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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Estudo mostra resistência crescente de pragas a plantios transgênicos



Cartunista Eugênio Neves.

Mais espécies de pragas estão se tornando resistentes aos tipos mais populares de cultivos transgênicos repelentes de insetos, exceto em regiões onde os fazendeiros seguem os conselhos dos especialistas.

Um estudo publicado na edição de segunda-feira na revista Nature Biotechnology aborda um aspecto importante dos chamados milho e algodão Bt - plantas que carregam um gene cuja finalidade é exalarem uma bactéria denominada 'Bacillus thuringiensis', tóxica para os insetos.

Cientistas franceses e americanos analisaram as descobertas de 77 estudos realizados em oito países de cinco continentes, a partir de dados de monitoramentos de campo.

Das 13 principais espécies de pragas examinadas, cinco eram resistentes em 2011, em comparação com apenas uma em 2005, afirmaram. O marco de referência foi uma resistência em mais de 50% dos insetos em uma área determinada.

Das cinco espécies, três eram pragas de algodão e duas, de milho.

Três dos cinco casos de resistência foram registrados nos Estados Unidos, que respondem por menos da metade dos cultivos de Bt, enquanto os outros foram encontrados em África do Sul e Índia.

Os autores disseram ter descoberto um caso de resistência precoce, em menos de 50% dos insetos, em outra praga de algodão americana. Houve "sinais de alerta" precoces (1% de resistência ou menos) em outras quatro pragas de algodão e milho em China, Estados Unidos e Filipinas.

Os cientistas encontraram grandes diferenças na velocidade com que se desenvolveu a resistência Bt. Em um caso, levou dois anos para os primeiros sinais aparecerem. Em outros, os cultivos Bt permaneceram tão eficientes em 2011 como eram 15 anos atrás.

O que fez a diferença foi que os fazendeiros separaram "refúgios" suficientes de cultivos não Bt, afirmaram os autores do estudo.

A ideia por trás deste refúgio vem da biologia evolutiva. Os genes que conferem resistência são recessivos, o que significa que os insetos podem sobreviver em plantas Bt só se tiverem duas cópias de um gene resistente, uma de cada progenitor.

Plantar refúgios perto de cultivos Bt reduz as chances de dois insetos resistentes copularem e passarem o duplo gene para seus descendentes.

"Modelos de computador mostraram que os refúgios devem ser bons para retardar a resistência", afirmou o co-autor do estudo Yves Carriere, entomologista da Universidade do Arisona, em Tucson, em um comunicado.

A evidência prática disto é demonstrada no caso de uma praga do algodoeiro denominada lagarta rosada ('Pectinophora gossypiella'), explicou seu colega, Bruce Tabashnik.

Os cultivos Bt no sudoeste dos Estados Unidos, onde os fazendeiros trabalham junto com cientistas para projetar uma estratégia de refúgio, não têm problema de resistência.

Na Índia, no entanto, as lagartas rosadas se tornaram resistentes no prazo de seis anos, simplesmente porque os fazendeiros não seguem as diretrizes ou obtêm aconselhamento.

Os cientistas alertam que a resistência a cultivos Bt é mera questão de tempo, pois todas as pragas acabam, eventualmente, se adaptando à ameaça que enfrentam. Mas os refúgios foram feitos para retardá-la.

Só em 2011, 66 milhões de hectares de terra foram cultivadas com plantios Bt.

Naquele ano, o milho Bt respondeu por 67% do milho plantado nos Estados Unidos e o algodão Bt entre 79% e 95% do algodão cultivado em Estados Unidos, Austrália, China e Índia.

Os plantios transgênicos encontram oposição na Europa e em outras partes do mundo, onde ambientalistas afirmam que são uma ameaça potencial à saúde humana e ao meio ambiente.


Mais sobre o tema:


terça-feira, 11 de junho de 2013

Roundup da Monsanto, novo estudo estabelece ligações ao autismo, mal de Parkinson e Alzheimer

argentina dominou soja GM pulverizada 53 milhões de litros ano roundup


O glifosato é um componente principal do herbicida Roundup da Monsanto. O glifosato foi fabricado pela Monsanto e é um dos herbicidas mais amplamente utilizados em todo o mundo. Uma série de estudos científicos em torno glifosato lançaram luz sobre os seus efeitos no organismo humano. É responsável por desencadear problemas de saúde como distúrbios gastrointestinais, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, mal de Parkinson e doença de Alzheimer.

Quando você ingerir Glifosato, que está na essência alterar a química do seu corpo. É completamente não-natural e o corpo não entrar em ressonância com ele. P450 (CYP) é o caminho do gene interrompido quando o corpo tem de glifosato ( 3 ). P450 cria enzimas que auxiliam na formação de moléculas em células, bem como decompondo-os. Enzimas CYP são abundantes e têm muitas funções importantes. Eles são responsáveis ​​pela desintoxicação xenobióticos do corpo, coisas como os vários produtos químicos encontrados em pesticidas, medicamentos e substâncias cancerígenas. O glifosato inibe as enzimas CYP. A via CYP é fundamental para, funcionamento normal e natural de vários sistemas biológicos dentro de nossos corpos. Porque os seres humanos that've sido expostos ao glifosato têm uma queda nos níveis de aminoácido triptofano, eles não têm a necessária sinalização activa do neurotransmissor serotonina, que está associado com o ganho de peso, depressão e doença de Alzheimer.
Obviamente, a composição química atrás glifosato é conhecido pela Monsanto. O fato de que atrapalha o caminho do gene CYP, as enzimas que desempenham um papel importante na desintoxicação do corpo é algo que pode facilmente contribuir para doenças e enfermidades. Eu me pergunto se isso tem uma correlação direta com a indústria farmacêutica, possivelmente? Os mesmos grandes instituições financeiras que possuem grandes empresas de biotecnologia e de alimentos também possuem a maior parte das grandes empresas farmacêuticas. Eu não sei como as pessoas pensam que é uma conspiração para pensar que a nossa indústria de alimentos é projetado para nos fazer mal. A grande mídia sempre vai promover OGM e Roundup, bem como enfatizar a sua segurança. Isso não poderia estar mais longe da verdade, eles danificam seu DNA e genoma de RNA, e não apenas para o lucro, mas para a experimentação e controle. Fidelity Investments, State Street Corporation, JP Morgan Chase e The Vanguard Group parecem possuir todas as grandes empresas de alimentos e empresas farmacêuticas ( 1 ) ( 2 ).

Não faz muito tempo uma vez, um gene viral oculto também foi descoberta em cultivos transgênicos. Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA), os pesquisadores descobriram um gene viral previamente desconhecido, que é conhecido como "Gene VI." É encontrado em lavouras transgênicas mais proeminentes, e pode atrapalhar as funções biológicas dentro de organismos vivos. Você pode ler mais sobre isso aqui . Não só temos grandes problemas com Roundup, também temos grandes problemas com as culturas de OGM que são pulverizadas com o Roundup. Nós damos muito poder sobre a essas empresas, pertencentes a grandes instituições financeiras, e eles ditam claramente a política do governo, você pode ler mais sobre isso aqui . Nós vimos evidência desse recentemente, quando Obama assinou a lei de protecção de Monsanto.


Meios de comunicação alternativos estão trabalhando juntos para compartilhar informações em todo o mundo. Podemos facilmente aceitar algo que não sabe nada sobre, e colocar a nossa confiança nas corporações e governos que pensamos que estamos aqui para servir os nossos interesses. Só é preciso um pouco de questionamento crítico e de investigação para descobrir a verdade por trás de nossa indústria de alimentos. Criar consciência é fundamental que as pessoas possam fazer as melhores escolhas em sua vida!

Este estudo foi realizado por Anthony Samsel e Stephanie Seneff. Stephanie Seneff é um cientista de pesquisa sênior em Ciência da Computação do MIT eo Laboratório de Inteligência Artificial. Recebeu o grau de bacharel em Biofísica em 1968, o MS e graus de EE em Engenharia Elétrica em 1980, eo grau de doutorado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação em 1985, todos da MIT. Ela já publicou mais de 170 artigos arbitrados sobre estes temas, e foi convidado para dar palestras em várias conferências internacionais. Ela também orientou Mestrado numerosos e teses de doutoramento no MIT. Se você tem alguma dúvida sobre o papel do glifosato no organismo humano, você pode contatá-la em seneff@csail.mit.edu.

Fontes:










Fonte onde foi tirada a matéria:


Mais artigos sobre o glifosato:




Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne

Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne: "As empresas multinacionais de sementes perseguem uma estratégia coerente para tomar o controle dos recursos básicos da produção de alimentos. Uma pesquisa realizada recentemente mostra que não somente as plantas transgênicas mas, cada vez mais, métodos de cultivo de plantas convencionais estão no centro de interesse dos monopólios de patentes: os pedidos de patentes internacionais neste âmbito aumentaram consideravelmente, tendo dobrado entre o final de 2007 e o final de 2009. As empresas que lideram os pedidos destas patentes são a Monsanto, a Syngenta e a Dupont."

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Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico

Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico:

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

ESPANHOL É AMEAÇADO DE MORTE POR INVENTAR LÂMPADA QUE DURA 100 ANOS

Benito_Muros_lampada_nao_queima

Uma lâmpada fluorescente dura cerca de 10 mil horas. São mais de 416 dias de uso direto, pouco mais de um ano. Bastante tempo, certo? Imagine, no entanto, se existisse uma lâmpada que durasse 100 anos. Quer dizer, não imagine, não. Essa lâmpada existe (veja vídeo abaixo). Pelo menos é o que diz Benito Muros, espanhol que diz estar sendo ameaçado de morte por causa de sua criação.

Muros é o presidente de um movimento chamando Sem Obsolescência Programada (SOP) e diz que, não só lâmpadas, mas muitos outros objetos de nosso dia a dia poderiam durar muito mais. Na verdade, existe uma teoria - a da Obsolescência Programada - de que muitos fabricantes desenvolvem produtos de curta durabilidade para obrigar os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real. Segundo o espanhol, fazem parte dessa lista de itens como baterias de celular, computadores, geladeiras e televisões. “Não há nada para se fazer além de comprar outra”, disse ele em entrevista ao jornal espanhol El Economista.

Para saber mais:



Segundo ele, algumas peças essenciais para eletrodomésticos, por exemplo, são colocadas propositalmente próximas das partes que mais aquecem no objeto, diminuindo seu tempo de vida. Soma-se a isso, o uso de materiais de menor qualidade.

As lâmpadas e a causa de Muros e da SOP querem desenvolver um novo conceito empresarial, baseado no desenvolvimento de produtos que não caduquem. Quem não lembra daquela máquina de lavar da casa da avó que durou a vida inteira? Ou a geladeira que está na família há anos e nunca deu problema? "Deixaram de fabricar, porque duravam demais. Hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore [California]. Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida", disse ele à publicação.

Além de terem mais tempo de vida, as lâmpadas, desenvolvidas com a Oep Electrics, gasta 70% menos energia que as fluorescentes. Além disso, não queima ao ser acesa e apagada várias vezes seguidas. A OEP garante dez mil comutações diárias.

No entanto, Muros diz que a descoberta também gerou ameaças. O espanhol chegou a apresentar um recado à polícia que dizia: "senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados”, diz. Apesar disso, ele conta que não se sentiu ameaçado e que irá continuar defendendo a SOP.

Veja o vídeo:



domingo, 9 de junho de 2013

Aspectos de Prevenção e Controle de Acidentes no Trabalho com Agrotóxicos


Projeto pretende resgatar o plantio e uso de hortaliças não convencionais

Foto: Hortaliças tradicionas de volta à mesa 

EPAMIG Notícias 161: http://goo.gl/WK4Do
Globo Rural

A Embrapa desenvolve um trabalho de resgate de uma diversidade de vegetais poucos conhecidos, como jacatupé, vinagreira, azedinha, araruta, capuchinha e cará moela. O banco genético em Brasília, onde são cultivadas cerca de 40 espécies de plantas não convencionais, faz a produção de sementes e mudas que irão abastecer outros bancos regionais pelo Brasil.

Segundo dados da FAO, órgão da ONU que lida com alimentos e agricultura, desde o ano de 1900, 75% da diversidade genética das plantas foi perdida porque os produtores rurais deixaram de cultivar variedades locais, preferindo materiais de alta produtividade.

Ainda segundo a entidade, nos últimos cem anos, o número de plantas comestíveis conhecidas e utilizadas pelo homem caiu de cerca de 10 mil para 170. “É reflexo da mudança de padrão de vida. Com a urbanização e o êxodo rural, as pessoas se juntaram na cidade. Com o processo de globalização, foi ganhando mais espaço os produtos de escala comercial maior, de agricultura de larga escala.

Aquela agricultura do quintal, que não era considerada agricultura, que era comer as plantas espontâneas, essas espécies foram renegadas a um segundo plano pela sociedade como um todo”, diz Nuno Madeira, agrônomo da Embrapa.


O agrônomo Nuno Madeira coordena um banco genético com cerca de 4o espécies de plantas, que fica na Embrapa Hortaliças, em Brasília. Nuno é carioca e dessas pessoas que parecem predestinadas. Ele passou a infância morando em apartamento, mas aos dez anos já queria trabalhar com hortaliças. Foi dele a ideia de resgatar estas plantas antigas, que ele mesmo cultivava no quintal.

O banco da Embrapa é voltado para a produção de sementes e mudas que irão abastecer outros bancos regionais pelo Brasil. Em um dos bancos, em Juiz de Fora, Minas Gerais, são multiplicadas as plantas que vão para os agricultores interessados em cultivá-las. Entre elas estão algumas bem curiosas. Um dos exemplares é o jacatupé, de origem amazônica, que, provavelmente, foi levada ao estado por índios nômades.

O agricultor Maurilo Bastos cultiva uma horta com hortaliças que vinham sendo esquecidas. Uma das hortaliças que ele passou a plantar depois do projeto é conhecida como peixinho, peixinho da horta ou lambarizinho. O nome é dado pelo formato da folha e sabor. A planta, consumida à milanesa e com gosto de peixe, que é parente da sálvia, tem a folha gordinha e bem aveludada. Ele também cultiva azedinha, bertalha e capuchinha, uma florzinha com gosto de agrião.

Os técnicos da Emater Cândido Antônio Rocha da Silva e Ana Helena Camilotto deram a Maurílio a ideia do cultivo das hortaliças não convencionais. “As pessoas vão redescobrindo o uso dessas hortaliças principalmente devido a essa questão da rusticidade. Elas não são tão exigentes em termos de adubação, não são tão atacadas por pragas e doenças. É muito simples cuidar dessas hortaliças”, diz o técnico.
Toda semana, as barracas da feira de Juiz de Fora, em Minas Gerais, se enchem de hortaliças tradicionais. O consumidor se interessa, mas as hortaliças, hoje pouco conhecidas, precisam de explicação na hora da venda.

No estado há outra horta com plantas não convencionais que pertence ao Lar Divino Espírito Santo, uma casa que cuida de idosos, no município de Bom Jardim de Minas. Na hora do almoço, as voluntárias se revezam na cozinha e os idosos saboreiam a azedinha. A diretora Marileuza Aguiar e o técnico agrícola da Emater Bruno Rosa, contam que as plantas do lugar já provaram a resistência. “Com a geada, está aqui o teste final. Está tudo inteirinho, bonitinho e nada queimado”, diz Marileuza.

No sítio em Juiz de Fora, a horta de araruta tem 600 metros quadrados. Segundo os técnicos da Emater, é provavelmente o maior plantio do estado de Minas Gerais. Para uma cultura praticamente extinta na região, a pequena roça é até uma área considerável. O agricultor Assede de Oliveira, dono do sítio, começou o plantio por causa do projeto e já aumentou a área plantada.

A propriedade do produtor se tornou campo de estudo para o manejo da araruta tanto no cultivo quanto no processamento. Depois de sair do campo, a raiz é descascada, lavada e ralada. A mulher de Assede de Oliveira, a cozinheira Rita de Oliveira, e a sogra dele, dona Terezinha, preparam o polvilho de araruta em um processo artesanal.

Na cozinha, o polvilho se transforma em pratos típicos. Há quase 40 anos, Rita coleciona receitas. No caderninho escrito à mão, já tinha receitas que levavam araruta. Mas só com o projeto de resgate, a cozinheira passou a ter a matéria prima para o preparo. Além do biscoitinho, ela prepara a brevidade com polvilho de araruta. Os produtos são vendidos no mercadinho da rodoviária.

O casal Rita e Assede Oliveira ainda luta para ganhar mercado. O desafio do produtor rural é ver o produto valorizado e gerando lucro. Para eles, o resgate de tesouros antigos já é valioso

Fonte:





sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2.


Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer
Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer

Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Em sua coluna de março, o biólogo Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa e evidências crescentes das relações estreitas entre essas substâncias e doenças crônicas.



A relação epidemiológica entre o uso de pesticidas e a crescente incidência de males como câncer, problemas hormonais e reprodutivos, entre outros, é cada vez mais clara. Mas novos estudos têm apontado uma nova e incômoda conexão, desta vez entre pesticidas e diabetes tipo 2, o que poderia explicar, ao menos parcialmente, as proporções epidêmicas que essa doença vem assumindo em escala global.

A edição de janeiro da Environmental Research traz um estudo de Arrebola e colaboradores, da Universidade de Granada, Espanha, que é, ironicamente, uma bomba. A equipe dosou resíduos de diversos pesticidas no tecido adiposo de 386 pacientes adultos em dois hospitais do sul do país e concluiu que os pacientes com maiores níveis de DDE (um produto da degradação do DDT) tinham quatro vezes mais probabilidade de ter diabetes tipo 2.

Os autores observaram ainda que um dos componentes do popular pesticida Lindano também favorece o surgimento do diabetes tipo 2. A relação direta observada entre os níveis de poluentes orgânicos persistentes e o desenvolvimento de diabetes era independente da idade, sexo ou peso corporal do paciente.

Segundo os pesquisadores, o acúmulo desses poluentes lipofílicos na gordura corporal poderia explicar por que os obesos têm maior tendência a desenvolver diabetes. Não se sabe ao certo o mecanismo envolvido, mas os autores sugerem que os pesticidas provocam uma reação imunológica em receptores de estrogênio envolvidos no metabolismo dos açúcares.

As autoridades de saúde estimam que, em 2030, cerca de 4,5% da população mundial será diabética. Atualmente, cerca de 346 milhões de pessoas sofrem da doença, enquanto 35 milhões são acometidos pelo Alzheimer. As duas condições geram muito sofrimento e elevado custo social.


Correlações perturbadoras
Se você já estava se perguntando o que diabetes têm a ver com meio ambiente, a menção ao Alzheimer talvez aumente a confusão.

Mas, justamente, diabetes, Alzheimer e obesidade estão aumentando exponencialmente e com correlações perturbadoras entre elas. Da mesma forma, a disseminação da junk-food (comida-lixo) e da agricultura industrial regada a pesticidas que a sustenta andam juntas.

Ok, pesticidas/junk-food e obesidade/diabetes já são binômios quase familiares para aqueles que leem as magras seções de ciência da grande imprensa, mas a insistência do Alzheimer em se meter em estatísticas onde não foi chamado já intrigava os cientistas há algum tempo, a ponto de esses começarem a buscar uma relação causal entre essa doença, o diabetes e a obesidade.
Kit diabetes
Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas?

Já se sabia que há uma forte associação entre diabetes, obesidade, dieta, demência e Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm probabilidade 2 a 3 vezes maior de desenvolver Alzheimer do que a média da população. A conexão obesidade-Alzheimer é menos estudada, mas sabe-se que a obesidade em idade madura predispõe ao Alzheimer e que uma vida ativa e dieta saudável reduzem a ocorrência de demência.

Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas, entre outros disruptores endócrinos? Isto poderia explicar as correlações observadas. As evidências nesse sentido são tantas que muitos especialistas já defendem que o Alzheimer seja considerado como um diabetes tipo 3, pois vários estudos sugerem que o Alzheimer seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina.

Esta, além de regular o metabolismo do açúcar, tem papel bem definido na química cerebral, modulando a troca de sinais entre neurônios e atuando no aprendizado e na memória, bem como na manutenção dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.


Tomografia de um cérebro humano com Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. Especialistas defendem, inclusive, que o Alzheimer seja considerado um diabetes tipo 3, pois há evidências de que seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina. (imagem: NHI/ Wikimedia Commons)
Eu achava que o sistema hormonal funcionava, por analogia, como uma orquestra em que o som produzido por um instrumento influencia o som de todos os outros, e vice-versa. Já era complicado o bastante, mas escrever esta coluna me ensinou que a imagem mais correta seria a da mesma orquestra, mas com cada músico tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, e todos os sons se influenciando mutuamente. Agora imagine se colocarmos pó-de-mico na gola dos músicos... É o que ocorre quando um disruptor endócrino é absorvido por inalação, ingestão ou via cutânea.

Portanto, se você achava que por ser um urbanoide não-obeso, que gasta boas quantias em alimentos orgânicos, você estaria a salvo, pode tirar o cavalinho da chuva: os pesticidas são apenas uma das várias categorias de disruptores endócrinos, e a dieta é apenas uma das vias de exposição aos pesticidas.


Equacionando prós e contras

E a junk-food, onde entra nisso tudo? O X-tudo com fritas e o rodízio de salgadinhos já era apontado como fator de desenvolvimento de Alzheimer devido à redução de irrigação sanguínea causada pelo colesterol e aumento da pressão sanguínea, mas os estudos mais recentes sugerem que alimentos com muito açúcar e gordura podem danificar o cérebro por interromper seu suprimento de insulina.

Cachorro-quente
Naturalmente, como sempre, mais estudos são necessários etc. etc., mas se as relações causais aqui descritas forem confirmadas, será uma ótima notícia. É uma esperança de melhores tratamentos para os que já sofrem com esses males e de melhores prognósticos para os ilesos até aqui.

É também um exemplo que gera reflexão sobre o custo/benefício do modo de vida que adotamos. Sim, a tecnologia nos permite viver com mais conforto e por mais tempo, mas também nos rouba qualidade de vida.

De que adianta termos Viagras e cia. se não lembrarmos mais para que serve uma ereção, nem quem é aquela pessoa idosa dormindo ao nosso lado? Quantos hectares de soja, arroz ou milho são necessários para bancar um ano de tratamento de um diabético ou uma vítima de Alzheimer?

Somando esses e outros custos, ambientais e de saúde, podemos talvez acabar concluindo que o modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada.

O modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada
Estudos como os aqui relatados nos dão pistas importantes de como equacionar tudo isso e tornam mais premente a discussão do tema.

Por último, mas não menos importante, cada novo estudo apontando efeitos negativos de pesticidas – ou qualquer outra substância sujeita à regulamentação – desmoraliza um pouco mais os órgãos que autorizaram sua produção e uso e não monitoraram seus efeitos.

Acredite se quiser, mas a liberação é baseada em testes de até 60 dias com animais de laboratório. Quem realiza esses testes? O próprio fabricante, ou alguém que ele contratou para isso.

Mas relaxe, está tudo dominado.


Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Publicado originalmente em : Ciência Hoje