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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Porque temos herbicida no nosso corpo?

No Brasil será diferente?





No exame de urina em 18 países europeus encontraram vestígios do herbicida glifosato, um estudo encomendado pela Amigos da Terra e cujos dados foram publicados hoje (1).

Estes resultados levantam sérias preocupações sobre aumento dos níveis de exposição a herbicidas à base de glifosato, herbicida de uso comum por parte dos agricultores, autoridades públicas e jardineiros em toda a Europa. Se aprovado mais culturas modificadas geneticamente na Europa, então a quantidade de glifosato aumento adicional (2).

Apesar do seu uso generalizado, actualmente há muito pouco controle da presença de glifosato em alimentos, água e no ambiente em geral. Esta é a primeira vez que é efectuado na Europa um estudo semelhante ao aparecimento do herbicida no corpo humano.

O porta-voz da Amigos da Terra Europa , David Sanchez, disse: " A maioria das pessoas estão preocupadas com a presença de herbicidas em seu corpo. Analisamos a urina de pessoas que viviam em 18 cidades espalhadas por toda a Europa e encontraram vestígios de herbicida em todos os países. Estes resultados sugerem que o glifosato estão expostas ... em nossas vidas diárias, mas não sabemos de onde vem, como é difundido no meio, e os danos que está causando à nossa saúde. "

" Este estudo destaca a negligência grave por parte de autoridades públicas em toda a Europa e indica que esse herbicida é usado excessivamente. Os governos têm de intervir para fazer um controle e fornecer medidas urgentes para reduzir seu uso. Isto inclui a rejeição de todas as formas de culturas geneticamente modificadas, o que aumenta o uso de glifosato. "

Amigos da Terra apela à União Europeia para investigar urgentemente caminho glifosato contaminação das pessoas, aumentando os níveis de vigilância no ambiente, comida e água, aprovando restrições imediatas sobre o uso de glifosato.

Amigos da Terra Europa exames laboratoriais comissionados que analisa amostras de urina de voluntários de 18 países europeus e concluiu que, em média, 44% das amostras continham glifosato. A proporção de positivo para a presença de glifosato varia entre os países, com Malta, Alemanha, Reino Unido e Polônia, que deu resultados mais positivos, e os níveis mais baixos na Macedônia e na Suíça.

Todos os voluntários que forneceram amostras de urina vivia em cidades , e nenhum deles tinha manipulado ou usado produtos com glifosato no período anterior à conclusão da análise, que foram realizadas entre março e maio de 2013.

O glifosato é usado em muitas das culturas geneticamente modificadas. Eles estão à espera de aprovação na Europa 14 novos cultivos transgênicos projetados para uso com o glifosato. A adoção dessas culturas conduziria inevitavelmente a um aumento no uso de glifosato na União Europeia.

O maior produtor de glifosato é a Monsanto , que vende sob a marca Roundup. Há duas semanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou que tinha encontrado desenvolvido pela Monsanto GM trigo, o trigo que não tinha sido aprovado para o cultivo em um campo no Oregon, o que levou alguns países têm restringido as importações trigo dos Estados Unidos, que arquivam processos contra a empresa.



Notas:

(1) As amostras de urina foram coletadas de voluntários da Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, República Checa, França, Geórgia, Alemanha, Hungria, Letónia, Macedónia, Malta, Polônia, Espanha, Suíça, Países Baixos e os Estados Reino Unido. Das 182 amostras coletadas, 80 continham glifosato. Todas as amostras foram coletadas de pessoas que vivem em cidades, inclusive com vegetarianos e não dieta vegetariana. Não há duas amostras foram coletadas na mesma casa. As amostras foram analisadas pelo Dr. Hoppe, que tem um laboratório médico em Bremen, Alemanha.

Os resultados completos estão disponíveis neste link: " Determinação de traços de glifosato em amostras de urina humanos de 18 países da Europa " , realizado por um laboratório médico em Bremen.


Notícias abaixo

Plano de contaminantes ambientais:

comtaminantes ambientais


Veja também:

Participante de um trabalho que possibilitou a revisão bibliográfica de 359 artigos científicos sobre o impacto de diferentes herbicidas, em sua apresentação Rubens Onofre Nodari mostrou diversos estudos que relatam efeitos dos agrotóxicos. Entre eles, morte celular, alterações endócrinas, redução de espermatozóides e alterações nos gametas, além de preocupações sobre impactos neurológicos.

Brasil Pentacampeão na utilização de agrotóxicos

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Conama pretende regulamentar a entrada de micronutrientes artificiais adicionados aos fertilizantes (agrotóxicos) na produção de alimentos



Proposta do Conama aprovada com emendas na Câmara Técnica (ver texto completo) permitirá a presença de agentes tóxicos e cancerígenos em fertilizantes

19 de novembro de 2.012 - O aumento do uso de agrotóxicos nos últimos anos no Brasil não é a única ameaça que vem da agricultura em larga escala. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), estuda regulamentar a adição de resíduos industriais à produção de micronutrientes. Se aprovada, a proposta deverá significar ainda mais prejuízos ao meio ambiente e à saúde da população.

Os micronutrientes, produtos utilizados para suprir deficiências dos solos, são formulados a partir de minérios como cobre, ferro, manganês, níquel e zinco. Todos esses elementos estão presentes na natureza, mas em teor insuficiente para garantir alta produtividade à agricultura. Com isso, os micronutrientes passaram a ser elaborados industrialmente e adicionados aos fertilizantes, os chamados macronutrientes.

A partir da década de 1970, para diminuir os custos de aquisição de matéria- prima, as empresas começaram a usar, na fabricação de micronutrientes, resíduos de indústrias, como de fundição e siderurgia, onde podem ser encontrados minerais necessários para as plantas. E como o tratamento desses rejeitos custa caro, as misturas passaram a carregar diversos agentes tóxicos, como mercúrio, chumbo, cádmio, organoclorados e dioxinas.

Atualmente, não existe uma regulamentação específica sobre o uso de resíduos industriais na fabricação de micronutrientes. E é isso que o Conama pretende fazer, com a fixação de limites máximos permitidos de contaminantes tóxicos no solo.

A proposta já passou por um Grupo de Trabalho (GT), que discutiu seu conteúdo por mais de um ano. Agora o texto está na Câmara Técnica do Conselho, que terá reunião final no final de junho. Se aprovado, a expectativa é de que vá a plenária do Conama em setembro.

Saúde

Enquanto o setor industrial apóia a iniciativa, especialistas em saúde e entidades ambientalistas repudiam a tentativa de fixar padrões aceitáveis de poluentes.

O Ministério da Saúde já se posicionou contra a regulamentação proposta no Conama. Em um parecer técnico, o órgão alerta que “a literatura nacional não é conclusiva sobre o acúmulo e a dinâmica de metais pesados no sistema solo/planta, mesmo quando os mesmos são adicionados em pequenas quantidades”.

É o que reforça a médica sanitarista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Lia Giraldo. Ela explica que, por menores que sejam as quantidades de quaisquer agentes tóxicos, há um efeito cumulativo ao longo do tempo, responsável por ocasionar uma série de enfermidades.

“Quando um produto é cancerígeno ou tóxico para o sistema imunológico ou endócrino, não existe uma dose segura de exposição”, diz Lia.

Dentre os problemas que podem ser causados por esses elementos estão cânceres de pele, pulmão e fígado; enfisema pulmonar; perda da memória e da capacidade de concentração; alterações psicomotoras e neurológicas; dores musculares; envenenamento agudo; lesões hepáticas, diminuição da fertilidade feminina e aborto.

Pela proximidade com a terra, os trabalhadores rurais deverão ser os mais atingidos pela contaminação, que alcançará também os consumidores finais de água e alimentos, como lembra o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy.

“Quando chove, o solo é carreado para rios, represas e águas subterrâneas então você tem implicação direta no abastecimento. E vale também para os animais, que vão se abastecer dessa água e absorver produtos químicos”, afirma.

Uma advertência para a questão veio no dossiê Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde, publicado pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) no final de abril. O documento cita a necessidade de promover a retirada de todos os agentes tóxicos, sob risco de causar prejuízos aos ecossistemas e à saúde pública.

“É importante normatizar a formulação de micronutrientes, mas só é possível cogitar o uso desses resíduos industriais com a remoção dos poluentes, e não com estabelecimento de teores aceitáveis de contaminação”, pontua o relatório.

Segurança alimentar


O Ministério Público de São Paulo, que participa das discussões no Conana, também se posicionou contra o atual texto. Segundo a promotora Karina Keiko Kamei, são necessárias garantias sobre dois aspectos: o primeiro, de que haverá a retirada total das substâncias que não sejam de interesse das plantas. Em segundo lugar, de qualificação dos órgãos estaduais para licenciar e fiscalizar os micronutrientes produzidos.

“O Ministério Público tem insistido nesses dois pontos, mas não se tem nem uma coisa, nem outra”, explica.

Um abaixo-assinado entregue ao Conama, subscrito por 200 entidades ambientalistas, contesta a regulamentação. Diante dos riscos, as organizações defendem que a proposta vete a inclusão de elementos tóxicos no produto final.

“Não pode ter falhas nisso. Por isso queremos que a resolução seja modificada”, afirma o químico e engenheiro Élio Lopes dos Santos, secretário de Meio Ambiente do Guarujá (SP).

“A vulnerabilidade da nossa sociedade frente a essa prática, se ela for desregrada, é enorme. Não havendo segurança, não há de se implementar”, defende Bocuhy.

A implementação de tecnologias para a retirada total de agentes tóxicos, destaca Karina, tem sido rechaçada pelas empresas produtoras de adubos, em função de seu alto custo. A alegação do setor é que a Portaria 49/2005, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), prevê um porcentual aceitável de agentes tóxicos nos fertilizantes agrícolas e que, portanto, não haveria a necessidade de retirar todos os poluentes.

“Eles [empresas] acham que essa Instrução Normativa é o que devem seguir. Mas essa é uma norma do Ministério da Agricultura, não é uma norma ambiental e nem de proteção à saúde”, argumenta a promotora.


Lucro

Parte dos resíduos industriais é gerada por empresas brasileiras de segmentos como a siderurgia e indústrias químicas. Outra parte é procedente de outros países – contrariando a Convenção da Basiléia, que proíbe a importação de lixo industrial, e da qual o Brasil é signatário.

Criada em 1988 e em vigor desde maio de 1992, a Convenção foi estabelecida como um meio de acabar com a destinação de materiais perigosos de países industrializados para nações em desenvolvimento ou mesmo para a Antártida e países da Europa Oriental, causando inúmeros danos ambientais, em sua maioria, irreversíveis.

“Existe a convenção da Basiléia que diz que você não pode transacionar resíduos perigosos. Então o que eles fazem: mandam para cá como se fosse minério, mas é resíduo. Pra reduzir o custo da disposição, exportam para outros países e ainda vendem, porque as firmas daqui mandam dinheiro para lá para comprar isso”, afirma Élio Lopes dos Santos.

A primeira apreensão noticiada de resíduos tóxicos industriais para a formulação de micronutrientes, motivada por denúncias da ONG Greenpeace, ocorreu no porto de Santos (SP), em 1992. A carga vinha da Inglaterra e tinha sido comprada pela Produquímica, que atua no ramo da produção de fertilizantes. Depois da descoberta, a empresa foi obrigada a enviar a carga a um aterro especial para resíduos perigosos.

Essa “reciclagem” de materiais permite vantagens a dois segmentos. O primeiro deles é o setor industrial, que precisar pagar pela disposição de seu lixo industrial em um aterro sanitário, serviço que custa caro no Brasil.

Outro beneficiado é o setor de produção de fertilizantes que, com a utilização dos resíduos industriais, economiza na compra de matérias-primas e, assim, reduz seus custos.

“Sai mais barato para todos os lados. O custo está na saúde pública, na água, no ambiente”, salienta Bocuhy.

Para Lia, se a proposta de regulamentação for aprovada como está, o Conama estará beneficiando o setor industrial em detrimento da saúde da população.

“Eles [Conama] estão fazendo uma coisa para atender o interesse da indústria que quer se ver livre dos seus resíduos contaminados. E a gente vai agravar o nosso problema de insegurança alimentar, que já existe”, adverte a médica.

Fonte: Brasil de Fato - Conama

Notícia relacionada:

Pesquisa constata elevados teores de cádmio em fertilizantes

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aviação agrícola: O mito das aplicações seguras.



Por Darci Bergmann

NUVEM ASSASSINA

Os fabricantes de equipamentos para aplicação aérea desenvolveram dispositivos que tendem a diminuir os efeitos da deriva. Também as embalagens dos produtos, na sua maioria, são recolhidas e encaminhadas às centrais de recolhimento. Dá-se muita ênfase a esse aspecto da questão. Isso, aliado a muita publicidade, passa à opinião pública uma idéia de que as aplicações aéreas de agrotóxicos são seguras e feitas por equipes especializadas.

A legislação brasileira estabeleceu parâmetros ou normas operacionais para as aplicações aéreas de agrotóxicos. Os pilotos, assim como os técnicos responsáveis pelas empresas de aviação agrícola, recebem treinamento sobre a atividade. Conhecem a legislação pertinente. A Lei também determina que toda a aplicação aérea de agrotóxico seja precedida de planejamento operacional e se as condições meteorológicas não forem adequadas no momento da operação, esta deve ser cancelada.

Então, com tudo isso poderia se deduzir que o meio ambiente e a saúde pública estão livres dos problemas dos agrotóxicos, especialmente quando aplicados via aérea. Ledo engano. Na prática, a realidade é outra.

Uma vez que a equipe de aplicação aérea se deslocou até o local da área a ser pulverizada dificilmente ela cancela o serviço, mesmo diante de condições meteorológicas desfavoráveis.

A fiscalização a campo se torna difícil e onerosa e depende muito de ação denunciadora de vítimas do mau uso da aviação agrícola. As vítimas tem dificuldade de encaminhar queixas com provas dos danos sofridos em suas propriedades. Ocorre que as provas dependem de laudos técnicos e muitas vezes faltam recursos financeiros para custeá-los. Outras vezes, os prejudicados não querem se indispor com algum vizinho ou até não conseguem testemunhas pelos mesmos motivos.

Em reuniões comunitárias, já ouvi muitos relatos de problemas causados pelo uso de agrotóxicos, via aérea. Todos esperam alguma coisa das autoridades constituídas. Estas, por sua vez, quase sempre se omitem, por motivos vários. Alguns prefeitos, vereadores ou mesmo deputados relutam em tomar medidas, pois temem contrariar aliados políticos ligados às empresas de aviação agrícola, que tem poder econômico. Encaminhar projetos de lei às Câmaras Municipais, visando coibir situações de abuso ou de restrições de uso, via aérea, de algum agrotóxico, esbarra na argumentação de que o assunto é da alçada federal. Existe, portanto, uma brecha entre o que diz a Lei e a realidade fática.

Por isso são poucos os casos que vêm à tona e que resultam em ações judiciais. Tem-se notado que muitas vezes as partes envolvidas nessa questão fazem acertos para reparar os prejuízos financeiros. Mas os problemas ambientais decorrentes continuam e se avolumam.





Os municípios podem legislar sobre os agrotóxicos e aviação agrícola?

Nos anos de 2003 e 2004, foram realizadas duas conferências municipais sobre meio ambiente, em São Borja. Na última, com a participação de quatrocentas pessoas, foi aprovada proposta de proibição de uso, via aérea, no território do Município de São Borja, de agrotóxicos formulados com os seguintes princípios ativos: inseticida CARBOFURAN (componente do produto comercial FURADAN 100 G e outros ), herbicidas 2,4-D e CLOMAZONE (componente do GAMIT). Como Secretário Municipal do Meio Ambiente, fiquei incumbido de redigir anteprojeto de lei e encaminhá-lo ao Gabinete do Prefeito. A matéria, com ampla justificativa, foi enviada à Consultoria Jurídica, que a considerou inconstitucional, já que seria de competência da União legislar sobre o tema. Frustrou-se, assim, a expectativa de centenas de pessoas e quem sabe de milhares de outras indiretamente. Se transformada em projeto de lei, a questão abriria enorme discussão e seria uma forma de esclarecer à opinião pública sobre o uso dos agrotóxicos e suas conseqüências. Alguns municípios romperam as barreiras e tomaram medidas restritivas com relação aos agrotóxicos. O Brasil, pelo tamanho do seu território e pelas peculiaridades regionais e locais, não pode ficar restrito à tutela federal no que tange à restrição de uso de alguns agrotóxicos, especialmente via aérea.

Em decorrência de situações graves e pelas brechas da legislação federal e estadual, os municípios começam a se mobilizar. Existem situações específicas e mesmo a precariedade da fiscalização que justificam a interferência dos municípios na questão dos agrotóxicos.


Da minha experiência pessoal com aviação agrícola

Tive experiência própria com a atividade de aviação agrícola, por dois anos, no início dos anos 1980. Na época eu tinha revenda de agrotóxicos. Acompanhei à campo várias aplicações aéreas. As normas operacionais da aviação agrícola, do Ministério da Agricultura, ainda não haviam sido estabelecidas, o que veio a ocorrer em l.983, com a Portaria 009/83 e seu anexo da Secretaria de Defesa Sanitária Vegetal. Constatei que, sempre que se aumentava o volume de água por hectare, aumentava a eficiência da aplicação, desde que as condições meteorológicas fossem favoráveis.

Foram feitas aplicações aéreas com o lagarticida biológico Dipel, à base de Bacillus thuringiensis, com excelente controle de lagartas em soja. Tal produto só não fazia melhor efeito quando o volume de água era reduzido. Cheguei até imaginar que um dia teríamos uma ampla gama de produtos biológicos, sem efeitos nocivos à saúde humana e animal ou ao meio ambiente. No entanto, assisto, tantos anos depois, um desvirtuamento da atividade da aviação agrícola, quando se refere ao uso de agrotóxicos. Mesmo com toda a parafernália de equipamentos, legislação federal e o marketing das empresas que garantem eficiência, segurança, etc. a realidade é outra.

Deixo claro que não tenho objeções aos demais usos da aviação agrícola, como, por exemplo: semeadura, aplicação de fertilizantes, combate a incêndios, etc. Meu questionamento refere-se à aplicação aérea de produtos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente em geral. Mesmo que algumas empresas e pilotos tenham mais consciência nessa questão e procuram se adequar à legislação, existem fatores que extrapolam essas precauções, pelos motivos que exponho a seguir.

1- As aeronaves sobrevoam áreas bem maiores daquelas que são objeto da pulverização. Isto provoca grande turbulência no ar e as microgotas se espalham ainda mais no ambiente.


2- As pulverizações em baixo volume são realizadas sob grande pressão nos bicos, partilhando ainda mais as gotas. Isto, aliado à velocidade da aeronave, favorece a evaporação da água (veículo) e a volatilização do agrotóxico. A baixa umidade relativa do ar e as altas temperaturas agravam a situação, assim como a velocidade e direção dos ventos.

3- O vácuo formado pela aeronave provoca o arrastamento das partículas até centenas de metros após o fechamento dos bicos no final de cada tiro.

4- Quanto menor a área pulverizada, maior a contaminação ambiental, no entorno.

5- As áreas com relevo ondulado, caso das coxilhas, não permitem altura padrão sobre a cultura a ser pulverizada. Isto provoca deriva maior, quanto maior for a altura de vôo. As temperaturas das massas de ar nas áreas onduladas são diferentes nas partes mais altas e baixas e a deposição das gotas não fica homogênea.

6- Para se ter uma idéia do tamanho de uma gota, basta ver o seguinte exemplo. Se o volume de calda (água mais produto) a ser aplicado num hectare for 20 litros, teremos o seguinte:

20 = 20.000 ml; 1 hectare=10.000 m²

Ou 20.000ml/10.000m²= 2ml/m2

Vale dizer que em cada porção de 1 m² de área serão aplicados apenas 2ml de calda de agrotóxico. A divisão desse pequeno volume provoca gotas de diversos tamanhos, algumas tão pequenas que tem o aspecto de névoa. Outras são impercetíveis. Com isso tem-se uma idéia do que ocorre durante uma aplicação aérea. Imagine se as condições meteorológicas forem adversas.



Numa edição do programa Globo Rural, foi mostrado trabalho de pesquisa sobre deriva de agrotóxicos nos Estados Unidos. Com aparelhagem ultra-sensível, conseguiram detectar a presença de pequeníssimas gotas do produto a dezenas de quilômetros do local de aplicação, via aérea, em condições meteorológicas consideradas normais.

Em certa ocasião, notei clorose acentuada em folhas de cinamomo, na verdade houve o branqueamento das folhas e logo deduzi que os sintomas se referiam à ação fitotóxica de herbicida à base de CLOMAZONE (GAMIT).


Depois constatei que foi feita aplicação aérea com esse produto em lavoura de arroz situada a quase três mil metros do local onde havia observado os danos. Não havia outra lavoura nas imediações. As correntes de ar levaram o produto a longa distância. Era um dia de calor, mas os ventos eram normais. Talvez o leitor se surpreenda e há quem queira contestar o que já foi presenciado por mim.

Em épocas de aplicação de herbicida, o ir e vir de aeronaves agrícolas sobre um mesmo local, mesmo sem estar aplicando o produto, pode provocar ação fitotóxica. Isto é perceptível na primavera, nos dias quentes, quando as folhas novas das árvores caducifólias, ficam deformadas. Nessa época inicia a aplicação de herbicidas nas lavouras de arroz aqui na região. São freqüentes os relatos sobre isso. Ocorre que podem estar ocorrendo pequenos vazamentos de calda, quase imperceptíveis. Também é possível a volatilização do produto, especialmente em dias de muito calor.

A pressão exercida dentro do tanque força a saída do produto volatilizado pelos bicos de pulverização. Tal possibilidade ficou demonstrada com outro fato que presenciei. Um pulverizador do tipo costal, de 20 litros, vazio e que havia sido usado para aplicação de herbicida, foi deixado no sol próximo a plantas de vaso. Horas depois, as plantas apresentaram folhas murchas num raio de quase três metros a partir do pulverizador costal.

No dia seguinte algumas folhas estavam cloróticas e uma planta secou completamente dias depois. Sabe-se, por exemplo, que os herbicidas à base de 2,4-D são altamente voláteis e causam grandes danos nas plantas denominadas popularmente como de “folhas largas”, diferentes das gramíneas. Embora as restrições de uso, o 2,4-D ainda é aplicado via aérea, como pude comprovar em perícias judiciais.


Alguns casos reais de deriva de agrotóxicos


A soja transgênica foi saudada como um grande avanço. Realmente, à primeira vista, parecia resolver um problema sério que é a infestação da lavoura pelos inços. A aplicação de herbicida à base de glifosato permite o controle das invasoras em estágio avançado dentro do cultivo. Mas todo o remédio químico certamente tem efeitos colaterais e não deve ser apregoado como a única solução. Não vou me ater a efeitos de longo prazo, desconhecidos e que não posso comprovar. Mas vou me referir a fatos já constatados. Via terrestre o uso sem critérios de glifosato está dizimando a vegetação marginal das lavouras e aquela protetora das encostas ou taludes das estradas.

Com isso, aumenta a erosão do solo por falta da forração vegetal. No que se refere à aplicação aérea, o problema é similar, com uma agravante: a deriva atinge outras culturas suscetíveis ao glifosato mesmo a centenas ou milhares de metros. Atuei como perito numa ação judicial, onde a parte autora pediu indenização por danos em lavoura de arroz provocados pelo herbicida glifosato usado em lavoura de soja transgênica. A maior parte do herbicida na soja havia sido feita com aeronave. Com ventos de 14 Km/H e no sentido da lavoura de arroz, a deriva levou o glifosato a centenas de metros, em quantidade suficiente para liquidar uma parcela de arroz germinado a poucos dias.


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Estudo mostra resistência crescente de pragas a plantios transgênicos



Cartunista Eugênio Neves.

Mais espécies de pragas estão se tornando resistentes aos tipos mais populares de cultivos transgênicos repelentes de insetos, exceto em regiões onde os fazendeiros seguem os conselhos dos especialistas.

Um estudo publicado na edição de segunda-feira na revista Nature Biotechnology aborda um aspecto importante dos chamados milho e algodão Bt - plantas que carregam um gene cuja finalidade é exalarem uma bactéria denominada 'Bacillus thuringiensis', tóxica para os insetos.

Cientistas franceses e americanos analisaram as descobertas de 77 estudos realizados em oito países de cinco continentes, a partir de dados de monitoramentos de campo.

Das 13 principais espécies de pragas examinadas, cinco eram resistentes em 2011, em comparação com apenas uma em 2005, afirmaram. O marco de referência foi uma resistência em mais de 50% dos insetos em uma área determinada.

Das cinco espécies, três eram pragas de algodão e duas, de milho.

Três dos cinco casos de resistência foram registrados nos Estados Unidos, que respondem por menos da metade dos cultivos de Bt, enquanto os outros foram encontrados em África do Sul e Índia.

Os autores disseram ter descoberto um caso de resistência precoce, em menos de 50% dos insetos, em outra praga de algodão americana. Houve "sinais de alerta" precoces (1% de resistência ou menos) em outras quatro pragas de algodão e milho em China, Estados Unidos e Filipinas.

Os cientistas encontraram grandes diferenças na velocidade com que se desenvolveu a resistência Bt. Em um caso, levou dois anos para os primeiros sinais aparecerem. Em outros, os cultivos Bt permaneceram tão eficientes em 2011 como eram 15 anos atrás.

O que fez a diferença foi que os fazendeiros separaram "refúgios" suficientes de cultivos não Bt, afirmaram os autores do estudo.

A ideia por trás deste refúgio vem da biologia evolutiva. Os genes que conferem resistência são recessivos, o que significa que os insetos podem sobreviver em plantas Bt só se tiverem duas cópias de um gene resistente, uma de cada progenitor.

Plantar refúgios perto de cultivos Bt reduz as chances de dois insetos resistentes copularem e passarem o duplo gene para seus descendentes.

"Modelos de computador mostraram que os refúgios devem ser bons para retardar a resistência", afirmou o co-autor do estudo Yves Carriere, entomologista da Universidade do Arisona, em Tucson, em um comunicado.

A evidência prática disto é demonstrada no caso de uma praga do algodoeiro denominada lagarta rosada ('Pectinophora gossypiella'), explicou seu colega, Bruce Tabashnik.

Os cultivos Bt no sudoeste dos Estados Unidos, onde os fazendeiros trabalham junto com cientistas para projetar uma estratégia de refúgio, não têm problema de resistência.

Na Índia, no entanto, as lagartas rosadas se tornaram resistentes no prazo de seis anos, simplesmente porque os fazendeiros não seguem as diretrizes ou obtêm aconselhamento.

Os cientistas alertam que a resistência a cultivos Bt é mera questão de tempo, pois todas as pragas acabam, eventualmente, se adaptando à ameaça que enfrentam. Mas os refúgios foram feitos para retardá-la.

Só em 2011, 66 milhões de hectares de terra foram cultivadas com plantios Bt.

Naquele ano, o milho Bt respondeu por 67% do milho plantado nos Estados Unidos e o algodão Bt entre 79% e 95% do algodão cultivado em Estados Unidos, Austrália, China e Índia.

Os plantios transgênicos encontram oposição na Europa e em outras partes do mundo, onde ambientalistas afirmam que são uma ameaça potencial à saúde humana e ao meio ambiente.


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terça-feira, 11 de junho de 2013

Roundup da Monsanto, novo estudo estabelece ligações ao autismo, mal de Parkinson e Alzheimer

argentina dominou soja GM pulverizada 53 milhões de litros ano roundup


O glifosato é um componente principal do herbicida Roundup da Monsanto. O glifosato foi fabricado pela Monsanto e é um dos herbicidas mais amplamente utilizados em todo o mundo. Uma série de estudos científicos em torno glifosato lançaram luz sobre os seus efeitos no organismo humano. É responsável por desencadear problemas de saúde como distúrbios gastrointestinais, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, mal de Parkinson e doença de Alzheimer.

Quando você ingerir Glifosato, que está na essência alterar a química do seu corpo. É completamente não-natural e o corpo não entrar em ressonância com ele. P450 (CYP) é o caminho do gene interrompido quando o corpo tem de glifosato ( 3 ). P450 cria enzimas que auxiliam na formação de moléculas em células, bem como decompondo-os. Enzimas CYP são abundantes e têm muitas funções importantes. Eles são responsáveis ​​pela desintoxicação xenobióticos do corpo, coisas como os vários produtos químicos encontrados em pesticidas, medicamentos e substâncias cancerígenas. O glifosato inibe as enzimas CYP. A via CYP é fundamental para, funcionamento normal e natural de vários sistemas biológicos dentro de nossos corpos. Porque os seres humanos that've sido expostos ao glifosato têm uma queda nos níveis de aminoácido triptofano, eles não têm a necessária sinalização activa do neurotransmissor serotonina, que está associado com o ganho de peso, depressão e doença de Alzheimer.
Obviamente, a composição química atrás glifosato é conhecido pela Monsanto. O fato de que atrapalha o caminho do gene CYP, as enzimas que desempenham um papel importante na desintoxicação do corpo é algo que pode facilmente contribuir para doenças e enfermidades. Eu me pergunto se isso tem uma correlação direta com a indústria farmacêutica, possivelmente? Os mesmos grandes instituições financeiras que possuem grandes empresas de biotecnologia e de alimentos também possuem a maior parte das grandes empresas farmacêuticas. Eu não sei como as pessoas pensam que é uma conspiração para pensar que a nossa indústria de alimentos é projetado para nos fazer mal. A grande mídia sempre vai promover OGM e Roundup, bem como enfatizar a sua segurança. Isso não poderia estar mais longe da verdade, eles danificam seu DNA e genoma de RNA, e não apenas para o lucro, mas para a experimentação e controle. Fidelity Investments, State Street Corporation, JP Morgan Chase e The Vanguard Group parecem possuir todas as grandes empresas de alimentos e empresas farmacêuticas ( 1 ) ( 2 ).

Não faz muito tempo uma vez, um gene viral oculto também foi descoberta em cultivos transgênicos. Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA), os pesquisadores descobriram um gene viral previamente desconhecido, que é conhecido como "Gene VI." É encontrado em lavouras transgênicas mais proeminentes, e pode atrapalhar as funções biológicas dentro de organismos vivos. Você pode ler mais sobre isso aqui . Não só temos grandes problemas com Roundup, também temos grandes problemas com as culturas de OGM que são pulverizadas com o Roundup. Nós damos muito poder sobre a essas empresas, pertencentes a grandes instituições financeiras, e eles ditam claramente a política do governo, você pode ler mais sobre isso aqui . Nós vimos evidência desse recentemente, quando Obama assinou a lei de protecção de Monsanto.


Meios de comunicação alternativos estão trabalhando juntos para compartilhar informações em todo o mundo. Podemos facilmente aceitar algo que não sabe nada sobre, e colocar a nossa confiança nas corporações e governos que pensamos que estamos aqui para servir os nossos interesses. Só é preciso um pouco de questionamento crítico e de investigação para descobrir a verdade por trás de nossa indústria de alimentos. Criar consciência é fundamental que as pessoas possam fazer as melhores escolhas em sua vida!

Este estudo foi realizado por Anthony Samsel e Stephanie Seneff. Stephanie Seneff é um cientista de pesquisa sênior em Ciência da Computação do MIT eo Laboratório de Inteligência Artificial. Recebeu o grau de bacharel em Biofísica em 1968, o MS e graus de EE em Engenharia Elétrica em 1980, eo grau de doutorado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação em 1985, todos da MIT. Ela já publicou mais de 170 artigos arbitrados sobre estes temas, e foi convidado para dar palestras em várias conferências internacionais. Ela também orientou Mestrado numerosos e teses de doutoramento no MIT. Se você tem alguma dúvida sobre o papel do glifosato no organismo humano, você pode contatá-la em seneff@csail.mit.edu.

Fontes:










Fonte onde foi tirada a matéria:


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Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne

Em pratos limpos » Monsanto reivindica patente sobre a carne: "As empresas multinacionais de sementes perseguem uma estratégia coerente para tomar o controle dos recursos básicos da produção de alimentos. Uma pesquisa realizada recentemente mostra que não somente as plantas transgênicas mas, cada vez mais, métodos de cultivo de plantas convencionais estão no centro de interesse dos monopólios de patentes: os pedidos de patentes internacionais neste âmbito aumentaram consideravelmente, tendo dobrado entre o final de 2007 e o final de 2009. As empresas que lideram os pedidos destas patentes são a Monsanto, a Syngenta e a Dupont."

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Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico

Gene escondido em transgênicos pode ser tóxico para humanos | Portal Orgânico:

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