Seguidores

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Embrapa lança cultivar de uva de mesa resistente ao míldio




A viticultura, especialmente em regiões tropicais, é altamente dependente do uso de agrotóxicos.Em trabalho realizado por Costa (2010), sobre a caracterização dos produtores e do sistema de produção de uvas na regional de Jales – SP, verificou-se, que os números de pulverizações realizadas na cultura da videira pelos produtores pesquisados, chegam até 200 ao ano, ficando a maioria na faixa de 101 a 150 pulverizações.

Ao analisar, os dados apresentado no trabalho, uma propriedade que cultiva a variedade “BRS Morena” e a outra propriedade que cultiva a 'Benitaka', foram feitas 79 pulverizações e o consumo de agrotóxico por hectare/ano foi de 138 kg e 150 kg respectivamente.

Se consideramos , que a maiorias das propriedades, ficam na faixa de 101 a 150 pulverizações e tem uma parcela, em torno de 18% , ficam na faixa de 150 a 200 pulverizações, a concentração de agrotóxico por hectare pode chegar até 280 kg/hectare/ano ou mais.

Em torno de 70% das pulverizações, são realizadas, para o controle do Míldio (principal doença da videira) e a Embrapa Uva e Vinho, tem várias  ações de pesquisas em andamento, visando minimizar esse problema.

A boa notícia é o lançamento da Uva BRS ISIS, resistente ao míldio, conforme podemos ver na notícia abaixo.

Recentemente foi lançada também pela Embrapa, a variedade de uva BRS Vitória, com tolerância ao Míldio

Parabéns a Embrapa, por mais esse lançamento e contribuição para uma viticultura mais sustentável.

Segue a notícia, retirada  do site da EMBRAPA

A Embrapa lançou na terça-feira, 26, a cultivar BRS Isis, uva de mesa vermelha, sem sementes e resistente ao míldio, a mais danosa doença da videira em condições tropicais brasileiras. O lançamento acontece em evento com início às 18h30, no auditório da biblioteca do campus Petrolina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE). Na quarta-feira, 27, pela manhã, produtores, técnicos e demais interessados terão a oportunidade de verificar o comportamento da variedade em campo, na Fazenda Brasiluvas – Labrunier, Grupo JD, em Curaçá (BA).

A resistência da BRS Isis ao míldio pode significar uma redução no número de aplicações de fungicidas tradicionalmente adotado para uvas finas de mesa, ou seja, a cultivar se enquadra na perspectiva de promoção da agro sustentabilidade – conceito dentre os prioritários para o Programa de Melhoramento Genético de Uva da Embrapa, no qual a nova variedade foi desenvolvida. Segundo a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (Bonto Gonçalves, RS) Patricia Ritschel, uma das coordenadoras do Programa de Melhoramento, a resistência da BRS Isis foi registrada em diversos experimentos. Em avaliações de campo, realizadas em 2008, na Estação Experimental de Viticultura Tropical (EVT) da Embrapa Uva e Vinho, em Jales (SP), sob condições de temperatura e umidade favoráveis à ocorrência da doença, a nova cultivar recebeu nota como altamente resistente. O mesmo sucedeu-se em teste realizado em casas de vegetação, também em ambiente propício à disseminação de míldio, de maio a junho deste ano, durante 57 dias de avaliação.

Outro atributo da BRS Isis é o tamanho grande de baga (18,5 milímetros de diâmetro por 28,5 milímetros de comprimento), “acima do mínimo exigido pelo mercado internacional”, assinala Patricia. Ela destaca que esse tamanho é obtido naturalmente, dispensando o uso de giberelina, um hormônio de crescimento – ou seja, também aqui a nova variedade alinha-se à perspectiva de agro sustentabilidade.

A nova variedade também é extremamente produtiva, ressalta a pesquisadora. No Vale do São Francisco, no Nordeste do Brasil, a BRS Isis alcançou produtividade de 26 toneladas por hectare por safra, em quatro colheitas sucessivas. Isso se traduz em uma produção de 52 toneladas por hectare anuais, diante da possibilidade de se fazer, na região, duas safras da cultivar por ano. “E com um nível de doçura bastante bom – de 16º a 21º brix – e textura crocante”, acrescenta Patricia.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Deputados querem liberar “sementes suicidas”




Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil: Diga não aos exterminadores de sementes!

Contra o Projeto de Lei 268/2007 no Brasil



Na semana em que comemoramos o Dia Mundial da Alimentação, um fato extremamente grave ameaça a soberania e a segurança alimentar e nutricional em nosso país. Trata-se do Projeto de Lei (PL) n° 268/2007 de autoria do Deputado Eduardo Sciarra – PSD/PR.

Se aprovado, permitirá a produção e comercialização de sementes transgênicas suicidas, ou seja, sementes conhecidas como TERMINATOR, que após a colheita não voltam a germinar, obrigando os agricultores a comprar sementes a cada safra. Essas sementes ainda possuem alto risco de tornar também estéreis as que estejam sendo cultivadas em propriedades próximas.

O projeto está em trâmite na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) na Câmara. Ele já foi aprovado na Comissão de Agricultura, mas recebeu voto contrário da Comissão do Meio Ambiente.

É MUITO IMPORTANTE que toda a sociedade se manifeste junto aos Deputados que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre os gravíssimos riscos da perda de biodiveridade do país e da insegurança alimentar que esse projeto ameaça trazer, pedindo, portanto a sua REJEIÇÃO.



domingo, 24 de novembro de 2013

Contra elevação dos custos de transgênicos, mais transgênicos



A escalada dos custos de cultivo de soja transgênica provocada pela crescente resistência de ervas daninhas ao herbicida glifosato deverá ser combatida pela indústria global de sementes com mais transgênicos. Essa é uma das conclusões de um relatório do banco de origem holandesa Rabobank.

"A menor eficiência das tecnologias de transgênicos disponíveis é um grande risco para a indústria de sementes, mas também para a agricultura em geral. A proposta de solução para o problema da resistência é frequentemente baseada na adoção de novos transgênicos", aponta o relatório, assinado pelo analista Jefferson Carvalho.

Conforme o Rabobank, a combinação entre a elevação dos custos de aquisição das sementes transgênicas e a maior resistência de ervas daninhas ao glifosato e a outros herbicidas fez ressurgir o debate sobre a adoção de sementes convencionais.

Num estudo recente, relata o banco holandês, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostrou que os custos de produção da soja convencional e da transgênica em Mato Grosso, principal produtor da oleaginosa no país, são "similares". Não bastasse isso, a venda de soja convencional embute um prêmio, que atualmente é de cerca de R$ 6 por saca. Diante desse número, não é absurdo que o debate em torno do plantio convencional versus transgênico tenha voltado.

Apesar disso, o caminho não será uma volta ao cultivo não transgênico em massa . Muito pelo contrário. "Os produtores indicam menor disponibilidade de sementes convencionais na comparação com sementes transgênicas", diz o estudo. Além disso, os investimentos da indústria no desenvolvimento de variedades tradicionais são menores do que os aportes feitos para desenvolver o cultivo de sementes transgênicas.

É nesse contexto que empresas como Monsanto e Dow AgroSciences vêm desenvolvendo sementes transgênicas resistentes a outras moléculas que não apenas o herbicida glifosato. Entre essas novas sementes estão as resistentes aos herbicidas 2,4-D e dicamba.

Mas essa não é a única frente da indústria de sementes. "Os projetos para o próximos três a cinco anos são promissores", aponta o estudo do Rabobank. Entre esses projetos estão o desenvolvimento de sementes transgênicas resistentes à seca e a nematoides, além de variedades com melhor absorção de nitrogênio. Em outra frente, a indústria trabalha no desenvolvimento de sementes com propriedades nutricionais, os chamados alimentos nutracêuticos.

Fonte: UOL Economia


Homeopatia para controle de endoparasitas em caprinos e ovinos

Homeopatia na Ovinocultura
O controle natural de parasitas através da homeopatia é uma ferramenta importante para manejo sanitário de caprinos e ovinos. Os estudos sobre o uso da homeopatia nos animais, no Brasil, foram iniciados há cerca de 60 anos e os resultados têm sido muitos bons em grande parte dos Estados da Federação onde estão sendo usados. Na Bahia, a EBDA não só tem realizado estudos, como tem treinado produtores no uso deste instrumento de manejo sanitário das várias espécies animais, como bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e aves, entre outros, nos últimos 10 anos.

As verminoses de caprinos e ovinos são causadas por helmintos, compreendendo várias espécies, dentre essas, destaca-se o Haemonchus contortus que se aloja na mucosa do abomaso, sendo um parasita hematófago, causando uma forte anemia. A sua multiplicação é muito rápida e intensa e uma fêmea adulta pode ter uma postura de 5 a 10.000 ovos por dia. Os animais afetados podem ter uma perda de peso de 30 a 40%. Os principais sinais clínicos são falta de apetite, redução do consumo voluntário de forragem, diminuição da digestibilidade e forte anemia. Na fase crônica da doença, o sinal mais característico é o edema sub-mandibular (papeira), devido à forte perda de proteína e albumina.

O tratamento tradicional, feito à base de anti-helmínticos, está fadado ao insucesso devido ao declínio de atividade das bases químicas, na sua maioria desenvolvidas nas décadas de 60 e 80. Os que existem no mercado estão com resistência e, conseqüentemente pouca eficácia, desde quando os parasitas foram se adaptando geneticamente às mesmas.

A homeopatia não tem apenas efeitos curativos; ela é um excelente meio preventivo que possibilita melhor desempenho produtivo e reprodutivo dos animais.

Os resultados obtidos permitem afirmar que a homeopatia, como meio natural de tratamento, tem um papel importantíssimo a desempenhar na saúde animal, sendo eficaz no controle de verminoses em caprinos e ovinos, sem efeitos colaterais. Além disso, não contamina o meio ambiente, nem o ser humano, sendo portanto, uma tecnologia ecologicamente correta que permite a produção de carne e leite sem resíduos químicos, proporcionando ao produtor rural diminuição nos custos com medicamentos e não se observando, até ao momento o desenvolvimento de resistência dos parasitas.

O controle parasitário exige sempre medidas adicionais de manejo nutricional adequadas, boa higiene das instalações, e rotação de pastagens. A alternância de pastejo com outras espécies ajuda na limpeza dos pastos, reduzindo a contaminação dos caprinos e ovinos.


Arquivo para dowload




Veja também:


Leite de Vaca Cru para o Controle de Oídio



Uma solução de 5% de leite cru de vaca e 95% de água já pode ser utilizada para controlar o oídio – doença que ataca diversas culturas, causando a morte das plantas e prejuízos aos agricultores. Esse método foi desenvolvido na Embrapa Meio Ambiente e testado em pepino e abobrinha, com controle de praticamente 100% da doença. O oídio é causado por um fungo chamado Sphaerotheca fugilinea, que se parece com um pó branco nas folhas de variadas culturas. Os fungicidas químicos indicados para o combate ao oídio são caros, cerca de R$ 135 o litro, enquanto o leite cru custa R$ 0,35 o litro. Além disso, a solução é totalmente inócua ao meio ambiente, não causando nenhum impacto ambiental, o que não se pode dizer o mesmo dos fungicidas utilizados para o controle da doença.

A alternativa foi eficaz após testar várias dosagens. Para uma solução de 100 litros, por exemplo, são necessários 95 litros de água e 5 litros de leite. O novo método já vem sendo testado também em campo, pois muitos chacareiros que plantam hortaliças e legumes no chamado cinturão verde da Grande São Paulo estão usando a solução de leite cru para controlar o oídio.
O produto vem sendo testado em outras variedades de plantas cultivadas, já que o oídio ocorre também em culturas importantes, como feijão, soja e trigo.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente

Embrapa já tem alimentos transgênicos liberados

Repórter Brasil

Na última matéria do especial #TransgênicosNoBrasil, conheça o feijão geneticamente modificado da estatal Embrapa. Para a empresa, a planta pode garantir segurança alimentar, mas agricultores familiares alertam que sementes crioulas podem ser prejudicadas

Desenvolver tecnologia nacional para a produção de plantas transgênicas, de modo a reduzir a dependência que os produtores brasileiros têm hoje das empresas transnacionais que controlam sementes e patentes, e buscar a inovação tecnológica em transgenia que não esteja voltada exclusivamente para o aumento da produtividade e a geração de lucros, criando plantas e alimentos modificados voltados ao bem-estar da população. Esse é o objetivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), segundo o próprio órgão.

Subordinada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Embrapa desenvolve atualmente pesquisas e projetos sobre transgênicos de produtos como algodão, soja, milho, cana-de-açúcar, tomate, mamão e hortaliças, além de estudar novas tecnologias que podem dentro de alguns anos surtir um impacto positivo na redução dos riscos relativos ao consumo de alimentos geneticamente modificados.

Foto: Na última matéria do especial #TransgênicosNoBrasil, conheça o feijão geneticamente modificado da estatal Embrapa. Para a empresa, a planta pode garantir segurança alimentar, mas agricultores familiares alertam que sementes crioulas podem ser prejudicadas

http://reporterbrasil.org.br/2013/11/embrapa-ja-tem-alimentos-transgenicos-liberados/
Mas tais pesquisas sofrem críticas de pequenos agricultores brasileiros, especialmente os articulados em torno da Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA), rede que atua na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida do Nordeste brasileiro. Para eles, os estudos podem comprometer seriamente a variedade genética das sementes crioulas desenvolvidas pela agricultura familiar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Empresas ainda lutam para evitar a rotulagem de transgênicos no Brasil

Especial #TransgênicosNoBrasil: Produtos contendo organismos geneticamente modificados são vendidos em todo o país sem qualquer identificação ou controle suficiente por parte dos órgãos de fiscalização. Confira na sétima reportagem da série.

É apenas uma letra “T” pintada em preto sobre um pequeno triangulo amarelo fixado nas embalagens, mas as empresas que comercializam produtos que contêm ingredientes transgênicos fogem desse símbolo como o diabo foge da cruz. Regulamentada em março de 2004, nove meses após a autorização do primeiro plantio comercial de soja transgênica no Brasil, a rotulagem ainda é uma meia-realidade no país.

Se, por um lado, produtos com maior visibilidade, como os óleos de soja ou os biscoitos à base de milho processado das marcas líderes, já são rotulados há algum tempo, outros produtos contendo transgênicos circulam pelo território nacional sem que haja qualquer identificação ou controle suficiente por parte dos órgãos de fiscalização. Ao mesmo tempo, as empresas se valem de parlamentares ligados ao agronegócio para tentar aprovar no Congresso Nacional leis com o intuito de reverter a obrigatoriedade de rotulagem ou, ao menos, suavizá-la.

A primeira menção à rotulagem de produtos transgênicos no Brasil foi feita no Decreto Presidencial 4.680, que se seguiu à Medida Provisória 113, editada em abril de 2003 pelo governo federal para regularizar a situação dos agricultores gaúchos que haviam plantado ilegalmente naquela safra a soja RR, desenvolvida pela transnacional Monsanto. Ao editar a MP, o governo exigiu que todos os produtos obtidos a partir da soja modificada fossem identificados como tais, desde que detectada uma presença de componentes transgênicos superior a 1% do volume total do alimento vendido, seja para consumo humano ou animal. Três dias após a publicação da MP, no entanto, o próprio Ministério da Agricultura admitiu que o governo ainda não tinha meios para fiscalizar a rotulagem. Esta só viria a ser regulamentada em março de 2004 pelo Ministério da Justiça, que publicou portaria criando o célebre símbolo triangular com a letra “T” em seu interior.

As primeiras fiscalizações, efetuadas pela Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça, só vieram a ocorrer de fato em outubro de 2004, por meio de testes realizados em amostras de 294 produtos recolhidos em vários estados. Sintomaticamente, no entanto, jamais foram flagrados pelos fiscais casos de produtos contendo transgênicos. À evidente falta de capacidade de fiscalização do governo, aliava-se a pouca vontade das grandes empresas dos setor de alimentos em aderir à rotulagem: “A indústria não quer unir sua marca a um alerta, como se seu produto fosse uma coisa perigosa. O tal símbolo incomoda: não é informação, é um alerta. Incomoda também a tolerância de apenas 1%. Gostaríamos que fosse 4%”, disse, à época, o diretor jurídico da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Paulo Nicolellis.

A resistência das empresas do setor alimentício foi além da retórica, e a maioria simplesmente ignorou a determinação. Isso começou a mudar em 2005, depois que as organizações Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e Greenpeace denunciaram que as transnacionais Bunge (Holanda) e Cargill (EUA) utilizavam transgênicos na produção de suas marcas de óleo de soja Soya e Liza, líderes no mercado brasileiro, sem que estas fossem rotuladas. As denúncias, comprovadas pelas investigações do Ministério Público Federal, fez que a Justiça Federal obrigasse as duas empresas a rotular seus produtos com o símbolo dos transgênicos, o que começou a ser feito em 2008.
Óleo de soja da Cargill, uma das empresas obrigadas a rotular o produto com o símbolo dos transgênicos (Foto: Stefano Wrobleski)
Óleo de soja da Cargill, uma das empresas obrigadas a rotular o produto com o símbolo dos transgênicos (Foto: Stefano Wrobleski)

Desde 2007, no entanto, parlamentares ligados ao agronegócio, à indústria da alimentação ou ao setor de transgenia começaram a apresentar projetos de lei com o objetivo de criar uma nova legislação para a rotulagem. Naquele ano, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), então no DEM, tentou aprovar, sem sucesso, um Projeto de Decreto Legislativo para acabar com a obrigação do uso do símbolo triangular amarelo com a letra “T”, tão temido pelos ruralistas.

Obrigatoriedade

A principal iniciativa para flexibilizar a medida foi apresentada em 2008 pelo deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS) e incluída desde 2011 na pauta do plenário da Câmara dos Deputados, onde aguarda votação. O PL 4.148 tem como principais objetivos: a) deixar de exigir a obrigatoriedade da informação sobre a presença de transgênicos no rótulo do produto desde que não seja possível sua detecção pelos métodos laboratoriais (regra que excluiria da rotulagem alimentos como papinhas de bebês, óleos, bolachas e margarinas); b) desobrigar a rotulagem dos alimentos com origem em animais alimentados com ração transgênica; c) excluir o símbolo com o triângulo amarelo e a letra “T’ que hoje permite a identificação do produto transgênico; d) tornar facultativa a informação no rótulo quanto à espécie doadora do gene transgênico.
Em carta de repúdio enviada ao Congresso Nacional, diversas organizações do movimento socioambientalista brasileiro afirmam que o PL 4.148/08, ao mesmo tempo, fere o Código de Defesa do Consumidor, revoga o Decreto de Rotulagem (4.680/03), contraria a Lei de Biossegurança aprovada em 2005 e descumpre os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil como signatário do Protocolo de Cartagena da ONU. No documento, os ambientalistas afirmam que a tentativa de alterar a lei “prejudica o controle adequado dos transgênicos, já que a rotulagem é medida de saúde pública relevante para permitir o monitoramento pós-introdução no mercado e pesquisas sobre os impactos na saúde” e “viola o direito dos agricultores e das empresas alimentícias que optam por produzir alimentos isentos de ingredientes transgênicos”.

Além disso, a carta assinada por organizações como Idec, Greenpeace, Articulação Nacional de Agroecologia, Campanha Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos, Terra de Direitos e Via Campesina, entre outras, afirma que um relaxamento definitivo na rotulagem dos transgênicos no país “pode impactar fortemente as exportações, na medida em que a rejeição às espécies transgênicas em vários países que importam alimentos do Brasil é grande”.

A pressão surtiu efeito, e o PL 4.148/08 adormeceu por algum tempo nas gavetas da Mesa Diretora da Câmara até que a discussão em torno dele foi retomada em dezembro de 2012, em regime de urgência: “Fizemos nova campanha para barrar esse PL, com um bom corpo de assinaturas. Enviamos e-mails diretamente para presidentes de partidos, líderes de bancada, frentes parlamentares e integrantes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional [Consea]. A pressão deu certo, ele foi passado para 2013 e ainda não retomado, embora ainda esteja em regime de urgência. A qualquer momento, pode ser votado”, diz João Paulo Amaral, pesquisador do Idec, ressaltando que a rotulagem de transgênicos está prevista no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos.

O limite de 1%

Em agosto de 2012, provocado por Ação Civil Pública movida pelo Idec, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região concedeu decisão favorável à rotulagem de produtos alimentícios que contivessem qualquer porcentagem de transgênicos, mesmo abaixo de 1%. A decisão confirmou ação movida em 2007 e negou recursos interpostos pela União e pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia): “O Idec entrou com ação considerando que essa definição de 1% não estaria garantindo a informação clara ao consumidor, que poderia estar ingerindo algo com transgênicos, embora fosse menos de 1%, e não saberia disso. A decisão do TRF quebrou com essa regra do 1%. Então, ficou valendo a rotulagem para qualquer porcentagem de transgenia”, diz Amaral.
A vitória dos movimentos de defesa dos consumidores, no entanto, não durou muito: “No final de dezembro de 2012, logo após o Natal e bem no meio dessa campanha que estamos fazendo, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão tomada pelo TRF em agosto. Então, caiu a decisão e voltou a valer o 1%, conforme o decreto presidencial de 2003”, relata o pesquisador do Idec.

Curiosamente, a indicação da presença de qualquer percentual de transgênicos nas embalagens dos produtos está prevista em outro Projeto de Lei que, no entanto, merece igualmente o repúdio das organizações do movimento socioambientalista. De autoria do deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), o PL 5.575, apresentado em 2009 e que aguarda a sua apreciação por uma comissão especial da Câmara, é repudiado pelos ambientalistas porque prevê também, atendendo a um anseio das empresas, o fim da existência de qualquer rótulo ou símbolo indicativo de transgênicos nas embalagens. Isso sem falar que o PL 5.575/09 traz outro item sobre a liberação do cultivo de plantas geneticamente modificadas com estruturas reprodutivas estéreis, conhecidas como sementes suicidas ou terminator.

“Manter o triângulo amarelo com o ‘T’ de transgênico é fundamental para que o consumidor tenha o direito à informação clara, como determina o artigo VI, nos incisos 2º e 3º, do Código de Defesa do Consumidor”, diz Amaral. O Idec faz outro alerta aos consumidores: “Aguardamos até hoje a realização de Estudos de Impacto Ambiental para garantir se o consumo de transgênicos é seguro, pois, teoricamente, os produtos com ingredientes transgênicos não deveriam estar no mercado se não há clareza se são seguros ou não para serem consumidos e também produzidos. Nossa preocupação é que, além da questão da rotulagem, é preciso garantir alternativas ao consumidor. Até porque senão daqui a pouco todos os produtos terão o ‘T’ e aí não teremos mais escolha. Se quisermos falar em consumo sustentável e em alimentação saudável, temos de falar em alternativas que sejam acessíveis ao consumidor”, diz.

Fiscalização

Delegada no Brasil à responsabilidade de uma série de órgãos como a Secretaria Nacional do Consumidor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério da Saúde, os Procons e as vigilâncias sanitárias estaduais, a fiscalização da rotulagem de produtos transgênicos, ainda assim, continua sofrível no país, segundo o Idec: “Fizemos uma pesquisa no período de festas juninas para avaliar os produtos à base de milho transgênico que teriam essa informação. Descobrimos que há uma série de marcas que não está com a rotulagem de transgênicas adequada. A maior parte delas não tinha a presença do símbolo com o ‘T’ nem trazia a informação ‘contém transgênicos’ escrita por extenso abaixo do símbolo. Quase nunca estava presente também a informação sobre qual era exatamente a espécie doadora do gene adicionado àquele milho e que estava causando a transgenia daquele alimento”, diz Amaral.

O pesquisador do Idec diz que ainda falta muito para que a rotulagem de produtos que contêm ingredientes transgênicos possa ser considerada satisfatória no Brasil: “Não basta ter o símbolo com o ‘T’ na embalagem, pois é apenas uma forma de fazer o consumidor identificar com facilidade se há transgênicos e reconhecer aquele produto rapidamente. O resultado da pesquisa nas festas juninas dispara o alarme de que falta fiscalizar e cobrar para que esses produtos tenham realmente a rotulagem garantida”.

Outro tipo muito importante de fiscalização – a feita pelo próprio consumidor – também deixa a desejar no Brasil, apesar de existirem inúmeras pesquisas de opinião indicando que as pessoas querem saber se o alimento consumido contém ou não ingredientes transgênicos: “O Idec fez uma enquete para saber se a pessoa já encontrou na embalagem de alimentos à base de milho alguma indicação sobre a presença de ingredientes transgênicos. O que se evidenciou é que poucas pessoas veem o ‘T’ na embalagem e também as informações escritas sobre os ingredientes, já que 56% dos entrevistados não viu essa indicação. Mas, o mais interessante é que 40% desses respondentes falam que, sim, já viram o triângulo amarelo com o ‘T’ indicando que aquele produto contém transgênicos. Isso é rapidamente assimilado, mas só 5% leram as informações complementares”, diz Amaral.

Publicado originalmente: Repórter Brasil