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domingo, 18 de dezembro de 2011

A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno




A repórter Manuela Azenha esteve em Cuiabá, Mato Grosso, onde assistiu à defesa de tese da pesquisadora Danielly Palma. A ela coube pesquisar o impacto dos agrotóxicos em mães que estavam amamentando na cidade de Lucas do Rio Verde. A seguir, o relato:
Lucas do Rio Verde é um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso, estado vitrine do agronegócio no Brasil. Apesar de apresentar alto IDH (índice de desenvolvimento humano), a exposição de um morador a agrotóxicos no município durante um ano é de aproximadamente 136 litros por habitante, quase 45 vezes maior que a média nacional — de 3,66 litros.
Desde 2006, ano em que ocorreu um acidente por pulverização aérea que contaminou toda a cidade, Lucas do Rio Verde passou a fazer parte de um projeto de pesquisa coordenado pelo médico e doutor em toxicologia, Wanderlei Pignatti, em parceria com a Fiocruz. A pesquisa avaliou os resíduos de agrotóxicos em amostras de água de chuva, de poços artesianos, de sangue e urina humanos, de anfíbios, e do leite materno de 62 mães. A pesquisa referente às mães coube à mestranda da Universidade Federal do Mato Grosso, Danielly Palma.
A pesquisa revelou que 100% das amostras indicam a contaminação do leite por pelo menos um agrotóxico. Em todas as mães foram encontrados resíduos de DDE, um metabólico do DDT, agrotóxico proibido no Brasil há mais de dez anos. Dos resíduos encontrados, a maioria são organoclorados, substâncias de alta toxicidade, capacidade de dispersão e resistência tanto no ambiente quanto no corpo humano.

Clique no link abaixo e leia a reportagem e  ouça uma entrevista completa com a pesquisadora:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/exclusivo-a-pesquisadora-que-descobriu-veneno-no-leite-materno.html


Para saber mais: 


Contaminação de leite materno por agrotóxicos no Mato Grosso


http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com/2011/12/contaminacao-de-leite-materno-por.html

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A ameaça do veneno que chega do campo



Cuiabá, Brasil, 25/7/2011 – A água potável no Brasil pode conter 22 tipos de agrotóxicos, 13 de metais pesados, 13 de solventes e seis de desinfetantes. Essa presença contaminante é tolerada até níveis fixados em uma escala oficial, que às vezes é ultrapassada por conveniências econômicas e devido a controles inadequados. Até 1977 as autoridades determinavam que a água própria para consumo humano não podia conter resíduos de mais de 12 agrotóxicos e dez metais. Nada sobre os demais. Desde então foram feitas duas atualizações, em 1990 e 2004, “legalizando” os resíduos de novos insumos químicos usados na agricultura e na indústria, lamentou Wanderlei Pignati, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Em comparação, a União Europeia só admite cinco agrotóxicos, com limites inferiores aos previstos no Brasil e um total que impede que cada um chegue ao máximo tolerado, cuidado este também não adotado no Brasil. O controle de qualidade da água potável, ainda baseado em eliminar bactérias, não acompanha a crescente contaminação química, que exige equipamentos “caros e sofisticados” em medições complexas, afirmou Pignati, especialista que é referência nacional na pesquisa e na luta contra o que se considera abuso de venenos agrícolas.
O Brasil se converteu, há três anos, no maior consumidor mundial de defensivos agrícolas de cultivos, apesar de produzir, por exemplo, menos de um terço de grãos do que os Estados Unidos. É o custo da liderança em agricultura tropical, alcançado nas últimas décadas e que lhe permitiu exportar US$ 76,4 bilhões em bens deste setor no ano passado. A façanha econômica brasileira se concretizou graças a muita pesquisa agronômica e intenso emprego de fertilizantes, inseticidas, herbicidas e fungicidas, além da aposta nas monoculturas extensivas, especialmente a soja, que se converteu no principal produto das exportações, superando de longe os tradicionais café e açúcar.
O Estado do Mato Grosso, no centro oeste do país e na fronteira sudeste da Amazônia, sintetiza essa mudança ao se constituir no maior produtor nacional de soja e, por extensão, também o maior consumidor de defensivos agrícolas, denominação para os agroquímicos preferidos pelos produtores e camponeses.
Além de expandir a área plantada, o que ocorre a partir do desmatamento, o setor produtor local intensificou o uso de agrotóxicos. “Há dez anos aplicavam-se oito litros em um hectare de soja, hoje são dez litros”, disse Pignati. “Os agrotóxicos são uma droga lícita, como o álcool e o tabaco”, acrescentou ao responder uma pergunta da IPS. O modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro estimula seu uso, isentando-os, por exemplo, do imposto comercial que, no entanto, é aplicado em medicamentos, em uma prioridade reversa, em detrimento da saúde, ressaltou o especialista.
Pignati é um dos ativistas da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lançada no Mato Grosso no começo de junho, que se dedica a estudar o assunto e divulgar seus conhecimentos desde que chegou à conclusão de que é mais eficiente atacar as causas das enfermidades do que formar médicos para tratamentos individuais. Na universidade, vinculou-se ao Departamento de Saúde Coletiva. O Mato Grosso consome cerca de 150 milhões de litros de agrotóxicos por ano, equivalente a 50 litros por habitante, contra a média nacional de 5,2 litros, segundo Pignati.
É inevitável contaminar as águas em um Estado que possui milhares de nascentes fluviais que alimentam as bacias do Rio da Prata e outras quatro amazônicas, alertou Pignati. O sistema de tratamento da água para consumo da população data de “cem anos atrás” e busca retirar contaminantes por decantação, mas muitos produtos químicos escapam desse método e ficam dissolvidos na água, explicou. Seus efeitos não são apenas as diarreias, mas neurológicos, cancerígenos, endocrinológicos, psiquiátricos e sua presença persiste durante décadas.
A “disfunção endócrina”, um tema recente evidenciado pela proliferação de diabetes, hipotireoidismo e outros distúrbios, servem de alerta para esse problema, alerta o médico. O risco sanitário no Brasil aumenta pelo uso de venenos que há muito tempo foram proibidos em outros países, especialmente na Europa. O caso emblemático é o Endosulfan, um inseticida responsável por intoxicações fatais, abortos, má-formação fetal e danos aos sistemas nervoso e imunológico.
Uma resolução governamental de 2010 determina sua abolição gradual no Brasil. O Endosulfan estará proibido somente a partir de 2013, e nas próximas semeaduras ainda será permitida a utilização de 14,8 milhões de litros. Outros 13 produtos estão sendo avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação desses venenos por meio de aviões, o que agrava a contaminação de pessoas, água e biodiversidade devido à dispersão incontrolada, é um alvo prioritário dos ambientalistas.
Uma “chuva de agrotóxicos”, lançada por um avião pulverizador, caiu em março de 2006 sobre Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes no norte do Mato Grosso, rodeada de soja em uma época ou de milho e algodão, em outra. A intoxicação de pessoas, animais e plantações provocou condenações e amplos debates. Outro grande impacto teve a divulgação em março de um estudo feito por Danielly Palma, coordenado por Pignati, que identificou a presença residual de agrotóxicos no leite materno de 62 mulheres examinadas no ano passado em Lucas de Rio Verde em 2010.
Em todas havia DDE, que é no que se transforma o DDT (dicloro difenil tricoloroetano), e em 44% delas foram encontrados resíduos de Endosulfan. Mas estas críticas e pesquisas são relativizadas por dirigentes políticos do mundo dos grandes negócios agropecuários. A comparação com a Europa é indevida, devido às condições distintas. Os agricultores brasileiros cumprem as regras fixadas pela Anvisa, o órgão regulador do Ministério da Saúde, afirmou Seneri Paludo, diretor-executivo da Federação da Agricultura de Mato Grosso.
A quantidade de consumo de defensivos agrícolas por quantidade de habitantes tampouco é uma medida legítima, acrescentou Paludo. Os agricultores tendem a usar “uma dose inferior à necessária, o que às vezes agrava as pragas”, porque os defensivos representam maiores custos, afirmou. Sua disposição em proteger o meio ambiente se comprova pelo fato de Mato Grosso ser líder nacional em coleta de embalagens de agroquímicos usados, ressaltou o dirigente.
Por sua vez, Edu Pascoski, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, argumenta que os resíduos identificados nas pesquisas em seu Município “estão dentro dos níveis aceitáveis”, fixados pela Anvisa. Também justificou que o DDT e o DDE permanecem nos seres humanos por mais de 60 anos, por isso o que foi encontrado nos estudos de Danielly Palma pode refletir o uso do produto em etapas muito anteriores à sua proibição em 1998.
Contudo, se forem verificados “abusos no uso de agroquímicos”, isso será devido a permissões dadas por autoridades nacionais, afirmou Pascoski, após garantir que sua cidade apresenta bom desempenho ambiental, com um acompanhamento constante da qualidade da água potável, áreas de proteção preservadas ou em recuperação e abundante vegetação. Envolverde/IPS

As informações são do site:
Envolverde - Jornalismo e Sustentabilidade.
http://envolverde.com.br/noticias/a-ameaca-do-veneno-que-chega-do-campo/

Médicos das Usinas dão pinga para cortar o efeito do agrotóxico no corpo


Moradores da zona da mata do norte de Pernambuco denunciam os efeitos dos vestígios de agrotóxicos, como ataques de asma e desmaios



“De repente a menina cansava sem ninguém saber como. Tinha que pegar e levar pro hospital às pressas”, relembra Madalena. A cena se repetia todos os dias. Sua sobrinha, à época com quatro anos, tinha crises respiratórias a cada fim de tarde e era socorrida no hospital de São Lourenço da Mata, zona da mata norte de Pernambuco. “Foi então que a médica descobriu que os ataques só aconteciam quando meu irmão chegava em casa do trabalho. Ela pediu pra ele se afastar do serviço por algum tempo. Passou um mês e a menina não teve mais nada, quando ele voltou a trabalhar os ataques voltaram”. O irmão de Madalena aplicava agrotóxicos nos canaviais da usina Petribu.

Os ataques de asma que a sobrinha de Madalena sofria eram causados pelos vestígios de agrotóxico que permaneciam no corpo de seu irmão, “muito embora”, ressalta Madalena, “quando largava do trabalho, ele tomava banho na usina e trocava de roupa antes de ir pra casa”.

O relato de Madalena é reforçado por outras esposas e mães da região, cujos nomes verdadeiros foram preservados para evitar retaliações da usina. “O fedor é muito forte”, lembra Regina, cujo esposo de 30 anos aplica veneno nos canaviais da Petribu pela segunda safra consecutiva. “Quando ele chega do serviço, só entra pela porta de trás. A roupa que ele usa pra ir e voltar do trabalho tem que deixar na porta da casa. Boto na água sanitária e nada do cheiro sair. Tem dia que o fedor é tão forte que não consigo nem ficar perto dele”, completa.



Regina revela que seu esposo já foi parar no hospital municipal depois de passar mal e desmaiar durante a aplicação dos agrotóxicos. “Ele tomou soro e foi liberado. O médico não disse nada sobre o veneno e não passou nenhuma medicação. Até hoje tem dia que ele acorda no meio da noite com o corpo cheio de câimbra.”

Cachaça como remédio

A denúncia mais grave é feita por Rosângela. Há três anos seu marido aplica veneno nos canaviais da Petribu. Segundo ela, desde o ano passado, os médicos da usina determinaram que todos os trabalhadores que manuseassem os agrotóxicos “tomassem uma dose de cachaça por dia, depois de terminado o serviço. Eles disseram que era pra cortar o efeito do veneno no corpo.”

Madalena confirma a acusação: “Na safra passada, eles chamaram meu filho de 19 anos pra trabalhar com veneno. O salário era um pouco maior, mas tinha um porém. Antes eles davam um saquinho de leite pra cada funcionário. Mas agora eles não estavam mais fornecendo leite e sim uma dose de pinga. Quando ele saísse do serviço, ia pra usina, tomava banho, trocava de roupa e recebia uma dose de pinga que era pra poder fazer uma limpeza dentro dele para o veneno não ofender ele”. Seu filho se recusou a beber e acabou desempregado.

“Não tem efeito nenhum do ponto de vista de evitar, de prevenir ou de tratar a questão da intoxicação pelo veneno utilizado na agricultura” esclarece a médica Lia Giraldo sobre os efeitos do leite e do álcool na lida com os agrotóxicos. Professora da UPE (Universidade do Estado de Pernambuco) e pesquisadora titular da Fiocruz/PE, Lia ressalta que “o leite é um alimento e, obviamente, não tem nenhuma consequência desfavorável tomá-lo, mas também não serve para nada do ponto de vista da intoxicação. Com relação ao álcool [cachaça] sim, é muito perigoso. Porque o álcool tem efeito tóxico para o fígado e para o sistema nervoso, assim como a maioria dos agrotóxicos. Então você tem a superposição de dois produtos que são tóxicos, causando uma potencialização do efeito negativo do veneno sobre a saúde humana. Quem receitar esse tipo de coisa para evitar intoxicação, especialmente se for médico, está cometendo um crime e deve ser encaminhada uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina”, enfatizou.

A pesquisadora lembra que o uso do álcool pode descaracterizar a intoxicação química por agrotóxicos, já que ambos produzem sintomas parecidos, tornando muito difícil a realização de um diagnóstico diferencial. “Na hora de fazer o diagnóstico vão dizer que o problema do trabalhador é porque ele bebe e não porque ele está exposto ao agrotóxico”, conclui Lia.

No ar, na terra e nas águas

Não são só os trabalhadores que sofrem com o uso indiscriminado dos agrotóxicos nos canaviais pernambucanos. Os 522 alunos da Escola Municipal Luiz Carlos de Moraes Pinho, localizada no distrito de Chã de Sapé em Itaquitinga, assistem suas aulas a poucos metros dos canaviais da Usina Santa Tereza. De acordo com Ivone, diretora da escola, “quando eles queimam as canas, a escola tem que liberar os alunos e suspender as aulas”. A professora de informática Ivete lembra que “há três anos, a Fusam [Fundação de Saúde Amaury de Medeiros] veio aqui fazer exame de vista nas crianças. Muitas crianças foram diagnosticadas com tracoma [uma forma de conjuntivite crônica que pode levar a cegueira] e os médicos associaram ao veneno que se espalhava com as queimadas da cana. Na época, a prefeitura foi acionada, mas até hoje nada foi feito”.

A agente de saúde lvanusa da Silva lembra que as famílias tinham o costume de cultivar algumas lavouras brancas para alimentação, como o mamão, “mas com o veneno despejado pelos aviões da usina, o mamão fi cava todo amarelado, não conseguia sobreviver. Não podemos plantar nada porque afeta”. Ivanusa informa que os aviões passam todos os finais de semana, logo cedo, despejando veneno nas canas e nas casas, indiscriminadamente. “Passa tão perto que parece que vai rasgar o teto em cima das casas”, completa a agente de saúde.

Em um desses voos rasantes, Dona Nelinha, 60 anos, acabou recebendo um banho de veneno. “Estava caminhando ali na estrada, de manhã cedinho, umas 5h. Só ouvi o barulho e quando vi o produto foi despejado do avião e salpicou veneno nos meus braços e no meu rosto. Eu acredito que isso não aconteceu só comigo, porque na estrada passa muita gente pra lavar roupa, o pessoal que chega do trabalho, todo mundo passa por essa estrada. É um produto que não faz bem pra nossa saúde, não é? Isso não faz bem pra comunidade”, afirma a moradora aposentada.

Para completar o quadro, a Associação de Moradores de Chã de Sapé denuncia que o poço responsável por armazenar a água que abastece os cerca de 800 domicílios do distrito está contaminado pelos agrotóxicos utilizados nos canaviais.

Agrotóxicos, abortos e câncer

Os casos denunciados pelos moradores de São Lourenço da Mata e Itaquitinga se repetem por diversos municípios tomados pelas plantações de cana na região. Mas, de acordo com os estudos levados adiante pela professora Lia Giraldo e a Fiocruz, há outras culturas em que os agrotóxicos também estão causando sérios danos à população e ao meio ambiente.

De acordo com Lia Giraldo, pesquisas realizadas com as mulheres envolvidas diretamente na produção de tomate no município de Camucim de São Félix, agreste pernambucano, constataram que 70% delas haviam abortado e 11% tiveram fi lhos com deficiências físicas ou distúrbios neurocomportamentais. Levantamento feito no ano de 2009 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) evidenciou a contaminação ambiental de cacimbas e açudes pelo agrotóxico metamidofós, cuja classe toxicológica é a de nível I: extremamente tóxico. Além disso, estudos da Fiocruz identificaram na região do Vale do São Francisco 108 agrotóxicos diferentes utilizados na fruticultura com forte potencial de indução de câncer. 87% destes agrotóxicos foram classifi cados como carcinogênicos e 7% pré-carcinogênicos.

Lia Giraldo lembra que o consumo de agrotóxicos só aumenta em Pernambuco e em todo o país. Em 2009, haviam 2.195 produtos agrotóxicos registrados no país e as vendas chegaram a 789.794 toneladas, o equivalente a 6,8 bilhões de dólares. Em 2010, essa cifra alcançou os US$ 7,1 bilhões. Para a professora, o uso indiscriminado de agrotóxicos representa um “grave problema para a saúde pública, ainda que seus riscos e efeitos sejam ocultados e invisibilizados pela propaganda, pela ausência efetiva de controle dos órgãos públicos e pela falta de informação dos consumidores”.

Fonte: Revista Forum
http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9395/medicos-das-usinas-dao-pinga-para-cortar-o-efeito-do-agrotoxico-no-corpo-

O brasileiro come veneno


Aline Scarso, do Brasil de Fato (*)

O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira.  
Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.

Em "O veneno está na mesa", lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.
Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.

Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?
Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.

Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande...
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.
A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.

No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.

Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.

E expectativa é boa então?

Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.


(*) Publicado originalmente no site Brasil de Fato
http://www.brasildefato.com.br/node/6965

Quando chove veneno


Por Marcela Valente, da IPS (*)
Buenos Aires, Argentina, 12/12/2011 – A expansão da monocultura da soja na Argentina, que deixa elevadas dívidas para os operadores do setor e os cofres do Estado, tem sua contrapartida no impacto da fumigação com agrotóxicos perto de localidades situadas próximas às plantações. Uma pesquisa da Universidade Nacional de Río Cuarto, na província de Córdoba, mostrou o dano genético em ratos e anfíbios causado pelo glifosato, o herbicida utilizado na soja geneticamente modificada.
Também demonstrou danos em anfíbios a pesquisa feita há dois anos pelo professor Andrés Carrasco, do Laboratório de Embriologia Molecular da Faculdade de Medicina, da estatal Universidade de Buenos Aires, e pesquisador principal do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas. Aprovada em um controvertido trâmite na década de 1990, a semente de soja criada pela multinacional norte-americana Monsanto foi modificada para absorver sem risco o glifosato, princípio ativo do herbicida na versão comercial vendida pela empresa com o nome Roundup.
A introdução da semente transgênica provocou uma expansão da soja e do uso de glifosato. Hoje, são 18 milhões de hectares plantados com esta oleaginosa em um total de quase 30 milhões de hectares cultivados de grãos. As vendas da versão comercial do glifosato misturado com substâncias que ajudam a sua absorção pela planta aumentaram dramaticamente, de um milhão de litros na década de 1990 para quase 300 milhões atualmente, segundo dados oficiais.
Em 2006, um grupo de organizações não governamentais, apoiado em informes médicos de províncias onde o cultivo se expande, lançaram a campanha “Parem de Fumigar”, que levou à formação de uma comissão governamental para estudar eventuais danos. Porém, a comissão não apresentou resultados e a Monsanto insiste que, com os devidos cuidados, o herbicida não é tóxico.
A doutora em biologia Delia Aiassa, do grupo de Genética e Mutagênese Ambiental, do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Río Cuarto, lidera uma equipe que investiga o impacto do glifosato na saúde. A especialista recordou que a exposição a este herbicida pode provocar asma, bronquite crônica, irritação na pele e nos olhos, danos nos rins, fígado e no sistema nervoso, câncer, problemas de desenvolvimento em crianças e defeitos congênitos. Também alerta para maior risco de as grávidas sofrerem abortos espontâneos, bem como para problemas de fertilidade nos homens.
A pesquisadora publicou recentemente o resultado de suas pesquisas em ratos e anfíbios, e também, junto com sua equipe, fez pesquisas em áreas expostas a pulverizações que revelaram o impacto do herbicida sobre a saúde humana. Aiassa explicou à IPS que, em ratos e anfíbios tratados com glifosato em sua formulação pura e na comercial, “há um aumento do dano genético no sangue, na medula óssea e no fígado”. Se a dose era maior, os animais morriam, acrescentou.
A pedido de pequenos municípios da província de Córdoba rodeados de plantações de soja, a equipe multidisciplinar realizou ainda um monitoramento humano para obter, da boca dos usuários, informação sobre o uso de pesticidas. Na pesquisa desenvolvida em um deles, Rincón de los Sauces, onde vivem 34 famílias em meio a campos de soja, 34% dos entrevistados disseram que se fazia fumigação perto de suas casas. Neste mesmo universo de entrevistados, 53% deles disseram que nunca receberam informação sobre os efeitos do mau manejo dos agroquímicos, e 35% afirmaram ter sofrido sintomas de intoxicação. Resultados similares foram obtidos pela equipe em outros povoados, como Las Vertientes, Marcos Juárez e Saria, na mesma província.
Os especialistas também detectaram “falta de registros médicos sobre a realidade que vivem estas pessoas”. Esta falência é acentuada pelo doutor Damián Verzeñassi, sub-secretário acadêmico da Faculdade de Ciências Médicas, da estatal Universidade Nacional de Rosário, na província de Santa Fé. Aiassa e Verzeñassi deram esta semana uma palestra para trabalhadores da saúde no Hospital de Pediatria Juan Garran, de Buenos Aires, que recebe crianças com patologias graves de todo o país.
“Não se pode continuar pensando a saúde humana como algo alheio à saúde dos ecossistemas”, disse Verzeñassi em sua exposição, e alertou para o impacto sanitário do modelo de produção baseado na expansão da soja transgênica. Ele afirmou à IPS que há impactos que se manifestam muito depois da exposição a um agroquímico, e nesse sentido considerou fundamental que os médicos de áreas afetadas e também os do Hospital Garran façam os registros. “A casuística é uma central nestes casos, mas requer o registro fidedigno de casos para ir construindo os dados a fim de dar visibilidade para este problema”, disse o médico de Rosário perante seus colegas.
A IPS consultou o especialista sobre o julgamento oral que acontecerá no próximo ano na província de Córdoba contra dois produtores e um fumigador pelo dano causado aos habitantes de uma localidade de Ituzaingó, fumigada com glifosato. Verzeñassi considerou que o julgamento, que determinará responsabilidades, “é muito importante”, mas, lamentou que tenha sido um grupo de mulheres de Ituzaingó que levou adiante o processo, e não o sistema público de saúde.
Na Argentina, apesar das reiteradas reclamações, não há uma lei nacional que regule os agrotóxicos. Há leis nas províncias e em alguns municípios, que são mais ou menos permissivas, segundo os casos, mas que nem sempre são cumpridas.
Entre os médicos presentes à palestra estava o chefe de Oncologia do Hospital Garran, Pedro Zubizarreta, que disse à IPS que chegam ao centro que dirige um terço de casos de câncer infantil do país e, no geral, são os mais graves. “Com nossos dados não podemos mostrar um aumento de casos referidos ao glifosato, porque não temos registros suficientes, mas o que importa destacar é que se está fazendo uso maciço de um agrotóxico que causa danos”, destacou.
“Talvez não possamos demonstrar hoje que há mais câncer infantil por esta causa, mas sabemos que este é prejudicial para a nossa saúde, de nossos filhos, e que afeta enormemente a biodiversidade e a variedade de alimentos”, acrescentou Zubizarreta. A preocupação de médicos e cientistas já havia sido recolhida pela IPS na província de Chaco, onde o debate das participantes de uma Audiência de Mulheres e Justiça Climática, realizada em outubro, se centrou nos agroquímicos.
“Arruínam a terra, os moradores vizinhos não podem plantar nada porque tudo seca. Regam com os tóxicos ao lado das nossas plantações e o vento queima tudo”, afirmou à IPS nessa ocasião Juana Ozuna, da organização Colônias Unidas do Chaco. “Nós não temos estudos, mas vemos que isso faz mal porque não podemos ter animais nem uma horta, a água fica contaminada e há casos comoventes de má-formação de bebês”, resumiu Ozuna. Envolverde/IPS
(IPS)


domingo, 11 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

Dr. Bactéria - Como eliminar agrotóxicos dos vegetais

O vídeo abaixo dá uma orientação de como eliminar agrotóxicos nos alimentos. 

A orientação é muito boa,  mas ela não elimina o agrotóxico que esta dentro da planta - os sistêmicos, mas ajuda a ficarmos livres de parte deles.

Em relação a opinião do especialista  que a quantidade de resíduos é muito pequena - a dúvida que fica é:

Qual é  o estudo sério e independente  e  de longa duração que existe que nos pode dar segurança que se ingerirmos diariamente uma quantidade de veneno todos os dias - isto não acarretará nenhum mal?




Para saber mais acesse: 

Lavar alimentos pode ser inútil para tirar agrotóxicos, dizem especialistas:


http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/06/lavar-alimentos-pode-ser-inutil-para-tirar-agrotoxicos-dizem-especialistas.html

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

[ESTUDO] Toxina de Transgênicos Está Presente no Sangue Humano, Contrariando os Apologistas


 Blog Anti Nova Ordem Mundial (*)

Até agora, os cientistas e multinacionais que promovem os cultivos de transgênicos têm afirmado que a toxina Bt não representa qualquer perigo para a saúde humana, pois estas proteínas seriam quebradas no intestino humano. Mas a presença desta toxina no sangue humano demostra que isso não é a realidade.
Comer milho, soja e batata transgênicos é perfeitamente seguro, desde que você não se importe em ter uma perigosa toxina correndo em sua corrente sanguínea. E na corrente sanguínea dos feto também. Assim diz um estudo peer-review canadense, relata a revista semanal India Today.

Leia abaixo a matéria na íntegra:



Surgem novas dúvidas sobre a segurança das culturas geneticamente modificadas (transgênicos), quando pela primeira vez um estudo reporta a presença da toxina Bt, amplamente utilizada em culturas transgênicas, no sangue humano.
Os cultivos geneticamente modificados incluem genes extraídos de bactérias para torná-los resistentes ao ataque de pragas.
Estes genes tornam os cultivos tóxicos a pragas, mas seus defensores alegam que eles não representam qualquer perigo para o ambiente e a saúde humana. A berinjela geneticamente modificada, cuja liberação comercial foi suspensa há um ano, tem uma toxina derivada de uma bactéria do solo chamada Bacillus thuringiensis (Bt).
Até agora, cientistas e multinacionais que promovem o cultivos de transgênicos têm mantido que a toxina Bt não representa qualquer perigo para a saúde humana, pois estas são quebradas no intestino humano. Mas a presença desta toxina no sangue humano mostra que isso não é a realidade.
Cientistas da Universidade de Sherbrooke, no Canadá, detectaram a proteína inseticida Cry1Ab circulando no sangue de mulheres grávidas, bem como de mulheres não-grávidas.
Eles também detectaram a toxina no sangue fetal, o que significa que ela poderia passar para a próxima geração. O trabalho de pesquisa peer-reviewed (revisado por pares) foi aceito para publicação na revista científica “Toxicologia Reprodutiva” (Reproductive Toxicology). Fizeram parte do estudo 30 mulheres grávidas, 39 mulheres que tinham vindo para fazer Laqueadura no Centro Hospitaliar da Universidade de Sherbrooke (CHUS), em Quebec.
Nenhum deles trabalhavam com pesticidas ou viviam com um cônjuge que trabalha em contato com pesticidas.
Elas todas estavam consumindo uma típica dieta canadense, o que incluía alimentos transgênicos, como soja, milho e batatas. Amostras de sangue foram tomadas antes do parto para gestantes e na laqueadura para as mulheres não-grávidas. Amostragem do sangue do cordão umbilical foi feito após o nascimento.
A toxina Cry1Ab foi detectada em 93 por cento e 80 por cento das amostras de sangue materno e fetal, respectivamente, e em 69 por cento das amostras de sangue examinadas de mulheres não-grávidas. Estudos anteriores haviam encontrado vestígios da toxina Cry1Ab no conteúdo gastrointestinal de animais alimentados com milho transgênico. Isso deu origem a temores de que as toxinas podem não ser efectivamente eliminada em seres humanos e poderia haver um alto risco de exposição através do consumo de carne contaminada.
Os dados gerados irão ajudar as agências reguladoras responsáveis pela proteção da saúde humana para que possam tomar melhores decisões“, observaram os pesquisadores Aziz Aris e Samuel Leblanc.
Dada a potencial toxicidade destes poluentes ambientais e a fragilidade do feto, mais estudos são necessários, particularmente aqueles que utilizam a abordagem da transferência placentária”. Eles acrescentaram que especialistas vêm alertando para as graves implicações para a Índia. O óleo de algodão é feito a partir de sementes de algodão geneticamente modificado e desta forma a toxina Bt pode já ter entrado na cadeia alimentar na Índia.
Reguladores indianos deve ser imediatamente chamadas para execução de estudos toxicológicos para saber a extensão da contaminação do sangue humano com toxinas Bt provenientes de óleo de algodão, e também verificar os impactos na saúde a longo prazo“, disse Devinder Sharma, um ativista anti-transgênicos.

(*)As informações são do site abaixo, onde você poderá encontrar mais informações sobre o tema:

[ESTUDO] Toxina de Transgênicos Está Presente no Sangue Humano, Contrariando os Apologistas | Blog Anti Nova Ordem Mundial

Para aprofundar:

OGM e Alergias - Parte 2: o milho GM

http://www.stopogm.net/node/242


Novo estudo avalia combinação de toxinas Bt com glifosato em células humanas



Pesquisadores suíços confirmam efeito letal de toxina Bt sobre joaninhas