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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Revista retira artigo que mostrou impactos de milho da Monsanto, mas estudo continua cientificamente válido


Em setembro de 2012 a revista científica Food and Chemical Toxicology publicou o artigo “Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize”, do pesquisador francês Gilles-Eric Séralini e sua equipe, relatando dados de experimentos de laboratório conduzidos ao longo de dois anos para testar os efeitos de longo prazo do milho transgênico da Monsanto NK 603 e do glifosato, o herbicida utilizado em associação com o milho modificado.

Para relembrar clique AQUI

O estudo, que foi realizado com 200 ratos de laboratório, revelou uma mortalidade mais alta e mais frequente associada tanto ao consumo do milho transgênico, como do glifosato, com efeitos hormonais não lineares e relacionados ao sexo. As fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais.

A revista em que o artigo foi publicado é, internacionalmente, das mais conceituadas do ramo. Para serem aceitos e publicados os estudos passam, necessariamente, por rigorosa avaliação de outros cientistas – a chamada “revisão por pares”.

Como seria de se esperar, após a publicação da pesquisa, que teve grande repercussão internacional, seguiu-se uma saraivada de críticas articulada pelas empresas e cientistas defensores da biotecnologia. As críticas foram todas respondidas pela equipe que realizou o estudo, que também disponibilizou à revista todos os dados adicionais solicitados após a publicação.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Produção orgânica de leite









Agronegócio quer comissão de fachada para facilitar entrada de novos agrotóxicos


Por José Coutinho Júnior Da Página do MST

O governo brasileiro pretende criar uma comissão técnica para analisar e registrar novos agrotóxicos.

A medida ocorre por pressão dos setores do agronegócio, principalmente das grandes empresas que lucram com a venda desses produtos no país e da bancada ruralista.

Atualmente, a avaliação de agrotóxicos ocorre em conjunto: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) avalia a eficiência agronômica do produto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) os efeitos à saúde humana e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) os impactos ambientais.

A tentativa de criar uma comissão única, segundo Luiz Cláudio Meirelles, ex-diretor da Anvisa - demitido da instituição após denunciar um esquema de fraude -, é antiga.

“Quando cheguei à Anvisa já existia uma pressão muito grande em criar uma comissão única que fizesse as avaliações toxicológicas, contratando para isso laboratórios privados e retirando o papel do Estado. É uma forma de enfraquecer a legislação do país sobre agrotóxicos, que gera uma série de incômodos às empresas”.

O principal argumento utilizado pelo setor para a criação da comissão é a morosidade da Anvisa. No entanto, esse discurso não leva em conta o sucateamento da Anvisa e seus poucos técnicos: há apenas 20 funcionários contratados para dar conta do registro e da fiscalização dos agrotóxicos.

Para efeito de comparação, a agência que realiza o mesmo trabalho nos Estados Unidos, segundo maior consumidor de agrotóxicos no mundo, tem cerca de 700 funcionários.

Nova Comissão

Segundo o jornal Valor Econômico, duas propostas foram apresentadas no congresso para a criação de uma comissão. Uma foi encaminhada pelas empresas do setor, que sugere a criação da CTNAgro, com 13 membros e subordinada à Casa Civil.

A outra, encaminhada pela bancada ruralista, sugere a criação da CTNFito, composta por 16 membros e com um prazo de até 90 dias - após a data da entrega do processo pelas empresas - para se posicionar em relação à aprovação ou não do registro de um determinado agrotóxico.

Ao retirar a responsabilidade da Anvisa e Ibama, essas comissões podem abrir brechas para a aprovação de produtos que comprovadamente causam mal à saúde, levando em conta apenas o lucro das empresas que produzem e vendem agrotóxicos.

“Ao lidar com substâncias perigosas, o Estado tem que estar presente o tempo todo, não é algo que você possa dizer que é autoregulável ou deixar nas mãos de terceiros”, pondera Luiz.

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou US$ 9,7 bilhões em 2012 no Brasil.


As vendas desses produtos aumentaram mais de 72% entre 2006 e 2012 - de 480,1 mil para 826,7 mil toneladas país. Somos o país que mais consome agrotóxicos no mundo: cerca de 20% de todo consumo mundial de venenos é despejado na nossa agricultura.

“O grande interesse por trás dessas comissões é o lucro, que é capitalizado e o prejuízo, socializado. Estamos falando do maior mercado de agrotóxicos do mundo, e quem já lucra quer ganhar mais. Essas empresas faturam bilhões de dólares, tem a capacidade de influenciar governos, e tem tentáculos no Judiciário e no Legislativo”, ressalta Fernando Carneiro, representante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Apenas fachada

A estrutura de ambas as comissões a serem criadas se assemelham muito à CTNBio, a atual comissão responsável pela liberação de produtos transgênicos. Por esse motivo, há a preocupação de que uma nova comissão sirva apenas a interesses particulares.

“A CTNBio nunca negou um pedido de registro de patente de semente transgênica, o que é um absurdo, pois temos relatos de outros países sobre o perigo de contaminação genética que a liberação de transgênicos pode causar”, afirma Cléber Folgado, da Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e pela Vida.

Os impactos na saúde da população brasileira por conta do uso de agrotóxicos já são sentidos. Dados da Anvisa mostram que a cada dólar gasto com o uso de agrotóxicos, outros US$ 1,28 são gastos no Sistema Único de Saúde (SUS) com o atendimento de trabalhadores intoxicados.

Além disso, cerca de 30% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos ou não registrados no país. Cerca de outros 40% apresentam resíduos dentro dos limites permitidos – o que, segundo a Anvisa, não significa que sejam seguros para consumo.

As vitórias da Bancada Ruralista

Nos últimos anos, a bancada ruralista vem obtendo diversas vitórias para os grandes produtores e empresas do agronegócio no congresso, em detrimento dos direitos dos camponeses, povos originários e da sociedade como um todo.

Só para citar alguns exemplos, pode-se destacar a aprovação do Novo Código Florestal, a rediscussão do conceito de trabalho escravo, o sucateamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

Especialistas na área apontam o fortalecimento desse setor na opção do governo em apostar no agronegócio como modelo de desenvolvimento. Prova disso são os investimentos públicos em 2013. Enquanto a parcela destinada ao agronegócio girou em torno de R$ 154 bilhões, a agricultura familiar recebeu apenas R$ 24 bilhões.

Folgado relembra outro ponto que explica essa movimentação forte da bancada, “já que grande parte desses políticos tem suas campanhas financiadas por empresas nacionais, transnacionais e fazendeiros”.

Para ele, esses parlamentares são “fantoches para fortalecer o agronegócio, e infelizmente com consentimento do governo. Percebemos que a presidenta Dilma tem optado por favorecer esses setores em detrimento dos problemas que podem ocorrer”, critica.

Um exemplo dessa escolha do governo é a Medida Provisória 619/2013, que dá ao Ministério da Agricultura o poder de declarar estado de emergência em áreas com pragas e, à revelia da Anvisa e Ibama, importar, produzir, distribuir e comercializar agrotóxicos não registrados ou até mesmo proibidos no país.

A medida foi criada para permitir a utilização do benzoato de emamectina para o controle da lagarta Helicoverpa armigera. Segundo o próprio MAPA, a população dessa lagarta explodiu como consequência da difusão das lavouras transgênicas Bt, que produzem toxinas com o objetivo de matar as pragas que delas se alimentam; no entanto, as toxinas não eram específicas para combater a Helicoverpa armigera, que resistiu e se tornou uma ameaça.

Para Fernando, essa medida mostra o efeito que a criação de uma comissão única pode ter no Brasil. “A Anvisa havia solicitado para que esse produto não fosse liberado, por ser neurotóxico em pequenas, médias ou altas doses. No entanto, temos um produto pulverizado por todo o país que pode causar malformações”, observa.

Nesse sentido, Fernando aponta o perigo de vermos, daqui uma ou duas décadas, malformações de toda a ordem por conta desses produtos liberados. “Teremos casos similares ao ocorrido no Vietnã, quando os americanos jogaram diversos produtos químicos na população, e as crianças nascem até hoje com problemas. No Brasil isso vai começar a acontecer”.

Como frear esse processo?

Fernando acredita que a única maneira de frear esse processo é o diálogo entre as organizações e movimentos sociais com a sociedade, mostrando os perigos que uma comissão como a CTNAgro podem causar.

“Temos que discutir o que acontece na base da sociedade. Por exemplo, não chega à sociedade a informação de que o Brasil tem liberado venenos sem a correta avaliação, já que a mídia também tem o agronegócio como um grande financiador. Outra questão é pressionar o Estado para que ele cumpra a constituição e proteja a saúde e o meio ambiente”, diz.

Folgado completa ao dizer que não podemos ficar apenas no denuncismo. “Temos que visibilizar à sociedade as experiências já existentes de alternativas ao agronegócio. Temos experiências de produção agroecologica, com alimentos saudáveis, a baixo custo, mas a sociedade não conhece”.

Ele ainda explica que há dois modelos em disputa no campo brasileiro, “e por isso a sociedade e movimentos devem se organizar para ampliar essa luta, somando-se aos trabalhadores da cidade. Os problemas existentes hoje no campo, não são mais só dos camponeses e agricultores familiares, eles dizem respeito ao conjunto da sociedade” afirma.

Fonte: MST

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Milho resistente a herbicida causa problema em lavouras de soja de MT


Do Globo Rural



Milho nasce de grãos que caíram no solo durante a colheita da safrinha.

Alto custo para destruir plantas invasoras prejudica agricultores.

Os produtores de soja de Mato Grosso estão enfrentando um sério problema: pés de milho estão crescendo no meio das lavouras. O controle fica mais difícil pelo fato de as plantas serem transgênicas.
No meio da lavoura de soja, um pé de milho. Aliás, um apenas não, tem milho para perder a conta e preocupar muitos agricultores de Mato Grosso.

"Virou uma dor de cabeça isso. A gente está convivendo com essas aplicações de herbicidas para matar milho no meio da soja”, diz o produtor Jader de Bortoli.

O milho que brota nas áreas de soja nasce dos grãos que caem no solo durante a colheita da safrinha. Hoje, muitos agricultores usam uma variedade transgênica conhecida como “RR”, que significa roundup read. Esse é o nome de um herbicida usado para limpar a lavoura de ervas invasoras e que tem como princípio ativo o glifosato.

O milho RR é resistente a este produto, ou seja, quando o agricultor aplica o glifosato nas lavouras de soja, que agora crescem no campo, o milho invasor não morre. O resultado é uma infestação de milho e um alto custo para destruí-lo.

O agricultor Jader de Bortoli está sentindo no bolso o problema. "Tinha programado duas aplicações, mas tive que fazer a terceira. Faltou ainda produto, tive que comprar mais. Não esperava que ia sair tanto milho assim, não", lamenta.

O problema não acontece apenas nas áreas que estavam semeadas com milho RR durante a safrinha. Em uma área que estava ocupada com o milho convencional antes de receber as sementes de soja, em alguns pontos da lavoura, a impressão que se tem é de que se está em um milharal.

O agrônomo e consultor técnico Cláudio Gonçalves explica que o milho tem alta capacidade de cruzamento e que plantas transgênicas devem ter se cruzado com as convencionais, gerando plantas resistentes ao glifosato e provocando a infestação nas lavouras.

Além da despesa extra para fazer o controle, o milho compete com a soja por nutrientes do solo, água e luz e, por isso, pode prejudicar a produtividade da lavoura.

Fonte: G1 Agronegócios

Nuvens de Veneno




O filme “Nuvens de Veneno”, do cineasta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beto Novaes, reafirma Mato Grosso como campeão nacional em uso de venenos agrícolas, principalmente no plantio de grãos.


Em 25 minutos, o documentário mostra os riscos da cultura do agrotóxico para quem pulveriza as lavouras e para quem come os alimentos.

O filme foi lançado em Cuiabá, em um evento na Escola de Saúde Pública, que abordou a saúde do trabalhador da cidade e do campo em Mato Grosso.

Trata-se do I º Seminário de Educação Permanente para a Vigilância em Saúde do Trabalhador: Desafios e Perspectivas E XIV Seminário de Segurança e Saúde do Trabalhador do Estado de Mato Grosso – V Encontro dos Técnicos em Segurança do Trabalho. De 21 a 23 de agosto.

É um evento governamental, mas articula também sindicatos patronais e de trabalhadores, para buscarem saídas possíveis, contra o adoecimento daqueles que atuam não só em lavouras, mas em outras atividades comerciais típicas da zona rural, como madeireiras, e em empregos urbanos, como frigoríficos.

A pulverização de venenos é tão perniciosa que afeta até leite materno e a água que bebemos, conforme vem falando insistentemente o professor Wanderlei Pignati, da Saúde Coletiva da UFMT. Veja essa entrevista com ele.

Os focos principais desse encontro foram os braçais do agronegócio e das grandes obras da Copa.

“Esse trabalhador adoentado cai na rede pública de saúde. Se a gente consegue evitar que ele adoeça, isso também desafoga o SUS”, explica a pedagoga e mestranda em vigilância e saúde do trabalhador, Carmen Machado, da organização do seminário.

Esteve presente no evento o pesquisador Carlos Gomez Mimayo, referência nacional e internacional em saúde do trabalhador.

Fonte: http://centroburnier.com.br/wordpress/?p=6713

domingo, 15 de dezembro de 2013

Controle biológico vence lagarta que ataca soja na região de Londrina

O controle biológico da plantação de soja, na região de Londrina, está vencendo um dos maiores riscos para a safra 2013/14: a lagarta Helicoverpa armigera, que já fez parte dos Estados da Bahia e do Mato Grosso do Sul decretarem emergência fitossanitária. O programa Plante seu Futuro, lançado recentemente pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) visando a utilização de boas práticas no campo, está conseguindo controlar o aparecimento da lagarta na região de Londrina sem a utilização de agrotóxicos. Uma ação da Emater realizada ontem, em uma propriedade de referência na Bratislava, em Cambé, mostrou que é possível evitar que a praga se alastre pelo Paraná de uma forma simples e econômica.

Telma Elorza/JL / Propriedades são monitoradas pelo menos uma vez por semana

Segundo o agrônomo Alcides Bodnar, da Emater, cinco propriedades de agricultores familiares são monitoradas pelo menos uma vez por semana. Nessas áreas, os técnicos verificam a incidência de pragas e doenças, nível de danos, percentagem de desfolha e – em conjunto com o produtor – decidem se há necessidade de aplicação de agrotóxicos. “Na safra passada, fizemos a soltura das vespinhas [Tricograma pretiossum] que parasita os ovos de mariposas das lagartas que atacam a soja e não foi preciso nenhuma aplicação de agrotóxico nessa área”, aponta.

Segundo Bodnar, a Helicoverpa foi encontrada nesta safra, nas plantações implantadas a partir do dia 10 de outubro, com dez dias de germinação. “Porém, estavam em baixa população e optamos por não fazer aplicação de defensivo. Para nossa surpresa, 20 dias depois não foram mais encontradas. Segundo a Embrapa, a maioria dos exemplares que foi encaminhada para a análise estava parasitada”, conta. Ele lembra que o Paraná tem muitos inimigos naturais da lagarta e, portanto, o produtor precisa ter cuidado com as aplicações. “O agrotóxico mata a lagarta, mas também mata seus inimigos naturais, o que pode prejudicar mais para frente”, alerta. O monitoramento e o controle biológico são suficientes para evitar as pragas. “Nessa área de Cambé, por exemplo, a média é de seis aplicações de agrotóxicos por safra, o que traz custos e poluição.”

O produtor Roberto Schulz, 56 anos, proprietário de uma área de 17 hectares na Bratislava, vem seguindo as orientações dos técnicos da Emater à risca. Na safra passada, ele não fez nenhuma aplicação para lagarta e apenas uma para percevejo. “Antes, eu colhia uma média de 120-135 sacas por alqueire. Na safra passada, foram 186 por alqueire, com áreas que alcançaram 219 sacas”, conta. A média da região é de 135 sacas por alqueire.

Já o produtor Pedro Tofalini, 69 anos, vai fazer o controle biológico com a vespinha pela primeira vez. “No ano passado, apliquei agrotóxico. Mas é caro e ruim. O custo chega a um saco de soja por alqueire e o retorno não é bom.”

Lagarta ataca em vários Estados

Segundo a assessoria de imprensa da Embrapa Soja, a ocorrência de lagartas do gênero Helicoverpa armigera no Brasil foi observada a partir da safra 2012/13 em níveis populacionais nunca antes registrados, causando prejuízos econômicos principalmente nas culturas de algodão, soja e milho. Na safra 2013/14, já há relatos em vários estados brasileiros, inclusive no Paraná, onde a lagarta foi identificada nas principais regiões produtoras de soja, mas sempre com infestações em baixos níveis populacionais.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, um estudo da Embrapa para acompanhamento da evolução da Helicoverpa armigera no campo mostra que inimigos naturais estão agindo no controle da nova praga. O monitoramento e o controle biológico estão sendo indicados.


 Mais informações:



podem ser obtidas no site www.cnpso.embrapa.br/helicoverpa/.

Fonte: Jornal de Londrina