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domingo, 1 de setembro de 2013

Lobby por agrotóxico na Anvisa é um inferno, diz ex-gerente


Editora Globo


Luiz Cláudio Meirelles, ex-gerente de toxicologia da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi exonerado do cargo em novembro de 2012 quando denunciou um esquema de corrupção para aprovar 7 princípios ativos de agrotóxicos mais rapidamente. Nesta entrevista, ele relata como era a abordagem para que se apressasse as aprovações e diz que vê sua saída como algo já desejado há muito tempo pela bancada ruralista do congresso.

GALILEU: Quanto tempo você ficou na Anvisa?

Treze anos e meio. Peguei lá em fevereiro de   1999 e sai de lá em novembro de 2012.

Como as coisas funcionavam lá?

A Anvisa estava para ser criada em 1999 e eu fui convidado pra organizar a gerência de toxicologia [que cuida da avaliação de agrotóxicos] ,ela não existia ainda. O nosso olhar sobre essa questão era uma avaliação preventiva. Você vê os problemas relacionados àquela substância antes de ela ir pro mercado, e evitar que exista algum risco ou algum dano saúde da população, e também pensa em questões de controle. Por exemplo, monitorar os resíduos de agrotóxicos em alimentos, melhores informações sobre os agravos provocados por esses produtos, melhoria da notificação de intoxicações, rever substancias autorizadas no passado que já estavam no mercado quando a gente chegou.

Você organizou esse setor lá.

Sim. E o objetivo era uma ação dinâmica. Quando você fala de substância química, elas estão sendo estudadas permanentemente. E às vezes uma coisa que era considerada segura no passado, dependendo dos estudos que apareçam, pode não ser mais considerada segura e você ter que mudar a decisão. Por exemplo, o DDT. Quando foram lançados ali pela década de 1970 eram a maravilha do mundo. E depois eles passam a ser hoje, combatidos no mundo inteiro. Descobrimos que causam câncer, se acumulam no tecido adiposo, que contaminam o lençol freático. Por isso temos nessa área constantemente de rever nossas decisões. Mesmo porque quem avalia as substancias são as empresas, né, elas são donas das moléculas, elas que apresentam estudos, e nesse início da entrada de molécula em qualquer país, os pesquisadores independentes não tem acesso àquela substancia pra desenvolver estudo. Então o trabalho da gente tinha esse escopo de prevenção com base em dados.

Essa prevenção é bem feita hoje?

A gente sabe que no Brasil a produção de dados em relação a essas contaminações da população ainda é extremamente precária. Pouco se investiga, poucos são os programas de monitoramento que temos operando, como o PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos]. Existe monitoramento de água potável, mas a gente não encontra os dados. Devia existir pra todo tipo de alimento. Processado, de origem agropecuária, água de ambiente, agua potável, pra que pesquisadores e gestores pudessem tomar sua decisão. Muitas vezes você se depara com uma substância química nova e o estudo não te dá clareza sobre produção de câncer ou alteração de embrião. Enquanto o órgão avaliador e de proteção sanitária você deve impedir a exposição até que isso se esclareça, mas essa é uma questão muito polêmica no país.Tem essa questão do poder de fogo que as empresas do agronegócio têm. Aos olhos deles, a precaução é tida como algo xiita, ideólogo, radical.


Húmus líquido

O húmus líquido é também uma excelente opção para adubação de plantas em vasos.

A busca por insumos eficientes para uma agricultura de base ecológica também é um propósito da Embrapa Clima Temperado,


Esse tipo de adubo é uma opção para o cultivo de hortaliças, sendo obtido pela simples dissolução de húmus sólido de minhocas em água. Sua produção é fácil, tem baixo custo e requer pouco tempo do produtor para seu preparo. Em geral, são usados entre 10kg e 20kg de húmus sólido em 100L de água. O sistema de produção usual é o manual, mas também pode ser feito com auxílio de aeradores. Nessa forma de produção o húmus líquido fica pronto em 24 horas, enquanto na forma manual são necessários no máximo três dias, com pelo menos uma agitaçao por dia, para que a maior parte dos nutrientes e microorganismos do húmus seja transferida à água.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O QUE ESTÁ MATANDO NOSSAS ABELHAS? -




Mais informações acesse:

http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/search/label/Agrot%C3%B3xicos-%20abelhas%3B

Agrotóxicos exterminam abelhas no triângulo mineiro.




Notícias relacionadas:

Cientistas descobrem o que está matando as abelhas, e é mais grave do que se pensava

Enquanto isso ... o que acabaram de fazer nossos deputados:

Aprovada pulverização aérea de agrotóxicos vetados pelo Ibama

Comissão aprova liberação de agrotóxicos vetados pelo Ibama.

A Comissão de Agricultura aprovou proposta que libera a pulverização aérea de quatro substâncias proibidas pelo Ibama por suspeita de afastar abelhas. O relator do projeto diz que não há provas.

Os autores do projeto, Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) e Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), consideram,no entanto, que não há estudos no Brasil que comprovem o risco iminente à flora, à fauna ou a seres humanos com o uso desses agrotóxicos.

Veja o artigo completo no link abaixo:

Aprovada pulverização aérea de agrotóxicos vetados pelo Ibama

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Série Viúvas do Veneno3 - Da morte silenciosa aos gritos nas evidências e saudades de Vanderlei





Dando continuidade a série - Viúvas do Veneno, esse blog traz a reportagem principal publicado no terceiro dia.

Parabenizamos ao Jornal do Nordeste e seu repórter MELQUÍADES JÚNIOR, pela ousadia de fazer essa série e nos mostrar o que existe por de trás de cada número ... uma vida, uma família.

Para quem não viu a primeira reportagem Viúvas do Veneno, CLIQUE AQUI. e a segunda reportagem AQUI.

Limoeiro do Norte. Ressentir a dor talvez seja a comprovação de que ela nunca saiu dali. Como esquecer é ato vão, Gerlene Silva tenta superar a dor da perda de Vanderlei. Ela não acredita em superação, mas na possibilidade de conviver melhor com a dor da separação eterna. E a dor aumenta todas as vezes em que o filho, Davi, pergunta "cadê meu pai?".

Gerlene Silva tornou-se depressiva e evita falar com o filho sobre a morte do pai. 
Foto: Waleska Santiago

Desde que Vanderlei Matos foi para o céu de Davi, Gerlene é tensa, depressiva. Não quer viver de pesar. Luta contra o luto. E, nesta batalha, ganha o nervosismo. Perde 35 quilos, mas ganha amigos a apoiar neste momento de pesar que já dura três anos. Perde um pedaço de sua própria identidade: aquela história de que existe a outra metade é verdade para a viúva, estranha alcunha para quem só tem 23 anos de idade.

Vanderlei é seu primeiro e único amor. Cresceram juntos nas ruelas da Cidade Alta, bairro mais populoso de Limoeiro do Norte. Tiveram Davi e, depois, carteira assinada para garantir o sustento.

Produtos químicos

Vanderlei manipula fertilizantes e agrotóxicos. Separa os produtos de acordo com a especificação e quantidades indicadas na guia para repassá-los ao setor de mistura. Também é sua tarefa guardar o estoque restante do produto. É assim por três anos, sempre no período da noite, desde 2005. Mas com o tempo, algumas coisas vão mudando no trabalhador rural.

"Vanderlei, tá acontecendo alguma coisa?". Gerlene não pergunta para saber, ela já sabe, só quer a sinceridade. O esposo está com uma cor diferente, se ele concorda que é estranho, pode ser um sinal de que ele também está preocupado e, portanto, aceita ajuda. "Ele sempre foi uma pessoa calada, não comentava nada com ninguém": "não, eu tô bem, não tem cor esquisita não", afirma.

Sintomas

Depois, a situação vai piorando e não é possível negar nem para si mesmo: rachaduras nos dedos, sangramento pelo nariz e ressecamento dos lábios. As primeiras consultas são com o médico da empresa. Vanderlei sente tontura, fraqueza nas pernas. Nem parece o rapaz de porte atlético que quando chega do trabalho tranca-se no quarto a fazer exercícios aeróbicos e levantamento de peso. Está sempre em forma para jogar futebol, sua diversão predileta. Fora o trabalho, suas duas "saídas" são para o campo jogar e para os passeios com a família no fim de semana.

Testemunha

"Macho, vá pra casa". É o agricultor Anaildo Silva tentando fazer alguma coisa pelo amigo, vizinho e colega de trabalho. Hoje, é testemunha das atividades exercidas por Vanderlei, bem como das crises doentias que ele tem e não conta em casa e nem fora dela. "Eu pensei que ia melhorar, mas foi cada vez piorando", lembra Gerlene. E ninguém sabe o que é. Daí a razão do "não, meu filho, vá mais pra lá, vá" que ele diz toda vez que o menino se aproxima.

Só perde o medo de contaminar quando, após exames realizados no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), em Fortaleza, percebe-se a grave discrasia sanguínea, uma séria alteração venosa e, ainda mais, o comprometimento das funções do fígado, exigindo um transplante com urgência.

Com filho de pouco mais de 1 ano de idade, Gerlene não pode sair da cidade. Acompanha por telefone os 23 dias de internação hospitalar de Vanderlei. Dá entrada no dia 7 de novembro de 2008. O dia 30 do mesmo mês, especificamente à 1h40, é uma data para se esquecer. Melhor, superar, ou, ao menos, conviver com a realidade da dor, que, se não sair, ao menos doa menos.

Evidências

A morte de Vanderlei Matos causa medo em dezenas de homens do bairro Antônio Holanda, a Cidade Alta, em Limoeiro do Norte. O lugar até hoje fornece boa parte dos trabalhadores rurais para a região. Até então, os relatos comuns de enjoos e fraquezas não eram associados à exposição diária aos agrotóxicos, menos ainda que isso pudesse causar a morte. A família não tem dúvidas de que o veneno contaminou o homem.

"Eu só quero que não aconteça com outras pessoas o que aconteceu com meu marido. Eu queria que tudo isso se resolvesse em paz. E tão ruim, depois dele morrer ainda ver gente passando por esses problemas", afirma a jovem viúva.

A Universidade Federal do Ceará (UFC) realizava desde 2006 o "Estudo Epidemiológico da População da Região do Baixo Jaguaribe Exposta à Contaminação Ambiental em Área de Uso de Agrotóxicos". É neste contexto que conhecem o caso de Vanderlei.

Diante das especulações sobre a causa mortis, três médicos especialistas decidem investigar: Maria Terezinha, doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo (USP); Alberto Novaes, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e José Milton de Castro Lima, Gastro-Hepatologista e doutor em Gastroenterologia pela Escola Paulista de Medicina. O diagnóstico: morte por hepatopatia grave induzida por substâncias tóxicas.

Resultado parecido vem de investigação paralela de Ayla Maria Cavalcante Sales, perita médica do Ministério do Trabalho. O caso ainda aguarda resposta da Justiça do Trabalho.

Seu céu

A jovem viúva Gerlene não esperava que acontecesse, muito menos tão cedo, mas, como a mãe, sente a dor de ser viúva. Dona Maria do Socorro Silva dos Santos preenche, junto com seu filho, Davi, uma parte do vazio deixado por Vanderlei. Hoje, a família é formada pelas duas viúvas, Davi e o retrato de um homem que nunca sairá da parede da sala.

Ela nos conta que espera que o filho cresça um pouco mais para entender que, antes de ir para o céu, "seu pai trabalhava com o veneno. Aí, ele não se deu bem e morreu", de uma forma silenciosa e crônica, como ocorreu com outros trabalhadores abordados nesta série especial de Reportagens.


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