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sábado, 30 de novembro de 2013

Proibidos, falsificados e perigosos


Fonte: Zero Hora
Caio Cigana

caio.cigana@zerohora.com.br 

Reportagem  ganhadora do prêmio  Embratel/Claro 2014 



venda descontrolada de agrotóxicos ganhou na internet um novo canal para driblar a lei, dificultando a fiscalização e ampliando o risco à saúde de consumidores e agricultores. A novidade agrava um cenário em que uso exagerado dos químicos na lavoura - o consumo cresceu muito acima da área plantada -, contaminação da água e dificuldade de identificar eventuais excessos de veneno nos alimentos que chegam à mesa se combinam para elevar o perigo escondido nos alimentos.


Uso de agrotóxicos no Rio Grande do Sul chega a quase o dobro da média nacional

Desde 2008, o Brasil é o pais que mais usa agrotóxico no planeta, chegando em 2009, a marca de mais um bilhão de litros de agrotóxicos aplicados, dando o equivalente a uma consumo médio de 5,2 Kg de agrotóxico por habitantes (LONDRES, 2011), mas se olharmos mais especificamente para o Mato Grosso, o estado consome 150 milhões de litros de agrotóxicos por ano, dando o equivalente a 50 litros por habitante (Osava, 2011) e se aproximarmos ainda mais os dados, a cidade de Lucas de Rio Verde – MT, a exposição média anual de agrotóxicos por morador, chega a 136 litros por habitante - conforme notícia veiculado no portal VIOMUNDO (Azenha 2001).


A notícia abaixo faz parte de um especial sobre o tema, publicado com o título - Proibidos, falsificados e perigosos, pelo Jornal Zero Hora.


Aplicação na lavoura equivale a 8,3 litros de veneno por ano para cada gaúcho

O excesso e o descontrole no uso de agrotóxicos geram consequências que ultrapassam os limites do campo e ameaçam a qualidade da água, inclusive a distribuída à população urbana. Com um estudo que mapeou o uso de defensivos por bacia hidrográfica do Rio Grande do Sul, o Estado terá a partir do próximo ano uma portaria própria que ampliará a lista de princípios ativos de defensivos analisados pelas companhias de abastecimento.
Uso de agrotóxicos no Rio Grande do Sul chega a quase o dobro da média nacional Ricardo Duarte/Agencia RBS
Na safra 2009/2010 foram usados 85 milhões de litros de agrotóxicos no EstadoFoto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
Coordenado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde, o trabalho fez projeções com base em informações coletadas sobre a safra 2009/2010 e indicou o uso de 85 milhões de litros de agrotóxicos no Estado, o equivalente a 34 piscinas olímpicas cheias de veneno agrícola. É como se cada gaúcho, à época, utilizasse 8,3 litros de veneno a cada ano, no período analisado. O volume per capito gaúcho é bem superior ao nacional. Um estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) mostra que, em 2011, a média do país foi de 4,5 litros por habitante.

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Premiado na Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoapi), organizada pelo Ministério da Saúde, o estudo identificou as regiões que mais aplicam defensivos. Sem surpresa, o mapa aponta o noroeste do Estado, principal região produtora de grãos, com os maiores volumes por quilômetro quadrado. O quadro mais grave ocorre na Bacia Hidrográfica do Alto Jacuí, com relação entre volume e área de 919 litros por quilômetro quadrado e consumo equivalente a 33,2 litros por habitante na safra 2009/2010.

Até 33,2 litros por habitante

Como o trabalho, também será montado um ranking dos agrotóxicos considerados mais críticos para cada região, e haverá a possibilidade de complementar a lista de produtos analisados pelas companhias de abastecimento no momento de avaliar a água tratada distribuída à população em cada uma das bacias do Estado. Dos 10 agrotóxicos considerados mais críticos para o Rio Grande do Sul, por exemplo, apenas três fazem parte da relação de produtos verificados hoje pelas empresas, conforme a Portaria 2.914/11, do Ministério da Saúde. A norma ministerial, hoje, relaciona apenas 27 químicos aplicados na agricultura.

– Em março do próximo ano, teremos uma portaria estadual que vai incluir os parâmetros (princípios ativos) mais críticos para cada uma das bacias hidrográficas do Estado e que passarão a também serem analisados pelas companhias de água – explica o chefe da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde do Estado, Salzano Barreto.

Publicado em 2011 com informações coletadas no ano anterior, o Atlas do Saneamento do IBGE também dá pistas quanto à contaminação pela aplicação desenfreada de veneno agrícola, poluindo mananciais utilizados para captar água destinada à população. No Rio Grande do Sul, 37 municípios relataram a presença de agrotóxicos nos pontos de captação – mesmo que depois, tratado, o líquido ganhasse potabilidade.

Lançado documentário: PONTAL DO BURITI - brincando na chuva de veneno



A chuva de agrotóxicos em uma escola de Goiás virou documentário, que já pode ser visto na internet.

O filme/Documentário se chama PONTAL DO BURITI - brincando na chuva de veneno, e foi dirigido por Dagmar Talga.

Em 3 de maio de 2013, a partir das 9 horas da manhã, uma aeronave da empresa Aerotex Aviação Agrícola Ltda., sobrevoou a Escola Municipal Rural São José do Pontal, localizada na área rural do município de Rio Verde/GO, "pulverizando", com o veneno Engeo Pleno da Syngenta, aproximadamente 100 pessoas, entre elas crianças, adolescentes e adultos, que estava na área externa do prédio em horário de recreio.

Algumas crianças e adolescentes, "encantados" com a proximidade que passava o avião, receberam elevadas "doses" de agrotóxico. Este não é um caso isolado. Esta é a realidade do agronegócio no Brasil.

Fonte:
http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/noticias/campanha/359-lancado-documentario-pontal-do-buriti-brincando-na-chuva-de-veneno

Governo quer desmanchar legislação de agrotóxicos



Notícia divulgada pelo jornal Valor Econômico em 21/11 diz que, “Sob forte pressão do setor produtivo, o governo decidiu que vai rever o rito de aprovação de defensivos [agrotóxicos] no país” (grifo nosso). Segundo o jornal, a Casa Civil está preparando uma medida provisória, a ser publicada até o final deste ano, prevendo a criação de uma comissão técnica que passaria a ser responsável pela análise e pelo registro de novos agrotóxicos.

Segundo o Valor, duas propostas foram apresentadas ao governo reivindicando a medida: uma encaminhada pelas empresas do setor, que sugere a criação da CTNAgro, subordinada à Casa Civil e com 13 membros, e outra encaminhada pela bancada ruralista no Congresso Nacional, que sugere a criação da CTNFito, composta por 16 membros, e que teria até 90 dias da data da entrega do processo pelas empresas para se posicionar em relação à aprovação ou não do registro.

Atualmente, o processo de registro de um novo agrotóxico no Brasil envolve, além do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Cada órgão faz sua análise sob o enfoque da sua área de competência: o MAPA avalia a eficácia agronômica do produto, a Anvisa avalia os riscos para a saúde da população e o Ibama avalia os riscos para o meio ambiente. Quando nenhum dos três órgãos encontra evidências de que o produto seja ineficaz ou apresente riscos para a saúde ou o meio ambiente, ou quando não existe no mercado nenhum produto similar que seja menos tóxico, ele é encaminhado para o registro.

Conforme a proposta, a nova comissão decidiria sozinha pela autorização ou não do registro, suprimindo as competências dos órgãos de saúde e meio ambiente.

A comissão que se pretende criar é inspirada na CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, instituída pela Lei 11.105/2005, e que confiscou as atribuições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de avaliação de riscos e de decisão sobre o registro de produtos transgênicos no país.

Na CTNBio, que tem 27 membros e cuja composição é viciada com maioria de técnicos ligados à área do desenvolvimento de transgênicos e não da biossegurança, as decisões são tomadas por voto, e por maioria simples. Como resultado, riscos à saúde e ao meio ambiente têm sido desconsiderados, na situação de “voto vencido”.

O resultado da criação desse tipo de instância de decisão é que até hoje NENHUM pedido de liberação comercial de produto transgênico foi rejeitado, apesar da existência – e da apresentação na Comissão – de sérias evidências de riscos. A despeito dos protestos de uma minoria de membros comprometidos com a segurança da população, algumas análises para avaliação de efeitos à saúde e ao meio ambiente sequer têm sido exigidas, em descumprimento às próprias normas internas da CTNBio. Mais ainda, as já insuficientes normas de avaliação têm sido flexibilizadas – o exemplo mais recente são as mudanças no monitoramento pós-liberação comercial.

É preciso lembrar que o expressivo aumento das lavouras transgênicas no Brasil ao longo dos últimos dez anos, em sua maioria desenvolvidas para tolerar a aplicação de herbicidas, foi um dos grandes responsáveis por levar o Brasil a ocupar, desde 2008, a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxicos (pois, ao contrário do que diz a propaganda, as lavouras transgênicas tendem a consumir mais – e não menos – agrotóxicos que as lavouras convencionais).
Atualmente, além e ser o campeão mundial no uso de venenos, o Brasil importa e permite a aplicação de produtos proibidos em outros países. Nossas estruturas de fiscalização não são eficientes e tanto consumidores como, especialmente, trabalhadores rurais são expostos a produtos ligados ao desenvolvimento de câncer, teratogênese, desregulação endócrina, entre muitos outros males.


Agricultura orgânica e produção integrada: diferenças e semelhanças



A produção integrada, deveria ser uma obrigação a ser seguida, para minimizar os impactos da agricultura convencional e a agricultura orgânica, necessita-se cada vez mais de incentivo e investimento, tanto em extensão e pesquisa para deixar de ser marginalizada e ter real condições para contribuir, para uma agricultura, verdadeiramente sustentável.

Link para download direto: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/628874

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Embrapa lança cultivar de uva de mesa resistente ao míldio




A viticultura, especialmente em regiões tropicais, é altamente dependente do uso de agrotóxicos.Em trabalho realizado por Costa (2010), sobre a caracterização dos produtores e do sistema de produção de uvas na regional de Jales – SP, verificou-se, que os números de pulverizações realizadas na cultura da videira pelos produtores pesquisados, chegam até 200 ao ano, ficando a maioria na faixa de 101 a 150 pulverizações.

Ao analisar, os dados apresentado no trabalho, uma propriedade que cultiva a variedade “BRS Morena” e a outra propriedade que cultiva a 'Benitaka', foram feitas 79 pulverizações e o consumo de agrotóxico por hectare/ano foi de 138 kg e 150 kg respectivamente.

Se consideramos , que a maiorias das propriedades, ficam na faixa de 101 a 150 pulverizações e tem uma parcela, em torno de 18% , ficam na faixa de 150 a 200 pulverizações, a concentração de agrotóxico por hectare pode chegar até 280 kg/hectare/ano ou mais.

Em torno de 70% das pulverizações, são realizadas, para o controle do Míldio (principal doença da videira) e a Embrapa Uva e Vinho, tem várias  ações de pesquisas em andamento, visando minimizar esse problema.

A boa notícia é o lançamento da Uva BRS ISIS, resistente ao míldio, conforme podemos ver na notícia abaixo.

Recentemente foi lançada também pela Embrapa, a variedade de uva BRS Vitória, com tolerância ao Míldio

Parabéns a Embrapa, por mais esse lançamento e contribuição para uma viticultura mais sustentável.

Segue a notícia, retirada  do site da EMBRAPA

A Embrapa lançou na terça-feira, 26, a cultivar BRS Isis, uva de mesa vermelha, sem sementes e resistente ao míldio, a mais danosa doença da videira em condições tropicais brasileiras. O lançamento acontece em evento com início às 18h30, no auditório da biblioteca do campus Petrolina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE). Na quarta-feira, 27, pela manhã, produtores, técnicos e demais interessados terão a oportunidade de verificar o comportamento da variedade em campo, na Fazenda Brasiluvas – Labrunier, Grupo JD, em Curaçá (BA).

A resistência da BRS Isis ao míldio pode significar uma redução no número de aplicações de fungicidas tradicionalmente adotado para uvas finas de mesa, ou seja, a cultivar se enquadra na perspectiva de promoção da agro sustentabilidade – conceito dentre os prioritários para o Programa de Melhoramento Genético de Uva da Embrapa, no qual a nova variedade foi desenvolvida. Segundo a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (Bonto Gonçalves, RS) Patricia Ritschel, uma das coordenadoras do Programa de Melhoramento, a resistência da BRS Isis foi registrada em diversos experimentos. Em avaliações de campo, realizadas em 2008, na Estação Experimental de Viticultura Tropical (EVT) da Embrapa Uva e Vinho, em Jales (SP), sob condições de temperatura e umidade favoráveis à ocorrência da doença, a nova cultivar recebeu nota como altamente resistente. O mesmo sucedeu-se em teste realizado em casas de vegetação, também em ambiente propício à disseminação de míldio, de maio a junho deste ano, durante 57 dias de avaliação.

Outro atributo da BRS Isis é o tamanho grande de baga (18,5 milímetros de diâmetro por 28,5 milímetros de comprimento), “acima do mínimo exigido pelo mercado internacional”, assinala Patricia. Ela destaca que esse tamanho é obtido naturalmente, dispensando o uso de giberelina, um hormônio de crescimento – ou seja, também aqui a nova variedade alinha-se à perspectiva de agro sustentabilidade.

A nova variedade também é extremamente produtiva, ressalta a pesquisadora. No Vale do São Francisco, no Nordeste do Brasil, a BRS Isis alcançou produtividade de 26 toneladas por hectare por safra, em quatro colheitas sucessivas. Isso se traduz em uma produção de 52 toneladas por hectare anuais, diante da possibilidade de se fazer, na região, duas safras da cultivar por ano. “E com um nível de doçura bastante bom – de 16º a 21º brix – e textura crocante”, acrescenta Patricia.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Deputados querem liberar “sementes suicidas”




Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil: Diga não aos exterminadores de sementes!

Contra o Projeto de Lei 268/2007 no Brasil



Na semana em que comemoramos o Dia Mundial da Alimentação, um fato extremamente grave ameaça a soberania e a segurança alimentar e nutricional em nosso país. Trata-se do Projeto de Lei (PL) n° 268/2007 de autoria do Deputado Eduardo Sciarra – PSD/PR.

Se aprovado, permitirá a produção e comercialização de sementes transgênicas suicidas, ou seja, sementes conhecidas como TERMINATOR, que após a colheita não voltam a germinar, obrigando os agricultores a comprar sementes a cada safra. Essas sementes ainda possuem alto risco de tornar também estéreis as que estejam sendo cultivadas em propriedades próximas.

O projeto está em trâmite na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) na Câmara. Ele já foi aprovado na Comissão de Agricultura, mas recebeu voto contrário da Comissão do Meio Ambiente.

É MUITO IMPORTANTE que toda a sociedade se manifeste junto aos Deputados que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre os gravíssimos riscos da perda de biodiveridade do país e da insegurança alimentar que esse projeto ameaça trazer, pedindo, portanto a sua REJEIÇÃO.



domingo, 24 de novembro de 2013

Contra elevação dos custos de transgênicos, mais transgênicos



A escalada dos custos de cultivo de soja transgênica provocada pela crescente resistência de ervas daninhas ao herbicida glifosato deverá ser combatida pela indústria global de sementes com mais transgênicos. Essa é uma das conclusões de um relatório do banco de origem holandesa Rabobank.

"A menor eficiência das tecnologias de transgênicos disponíveis é um grande risco para a indústria de sementes, mas também para a agricultura em geral. A proposta de solução para o problema da resistência é frequentemente baseada na adoção de novos transgênicos", aponta o relatório, assinado pelo analista Jefferson Carvalho.

Conforme o Rabobank, a combinação entre a elevação dos custos de aquisição das sementes transgênicas e a maior resistência de ervas daninhas ao glifosato e a outros herbicidas fez ressurgir o debate sobre a adoção de sementes convencionais.

Num estudo recente, relata o banco holandês, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostrou que os custos de produção da soja convencional e da transgênica em Mato Grosso, principal produtor da oleaginosa no país, são "similares". Não bastasse isso, a venda de soja convencional embute um prêmio, que atualmente é de cerca de R$ 6 por saca. Diante desse número, não é absurdo que o debate em torno do plantio convencional versus transgênico tenha voltado.

Apesar disso, o caminho não será uma volta ao cultivo não transgênico em massa . Muito pelo contrário. "Os produtores indicam menor disponibilidade de sementes convencionais na comparação com sementes transgênicas", diz o estudo. Além disso, os investimentos da indústria no desenvolvimento de variedades tradicionais são menores do que os aportes feitos para desenvolver o cultivo de sementes transgênicas.

É nesse contexto que empresas como Monsanto e Dow AgroSciences vêm desenvolvendo sementes transgênicas resistentes a outras moléculas que não apenas o herbicida glifosato. Entre essas novas sementes estão as resistentes aos herbicidas 2,4-D e dicamba.

Mas essa não é a única frente da indústria de sementes. "Os projetos para o próximos três a cinco anos são promissores", aponta o estudo do Rabobank. Entre esses projetos estão o desenvolvimento de sementes transgênicas resistentes à seca e a nematoides, além de variedades com melhor absorção de nitrogênio. Em outra frente, a indústria trabalha no desenvolvimento de sementes com propriedades nutricionais, os chamados alimentos nutracêuticos.

Fonte: UOL Economia