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terça-feira, 11 de junho de 2013

Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne

Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne: "As empresas multinacionais de sementes perseguem uma estratégia coerente para tomar o controle dos recursos básicos da produção de alimentos. Uma pesquisa realizada recentemente mostra que não somente as plantas transgênicas mas, cada vez mais, métodos de cultivo de plantas convencionais estão no centro de interesse dos monopólios de patentes: os pedidos de patentes internacionais neste âmbito aumentaram consideravelmente, tendo dobrado entre o final de 2007 e o final de 2009. As empresas que lideram os pedidos destas patentes são a Monsanto, a Syngenta e a Dupont."

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Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico

Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico:

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

ESPANHOL É AMEAÇADO DE MORTE POR INVENTAR LÂMPADA QUE DURA 100 ANOS

Benito_Muros_lampada_nao_queima

Uma lâmpada fluorescente dura cerca de 10 mil horas. São mais de 416 dias de uso direto, pouco mais de um ano. Bastante tempo, certo? Imagine, no entanto, se existisse uma lâmpada que durasse 100 anos. Quer dizer, não imagine, não. Essa lâmpada existe (veja vídeo abaixo). Pelo menos é o que diz Benito Muros, espanhol que diz estar sendo ameaçado de morte por causa de sua criação.

Muros é o presidente de um movimento chamando Sem Obsolescência Programada (SOP) e diz que, não só lâmpadas, mas muitos outros objetos de nosso dia a dia poderiam durar muito mais. Na verdade, existe uma teoria - a da Obsolescência Programada - de que muitos fabricantes desenvolvem produtos de curta durabilidade para obrigar os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real. Segundo o espanhol, fazem parte dessa lista de itens como baterias de celular, computadores, geladeiras e televisões. “Não há nada para se fazer além de comprar outra”, disse ele em entrevista ao jornal espanhol El Economista.

Para saber mais:



Segundo ele, algumas peças essenciais para eletrodomésticos, por exemplo, são colocadas propositalmente próximas das partes que mais aquecem no objeto, diminuindo seu tempo de vida. Soma-se a isso, o uso de materiais de menor qualidade.

As lâmpadas e a causa de Muros e da SOP querem desenvolver um novo conceito empresarial, baseado no desenvolvimento de produtos que não caduquem. Quem não lembra daquela máquina de lavar da casa da avó que durou a vida inteira? Ou a geladeira que está na família há anos e nunca deu problema? "Deixaram de fabricar, porque duravam demais. Hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore [California]. Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida", disse ele à publicação.

Além de terem mais tempo de vida, as lâmpadas, desenvolvidas com a Oep Electrics, gasta 70% menos energia que as fluorescentes. Além disso, não queima ao ser acesa e apagada várias vezes seguidas. A OEP garante dez mil comutações diárias.

No entanto, Muros diz que a descoberta também gerou ameaças. O espanhol chegou a apresentar um recado à polícia que dizia: "senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados”, diz. Apesar disso, ele conta que não se sentiu ameaçado e que irá continuar defendendo a SOP.

Veja o vídeo:



domingo, 9 de junho de 2013

Aspectos de Prevenção e Controle de Acidentes no Trabalho com Agrotóxicos


Projeto pretende resgatar o plantio e uso de hortaliças não convencionais

Foto: Hortaliças tradicionas de volta à mesa 

EPAMIG Notícias 161: http://goo.gl/WK4Do
Globo Rural

A Embrapa desenvolve um trabalho de resgate de uma diversidade de vegetais poucos conhecidos, como jacatupé, vinagreira, azedinha, araruta, capuchinha e cará moela. O banco genético em Brasília, onde são cultivadas cerca de 40 espécies de plantas não convencionais, faz a produção de sementes e mudas que irão abastecer outros bancos regionais pelo Brasil.

Segundo dados da FAO, órgão da ONU que lida com alimentos e agricultura, desde o ano de 1900, 75% da diversidade genética das plantas foi perdida porque os produtores rurais deixaram de cultivar variedades locais, preferindo materiais de alta produtividade.

Ainda segundo a entidade, nos últimos cem anos, o número de plantas comestíveis conhecidas e utilizadas pelo homem caiu de cerca de 10 mil para 170. “É reflexo da mudança de padrão de vida. Com a urbanização e o êxodo rural, as pessoas se juntaram na cidade. Com o processo de globalização, foi ganhando mais espaço os produtos de escala comercial maior, de agricultura de larga escala.

Aquela agricultura do quintal, que não era considerada agricultura, que era comer as plantas espontâneas, essas espécies foram renegadas a um segundo plano pela sociedade como um todo”, diz Nuno Madeira, agrônomo da Embrapa.


O agrônomo Nuno Madeira coordena um banco genético com cerca de 4o espécies de plantas, que fica na Embrapa Hortaliças, em Brasília. Nuno é carioca e dessas pessoas que parecem predestinadas. Ele passou a infância morando em apartamento, mas aos dez anos já queria trabalhar com hortaliças. Foi dele a ideia de resgatar estas plantas antigas, que ele mesmo cultivava no quintal.

O banco da Embrapa é voltado para a produção de sementes e mudas que irão abastecer outros bancos regionais pelo Brasil. Em um dos bancos, em Juiz de Fora, Minas Gerais, são multiplicadas as plantas que vão para os agricultores interessados em cultivá-las. Entre elas estão algumas bem curiosas. Um dos exemplares é o jacatupé, de origem amazônica, que, provavelmente, foi levada ao estado por índios nômades.

O agricultor Maurilo Bastos cultiva uma horta com hortaliças que vinham sendo esquecidas. Uma das hortaliças que ele passou a plantar depois do projeto é conhecida como peixinho, peixinho da horta ou lambarizinho. O nome é dado pelo formato da folha e sabor. A planta, consumida à milanesa e com gosto de peixe, que é parente da sálvia, tem a folha gordinha e bem aveludada. Ele também cultiva azedinha, bertalha e capuchinha, uma florzinha com gosto de agrião.

Os técnicos da Emater Cândido Antônio Rocha da Silva e Ana Helena Camilotto deram a Maurílio a ideia do cultivo das hortaliças não convencionais. “As pessoas vão redescobrindo o uso dessas hortaliças principalmente devido a essa questão da rusticidade. Elas não são tão exigentes em termos de adubação, não são tão atacadas por pragas e doenças. É muito simples cuidar dessas hortaliças”, diz o técnico.
Toda semana, as barracas da feira de Juiz de Fora, em Minas Gerais, se enchem de hortaliças tradicionais. O consumidor se interessa, mas as hortaliças, hoje pouco conhecidas, precisam de explicação na hora da venda.

No estado há outra horta com plantas não convencionais que pertence ao Lar Divino Espírito Santo, uma casa que cuida de idosos, no município de Bom Jardim de Minas. Na hora do almoço, as voluntárias se revezam na cozinha e os idosos saboreiam a azedinha. A diretora Marileuza Aguiar e o técnico agrícola da Emater Bruno Rosa, contam que as plantas do lugar já provaram a resistência. “Com a geada, está aqui o teste final. Está tudo inteirinho, bonitinho e nada queimado”, diz Marileuza.

No sítio em Juiz de Fora, a horta de araruta tem 600 metros quadrados. Segundo os técnicos da Emater, é provavelmente o maior plantio do estado de Minas Gerais. Para uma cultura praticamente extinta na região, a pequena roça é até uma área considerável. O agricultor Assede de Oliveira, dono do sítio, começou o plantio por causa do projeto e já aumentou a área plantada.

A propriedade do produtor se tornou campo de estudo para o manejo da araruta tanto no cultivo quanto no processamento. Depois de sair do campo, a raiz é descascada, lavada e ralada. A mulher de Assede de Oliveira, a cozinheira Rita de Oliveira, e a sogra dele, dona Terezinha, preparam o polvilho de araruta em um processo artesanal.

Na cozinha, o polvilho se transforma em pratos típicos. Há quase 40 anos, Rita coleciona receitas. No caderninho escrito à mão, já tinha receitas que levavam araruta. Mas só com o projeto de resgate, a cozinheira passou a ter a matéria prima para o preparo. Além do biscoitinho, ela prepara a brevidade com polvilho de araruta. Os produtos são vendidos no mercadinho da rodoviária.

O casal Rita e Assede Oliveira ainda luta para ganhar mercado. O desafio do produtor rural é ver o produto valorizado e gerando lucro. Para eles, o resgate de tesouros antigos já é valioso

Fonte:





sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2.


Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer
Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Em sua coluna de março, o biólogo Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa e evidências crescentes das relações estreitas entre essas substâncias e doenças crônicas.



A relação epidemiológica entre o uso de pesticidas e a crescente incidência de males como câncer, problemas hormonais e reprodutivos, entre outros, é cada vez mais clara. Mas novos estudos têm apontado uma nova e incômoda conexão, desta vez entre pesticidas e diabetes tipo 2, o que poderia explicar, ao menos parcialmente, as proporções epidêmicas que essa doença vem assumindo em escala global.

A edição de janeiro da Environmental Research traz um estudo de Arrebola e colaboradores, da Universidade de Granada, Espanha, que é, ironicamente, uma bomba. A equipe dosou resíduos de diversos pesticidas no tecido adiposo de 386 pacientes adultos em dois hospitais do sul do país e concluiu que os pacientes com maiores níveis de DDE (um produto da degradação do DDT) tinham quatro vezes mais probabilidade de ter diabetes tipo 2.

Os autores observaram ainda que um dos componentes do popular pesticida Lindano também favorece o surgimento do diabetes tipo 2. A relação direta observada entre os níveis de poluentes orgânicos persistentes e o desenvolvimento de diabetes era independente da idade, sexo ou peso corporal do paciente.

Segundo os pesquisadores, o acúmulo desses poluentes lipofílicos na gordura corporal poderia explicar por que os obesos têm maior tendência a desenvolver diabetes. Não se sabe ao certo o mecanismo envolvido, mas os autores sugerem que os pesticidas provocam uma reação imunológica em receptores de estrogênio envolvidos no metabolismo dos açúcares.

As autoridades de saúde estimam que, em 2030, cerca de 4,5% da população mundial será diabética. Atualmente, cerca de 346 milhões de pessoas sofrem da doença, enquanto 35 milhões são acometidos pelo Alzheimer. As duas condições geram muito sofrimento e elevado custo social.


Correlações perturbadoras
Se você já estava se perguntando o que diabetes têm a ver com meio ambiente, a menção ao Alzheimer talvez aumente a confusão.

Mas, justamente, diabetes, Alzheimer e obesidade estão aumentando exponencialmente e com correlações perturbadoras entre elas. Da mesma forma, a disseminação da junk-food (comida-lixo) e da agricultura industrial regada a pesticidas que a sustenta andam juntas.

Ok, pesticidas/junk-food e obesidade/diabetes já são binômios quase familiares para aqueles que leem as magras seções de ciência da grande imprensa, mas a insistência do Alzheimer em se meter em estatísticas onde não foi chamado já intrigava os cientistas há algum tempo, a ponto de esses começarem a buscar uma relação causal entre essa doença, o diabetes e a obesidade.
Kit diabetes
Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas?

Já se sabia que há uma forte associação entre diabetes, obesidade, dieta, demência e Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm probabilidade 2 a 3 vezes maior de desenvolver Alzheimer do que a média da população. A conexão obesidade-Alzheimer é menos estudada, mas sabe-se que a obesidade em idade madura predispõe ao Alzheimer e que uma vida ativa e dieta saudável reduzem a ocorrência de demência.

Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas, entre outros disruptores endócrinos? Isto poderia explicar as correlações observadas. As evidências nesse sentido são tantas que muitos especialistas já defendem que o Alzheimer seja considerado como um diabetes tipo 3, pois vários estudos sugerem que o Alzheimer seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina.

Esta, além de regular o metabolismo do açúcar, tem papel bem definido na química cerebral, modulando a troca de sinais entre neurônios e atuando no aprendizado e na memória, bem como na manutenção dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.


Tomografia de um cérebro humano com Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. Especialistas defendem, inclusive, que o Alzheimer seja considerado um diabetes tipo 3, pois há evidências de que seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina. (imagem: NHI/ Wikimedia Commons)
Eu achava que o sistema hormonal funcionava, por analogia, como uma orquestra em que o som produzido por um instrumento influencia o som de todos os outros, e vice-versa. Já era complicado o bastante, mas escrever esta coluna me ensinou que a imagem mais correta seria a da mesma orquestra, mas com cada músico tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, e todos os sons se influenciando mutuamente. Agora imagine se colocarmos pó-de-mico na gola dos músicos... É o que ocorre quando um disruptor endócrino é absorvido por inalação, ingestão ou via cutânea.

Portanto, se você achava que por ser um urbanoide não-obeso, que gasta boas quantias em alimentos orgânicos, você estaria a salvo, pode tirar o cavalinho da chuva: os pesticidas são apenas uma das várias categorias de disruptores endócrinos, e a dieta é apenas uma das vias de exposição aos pesticidas.


Equacionando prós e contras

E a junk-food, onde entra nisso tudo? O X-tudo com fritas e o rodízio de salgadinhos já era apontado como fator de desenvolvimento de Alzheimer devido à redução de irrigação sanguínea causada pelo colesterol e aumento da pressão sanguínea, mas os estudos mais recentes sugerem que alimentos com muito açúcar e gordura podem danificar o cérebro por interromper seu suprimento de insulina.

Cachorro-quente
Naturalmente, como sempre, mais estudos são necessários etc. etc., mas se as relações causais aqui descritas forem confirmadas, será uma ótima notícia. É uma esperança de melhores tratamentos para os que já sofrem com esses males e de melhores prognósticos para os ilesos até aqui.

É também um exemplo que gera reflexão sobre o custo/benefício do modo de vida que adotamos. Sim, a tecnologia nos permite viver com mais conforto e por mais tempo, mas também nos rouba qualidade de vida.

De que adianta termos Viagras e cia. se não lembrarmos mais para que serve uma ereção, nem quem é aquela pessoa idosa dormindo ao nosso lado? Quantos hectares de soja, arroz ou milho são necessários para bancar um ano de tratamento de um diabético ou uma vítima de Alzheimer?

Somando esses e outros custos, ambientais e de saúde, podemos talvez acabar concluindo que o modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada.

O modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada
Estudos como os aqui relatados nos dão pistas importantes de como equacionar tudo isso e tornam mais premente a discussão do tema.

Por último, mas não menos importante, cada novo estudo apontando efeitos negativos de pesticidas – ou qualquer outra substância sujeita à regulamentação – desmoraliza um pouco mais os órgãos que autorizaram sua produção e uso e não monitoraram seus efeitos.

Acredite se quiser, mas a liberação é baseada em testes de até 60 dias com animais de laboratório. Quem realiza esses testes? O próprio fabricante, ou alguém que ele contratou para isso.

Mas relaxe, está tudo dominado.


Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Publicado originalmente em : Ciência Hoje

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Milho transgênico causa danos no Paraná



Um dos principais debates que ressoaram no Brasil e no mundo na última década foi o da produção e uso de alimentos geneticamente modificados, os chamados transgênicos. No decorrer dos anos o debate foi se tornando cada vez mais silencioso, enquanto que, por outro lado, a produção de alimentos transgênicos aumentou. O Brasil promulgou uma série de leis, como a 11.150/05, que reestruturou a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), responsável por emitir pareceres autorizando ou não o uso comercial de transgênicos; através das monoculturas de soja e milho geneticamente modificado, o País passou a ocupar o segundo lugar mundial na prdução de alimentos transgênicos, ficando atrás apenas dos EUA.

A fim de trazer este importante debate de volta ao espaço público, o site da Caros Amigos publica uma série de 3 reportagens sobre os transgênicos no Brasil, abordando diferentes temas, para que se possa medir as consequências do uso desses alimentos para a agricultura e saúde do País.

Problemas com transgênicos aparecem com força em todo o país

Desde sua primeira regulamentação em lei, datada de 1995, o uso de organismos geneticamente modificados (OGMs) no Brasil só aumentou, enquanto se multiplicavam também discussões éticas e o aparecimento de marcos regulatórios sobre o tema. A dificuldade em estabelecer um parâmetro para o possível perigo de alimentos transgênicos, ou para seus efeitos sócio-econômicos na produção agrícola, foi pautada até o presente pela falta de estudos sobre o uso relativamente recente dessa biotecnologia.

O crescimento do uso dos transgênicos no Brasil, no entanto, está diretamente relacionado ao aumento de problemas nas lavouras. A gestão de OGMs no pais é centralizada na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável por elaborar pareceres técnicos sobre os OGMs e liberando-os ou não para uso na agricultura e consumo humano. Os milhos transgênicos liberados pela CTNBio sofrem manipulação genética para cumprir dois objetivos: aumentar a tolerância a herbicidas e aumentar a resistência a insetos.

Paraná

Mas o que tem acontecido no Estado do Paraná, onde 88,9% das plantações de milho são transgênicas, segundo a consultoria Céleres, vai na contramão do que é propagandeado pelas empresas produtoras dessas sementes - clique e confira o relatório da empresa. Os milhos, que deveriam ser resistentes às pragas, principalmente a lagartas que atacam as plantações, estão tornando os bichos cada vez mais resistentes. Segundo pesquisa realizada pelo professor Bruce Tabashnik, da Universidade do Arizona, que analisa o uso de OGMs na agricultura do mundo todo, entre 1996 e 2007, constata que a partir de 2003 começaram a aparecer espécies de pragas resistentes à biotecnologia usada para afastá-los.

No Estado, um dos casos mais emblemáticos, a lagarta-da-espiga, que tem aparecido por plantações de OGMs, seria uma das pragas que não é afetada pela principal toxina inserida geneticamente no milho, cristalizada da bactéria Bacillus thuringiensis, conhecida como toxina Bt. Segundo o engenheiro agrônomo Ivan Domingos Paghi, diretor técnico da Associação de Produtores de Grãos não Geneticamente Modificados (Abrange), a situação do Paraná é crítica, e muito perigosa para a agricultura brasileira. Ele afirma que "a lagarta-da-espiga sempre existiu, mas a lagarta-do-cartucho comia ela. Ela (lagarta-da-espiga) era uma praga secundária e agora passou a ser uma praga primária", diz ele. Hoje, afetadas pela toxina Bt, a população de lagarta-do-cartucho decaiu e a lagarta-da-espiga não tem mais o predador que tinha antes. Ao mesmo tempo, os agricultores passaram a comprar o milho transgênico ao invés de gastar com outras formas de controle de praga, e com isso, a lagarta-da-espiga está fora do controle.

Os efeitos nefastos do milho com a toxina Bt também afetaram as próprias lagartas-do-cartucho, alvos inicias da toxina, que começaram a criar resistência à toxina Bt inserida no milho em poucas safras. A maioria dos agricultores usam o milho transgênico NK603, da Monsanto.

O Custo do OGM

Além disso, segundo o diretor da Abrange, "os inseticidas que estão liberados no Brasil não controlam mais essa lagarta. O Brasil vai trazer novas moléculas do exterior para fazer um inseticida para matá-las. Além de atacar o milho, a lagarta está migrando para o algodão e para a soja". Com essa migração, o caso está se tornando um problema de segurança nacional e é por isso que o governo faz uma busca urgente por novos inseticidas.

Ele afirmou que a toxina usada no milho manipulado está indo pra soja também. E pergunta: "Até onde compensa plantar OGM, que custa 5 vezes mais? O agricultor vai ter que continuar usando inseticida e pagando um preço absurdo na saca". Afligidos pela praga da lagarta, os produtores do Paraná têm tido dificuldade para encontrar a semente de milho comum, pois as grandes produtoras multinacionais, como a Monsanto, fecham o mercado para o milho comum.

Por fim, o diretor afirmou que geralmente, quando o agricultor compra o milho convencional, "ele tem a safra contaminada, porque se tiver sua lavoura de milho convencional a menos de dois quilômetros de uma lavoura de milho GM, o vento pode levar o pólen e contaminar a lavoura convencional".

As perdas para a agricultura são enormes e segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), os prejuízos devem chegar a R$ 1 bilhão nas lavouras de soja e algodão na Bahia, contaminadas pela lagarta.

Desenvolvimento

O uso dos transgênicos no Brasil começou a ser regulamentado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na Lei de Biossegurança (n° 8.974), que nasceu da necessidade de adequar os artigos da Constituição que versam sobre o meio ambiente com o desenvolvimento da manipulação genética na agricultura. Foi então que se criou a CTNBio.

O Brasil é hoje o segundo maior produtor de alimentos transgênicos do mundo, ficando atrás apenas dos EUA - essa colocação do País no ranking mundial é basicamente devido à monocultura da soja. Segundo pesquisa da consultoria em agronomia Céleres, em 2011, o Brasil contava com 30,3 milhões de hectares, enquanto os EUA, 69 milhões. No Brasil, a maior commoditie transgênica é a soja, cujo cultivo transgênico está previsto para atingir neste ano 88,8% do total a ser plantado em 2013. Segundo a consultoria, o uso de transgênicos chegará a 37,1 milhões de hectares nesse ano, o que representará 54,8% da área de cultivo do País, que segundo o IBGE soma 67,7 milhões de hectares. Os principais estados produtores de OGMs são, por ordem, o Mato Grosso, o Paraná e o Rio Grande do Sul.

Fonte original da notícia:
Caros Amigos


Mais informações acesse:

domingo, 2 de junho de 2013

Reportagem especial da Tv Brasil sobre uso de agrotóxicos no Brasil.



Brasil, maior usuário de agrotóxicos do mundo
Os perigos do uso indiscriminado desses produtos

O Caminhos da Reportagem aborda o uso de agrotóxicos no Brasil, país que mais consome defensivos agrícolas no mundo, um bilhão de toneladas por ano. A edição mostra que a utilização indiscriminada desse produto vem se tornando um risco para a saúde da população residente em torno das plantações.

A equipe de reportagem visita a maior região produtora de grãos do país, o Mato Grosso. Ali, pesquisadores identificaram essas substâncias no ar, nas águas e até na chuva. Já no Ceará, as plantações de fruticultura, onde o veneno é pulverizado, contaminam a água consumida pela comunidade. Foram encontrados agrotóxicos em excesso também nos alimentos que chegam à mesa do brasileiro.

No programa, especialistas alertam para os perigos do uso e mostram alternativas sustentáveis para a produção de alimentos com mais segurança. E, ainda, propriedades que se dedicam à produção de alimentos orgânicos e experiências desenvolvidas no Brasil como a fabricação de um agrotóxico biológico.