Seguidores

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O leite no controle de oídio


O oídio é uma doença causada por fungo e é preocupante em dezenas de culturas. O controle normal é feito através da aplicação de fungicidas, mas os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente descobriram uma forma mais ecológica, eficiente e barata de combater o oídio: o leite. A bebida deve ser misturada à água em concentrações que vão de 5% a 10%, dependendo da intensidade da doença, e pulverizada semanalmente desde o início do surgimento do fungo na plantação. Além de não contaminar o solo e os cultivos e ser seguro para os trabalhadores que fazem a aplicação, o uso do leite no controle do oídio pode custar até a metade do que o agricultor gasta com fungicidas.

O leite tem três ações diferentes contra o fungo da doença. Na pulverização, ele forma uma camada na superfície das plantas como se fosse um biofilme de película bem fina. Isso forma uma camada protetora que impede a germinação e penetração do fungo, além disso, como ele é rico em nutrientes, aqueles microorganismos que vivem na superfície da folha crescem mais e se colonizam pela superfície. Segundo o engenheiro agrônomo e pós-graduado em fitopatologia Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, outra característica positiva é que o leite tem, naturalmente, uma ação germicida contra os fungos que são estranhos ao leite. O terceiro benefício com o uso do leite é que ele é rico em sais que induzem a resistência ao oídio nas plantas.
A aplicação semanal deve ter de 5% da bebida na calda, quando a doença está amena, e de 10% quando ela está mais intensa. Bettiol diz que fazer a mistura é simples. Basta colocar 5 litros de leite para cada 95 litros de água ou 10 litros de leite para 90 litros de água e não importa o tipo de leite utilizado pode ser tipo A, B ou C e até o cru, que não é processado e é mais barato do que os outros. Algumas propriedades, que criam gados, já têm a produção pronta para a utilização.
— Existe uma tendência, no mundo todo, de reduzir os fungicidas aplicados nas culturas. O que o leite faz é substituir o fungicida porque fazendo a aplicação recomendada o leite funciona de forma similar ao fungicida. Da última vez que nós fizemos o levantamento, o leite custava metade do preço de um fungicida e se nós considerarmos o enxofre como fungicida padrão do oídio, o leite custa 70% do valor dele, ou seja, redução de 30% do custo, em relação ao enxofre. O agricultor pensa em gastar menos, mas existe ainda o aspecto ambiental e a segurança do aplicador, que não vai ser contaminado com um produto químico. É importante como um todo para o agricultor não apenas pensar em substituir o leite pela fungicida, mas sim pensar na agricultura como um todo. Os agricultores devem fazer o manejo correto para que as plantas não fiquem doentes e, dessa forma, utilizem o mínimo possível de produtos químicos na agricultura — explica Bettiol.
A doença
O oídio pode chegar a danificar 100% a produção e é encontrado em diversas culturas como  abobrinha, pimentão, tomate, feijão, soja, manga, abacate, caju e trigo. O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente diz que os agricultores podem identificar a doença quando a planta fica esbranquiçada como se tivesse caído algodão em cima dela. Em algumas culturas os danos são menores, como no caso das flores em que o visual esbranquiçado compromete a comercialização. Mas existem casos mais graves. Na abobrinha e pepino, por exemplo, o oídio faz com que as culturas produzam por menos tempo e, consequentemente, gerem menos frutos, reduzindo a produção em até 30%. Já nos cultivos de manga, abacate e caju, o fungo ocorre no período da inflorescência e impede a formação dos frutos, prejudicando 100% da produção.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cerca de 70% do lixo dos oceanos é formado por plástico


Esta foto foi tirada pelo fotógrafo americano Chris Jordan na reserva de vida selvagem -  Midway em 2009.

Segundo ele ao longo do trabalho manteve-se totalmente fiel ás imagens que encontrou: "Nem um único pedaço de plástico nas fotos foi movido, colocado, manipulado.

Isto em pleno Oceano Pacifico, a mais de 3000 km de distância de qualquer continente 




Veja também o vídeo que retrata esse trabalho no link abaixo:
O Drama dos albatrozes ou o drama da nossa civilização?

Ao vasculharem o mar atrás de alimentos, os albatrozes de Midway confundem lixo com comida. Parte eles engolem e parte levam de volta aos filhotes - resultando-se no que se vê na foto acima.

Os Plásticos causam uma devastação: ao ingeri-lo, filhotes de albatroz morrem aos milhares, engasgados, envenenados ou desnutridos.

Fonte: Sustentabilidade - Edição Especial, Revista Veja. Dezembro 2011.

Então? Pensem bem antes de jogar um lixo qualquer em um lugar qualquer ... todos somos responsáveis.


  Segue abaixo uma outra reportagem que já abordou o problema acima:



Um barco feito de lixo partiu de São Francisco, nos Estados Unidos, no início do 2010., com destino  a Sydney, na Austrália. 

Nessa travessia, o veleiro Plastiki denuncia a catástrofe ambiental que está atingindo os mares do planeta. 

É tanto lixo que até os bichos ficam confusos. Peixes engolem lixo como se fosse alimento. Cerca de 70% do lixo dos oceanos é formado por plástico. O lixo que desembarca no local sai dos continentes e é levado por albatrozes. 

O barco Plastiki foi feito com 12,5 mil garrafas de plástico. O veleiro navega sem motor e tudo nele funciona com energia solar ou do próprio vento. 

Ele foi criado e navegou durante quatro meses e meio para chamar a atenção do mundo para a poluição dos mares. O barco é feito de plástico, porque cerca de 70% do lixo dos oceanos é formado por plástico. 

A rota foi planejada para o barco passar pela maior concentração de lixo marinho do mundo,a gigantesca lata de lixo giratória localizada no norte do Oceano Pacífico,onde fica o Havaí. 

Uma praia concorre ao lamentável título de 'praia mais suja do mundo'. Nas várias ilhas que formam o arquipélago do Havaí, moram um milhão de pessoas. Outros sete milhões visitam suas praias maravilhosas todos os anos. Mas o lixo que desembarca no local não é produzido nas ilhas. Ele vem de longe, dos continentes: da América do Norte, da América do Sul, da Oceania, da Ásia. 

Os lixos se concentram parte do Pacífico, por causa das correntes marítimas. Fica ali dando voltas, numa espiral eterna. 

É tanto lixo que até os bichos ficam confusos. Os golfinhos acham que saco plástico é brinquedo. Peixes engolem lixo como se fosse alimento. Aves também. As ilhas do norte do Havaí são uma reserva ambiental protegidas por lei contra a destruição. 

"O problema é que não existe lei que proíba a água do mar de trazer lixo para cá", diz o capitão Charles Moore, que faz pesquisas na área. 

Todos os anos, a ilha é tomada por cerca de 1,5 milhões de albatrozes. Durante sete meses, os filhotes ficam totalmente dependentes do que os pais trazem do mar para alimentá-los. Ficam no local até poderem viver por conta própria. Mas cada vez mais diminui o número de filhotes que saem de lá voando


A mergulhadora Morgan Hoesterey conta que a primeira vez que pisou na ilha de Midway ficou horrorizada. "Tem lixo, tem plástico, muitos albatrozes mortos. É horrível". 

Para mostrar a tragédia que acontece no local, Morgan tem uma idéia. Durante uma hora, ela caminha recolhendo apenas objetos achados dentro dos corpos das aves, corpos apodrecidos e abertos na areia. Ela pega só peças de plástico reconhecíveis. Coisas que ela possa dizer o que são. 

"Esses anzóis, a gente até espera encontrar. Mas o resto é assustador", ela diz. 

Dezenas de isqueiros, bolas de golfe, bolinhas de desodorante. Um monte de brinquedos. Bastões de cola escolar. Uma infinidade de escovas de dente. 

Um cartucho de impressora. Morgan comenta: "Isso aqui tem mais ou menos a largura do pescoço de um albatroz. Imagine a dor de engolir esse treco". 

Nenhuma dessas coisas foi parar no local levada pelo mar, ou pelo homem. Elas chegaram dentro de um albatroz. 

"Fomos nós que fizemos isso. Nós todos fizemos isso contra essas aves. É horrível!", diz a moça. 

"Se ao menos esses pássaros estiverem dando suas vidas para mostrar pra gente o que estamos fazendo com o mar", é o pensamento da jovem mergulhadora.