Brasil entre 2008 e 2011 contêm a toxina (ver AS-PTA).

Outra revelação da nova pesquisa foi que, testado sozinho, o Roundup mostrou-se necrótico (que provoca necrose) e apoptótico (que provoca morte celular) a partir de 50 ppm, concentração cerca de 200 vezes menor que a das diluições agrícolas. Porém, a avaliação de efeito combinado mostrou que as toxinas Cry1Ab e Cry1Ac reduziram a morte celular induzida pelo Roundup em cerca de 50%.

Os autores assumem que as propriedades físico-químicas das proteínas podem lhes conferir habilidade de se ligar e formar complexos com os adjuvantes do Roundup que apresentam tendência a formar vesículas, amortecendo sua biodisponibilidade para as células.

Para o bem ou para o mal, o que se constata é que as diferentes toxinas interagem entre si e que, embora estejamos expostos a infinitas combinações de toxinas ao ingerirmos alimentos transgênicos e/ou cultivados com agrotóxicos, os mecanismos e resultados dessas interações são amplamente desconhecidos e não foram devidamente avaliados antes das aprovações dessas plantas.

A referência completa do novo artigo sobre os efeitos combinados de toxinas Bt com glifosato é:

R. Mesnage, E. Clair, S. Gress, C. Then, A. Székács, G.-E. Séralini. Cytotoxicity on human cells of Cry1Ab and Cry1Ac Bt insecticidal toxins alone or with a glyphosate-based herbicide. In Journal of Applied Toxicology. Article first published online: 15 FEB 2012. DOI: 10.1002/jat.2712



 Para saber mais:
Toxina de transgênicos esta presente no sangue humano, contrariando os apologistas.

O mundo segundo a Monsanto


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pesquisadora denuncia projeto Terminator do deputado Cândido Vaccarezza



Apesar de o Convênio de Diversidade Biológica das Nações Unidas – CDB ter adotado uma moratória global conta a experimentação e o uso da tecnologia Terminator dez anos atrás, tramita no Congresso Nacional brasileiro dois projetos de lei que pretendem liberar o uso dessas sementes no país. As iniciativas são "extremamente preocupantes" e propõem a criação de uma "lei que é contra a soberania alimentar", declara Silvia Ribeiro à IHU On-Line.


De acordo com a pesquisadora, a tecnologia Terminator foi desenvolvida pela empresa Delta & Pine, propriedade daMonsanto, em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. "Trata-se de uma tecnologia transgênica para fazer sementes suicidas: são plantadas, dão fruto, mas a segunda geração torna-se estéril, para obrigar os agricultores a comprar sementes novamente em cada estação", explica.
Atualmente, seis transnacionais controlam as sementes transgênicas plantadas no mundo. Destas, cinco "têm patentes do tipo Terminator" e três "detêm mais da metade do mercado global de sementes (53%)", informa. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Silvia critica os projetos de lei (PL) de autoria da senadora Kátia Abreu(DEM-TO) e do deputado Cândido Vaccarezza (PT) e enfatiza que, se o Brasil aprová-los, estará "entregando a possibilidade de decidir sobre a sua própria alimentação".

Silvia Ribeiro é pesquisadora e coordenadora de programas do Grupo ETC, com sede no México, grupo de pesquisa sobre novas tecnologias e comunidades rurais. Ela tem ampla bagagem como jornalista e ativista ambiental no Uruguai, Brasil e Suécia. Silvia também produziu uma série de artigos sobre transgênicos, novas tecnologias, concentração empresarial, propriedade intelectual, indígenas e direitos dos agricultores, que têm sido publicados em países latino-americanos, europeus e norte-americanos, em revistas e jornais. Ela é membro da comissão editorial da Revista Latino-Americana Biodiversidad, sustento y culturas, e do jornal espanhol Ecología Política, entre outros.



Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é a tecnologia Terminator?

Silvia Ribeiro – Trata-se de uma tecnologia transgênica para fazer sementes suicidas: são plantadas, dão fruto, mas a segunda geração torna-se estéril, para obrigar os agricultores a comprar sementes novamente em cada estação. Ela foi desenvolvida pela empresa Delta & Pine (agora propriedade da Monsanto) com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Cinco das seis transnacionais que controlam as sementes transgênicas plantadas em nível mundial têm patentes do tipo Terminator. A Syngenta é a que tem o maior número dessas patentes. As empresas que desenvolveram a tecnologia Terminator a chamaram de "Sistema de Proteção da Tecnologia", porque ela serve para promover a dependência e impedir o uso de sementes sem lhes pagar royalties pelas patentes. Em seus primeiros folhetos de propaganda, elas asseguravam também que é para que "os agricultores do terceiro mundo deixem de usar suas sementes obsoletas".

Nesse momento, elas mostravam claramente as suas intenções: acabar com as sementes campesinas e com o irritante fato de que a maioria dos agricultores do mundo (campesinos, indígenas, agricultores familiares) usam suas próprias sementes em vez de comprá-las no mercado.

IHU On-Line – Por que o Brasil tenta aderir à semente Tarminator se, no ano 2000, o Convênio de Diversidade Biológica das Nações Unidas – CDB adotou uma moratória global contra a experimentação e o uso da tecnologia Terminator?

Silvia Ribeiro – A tecnologia Terminator é uma panaceia para as transnacionais de sementes, porque lhes permite aumentar de forma exponencial a dependência dos agricultores, já que estes estariam obrigados a comprar sementes delas a cada ano, porque as sementes se tornam estéreis depois da primeira colheita. Não é como os híbridos, que, na segunda colheita, dá menos quantidade ou uma qualidade diferente, mas é uma semente que "suicida"; ela se torna totalmente estéril.

Por isso, as multinacionais tentaram, desde a aprovação da moratória internacional no ano 2000, por diversas vias eliminá-la. Agora, isso se manifesta mais claramente no Brasil, onde existem duas propostas para acabar com a proibição do Terminator hoje existente.
Se isso for obtido, o próximo passo será o de que o Brasil tentará mudar a moratória em nível internacional, porque se não o fizer, ao aplicar a Terminator, violará a moratória. Por isso, a discussão sobre esse tema no Brasil tem uma relevância mundial.

IHU On-Line – Quais são as implicações das sementes Terminator para a agricultura?




Silvia Ribeiro – A Terminator impede um ato que é a base de 10 mil anos da agricultura: cultivar e selecionar sementes da própria colheita e replantá-las para a próxima. As sementes são a chave para toda a rede alimentar. Quem controla as sementes controla a cadeia alimentar.

Por isso, as transnacionais químicas têm tentado fazer isso nas últimas três décadas, monopolizando o mercado global de sementes, comprando a maioria das empresas de sementes. Hoje, somente três empresas transnacionais, cuja origem é a produção de tóxicos químicos e agrícolas (Monsanto, DuPont, Syngenta), detêm mais da metade do mercado global de sementes (53%) e, entre as 10 maiores, controlam 73% do mercado global de sementes comerciais.
Apesar desses números tão alarmantes, a grande maioria das sementes do mundo continua nas mãos dos camponeses e dos agricultores familiares, que usam suas próprias sementes ou as misturam ocasionalmente com sementes comerciais.
Além disso, os grandes agricultores, nas variedades que dão bom resultado, continuam usando parte de sua colheita como sementes para replantio. Por isso, as empresas querem usar medidas tecnológicas que lhes garantam maiordependência e controle.
A consequência de usar a Terminator é que um punhado de fabricantes tóxicos transnacionais irá decidir o que vai ser plantado e o que todos os demais irão consumir.

IHU On-Line – Que ameaças de extinção e de modificação as sementes Terminator podem causar à biodiversidade?

Silvia Ribeiro – Todas as variedades que comemos hoje em dia em todo o mundo estão baseadas na criação, seleção, ressemeadura e intercâmbio de variedades entre agricultores/as e indígenas, processo que continua vivo e atuante. As diferentes culturas, gostos, situações geográficas e climáticas, a pequena escala e a necessidade de prevenir as condições mutantes criaram uma enorme diversidade agrícola, que também maneja e interage com a biodiversidade natural circundante. Isso significa uma grande resiliência com variedades que resistem melhor ao frio ou ao calor, à umidade ou à seca, além dos diferentes gostos e propósitos.
As Terminator são sementes uniformes que vão acabando com a diversidade à medida que são aplicadas. Em parte, porque elas se baseiam em algumas poucas variedades selecionadas pelas empresas centralmente para todo o globo ou para grandes regiões. A uniformidade produz uma enorme vulnerabilidade e mais demanda de tóxicos, o que serve ao lucro das empresas.

Mas, além disso, a tecnologia é tão complicada (se baseia na ativação de uma cadeia de genes, com a aplicação de um tóxico externo antes de cultivá-la) que, se for aplicada, certamente falhará em parte. Isso significa que os cultivos adjacentes que forem contaminados com pólen com a Terminator vão morrer (alguns), e outros continuarão levando o gene sem ativá-lo, que poderia continuar cruzando até que um químico ou alguma condição ambiental (como maior frio, calor, umidade) desate a cadeia e os esterilize.
Embora os que promovem a Terminator digam que ela é para a "biossegurança", na realidade ela multiplica os riscos: algumas plantas se tornarão estéreis, e outras continuarão se cruzando, disseminando a ameaça.

IHU On-Line – As sementes Terminator são usadas em algum lugar do mundo?

Silvia Ribeiro – Não, em nenhuma parte do mundo. O Brasil seria o primeiro país a aplicar essa tecnologia tão perigosa e imoral.

IHU On-Line – Por que o México apoiou o fim da moratória contra a semente Terminator em 2006?

Silvia Ribeiro – A Terminator não é aplicada no México atualmente. Depois da assinatura do Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte com os EUA e o Canadá (Nafta, em sua sigla em inglês), as transnacionais se apoderaram de quase todo o mercado comercial de sementes e insumos agrícolas no México e têm enorme peso sobre o governo.

O México, nas negociações de biossegurança, fala muitas vezes em nome dos interesses não do seu país, mas das multinacionais e dos Estados Unidos, que não fazem parte do Convênio de Diversidade Biológica, onde está a moratória da Terminator. Por isso, ele também permitiu experimentos com milho transgênico, mesmo sendo o centro de origem do milho, apesar da oposição da população, dos agricultores e dos consumidores.

IHU On-Line – Como você analisa a posição do Brasil com relação às sementes Terminator e o Projeto de Lei de Cândido Vaccarezza (PT) para liberar essas sementes?

Silvia Ribeiro – Acredito que é extremamente preocupante, já que o partido é do governo e está promovendo uma lei que é contra a soberania alimentar, tanto no Brasil como no resto do mundo. Se o Brasil a aprovar, estará entregando a possibilidade de decidir sobre a sua própria alimentação. Além disso, a proposta de Vacarezza argumenta que a Terminator é necessária para poder fazer plantas transgênicas "biorreatoras", isto é, que produzam substâncias industriais e farmacêuticas etc. Isso, por si só, apresenta enormes riscos ambientais e de saúde por causa da provável contaminação das redes alimentares.

A proposta de Vacarezza, que foi redigida por uma advogada da Monsanto, propõe que a Terminator seria para a "biossegurança", porque evitaria a contaminação provocada por essas plantas de alto risco e de outras, como árvores transgênicas.
Mas, como expliquei antes, a Terminator nunca é uma medida de biossegurança, mas sim o contrário. Isso quer dizer que a proposta apresenta um risco triplo: que sejam cultivadas plantas que poderiam ser tóxicas para a saúde se contaminarem outras; que a Terminator seja aprovada (que, sem dúvida, será usada em todas as plantas, não só nessas, porque esse é o verdadeiro interesse das empresas); e que se incentive o uso de monocultivos de árvores transgênicas, que, a todos os problemas dos monocultivos, somarão o da contaminação transgênica e a esterilidade.


Sobre o processo, organizações brasileiras que acompanham o tema o descreveram assim: "Atualmente, a Lei de Biossegurança proíbe "a utilização, a comercialização, o registro, o patenteamento e o licenciamento de tecnologias genéticas de restrição do uso’ (art. 6º, Lei 11.105/05). Mas, mesmo sob o peso da moratória internacional e diante da atual proibição nacional, dois Projetos de Lei no Congresso tentam liberar as sementes Terminator no Brasil. Um é o PL 268/07, originalmente apresentado pela hoje senadora Kátia Abreu (DEM-TO), e atualmente de autoria do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR). E, em 2009, o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), que nunca atuou no campo da agricultura, apresentou o PL 5575/09, que prevê a liberação das sementes Terminator no Brasil. Em 2010, a Campanha Por um Brasil Ecológico e Livre de Transgênicos fez uma denúncia informando que o arquivo que está disponível no sítio da Câmara dos Deputados com a proposta do PL tem como origem o computador de uma das advogadas da empresa Monsanto! Esse Projeto de Lei foi muito questionado na sua tramitação na Câmara, mas, apesar disto, foi criada uma comissão especial para agilizar sua tramitação. Quando se cria uma comissão especial, o PL tramita em regime de prioridade, ou seja, diminui das 40 sessões da Tramitação ordinária para 10 sessões apenas!".
Em junho de 2011, a Jornada de Agroecologia da Via Campesina no Paraná, com mais de quatro mil participantes, se pronunciou massivamente contra essas novas propostas de permitir a Terminator. O Seminário Internacional Cúpula dos Povos da Rio+20 Por Justiça Social e Ambiental, com cerca de 500 participantes, que foi realizada no Rio de Janeiro em julho de 2011, também se pronunciou.

As demandas ali propostas, para os poderes Executivo e Legislativo federais, foram:

– que o governo brasileiro mantenha o texto da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05) que proíbe a utilização de qualquer tecnologia genética de restrição de uso;

– que o governo brasileiro tenha uma posição firme e clara na Convenção sobre Diversidade Biológica para manter a moratória internacional às tecnologias genéticas de restrição de uso (GURTs), garantindo, como Estado-Parte da CDB, que a moratória também se aplica no Brasil;

– que o Congresso Nacional rejeite os PLs 5575/09 e 268/07 que tramitam na casa e que os senhores deputadosCândido Vacarezza (PT-SP) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) arquivem esses PLs da pauta do Congresso, respeitando a moratória internacional à tecnologia Terminator e garantindo a soberania nacional em relação ao uso e reprodução das sementes, à segurança e soberania alimentar dos povos, e aos direitos dos agricultores, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, ao livre uso da biodiversidade e da agrobiodiversidade.

IHU On-Line – Como você recebeu a notícia de que Graziano da Silva assumiu a direção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO?

Silvia Ribeiro – Acredito que Graziano da Silva deve afirmar claramente a mesma posição que o diretor anterior da FAO, ou seja, de condenação da tecnologia Terminator por ser uma ameaça direta à soberania alimentar.

IHU On-Line – Qual a sua expectativa com relação à Rio+20, que acontecerá no Brasil no próximo ano?

Silvia Ribeiro – Seria uma enorme contradição e uma vergonha internacional que um país que, pela segunda vez, será anfitrião de uma conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento esteja, ao mesmo tempo, adotando uma tecnologia como a Terminator, que traz consigo grandes riscos para o meio ambiente e para a biodiversidade, e é rejeitada por todo o resto dos governos do mundo.

E que, além disso, para se ajustar aos interesses de três, quatro empresas transnacionais de sementes, tente romper a moratória internacional, algo que poderia ter consequências devastadoras sobre a biodiversidade e a soberania alimentar, não só do Brasil, mas também de tantos outros países muito mais vulneráveis, que agora estão protegidos pela moratória internacional.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/46289-tecnologia-terminator-e-o-dilema-brasileiro-entrevista-especial-com-silvia-ribeiro

Para saber mais: Um duro golpe a biodiversidade, artigo de Nagib Nassar
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=50333