A viticultura, especialmente em regiões tropicais, é altamente dependente do uso de agrotóxicos.Em trabalho realizado por Costa (2010), sobre a caracterização dos produtores e do sistema de produção de uvas na regional de Jales – SP, verificou-se, que os números de pulverizações realizadas na cultura da videira pelos produtores pesquisados, chegam até 200 ao ano, ficando a maioria na faixa de 101 a 150 pulverizações.
Ao analisar, os dados apresentado no trabalho, uma propriedade que cultiva a variedade “BRS Morena” e a outra propriedade que cultiva a 'Benitaka', foram feitas 79 pulverizações e o consumo de agrotóxico por hectare/ano foi de 138 kg e 150 kg respectivamente.
Se consideramos , que a maiorias das propriedades, ficam na faixa de 101 a 150 pulverizações e tem uma parcela, em torno de 18% , ficam na faixa de 150 a 200 pulverizações, a concentração de agrotóxico por hectare pode chegar até 280 kg/hectare/ano ou mais.
Em torno de 70% das pulverizações, são realizadas, para o controle do Míldio (principal doença da videira) e a Embrapa Uva e Vinho, tem várias ações de pesquisas em andamento, visando minimizar esse problema.
A boa notícia é o lançamento da Uva BRS ISIS, resistente ao míldio, conforme podemos ver na notícia abaixo.
Parabéns a Embrapa, por mais esse lançamento e contribuição para uma viticultura mais sustentável.
Segue a notícia, retirada do site da
EMBRAPA
A Embrapa lançou na terça-feira, 26, a cultivar BRS Isis, uva de mesa vermelha, sem sementes e resistente ao míldio, a mais danosa doença da videira em condições tropicais brasileiras. O lançamento acontece em evento com início às 18h30, no auditório da biblioteca do campus Petrolina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE). Na quarta-feira, 27, pela manhã, produtores, técnicos e demais interessados terão a oportunidade de verificar o comportamento da variedade em campo, na Fazenda Brasiluvas – Labrunier, Grupo JD, em Curaçá (BA).
A resistência da BRS Isis ao míldio pode significar uma redução no número de aplicações de fungicidas tradicionalmente adotado para uvas finas de mesa, ou seja, a cultivar se enquadra na perspectiva de promoção da agro sustentabilidade – conceito dentre os prioritários para o Programa de Melhoramento Genético de Uva da Embrapa, no qual a nova variedade foi desenvolvida. Segundo a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (Bonto Gonçalves, RS) Patricia Ritschel, uma das coordenadoras do Programa de Melhoramento, a resistência da BRS Isis foi registrada em diversos experimentos. Em avaliações de campo, realizadas em 2008, na Estação Experimental de Viticultura Tropical (EVT) da Embrapa Uva e Vinho, em Jales (SP), sob condições de temperatura e umidade favoráveis à ocorrência da doença, a nova cultivar recebeu nota como altamente resistente. O mesmo sucedeu-se em teste realizado em casas de vegetação, também em ambiente propício à disseminação de míldio, de maio a junho deste ano, durante 57 dias de avaliação.
Outro atributo da BRS Isis é o tamanho grande de baga (18,5 milímetros de diâmetro por 28,5 milímetros de comprimento), “acima do mínimo exigido pelo mercado internacional”, assinala Patricia. Ela destaca que esse tamanho é obtido naturalmente, dispensando o uso de giberelina, um hormônio de crescimento – ou seja, também aqui a nova variedade alinha-se à perspectiva de agro sustentabilidade.
A nova variedade também é extremamente produtiva, ressalta a pesquisadora. No Vale do São Francisco, no Nordeste do Brasil, a BRS Isis alcançou produtividade de 26 toneladas por hectare por safra, em quatro colheitas sucessivas. Isso se traduz em uma produção de 52 toneladas por hectare anuais, diante da possibilidade de se fazer, na região, duas safras da cultivar por ano. “E com um nível de doçura bastante bom – de 16º a 21º brix – e textura crocante”, acrescenta Patricia.