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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ligação entre o Mal de Parkinson e pesticidas é oficialmente reconhecida na França


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É um passo adiante no reconhecimento das doenças ocupacionais dos agricultores. Na segunda-feira, 07 de maio, entrou em vigor um decreto que reconhece o Mal de Parkinson como doença ocupacional e estabelece explicitamente um nexo de causalidade entre a doença – segunda maior doença neurodegenerativa na França depois do Alzheimer – e a utilização de pesticidas.

A reportagem é de Angela Bolis e está publicada no jornal francês Le Monde, 09-05-2012. A tradução é do Cepat.

Um passo a mais porque nessa área, em reinava até agora a lei do silêncio, a tomada de consciência dos efeitos dos produtos fitossanitários sobre a saúde dos agricultores apenas está começando a emergir. E a dar os seus frutos. Em fevereiro, a vitória de um produtor de grãos, Paul François, que havia movido um processo contra a gigante norte-americana Monsanto, abriu um precedente na França. A empresa foi julgada responsável pela intoxicação do produtor através da inalação quando estava limpando o tanque de seu pulverizador de herbicidas, o Lasso – retirado do mercado em 2007, na França. Os riscos do uso deste herbicida já eram conhecidos há mais de 20 anos.

Alguns dias mais tarde, já eram dezenas de produtores a se manifestar no Salão da Agricultura, em frente à estante da União das Indústrias da Proteção das Plantas (UIPP). Suas reivindicações: a classificação de doenças relacionadas ao uso de pesticidas em doenças ocupacionais e a retirada de produtos perigosos.

No dia 30 de abril, foi outra decisão, aquela da Comissão de Indenização das Vítimas de Infração (Civi) de Epinal, que veio trazer água para o moinho: naquele dia, o Estado foi condenado a indenizar um produtor de grãos de Meurthe-et-Moselle que sofre de uma síndrome mieloproliferativa. Inicialmente reconhecida como doença profissional, a patologia foi então associada pela Civi ao uso de produtos que continham especialmente benzeno.

Um decreto “ansiosamente aguardado”

Nesta paisagem que lentamente começa a evoluir, o decreto sobre o reconhecimento do Mal de Parkinson foi, portanto, “ansiosamente aguardado”, observa Guillaume Petit. O agricultor pertence à Associação de Fitovítimas, criada em março de 2011, e com a qual Paul François foi um dos primeiros a quebrar o silêncio, atacando a Monsanto. Ele esperou quatro anos para ter sua doença reconhecida como doença ocupacional. “Quantos veem seu pedido negado? Quantos inclusive chegam a abandoná-lo devido às dificuldades?”, perguntou após a criação desta Associação.

A inclusão do Mal de Parkinson nas listas de doenças ocupacionais do sistema agrícola facilitará, portanto, os esforços para os agricultores em quem esta doença será diagnosticada em menos de um ano após a utilização dos pesticidas – o texto não especifica quais. “É um reconhecimento oficial que já é importante em termos simbólicos”, observa Guillaume Petit. “Mas também é um caminho para o agricultor ser apoiado financeiramente, no caso de incapacidade de continuar trabalhando”.

Em 10 anos, cinco doenças ligadas aos pesticidas são reconhecidas

Até agora, de acordo com Yves Cosset, médico do trabalho e assistente nacional de saúde do Mutual de Saúde dos Agricultores (MSA), apenas 20 casos do Mal de Parkinson foram relatados aos comitês de reconhecimento de doenças ocupacionais em uma década. Dez foram aceitos e outros 10 rejeitados. No mesmo período, apenas quatro ou cinco casos da doença foram oficialmente reconhecidos como causados por pesticidas.

No total, são 4.900 doenças que são reconhecidas a cada ano como doenças profissionais entre os agricultores. Mais de 90% são TMS (distúrbios osteomusculares); os demais casos estão relacionados principalmente aos animais e ao pó de madeira ou amianto, de acordo com Yves Cosset.

Nas listas de doenças ocupacionais do sistema agrícola, há, por exemplo, a doença de Lyme – causada por carrapatos –, tétano ou hepatite. Mas também algumas doenças relacionadas aos produtos fitossanitários. É particularmente citado, desde 1955, o arsênico, responsável por vasta gama de doenças – irritação, intoxicação ou câncer. Ou ainda o benzeno, classificado como cancerígeno, e o pentaclorofenol (PCP), proibido como pesticida desde 2003.

Mas, lembra Yves Cosset, “estas listas estão evoluindo com o conhecimento da ciência. No entanto, a maioria das doenças relacionadas aos pesticidas vai ocorrer em intervalos diferentes, dez, vinte, até trinta anos após o início da sua utilização. Na medicina do trabalho, começou-se a falar do amianto na década de 1960 e este produto só foi mencionado nestas listas em 1998 para os cânceres. Por conseguinte, não é de excluir que outras doenças possam surgir e sejam reconhecidas em anos futuros…”.

Nota:

Após a divulgação desta reportagem no grupo Liberdade Fraterna no Facebook http://www.facebook.com/groups/cgazzola/268403849924985/?notif_t=group_comment  uma integrante do mesmo - Glaucia Castro da Silva - postou o seguinte comentário:

Glaucia Castro Silva -  tenho uma sobrinha de 28 anos , linda , bela , ex rainha estudantil ,formada em pedagogia , ja na cadeira de rodas pela Sindrome de Parkinson... Os medicos ja haviam confirmado este causador , pesticidas que poderia ser ... morava na fazenda e esteve em contato com lavouras de tomate quando pequena... hj se degenerando a cada segundo... muito triste... obrigada pela informação... está a espera de celulas tronco... beijos.

Glaucia Castro Silva Sinta-se a vontade para copiar e colocar pra mim sem omitir nomes... fico vendo ela , lindos olhos azuis , jovem , ex rainha da beleza... hj totalmente dependente a espera de um experimento de celulas tronco e sofrimento da familia é muito grande...sem palavras... beijos iluminados.





Artigo original - Le lien entre la maladie de Parkinson et les pesticides officiellement reconnu


Para saber mais acesse:

Rede de Médicos combate expansão de agrotóxicos e divulga informações que governos e empresas encobrem
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/04/rede-de-medicos-combate-expansao-de.html

Lobby impede agentes de saúde de registrar contaminações por agrotóxicos
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/04/lobby-impede-agentes-de-saude-de.html

Agrotóxicos: UMA Agricultura da Morte
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/04/agrotoxicos-uma-agricultura-da-morte.html

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Código Florestal exige decisão que poderá definir o governo de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff está enfrentando um dos momentos definidores de sua presidência, à medida que cresce a pressão para que ela vete um projeto de lei que abriria vastas áreas protegidas de florestas para agricultura e pecuária, potencialmente revertendo os grandes ganhos conseguidos pelo Brasil na contenção do desmatamento da Amazônia.

A reportagem é de Simon Romero, publicada pelo The New York Times e reproduzida pelo Portal Uol, 17-05-2012.

O Código Florestal, que o Congresso aprovou em abril a pedido dos poderosos grupos agrícolas, é um esforço para revisar a legislação de 47 anos que fornece proteção às florestas. O projeto de lei despontou como um assunto altamente sensível para Dilma antes da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada aqui no mês que vem.

O projeto de lei daria anistia aos proprietários de terras que desmataram áreas ilegalmente antes de 2008, provocando a ira dos ambientalistas. Se a legislação entrar em vigor, ela permitirá aos proprietários de terras na Amazônia reduzir a cobertura obrigatória de floresta de 80% para 50%, o que poderia levar a uma perda de aproximadamente 77 milhões de hectares de floresta, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada do governo.

O ingresso do Código Florestal na agenda da presidente ocorre em um momento delicado para o governo brasileiro, o forçando a examinar suas alianças com os partidos que apoiaram o projeto de lei. O Brasil já enfrenta escrutínio devido aos seus planos para imensos projetos de energia na Amazônia, que foram defendidos por Dilma. Recentemente ocorreram distúrbios de operários em alguns dos canteiros de obras de hidrelétricas, enquanto greves atrasaram as obras do maior projeto hidrelétrico do Brasil, a usina de Belo Monte.

“O Brasil não pode dar esse passo para trás”, disse Marina Silva, a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata presidencial, em uma entrevista. “Obviamente, dar anistia para aqueles que destruíram florestas aumenta o risco de novo desmatamento.”

Igualmente veementes em seu apoio ao código estão os “ruralistas” do Brasil, legisladores que representam os interesses agrícolas. Eles argumentam que o novo Código Florestal é necessário para apoiar a economia do Brasil, que extrai sua força da exportação de produtos agrícolas como carne bovina, soja, açúcar e carne de frango.



Katia Abreu, uma senadora que representa o Estado do Tocantins e é presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, atacou os grupos ambientais internacionais que têm pedido que Dilma vete o projeto de lei. “Há ONGs por aí que estão comprometidas com seus países de origem, particularmente da Europa”, disse Katia Abreu, se referindo às organizações não governamentais e descrevendo as ações delas como uma “tentativa de paralisar o crescimento do agronegócio brasileiro”.

Mas outras vozes proeminentes no Brasil, que possui cerca de 40% das florestas tropicais do mundo, se manifestaram contra o novo Código Florestal, incluindo a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, duas das principais entidades científicas do país. A revolta contra o código se espalhou para a cultura popular. Exemplificando o sentimento na indústria do entretenimento, a atriz Camila Pitanga quebrou o protocolo em um evento neste mês, pedindo para Dilma, que estava presente, que vetasse o código. O vídeo da declaração de Camila Pitanga se espalhou rapidamente pelas redes sociais por todo o Brasil. (http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/05/camila-pitanga-pede-veta-dilma-em.html)

Surpreendendo parte dos ruralistas, o apoio ao veto também surgiu entre alguns líderes empresariais de São Paulo, a capital dos negócios do Brasil. O “Valor Econômico”, o principal jornal financeiro do país, comparou o momento à batalha em torno da reforma da saúde do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamando a escolha de Dilma de “uma daquelas decisões que definem um governo”.

“Este projeto de lei deixa o Brasil na Idade Média”, disse Paulo Nigro, presidente da Tetra Pak Brasil, uma empresa de embalagens cartonadas, que foi um dos vários líderes empresariais proeminentes de São Paulo citados pelo “Valor” como expressando sua oposição ao Código Florestal.

Ainda assim, a consternação em alguns setores com a aprovação do código, semanas antes de milhares de ambientalistas virem para a conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, chamada Rio+20, aponta para uma mudança importante na política brasileira, ilustrada pela ascensão do poder dos ruralistas.

Esse bloco de votação de mais de cem legisladores se irritou com a afirmação de Dilma, durante sua campanha para a presidência em 2010, de que ela não apoiaria legislação que concedesse anistia ao desmatamento ilegal. Os ruralistas também atraíram legisladores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), um pilar da coalizão de Dilma, para apoio ao Código Florestal.

“É embaraçoso para o país sede da Rio+20 enfrentar esse tipo de situação”, disse David Fleischer, professor emérito de ciência política da Universidade de Brasília. “Mas Dilma também subestimou os ruralistas, que estão mostrando sua força”, disse Fleischer.



A bancada de legisladores adiou outra votação no Congresso neste mês, de um projeto de lei que busca eliminar a exploração contemporânea de quem trabalha em condições quase de escravos no Brasil. Os ruralistas são contrários à expropriação das terras onde essas condições forem encontradas.

Em relação ao Código Florestal, os legisladores que o apoiam também alegam que o código é necessário para impedir que os preços dos alimentos subam no Brasil. Mas agrônomos e economistas responderam que a agricultura pode expandir facilmente ao incorporar terras atualmente utilizadas como pasto em vez de desmatar novas áreas.

Os temores de um retrocesso na proteção das florestas surgem após a repressão ao desmatamento ilegal e a maior fiscalização das leis ambientais terem reduzido o ritmo do desmatamento na Amazônia brasileira ao nível mais baixo desde que o governo começou a monitorá-lo, em 1988.

Dilma, que tem até o dia 25 para tomar uma decisão, não comentou publicamente se vetará o código. Mas importantes autoridades, incluindo Mendes Ribeiro Filho, o ministro da Agricultura, sinalizaram que partes do código são inaceitáveis, sugerindo que uma opção seria o veto a parte do código.

Mas cientistas e juristas dizem que um veto parcial deixaria partes da lei inaplicáveis, o que também criaria brechas potenciais para que áreas próximas de rios sejam destruídas. “O projeto de lei inteiro tem que ser vetado”, disse Marina Silva, a ex-ministra do Meio Ambiente.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/509606-codigo-florestal-exige-decisao-que-podera-definir-o-governo-de-dilma-rousseff

quarta-feira, 16 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

APROVADA A LEI DA AGROECOLOGIA NO ESTADO DO PARANÁ



Mobilização Popular e pressão  da Oposição derrubam veto de Beto Richa

A mobilização popular e a pressão da bancada da Oposição resultou na derrubada do veto do governador Beto Richa ao projeto de lei nº 403/11, do deputado Elton Welter (PT), que incentiva a implantação de um sistema de produção agroecológica pelos agricultores familiares no Paraná.

O recuo do governador e de sua bancada aliada aconteceu nesta terça-feira,15, depois que um manifesto foi lançado a favor da Agroecologia no Paraná,por entidades,sociedade civil e agricultores que criticavam duramente o argumento utilizado pelo governador para vetar o projeto, qualificado de inconstitucional e contrário ao interesse público.

Tal justificativa foi considerada pelo manifesto “descabida, inoportuna e parcial, pois atribui importância somente ao agronegócio e ignora o papel da agricultura familiar, enquanto produtora de 70% dos alimentos consumidos pela população”.

Para a líder da bancada do PT, deputada estadual Luciana Rafagnin, a derrubada do veto é uma vitória das entidades da agricultura familiar, dos movimentos sociais e do autor do projeto, deputado Welter, que se uniram na defesa do meio ambiente, da qualidade de vida e do real interesse público do povo paranaense. “Agora o Paraná terá uma lei especifica que fomente a produção de alimentos sem agrotóxicos.”

Autor do projeto, deputado estadual Elton Welter(PT), comemorou o resultado da votação e atribuiu a vitória à mobilização das entidades ligadas à Agroecologia. “Quem avaliou o veto e o encaminhou para a Assembleia não teve prudência, a matéria já tinha recebido parecer favorável da Secretária Estadual do Meio Ambiente e da Secretaria Estadual da Agricultura. Agora eles perceberam o equívoco que cometeram”, ironizou o líder da Oposição.

Ainda segundo Welter, a manutenção do veto colocaria o Paraná na contramão da história, exatamente no momento em que o governo federal deve anunciar na Rio+20, em junho, a Política Nacional de Agricultura Orgânica e Agroecológica.



O projeto propõe a alteração nos processos de produção de alimentos, com a conversão para os sistemas agroecológicos, para garantir uma política mais conservacionista, inclusive sobre à proteção da qualidade hídrica dos cursos d’água, diminuindo as ações com a utilização de produtos químicos.

Dados do Censo Agropecuário de 2006 comprovam a importância da agricultura familiar, produtora da maior parte dos alimentos consumidos no país, sendo responsável por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo e, na pecuária, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos.

Conheça o projeto na íntegra:
http://welter.org.br/projetos/post/2657

As informações são do deputado Welter publicado no grupo - O veneno esta na mesa 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Venda 'casada' de produtos, manejo inadequado do solo e aplicações 'preventivas' geram excessos


Só comprar com base em dignóstico feito a campo. Se esta regra, aparentemente simples, fosse seguida pelos produtores, provavelmente o Brasil conseguiria reduzir os índices do comércio local de agrotóxicos e, quem sabe, não mais liderar o ranking mundial de comercialização destes produtos. ''Hoje, muitos antecipam a aplicação para não se arriscar e acabam pecando pelo excesso'', aponta o engenheiro agrônomo, Luiz Antonio Odenath Penha, pesquisador do Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar) na área de fitotecnia.

Ele revela que uma prática comum tem sido a compra de insumos na forma de ''pacote''. ''No momento em que o produtor adquire as sementes e o fertilizante, já lhe são oferecidos, a um menor custo, o herbicida, o fungicida e o inseticida, com base em experiências de anos anteriores. Quer dizer, os produtos são indicados com base em probabilidade e não em realidade. É uma forma de as empresas garantirem a venda.'' Com os produtos em mãos, várias situações podem induzir o agricultor ao uso exagerado ou mesmo desnecessário do produto.

Uma das possibilidades apontadas pelo pesquisador é a baixa infestação por determinado tipo de praga, como lagarta, em apenas uma área da lavoura, que não compensaria o uso de veneno. ''Mas o produtor, prevendo que em determinada época pode acontecer uma grande infestação, ou temendo períodos de chuva, que invibializam a aplicação de defensivos, opta pela utilização preventiva'', explica Odenath. Outra situação é o uso de sementes melhoradas, mais produtivas, porém com menos mecanismos de defesa. ''Por isso trabalhamos para desenvolver variedades mais produtivas, mas que também tenham boa resistência e tolerância às doenças'', observa o agrônomo.

A luta para diminuir o uso de agrotóxicos também esbarra em questões culturais ligadas ao manejo da propriedade. ''Quando não há rotação de culturas, o risco da ocorrência de pragas e doenças é potencializado. Como os produtores 'se especializam' em determinadas culturas tradicionais e têm toda a estrutura montada para produzi-las, não se arriscam em outras. Além disso, há a questão comercial. Os preços superiores de determinados produtos fazem com que o produtor aposte sempre nas mesmas culturas.''

Fonte: http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2000-13/05/2012

Para saber mais:

PR é 3º maior consumidor de defensivos químicos do País
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/05/pr-e-3-maior-consumidor-de-defensivos.html

PR é 3º maior consumidor de defensivos químicos do País


O processo produtivo agrícola brasileiro está cada vez mais dependente dos agrotóxicos e fertilizantes químicos. O alerta foi feito dias atrás pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que divulgou dossiê sobre os impactos destes produtos na saúde. De acordo com o estudo, o Paraná ocupa o terceiro lugar entre os estados que mais consomem agrotóxicos, perdendo apenas para Mato Grosso e São Paulo.

Baseado em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o dossiê informa que nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto o mercado brasileiro, no mesmo período, registrou um crescimento de 190%. Há quatro anos o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de insumos químicos.

Na última safra, que envolve o segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011, o mercado nacional de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo 833 mil toneladas produzidas no País e 246 mil toneladas importadas. ''O Brasil já é o quarto maior importador mundial de agrotóxicos e consome um quinto de toda a produção mundial'', informa o coordenador do observatório da UFPR, Victor Pelaez Alvarez.

O coordenador não pode revelar o volume de produção do Estado, mas informa que há seis empresas de insumos químicos agrícolas instaladas no Paraná. ''Só no segundo semestre de 2010 e primeiro semestre de 2011 foram comercializadas 104 mil toneladas de produtos formulados (prontos para uso), o que equivale a 13% do total vendido no país'', detalha Alvarez.

O engenheiro agrônomo João Miguel Toledo Tosato, fiscal estadual da Área de Fiscalização de Agrotóxicos e Afins da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), confirma o aumento do consumo de produtos químicos nas lavouras paranaenses e aponta o abandono de práticas alternativas de controle de pragas, como o manejo integrado, como uma das causas do problema. Tosato ressalta que a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) procura controlar o comércio, a prescrição e o uso de agrotóxicos, fiscalizando estabelecimentos comerciais, as receitas prescritas e as propriedades rurais.

O agrônomo também destaca que a Seab, em conjunto com o Crea e Companhia de Informática do Paraná (Celepar), desenvolveu e utiliza uma ferramenta inédita no Brasil, que é o Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos do Estado do Paraná (Siagro), um banco de dados formado a partir das informações de vendas e receitas agronômicas, com o objetivo de mapear o uso dos agrotóxicos no Estado. Tosato reconhece, porém, que um controle mais efetivo depende de um número maior de fiscais. Atualmente a Seab conta com 12 engenheiros agrônomos na sede, em Curitiba, e outros 43 para atuar como fiscais de campo, em mais de 350 mil propriedades.

Fonte:http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1999-20120513

Para saber mais:

Venda 'casada' de produtos, manejo inadequado do solo e aplicações 'preventivas' geram excessos
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/05/venda-casada-de-produtos-manejo.html


Um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/05/um-terco-dos-alimentos-consumidos-pelos.html

Programa De Frente Com Gabi - OS PESTICIDAS COMO FATOR DE RISCO PARA A CARCINOGÊNESE.
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/04/programa-de-frente-com-gabi-os.html

O Veneno esta na mesa - Filme de Silvio Tendler
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2011/09/o-veneno-esta-na-mesa-de-silvio-tendler.html