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sexta-feira, 12 de julho de 2013

FIM DA ROTULAGEM DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS: DIGA NÃO

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A pesquisa do Idec avaliou se o direito à informação ao consumidor está sendo cumprido em relação à presença de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) nos alimentos, principalmente em relação ao acesso à informação correta nos rótulos e se os estabelecimentos comerciais cumprem a legislação estadual de São Paulo sobre a disposição de alimentos transgênicos. Confira os resultados aqui.

Confira aqui a cartilha sobre alimentos transgênicos que o Idec lançou em 2010.

Uma importante conquista da população brasileira está ameaçada. O projeto de lei de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze pode ir à votação em caráter de urgência nesta semana. Esse PL prevê a não obrigatoriedade de rotulagem de alimentos que possuem ingredientes trangênicos, independentemente da quantidade.

Caso o projeto de lei seja aprovado, corremos sério risco de saúde, pois compraremos alimentos como óleos, bolachas, margarinas, enlatados e papinhas de bebê sem saber se são seguros ou não. Atualmente, cerca de 80% da soja e 56% do milho do País são de origem transgênica. É essa produção crescente e acelerada que leva para a mesa do consumidor um alimento disfarçado ou camuflado que não informa sua real procedência. Nós, consumidores, temos o direito à informação (artigo 6º do CDC) sobre o que estamos adquirindo ao comprarmos e consumirmos um produto.

A introdução de transgênicos na natureza expõe nossa biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração do patrimônio genético de nossas plantas e sementes e o aumento dramático no uso de agrotóxicos. Além disso, ela torna a agricultura e os agricultores reféns de poucas empresas que detêm a tecnologia e põe em risco a saúde de agricultores e consumidores.

Precisamos que o maior número possível de mensagens contra esse PL cheguem à Câmara dos Deputados. Eles precisam saber que nós não queremos ser enganados e iludidos. Os consumidores têm o poder de escolha e o direito à informação.

Envie uma mensagem agora usando nossa ferramenta!

Saiba mais:







Divulgue essa campanha  e assine a petição no link abaixo:


Mais sobre o tema acesse:

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coleta de medula óssea de trabalhadores rurais constatou alterações que podem levar a vários tipos de câncer



 A relação causal entre o uso de agrotóxicos no campo e casos de câncer teve mais um fundamento apresentado detalhadamente na noite da última segunda-feira na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. O "Estudo das alterações citogenômicas da medula óssea de trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos" foi apresentado pelo médico hematologista Luiz Ivando, em defesa de sua dissertação de mestrado. Na prática, demonstrou alterações genéticas em trabalhadores rurais da Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte.

A série de reportagens Viúvas do Veneno, publicada nos dias 17, 19 e 20 de abril, trouxe o estudo da UFC e vários relatos de contaminação e morte no Nordeste

Iniciado dois anos e meio atrás, o estudo foi defendido no auditório Paulo Marcelo, da Faculdade de Medicina da UFC, e se soma a outras pesquisas realizadas nos últimos dez anos sobre o impacto na saúde dos trabalhadores e do meio ambiente pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. "O trabalho foi motivado pelo excessivo número de pacientes com doenças hematológicas que nos procuram com história de exposição a agrotóxicos no passado", explica o médico Luiz Ivando.

Veja abaixo um vídeo com a reportagem que sai no Globo Rural:



Há vários anos, o Diário do Nordeste tem acompanhado e publicado, com exclusividade, os diversos estudos relacionados ao impacto dos venenos em áreas agrícolas do Vale do Jaguaribe. "Quando vimos na mídia os trabalhos do Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade (Tramas), coordenado pela professora Raquel Rigotto, resolvemos procurá-la", afirma Luiz, acreditando que só aumentava a hipótese que relaciona agrotóxicos e neoplasias (câncer).

Medula

A partir da coleta de medula óssea de trabalhadores que atuam na aplicação de agrotóxico, constatou-se a alteração de genes. De 43 dessas amostras, 11 apresentaram importantes alterações cromossômicas. "Elas são muito frequentes em doenças hematológicas como Leucemia Mielóide Aguda e Síndromes Mielodisplásicas. Precisamos ficar vigilantes com esses trabalhadores. Eles devem ser afastados do veneno. O câncer precisa de várias etapas para o aparecimento e, nestes casos, a primeira etapa apareceu", afirmou Luiz Ivando. O trabalho, que terá continuidade, foi orientado pelo professor e também hematologista Ronald Pinheiro. Do Laboratório de Citogenômica do Câncer da UFC, participaram a bióloga Juliana Cordeiro e as graduandas em Ciências Biológicas Roberta Germano (técnica do laboratório), Izabele Farias e Marília Braga (ambas da UFC) e Júlia Duarte (Uece), alunas de iniciação científica. O estudo será publicado em revista científica internacional e será divulgado no Congresso Brasileiro de Hematologia, em novembro próximo.

Mais Informações:
Faculdade de Medicina da UFC
Avenida da Universidade, 2853
Benfica, Fortaleza
Telefone: (85) 3366-7300
www.ufc.br

MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER


Notícia Relacionada:

Produção Agroecológica Integrada e Sustentável


terça-feira, 9 de julho de 2013

[ESTUDO Glifosato] Causa Câncer de Mama em Níveis Inferiores aos Permitidos no Brasil



Estudos recentes mostram que o limite em água potável para o glifosato, o herbicida para transgênicos mais utilizado no Brasil, podem aumentar a chance de câncer de mama em até 1300%.

 O glifosato foi desenvolvido pela Monsanto, mas a patente expirou e agora várias empresas vendem os produtos com esse componente.

Como se já não houvesse inúmeros argumentos contra os transgênicos. Na semana passada um estudo revelou que o glifosato – o nome químico do herbicida Roundup – multiplica a proliferação de células de câncer de mama de 500% até 1300%… mesmo em exposições de apenas algumas partes por trilhão (ppt).

O estudo, publicado na Food and Chemical Toxicology, é intitulado “O glifosato induz crescimento de células de câncer de mama em humanos por meio de receptores de estrogênio“. 

Você pode ler o resumo do estudo aqui.

Há muito mais nesta história, mas no entanto para segui-la, você precisa entender os seguintes termos:
ppm = partes por milhão = 10 (-6) = número de partes em um milhão
ppb = partes por bilhão = 10 (-9), que é 1000 vezes menor do que ppm
ppt = partes por trilião = 10 (-12), que é 1000 vezes menor do que ppb e 1.000.000 de vezes menor do que ppm

A medida mg/L, ou miligramas por litro, pode ser equivalente ao ppm em se tratando de água.
O estudo constatou que a proliferação das células do câncer de mama é acelerada pelo glifosato em concentrações extremamente baixas: de ppt para ppb. O maior efeito foi observado no intervalo de ppb, incluindo ppb de um dígito, como um ppb (1000 vezes menor que 1 ppm).

Esta notícia, por si só, enviou ondas de choque através da net todo fim de semana. As mulheres estavam perguntando coisas como: “Você quer me dizer que os resíduos de glifosato em lavouras nas concentrações de apenas alguns ppt ou ppb pode me dar câncer de mama?” Não é exatamente traduzido assim. Depende de quanto você come versus sua massa corporal (nanogramas de glifosato por quilo de peso corporal). Mas com ridiculamente pequenas quantidades deste produto químico sendo correlacionada com a proliferação de células de câncer, você não tem que comer muito para colocar-se em risco.

Mas não é apenas comer glifosato que é o problema. Você também está bebendo ele!

Glifosato na água potável dos brasileiros

No Brasil, o limite de glifosato para água potável (definido pela PORTARIA Nº 518/GM de 25/03/2004) é de 500 µg/L, 0,5 mg/L ou 0,5 ppb (partes por bilhão). Isto quer dizer, baseado no estudo acima citado, que o limite máximo de glifosato no Brasil é o suficiente para causar a proliferação das células do câncer de mama!

Estou fazendo o orçamento para fazer a análise de algumas amostras de água potável e pretendo em breve divulgar aqui. Vou aproveitar a chance e fazer uma análise quanto ao nível de flúor.

PL 4412/2012 – Reavaliação do Glifosato, possível banimento em breve

Artigo abaixo foi retirado do site Diário Popular-RS:

Ingrediente ativo dos principais herbicidas utilizados no controle de ervas daninhas nas lavouras, o glifosato entra na mira da Câmara dos Deputados, em Brasília. Se aprovado um projeto de lei do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a substância será avaliada durante 180 dias e poderá ter, inclusive, a comercialização cancelada após a conclusão do estudo.

Para que o projeto de lei 4.412/12 entre em vigor falta apenas a votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A proposta original já teve parecer favorável do relator Pedro Uczai (PT-SC). O projeto prevê que os produtos que tenham o glifosato como ingrediente ativo sejam reavaliados em até 180 dias após a publicação da nova lei. Durante a análise dos possíveis danos causados pela substância, os produtos serão reclassificados como extremamente tóxicos ou altamente perigosos, com consequentes restrições de uso.

Caso a reavaliação não se conclua dentro do prazo de 180 dias, os registros existentes poderão ser suspensos e a comercialização do agrotóxico proibida. Se a reavaliação apontar danos ao solo e à saúde dos agricultores, há até mesmo o risco de suspensão efetiva das licenças de produção e comercialização dos agrotóxicos.

A Carcinogenicidade do Glifosato foi documentada anos antes

A autoridades já estava ignorando deliberadamente o crescente conjunto de evidências científicas que documentam a toxicidade do glifosato. Por exemplo, um estudo publicado em 1995 – no Journal of Pesticide Reform (Volume 15, Número 3, Fall 1995), escrito por Caroline Cox concluiu:

Produtos à base de glyphosate são altamente tóxicos para os animais, incluindo os seres humanos. 
… Em estudos com animais, alimentando-se de glifosato por três meses causou redução no ganho de peso, diarréia e lesões de glândulas salivares. Alimentação pela vida inteira com glifosato causou excesso de crescimento e morte das células do fígado, catarata e degeneração lentes oculares, além de aumento na freqüência de tumores na tireóide, pâncreas e no fígado.
Produtos à base de glyfosato causaram danos genéticos em células sanguíneas humanas … contagem reduzida de espermatozóides em ratos machos… um aumento na perda fetal …
Em outras palavras, os vários governos que estabeleceram o alto limite do glifosato sabiam – ou deveriam saber – que o glifosato é prejudicial aos seres humanos. Mas o governo brasileiro, assim como americano (que mantém o limite em 700 ppb, ainda mais alto que no Brasil) deliberadamente ignorou esta prova, permitindo assim que mil vezes os níveis mais elevados de glifosato em água potável do que sabemos agora que é o suficiente para causar a proliferação de células cancerígenas.

O texto abaixo é um trecho do Journal of Pesticide Reform de 1998, também de Caroline Cox, traduzido por Nicoleta T.N. Sabetzki:
Carcinogenicidade: Todos os estudos disponíveis sobre a capacidade do glyphosate provocar o cancer foram conduzidos pelo fabricante deste produto2. O primeiro estudo sobre a carcinogenicidade submetido ao EPA (1981) detectou aumento no índice de tumores testiculares em ratos machos e na incidência de cancer de tiróide em fêmeas, sob as dosagens mais elevadas. Ambos os resultados ocorreram sob a dosagem mais alta (30 mg/kg de peso por dia)75,76. O segundo estudo (1983) detectou uma crescente tendência na frequência de tumores raros no rim em camundongos machos77. Já o estudo mais recente (1990) demonstrou maior incidência de tumores no pâncreas e fígado em ratos machos e do mesmo tipo de cancer da tiróide em fêmeas, detectado em 1983.78. De acordo com o EPA, todos estes aumentos na incidência de tumores ou de cancer ”não podem ser associados ao composto”. (Isto significa que EPA não responsabilizou o glyphosate pela ocorrência dos tumores). No caso dos tumores de testículo, o EPA acatou a interpretação do patologista da indústria que afirmou que a incidência de cancer nos grupos tratados (12%) foi similar à incidência observada (4.5%) nos ratos não tratados com glyphosate. 78 Com relação ao cancer de tiróide, o EPA atestou ser impossível distinguir entre cancer e tumor da tireóide, de modo que os dois deveriam ser considerados juntos. Todavia, a combinação dos dados não é estatisticamente significante 76. No caso dos tumores de rim, o fabricante re-examinou o tecido e descobriu tumor adicional nos camundongos não-tratados, anulando a significância estatística. Isto apesar do laudo do patologista do EPA afirmando que a lesão em questão não era realmente tumor77 . Quanto aos tumores pancreáticos, o EPA declarou que não estavam relacionados às dosagens. Com referência aos tumores de fígado e tiróide, o EPA afirmou que as comparações entre animais tratados e não-tratados não foram estatisticamente significantes78 O EPA concluiu que o glyphosate deve ser classificado como Grupo E, “evidência de não- carcinogenicidade para pessoas”78 , mas que esta classificação “não deve ser interpretada como definitiva”78 Os testes de cancer deixaram muitas perguntas sem respostas. Com relação a um dos estudos sobre carcinogenicidade, um estatístico do EPA afirmou: “O ponto de vista é aspecto crítico. O nosso ponto de vista visa proteger a saúde pública quando se trata de dados suspeitos.”79 Já infelizmente o EPA não adotou o mesmo ponto de vista quando avaliou a carcinogenicidade do glyphosate. … Efeitos reprodutivos A exposição ao glyphosate foi associada a problemas reprodutivos nos seres humanos. Um estudo em Ontario, Canadá, detectou que o uso de glyphosate pelos pais acarretou aumento no número de abortos e nascimentos prematuros nas famílias rurais.87(ver Figura 5). Além disso, um relatório da Universidade da Califórnia discutiu o caso de uma atleta que apresentava redução dos intervalos menstruais sempre que competia em raias tratadas com glyphosate88. Estudos laboratoriais também demonstraram inúmeros efeitos do glyphosate sobre a reprodução. Em ratos, o glyphosate reduziu a população espermática sob as duas concentrações maiores utilizadas (ver Figura 5). Em coelhos, o glyphosate, em concentrações de 1/10 e 1/100 de LD50 , aumentou a incidência de espermatozóides anormais e mortos. 89 Nas coelhas.
o glyphosate provocou uma redução do peso fetal em todos os grupos tratados. 90.

Existem muitos outros estudos e artigos sobre o tema, mas gostaria de apresentar um trecho deste outro artigo:

Doença renal misteriosa da américa central pode estar ligada a agrotóxicos

Uma doença renal misteriosa que atinge camponeses em El Salvador e outros países da América Central mobiliza os ministérios de saúde da região. No dia 27 de abril, foi assinada em El Salvador uma declaração conjunta qualificando o combate da doença como de alta prioridade para a saúde pública e definindo uma série de ações nesse sentido… “Essa é uma doença de pessoas pobres”, diz Rodriguez. “Uma doença de pessoas que trabalham nos campos e tem condições de vida muito ruins”…. Dois produtos químicos, em particular, entraram na mira dos pesquisadores tanto em El Salvador quanto no Sri Lanka, o 2,4-D e o glifosato. 2,4-D é um herbicida comum usado para controlar ervas e o glifosato é o ingrediente ativo do herbicida mais popular do mundo, o Roundup. Ambos são usados no mundo inteiro, inclusive em inúmeras áreas não afetadas por essa forma estranha de doença renal crônica… Os testes com pacientes em El Salvador, na Ciudad Romero — a comunidade contaminada por metais pesados — revelou que 100% e 75% dos pacientes, respectivamente, relataram usar 2,4D e glifosato. No Sri Lanka, resíduos de ambos os produtos foram encontrados em amostras de urina de alguns pacientes doentes.

O glifosato é o novo DDT

Baseado no que estamos vendo agora, acredito que o glifosato é o produto químico mais tóxico que já foi amplamente implantado em toda a nossa cadeia alimentar. O glifosato é o novo DDT, e está contaminando nossas águas, solos, alimentos e corpos.
Fontes:



Para aprofundar:

domingo, 7 de julho de 2013

Sindicância na Anvisa vê irregularidade em mais 23 agrotóxicos


BRASÍLIA - Além dos seis agrotóxicos autorizados irregularmente pela Anvisa em 2012, a sindicância da estatal nos demais processos concluiu que outros 23 produtos começaram a ser vendidos sem passar por todas as etapas da análise regulamentar, que identificam, por exemplo, se o defensivo representa risco à saúde dos consumidores.

Segundo a Anvisa, a auditoria criada a pedido de seu diretor-presidente para auditar os processos da agência relativos aos Informes de Avaliação Toxicologica avaliou 205 processos, sendo que em 23 foram identificados problemas relativos à incorreção processual, além dos seis detectados no fim do ano passado. À época, o então gerente-geral de Toxicologia, Luiz Cláudio Meirelles, denunciou que seis agrotóxicos receberam autorização para serem comercializados mesmo sem receberem todos os pareceres exigidos pela área.

A Anvisa informou que o relatório foi encaminhado para a Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPOF) e Polícia Federal. O nome dos produtos ou os fabricantes não serão divulgados neste momento até deliberação da diretoria da Anvisa.

(Tarso Veloso | Valor)



VALOR ECONÔMICO, 25/06/2013

Além dos seis agrotóxicos autorizados irregularmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado, sindicância da estatal nos demais processos de aprovação concluiu que outros 23 produtos começaram a ser vendidos no país sem passar por todas as etapas da análise regulamentar – que identificam, por exemplo, se o defensivo representa risco à saúde dos consumidores.

De acordo com informações da Anvisa, a auditoria criada a pedido de seu diretor-presidente para auditar os processos da agência relativos aos Informes de Avaliação Toxicológica avaliou 205 processos, sendo que em 23 foram identificados problemas envolvendo incorreções processuais, além dos seis detectados no fim do ano passado.

À época, o então gerente-geral de Toxicologia da agência, Luiz Cláudio Meirelles, denunciou que seis agrotóxicos receberam autorização para serem comercializados no mercado brasileiro mesmo sem receberem todos os pareceres exigidos pela área.

A Anvisa informou, ainda, que o relatório foi encaminhado para a Controladoria-Geral da União (CGU), para o Tribunal de Contas da União (TCU), para Ministério Público Federal (MPOF) e para Polícia Federal. Os nomes dos produtos ou dos fabricantes não serão divulgados até deliberação da diretoria da Anvisa.

Quando Meirelles fez sua denúncia, no fim do ano passado, os três órgãos responsáveis pela regulamentação desses produtos no país – Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura – divulgaram nota conjunta defendendo seu sistema de avaliação. (TV)


Papo com feirante - O veneno nosso de cada dia, continua na mesa ...


Google imagem

Jales é uma cidade do noroeste paulista.

Sábado, dia de feira dos produtores. Normalmente as 3h30min da madrugada, já estão montando as barracas

Gosto de comprar na feira,  é uma oportunidade de conversar com os produtores, que sempre tem uma lição de vida a dar e  além do mais, é uma forma de saber quando foi feito a última aplicação de agrotóxicos; quando compramos no supermercado, não temos a garantia  por parte de ninguém, que o período de carência foi observado.

Recentemente, um colega comprou tomate em um supermercado da cidade e ao chegar em casa, sentiu um cheiro  forte de veneno e mesmo lavando o cheiro não saia e acabou jogando os tomates no lixo.

O trabalho agrícola é a atividade de maior risco econômico e especialmente para o pequeno produtor rural , que produz a maior parte dos alimentos que consumimos.

Seo Benedito,  tem uma pequena chácara e é um dos vários feirantes.

Pessoa simples e sincera e sempre que se pergunta responde:

Essa couve faz 15 dias que já apliquei e é um produto que pode aplicar de manhã e colher a tarde, fique tranquilo.

Mas, que veneno é esse que o Sr. aplicou ?

Malathion

Mas, quem disse que esse produto pode aplicar de manhã e colher a tarde?

O vendedor da casa agropecuária que comprei o produto. Pode ficar tranquilo, esse produto usamos  no milho pipoca e depois só damos uma abanada e colocamos para estourar, é fraquinho

O argumento do Seo Benedito continuou.

Olha tem uma pessoa que só pega couve de mim. Ela disse - que há um tempo atrás, comprou couve no supermercado, mas ao chegar em casa percebeu que ela tinha um cheiro muito forte de veneno  e  não teve coragem de comer e deu as folhas para um passarinho e sabe o que aconteceu?

O que?

A tarde o passarinho estava morto.

Sério?

Estou te falando! Que coisa... ele comprou a couve para fazer remédio. Eu não faço isso não... sempre passo uma dose mais fraca  e espero 15 dias para colher.

Em uma dia desses... conversando com Sr. Arlindo  outro produtor rural e ao comentar essa história, do Seo Benedito,  ele me fez uma outra narrativa:

(...)
Conheço uma pessoa que comprou almeirão na feira para tratar os canários, e morreram os 10 pássaros que ele tinha,  ele foi até a feira e ameaçou a pessoa que vendeu, dizendo  que iria denunciar e o feirante disse que ele apenas revendia e que as verduras  vinham de outra cidade.

Seo Benedito continuou...

Esses dias uma pessoa comprou uma alface do meu vizinho, era uma alface muito bonita, mas a alface fez mal a ela – deu dor de barriga.

Fui conversar com o vizinho, para saber o que ele aplicava para deixar alface bonita. Ele me disse  que aplica um veneno, que coloca na uva para a baga crescer. Pode uma coisa dessa? Uva leva 90 dias para colher e a alface colhe rapidinho...

Seo Benedito que produto é?

È um veneno bravo  que aplica na uva o nome não sei não.

Seo Benedito, continuou com suas explicações e depois veio uma outra história...


Fulano ... aplicou um veneno de amendoim na couve no sábado e na segunda-feira, ele colheu a couve para comer. Após o almoço, o filho dele passou mal e ele levou para o pronto socorro e no caminho a mulher dele  passou mal e durante o atendimento dos dois, ele também passou mal.

O médico, quis saber o que eles tinham comido. Ele contou, que tinham comido  couve e que no sábado  havia passado Hamidop. O Doutor colocou-  que eles deveriam ter esperados pelo menos 15 dias e que correram grandes riscos.

Toda a história,  foi para ilustrar que ele tem medo de veneno e que somente usa porque precisa – mas, sempre espera 15 dias.

Chegando em casa,  fui pesquisar sobre os produtos que Seo Benedito falou.

Começando pelo Matathion, aquele produto fraquinho, que se pode aplicar de manhã e colher a tarde. Fui ver do que se trata...

Um dos trabalhos que encontrei sobre esse produto, foi uma revisão bibliográfica  que se chama: a atuação do enfermeiro na prevenção dos efeitos nocivos causados pelo uso indiscriminado do inseticida malation.

(...)
Através desta pesquisa verificamos que o malation é um agrotóxico organofosforado que, no organismo humano, age inibindo a acetilcolinesterase, interferindo no mecanismo de transmissão neural e conseqüentemente, ocasionando diversos efeitos danosos como: visão borrada, tosse, anorexia, náuseas, vômitos, dores abdominais, aumento da amplitude das contrações e do peristaltismo gastrintestinal, diarréia, sudorese excessiva, sialorréia, dispnéia, cianose, acúmulo de secreções brônquicas, lacrimejamento, miose, midríase, tremores de língua, olhos e pálpebras, cãibras, paralisia, fraquezas musculares, cefaléia, tontura, tremores, ataxia, distúrbios da palavra, sonolência, disartria, rigidez de nuca, depressão do centro respiratório e do vasomotor, rigidez na nuca, convulsões e coma.
Além dessas manifestações, verificamos que o malation pode ocasionar efeitos imunossupressores em diversos níveis, gerar manifestações tardias e neuropatia tardia, tem capacidade de alterar o DNA de uma célula e de estimular a célula alterada a se dividir de forma desorganizada, revelando uma possível capacidade de desenvolvimento do câncer e associam-se sua ação a Arteriosclerose, Parkinson, Alzheimer, malformação congênitas, infertilidade e esterilidade.

O trabalho completo pode ser consultado no link abaixo:



Depois pesquisei, sobre o “veneno bravo que se utiliza na uva”, que o seu vizinho usa para crescer o alface e como não ele não sabia o nome do produto, a pesquisa ficou um pouco prejudicada.

Normalmente o que se utiliza na uva, é um regulador de crescimento conhecido como ácido giberélico, que também é liberado para a cultura do alface, conforme podemos ver abaixo:


Na literatura o ácido giberélico é classificado como mutagênico e cancerígeno ( Bedor, 2009 pág 63)

Será que não passou da hora da ANVISA,  rever a liberação do ácido giberélico para cultura do alface?

Conclui a pesquisa procurando sobre o hamidop, inseticida usado no amendoim,  mas que foi usado na couve. É importante lembrar, que essa pratica é um tanto comum entre os agricultores e já foi identificada pela ANVISA, que iniciou em 2001,  um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar,  os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam á mesa do consumidor.

O hamidop é inseticida Acaricida, sistêmico do grupo dos organofosforados e tem como principio ativo o METAMIDOFÓS e desde junho de 2012 esta proibido no Brasil.

O intervalo de segurança para as principais culturas que ele era registrado é de 21 dias.


Vamos recordar que : esse intervalo de segurança, é para que os resíduos presentes nos alimentos estejam dentro do limite máximo permitido, limite este, que é contestado por muitos especialistas.

Para quem não esta familiarizado com os termos, vamos a algumas definições

Limite máximo de resíduo - quantidade máxima de resíduo de agrotóxico legalmente aceita no alimento, em decorrência da aplicação adequada numa fase específica, desde sua produção até o consumo, expressa em partes (em peso) do agrotóxico ou seus derivados por um milhão de partes de alimento (em peso) (ppm ou mg / kg).
 Intervalo de segurança ou período de carência - intervalo de tempo entre a última aplicação do agrotóxico e a colheita ou comercialização


Podemos tirar algumas conclusões sobre esse último caso:

O agricultor não tinha percepção do risco que ele estava correndo e colocou em risco a saúde de sua família e  coloca em riscos muitas famílias;
Mostra que ele não leu o rótulo e tão pouco sabe o que é intervalo de segurança;
O uso de produtos registrado para uma cultura e usado para outra, é um problema muito grave - por não ter estudo do intervalo de segurança, e tão pouco estabelecido o limite máximo de resíduos.

A entrada dos agrotóxicos no Brasil, foi praticamente imposto pelo governo na época e se nos dias atuais acontece, o que podemos ver nos relatos acima e abaixo, com certeza os governos são responsáveis por essa situação de descaso e mal uso dos agrotóxicos, que além de afetar diretamente a saúde dos agricultores também afeta ao dos consumidores.

Muita vezes, o pequeno produtor mal saber ler , não foi treinado para utilizar de uma forma “segura” esses produtos e não tem qualquer tipo de assistência, ficando nas mãos de pessoas que apenas tem o interesse em vender .

" O estado não tem política pública que coloca os extensionistas, através de concurso público, dentro das áreas de produção"  afirmou a engenheira florestal Denise Batista Alves, vice presidente da associação dos engenheiros florestais do Rio de Janeiro, durante o evento "Impactos dos agrotóxicos: alternativas e posicionamentos dos engenheiros agrônomos e florestais" realizado pelo clube de engenharia e que poderá ser acessado no link abaixo:

Agrotóxicos e saúde: questões urgentes

Infelizmente as história não terminam por ai...

Dona Ana vende frutas. Segundo ela, o produto que vende é confiável e que seu marido, pega de um mesmo produtor há 10 anos e quando ele aplicou alguma coisa – avisa.

Ela comenta que tem uma boa clientela ...

- A banana, o mamão e a manga que vendo, não é amadurecida a força com carbureto, porque essas frutas amadurecida a força não tem gosto e faz mal a saúde.

Dona Ana, comentou algo que a deixou  indignada.

Olha sabe o que estão fazendo agora? Estão aplicando Etrel na manga já colhida... para amadurecer, pode uma coisa dessa?

Outro dia ao comentar isso com um colega de trabalho ele disse:

Isso é verdade! Fulano … vendeu as mangas no pé e a pessoa que comprou, passou ethrel e em seguida colheu.

Houve-se  falar, no uso de ethrel na laranja e para dar mais cor na uva ...

Fui pesquisar sobre o ethrel na manga e encontrei o arquivo abaixo:


Etrel - Classe toxicológica II – ALTAMENTE TÓXICO e na cultura da manga é indicado para indução de florescimento e não existe indicação desse produto para aplicação no pós colheita para acelerar a maturação …. e como podemos ver no link acima – intervalo de segurança, não determinado devido à modalidade de emprego.

Na cultura da uva o ethrel ao consultar o AGROFIT – sistema de agrotóxico fitossanitário do Ministério da Agricultura, encontramos: A aplicação deverá ser de 15 a 20 dias antes da realização da poda de frutificação. Única aplicação.

Não existe recomendação para utilização para dar cor na uva.

No citrus? Não existe registro.

Então? Se não existe recomendação do ethrel para maturação da manga, do citrus e para melhorar a coloração da uva – isto significa, que não existe estudo e se não existe estudo, não existe intervalo de seguração estabelecido e tão pouco limite máximo de ingestão diária.

Quando existe intervalo de segurança e limite máximo de resíduos estabelecidos, mesmo assim, muitos especialistas tem vindo a público,  para dizer que o limite máximo de resíduos é arbitrário e não é confiável - e quando não existe? O problema é maior ainda!

Infelizmente esse é um pequeno retrato do que acontece no dia a dia com a agricultura brasileira que descobri com uma pequena conversa … e a fiscalização como é que fica?

Se pegarmos a história da entrada dos agrotóxicos na agricultura, podemos ver, que tudo começou com o apoio oficial, vamos dar uma breve recordada:

A política de crédito adotado pelo governo brasileiro foi bastante decisiva e ao mesmo momento impositivo para que o novo modelo de produção fosse implantado conforme podemos observar abaixo:
Desde a década de 70, exatamente no ano de 1976, o governo criou um plano nacional de defensivos agrícolas. Dentro do modelo da Revolução Verde os países produtores desses agroquímicos pressionaram os governos, através das agências internacionais, para facilitar a entrada desse pacote tecnológico. Em 1976, o Brasil criou uma lei do plano nacional de defensivos agrícolas na qual condiciona o crédito rural ao uso de agrotóxicos. Assim, parte desse recurso captado deveria ser utilizada em compra de agrotóxicos, que eles chamavam, com um eufemismo, de defensivos agrícolas. Então, com isso, os agricultores foram praticamente obrigados a adquirir esse pacote tecnológico ( GIRALDO, 2011).

Corraborando a citação anterior (FLORES, 2004) vai mais além ao mostrar a irresponsabilidade do governo brasileiro ao ceder as pressões internacional e obrigar os agricultores a adotar tecnologias desnecessária que não condizia com a realidade e necessidade da agricultura.

No Brasil, a partir de 1970, a produção agrícola sofreu grandes transformações. A política de estímulo do crédito agrícola, associada às novas tecnologias, impulsionou várias culturas, principalmente destinadas à exportação. Pacotes tecnológicos ligados ao financiamento bancário obrigavam os agricultores a adquirir insumos e equipamentos, muitas vezes desnecessários. Entre os insumos, estavam os pesticidas, que eram recomendados para o controle de pragas e doenças, como método de resguardar o potencial produtivo das culturas. Esse método obrigava aplicações sistemáticas de pesticidas, mesmo sem ocorrência das pragas, resultando em pulverizações excessivas e desnecessárias (RUEGG et al., 1991 apud Flores et all 2004 pág. 113).


Sem dúvidas, o governo e responsável pelo quadro acima e não é a toa que desde 2008 ,  somos o país que mais utiliza agrotóxicos e já passou da hora da sociedade, exigir uma resposta responsável a esse quadro de uso abusivo,  que já vem se alastrando por muitos anos e sem ação efetiva, para que sejam controlados e os produtores efetivamente orientados.

Existe muitas técnicas desenvolvidas que se fossem amplamente utilizadas, contribuiria e muito para a redução do uso de agrotóxicos, como por exemplo o manejado integrado de pragas e doenças.

Vejamos uma nota da EMBRAPA sobre o MIP.

O MIP – Soja é uma tecnologia que utiliza um conjunto de técnicas econômicas e ambientalmente sustentáveis para o manejo eficiente de insetos pragas que atacam as lavouras de soja. Nos últimos anos, infelizmente, os princípios do MIP não tem sido adotados, gerando desequilíbrios e contribuindo para um crescente aumento de uso de agrotóxicos.

Inseticida são usados de forma abusiva, com base em calendário, aproveitamento de operações, ou seja, junto com herbicidas e/ou fungicidas, sem considerar a presença efetiva das pragas. Isso provoca a eliminação precoce de inimigos naturais e forte desequilíbrios ambiental nas propriedades, podendo favorecer a seleção de insetos resistentes a determinados ingredientes ativos

Fonte: Folder 04/2012-Janeiro 2012 - Embrapa Soja

Infelizmente, em muitas regiões a assistência técnica oficial não é suficiente para atender toda a demanda, e os agricultores ficam, muitas vezes , apenas nas mão de vendedores que tem interesse em comercializar seus produtos e não tem interesse em técnicas para reduzir o uso de agrotóxicos.

A agricultura convencional, se for bem feita,  daria uma contribuição grande para redução do uso de agrotóxicos e isto deve ser um dever a ser garantido pelo estado, que deveria tomar medidas urgentes para garantir a redução dos usos de agrotóxicos e garantir a sociedade alimentos livres de resíduos.

O Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que esta em fase final de estudo, será sem dúvida , uma importante resposta a sociedade- no sentido de oferecer alternativas tanto aos produtores, como aos consumidores – desde que, sai do papel e chegue  até aos produtores com assistência técnica efetiva.

Grande parte dos pequenos agricultores ou os agricultores da agricultura familiar como um todo, no geral, não tem instrução e nem preparo para utilizar os agrotóxicos de uma forma mais "segura"; não utilizam EPI e quando utilizam, utilizam parcialmente ou de forma errada, o que aumentam o risco de intoxicação , isto sem falar do período de reentrada nas áreas e outras normas de segurança ambiental e pessoal que são ignoradas.


União Europeia financiará estudos de longo prazo sobre milho da Monsanto



A publicação do edital que investirá 3 milhões de euros em pesquisa sobre efeitos carcinogênicos do milho NK 603 vem em resposta à polêmica gerada pela publicação de estudo inédito mostrando que este produto (com e sem glifosato) aumentou a mortalidade e multiplicou a incidência de tumores em ratos.

Aqui no Brasi, 15 integrantes e ex-integrantes da CTNBio demandaram ao órgão uma revisão da decisão que em 2008 liberou essa variedade de milho para plantio e comercialização. Cheio de soberba, o órgão votou e recusou o pedido, apoiando-se no quase místico conceito do “histórico de uso seguro”.

Com informações do GM Watch

Do site: http://pratoslimpos.org.br/?p=6054

Veja também:

Ex-pesquisador da CTNBio critica forma de aprovação de transgênicos