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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Após oito anos de pesquisas, relatório confirma vinculação glifosato/câncer



Oito anos de pesquisa, quinze publicações científicas e uma certeza: os agrotóxicos causam alterações genéticas e aumentam as probabilidades de contrair câncer, sofrer abortos espontâneos e nascimentos com malformações. A declaração vem do Grupo de Genética e Mutagêneses Ambiental (GEMA), pesquisadores da Universidade Nacional de Río Cuarto (UNRC), que confirmaram com estudos em pessoas e animais, as consequências sanitárias do modelo agropecuário. Glifosato, endosulfam, atrazina, clorpirifos e cipermetrina são alguns dos agrotóxicos prejudiciais. “A vinculação entre alteração genética e câncer é clara”, reafirmou Fernando Mañas, pesquisador da UNRC.

“La genotoxicidad del glifosato evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas” é o título que leva a pesquisa publicada na revista científica Toxicologia Ambiental e Farmacologia (da Holanda). O trabalho descreve o efeito genotóxico (o efeito sobre o material genético) do glifosato sobre células humanas e ratos, que, inclusive, confirmaram alterações genéticas em células humanas com doses de glifosato em concentrações até vinte vezes inferiores às utilizadas nas pulverizações em campo.

Outra pesquisa se chama “Genotoxicidad del AMPA (metabolito ambiental del glifosato), evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas”. Publicada na revista Ecotoxicologia e Segurança Ambiental (dos EUA). O AMPA é o principal produto da degradação do glifosato (o herbicida se transforma, principalmente, pela ação de enzimas bacterianas do solo, na AMPA). Confirmaram que o AMPA aumentou a alteração no DNA de em culturas celulares e em cromossomos em culturas de sangue humano. “O AMPA demonstrou ter tanta ou maior capacidade genotóxica que sua molécula parental, o glifosato”, afirma a pesquisa da universidade pública.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Além de desertificação, São Paulo tem água de subsolo contaminada

por Júlio Ottoboni*


São Paulo e parte dos Estados do Sul e Sudeste do país podem entrar tanto num ciclo de desertificação como de extermínio de suas reservas hídricas existentes no subsolo. A influência das queimadas e do desmatamento amazônico no ciclo das chuvas nas porções mais ao sul do país alarma tanto os cientistas tanto quanto aos níveis de contaminação das águas potáveis existentes. 

 Com o volume de águas de superfície em diminuição considerável, as reservas subterrâneas estão em boa parte comprometidas. Seja por contaminação por esgoto, pesticidas ou mesmo pela falta de potabilidade. Há estudos sobre o uso a exaustão desses recursos em regiões onde o aquífero tem uma distribuição demasiadamente irregular.

 Desde 1998, pesquisadores da USP e outras entidades alertam para a exploração demasiada e sem critérios das águas subterrâneas, principalmente na agricultura. No trecho paulista, o Aquífero Guarani é explorado por mais de 1000 poços e isso ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Já a área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km², onde se encontram a maior parte dos poços e grande parte dos problemas de contaminação.

 Há 13 anos um grupo de cientistas do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea (Cepas) do Instituto de Geociências da USP pesquisa quanto a presença de Nitrato nas águas subterrâneas. Os estudos mostram uma crescente contaminação por esgoto urbano em diversas cidades paulistas. Esse elemento químico surge em processos de decomposição bacteriológica de matéria orgânica presente nos dejetos. 

 “Em locais onde não há saneamento, a contaminação ocorre pelas fossas sépticas e negras, já nas áreas com redes de esgoto o problema são os vazamentos. As redes são antigas e não passam por manutenção periódica. 
A presença do nitrato em áreas urbanas com rede de esgoto não era esperada de forma tão intensa”, afirma o professor da USP Ricardo Hirata.

 O nitrato é cancerígeno e pode desenvolver diversas doenças, principalmente síndromes em crianças. São Paulo tem uma grande dependência da água subterrânea.

 Segundo a pesquisa da USP, cerca de 75% das cidades paulistas têm o abastecimento público total ou parcial feito por águas de aquíferos. 

 “No Estado de São Paulo, quase 60% dos poços tubulares são ilegais, ou seja, não têm controle por parte do estado, com possibilidades de terem problemas de qualidade de suas águas.

 Isso significa que a população pode estar ingerindo água degradada por nitrato ou outros contaminantes e não saber”, alerta o professor da USP.

 Além do problema da recarga, dificultado pela falta de chuvas, descontaminar a água com nitrato é algo caro e algumas situações inviável. Para agravar o quadro, há uma redução drástica da água de subsolo em diversas regiões. 

A supressão das matas ciliares que recobrem as bacias tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o seu tratamento. O alerta para as péssimas condições das águas, tanto de superfície como de subsolo, foi feito também pelo pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE).
 Segundo ele, em áreas com floresta contígua a cursos d’água que estão protegida, com algumas gotas de cloro por litro se tem água para consumo humano. “ Já em locais com vegetação degradada é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor. 

Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300.

 Essa conta precisa ser relacionada com os custos do desmatamento”, afirmou. Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada existe uma quantidade maior de água, por processos naturais, essa retorna para a atmosfera e favorece a precipitação. 

O escoamento da água das chuvas é mais lento, favorecendo a recarga e minimiza a erosão.

 A vegetação funciona como um filtro natural e ajuda a infiltrar a água no solo. “Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d’água. 


Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea”, explicou Tundisi. * Júlio Ottoboni é jornalista diplomado e pós-graduado em jornalismo científico.

Fonte: Envolverde

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entenda o perigo dos inseticidas para a saúde das crianças

Lydia Cintra




Mosquitos e baratas incomodam muita gente. Por isso, produtos “milagrosos” e potentes, que prometem acabar com os bichinhos em uma aplicação, são naturalmente relacionados à proteção.

 As propagandas ajudam: os insetos vão embora e a família fica bem protegida…

O que a indústria não fala, no entanto, é que a exposição a componentes que fazem parte da fórmula destes venenos têm sido apontados por diversos estudos como a causa de problemas de saúde em crianças e adultos, dentre eles câncer.

De acordo com o livro “Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida”, de Flavia Londres, os inseticidas domésticos são fabricados com os mesmos princípios ativos dos agrotóxicos. No entanto, eles não dependem da aprovação dos órgãos de agricultura e meio ambiente. O registro fica por conta apenas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) – motivo pelo qual escapam de ser classificados e fiscalizados como agrotóxicos.

Para Silvia Regina Brandalise, oncohematologista pediátrica, a exposição da população a esse tipo de produto é alarmante. “Não temos noção do tamanho do nosso inimigo”, ponderou a médica sobre os produtos com derivados de benzeno, como os inseticidas.

A médica foi uma das palestrantes do seminário “Os Agrotóxicos, seus Impactos na Saúde e as Alternativas Agroecológicas no Município de São Paulo”, que aconteceu na capital paulista no dia 15 de abril.


Problemas

Existe, segundo Brandalise, uma estreita relação entre diversos tipos de leucemia infantil, que aparecem principalmente nos primeiros anos de vida, e o uso de inseticidas. Quando o produto é aplicado, ele vai para o solo. A criança, que vive no chão e coloca a mão e outros objetos na boca, fica super exposta a substâncias tóxicas.

Um das grandes preocupações de quem estuda o assunto, no entanto, é o contato da criança ainda na barriga da mãe. “Uma quantidade pode ser pequena para um adulto, mas quando chega a um feto ou na criança durante a gestação é uma quantidade enorme, porque ela não consegue metabolizar”.
Pesquisas já detectaram a presença de inseticidas no leite materno e altos níveis de pesticidas (o inseticida é um tipo de pesticida) no mecônio (a primeira evacuação da criança), relacionados com exposição materna a algumas substâncias.

Algumas alterações moleculares decorrentes do contato com esses produtos também são responsáveis pela teratogênese, a má formação. No estado de SP, o óbito no primeiro ano de vida por má formação corresponde a 28% do total. “Nós estamos vivendo em um universo que está conspirando a favor do câncer, conspirando a favor das má-formações”, disse.

Outros fatores que estão ligados ao desenvolvimento de câncer nas crianças são o uso de hormônios na gravidez, contaminação com metais pesados, infecções e alterações genéticas.

Prevenção


Alertar contra o uso de inseticidas passa principalmente pela educação. “Somente por meio de conhecimento e educação as famílias vão tomar maior consciência sobre o risco que elas estão correndo”, defendeu a especialista, que deixou clara a importância de abolir (ou pelo menos diminuir) o uso de pesticidas para finalidades residenciais, escolas e creches.

E concluiu: “As necessidades e aspirações das crianças estão acima de ideologias e culturas, pois são as mesmas em qualquer sociedade. Elas podem ser uma força unificadora que ajuda adversários a respeitar uma ética comum”.

Assista ao vídeo completo da apresentação (11 minutos) abaixo:




sábado, 23 de agosto de 2014

Dia de Campo na TV - Fazendinha agroecológica : 20 anos produzindo sustentabilidade



O Sistema Integrado de Pesquisa em Produção Agroecológica (SIPA), mais conhecido como Fazendinha Agroecológica Km 47, foi criado em 1993. É uma parceria entre a Embrapa, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a Pesagro-Rio.

Localizada na Baixada Fluminense, a Fazendinha tem 70 hectares de área destinados à pesquisa, ao ensino e à transferência de tecnologias em agricultura orgânica.

 As experiências realizadas, hoje divididas em oito linhas temáticas, objetivam o desenvolvimento de sistemas de produção diversificados, integrando a pecuária e cultivos variados, sem o uso de agrotóxicos. O cultivo obedece aos princípios e normas vigentes na agricultura orgânica.

O manejo ecológico de pragas e doenças também tem sido enfatizado a partir de estudos envolvendo o uso de caldas fitossanitárias alternativas e biofertilizantes líquidos, agentes biológicos de controle e controle biológico por conservação de inimigos naturais.

Produção: Embrapa Informação Tecnológica e Embrapa Agrobiologia
Responsável pelo conteúdo técnico: José Antônio Espindola - pesquisador
Produção e Roteiro: Ana Lúcia Ferreira- Jornalista
Cinegrafista: Rogério Monteiro e José Alves Tristão
Editor de imagem: Sérgio Figueiredo
Editor de arte: Joniel Sergio
Contatos: (21) 3441 1596
cnpat.sac@embrapa.br
www.cnpat.embrapa.br

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Embrapa alerta que milho RR pode virar planta daninha na soja

Yve Leíse - Milho voluntário RR em lavoura de soja
Milho voluntário RR em lavoura de soja Foto: Yve Leíse
FONTE: EMBRAPA

As áreas agrícolas que adotaram nessa safra o sistema de produção que tem a soja seguida do milho safrinha RR terão um novo desafio, que é o de controlar a presença de milho voluntário RR.

O problema ocorre pela impossibilidade de se controlar as plantas de milho com o herbicida glifosato, porque tanto a soja quanto o milho RR são resistentes a este herbicida.

"Aqueles grãos de milho RR que sobrarem da colheita poderão germinar e se comportar como uma planta daninha para a cultura da soja", alerta o pesquisador Fernando Adegas.

De acordo com Adegas, o poder de competição do milho voluntário é bastante elevado e pode causar redução de produtividade na soja. 

"Se houver duas ou três plantas por metro quadrado, o milho pode reduzir em até 50% a produtividade da soja", confirma o pesquisador.

 Para quando ocorrer o problema, a indicação de Adegas é a de que os produtores controlem o milho com um herbicida que tenha um mecanismo de ação diferente do glifosato.

 "O ideal é fazer o controle antes da semeadura ou logo após a emergência da soja, quando as plantas do milho estão pequenas", explica. Segundo Adegas, os graminicidas são uma alternativa para o controle de milho RR em lavouras de soja. 

No entanto, o pesquisador alerta que essa operação de controle, pode ter um custo mais elevado do que o controle de todo o complexo de plantas daninhas da soja, que normalmente utiliza o glifosato.

 "Outra opção de manejo é a utilização o método mecânico, ou seja, capinar as plantas de milho, quando estiverem pequenas", explica.

No Brasil, muitas regiões produtoras de grãos adotam o sistema de produção que engloba a soja, o milho e o algodão.

 "Com o aumento na utilização de cultivares RR, o problema de manejo das plantas voluntárias tende a ser cada vez mais complexo no Brasil", pensa Adegas. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, como há neve no inverno, a tecnologia RR não apresenta, de forma agravada, esse problema, assim como na Argentina, onde não há tradição de cultivo subsequente.

 "Por isso, precisamos desenvolver mais conhecimento para as nossas condições, visando ter respostas adequadas para os produtores brasileiros", pondera.

Veja abaixo, uma entrevista com o pesquisador:





quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Abelhas vigiadas

Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax
Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax
DINORAH ERENO | Edição 221 - Julho de 2014

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: 

“O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”.


Veja também: 7 motivos pelos quais você deveria se importar com as abelhas


 O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos.

 Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores

. Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores.

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Planta com cheiro substitui agrotóxico para combater pragas em morango e tomate

Roberto Custódio / Jornal de Londrina / O doutorando Mateus Carvalho comprovou a redução de 70% na incidência de mosca branca em meio à plantação de tomate
O doutorando Mateus Carvalho comprovou a redução de 70% na incidência de mosca branca em meio à plantação de tomate

O cultivo de frutas e hortaliças em consórcio com outros alimentos pode ser um método bastante eficaz no combate de pragas e doenças na agricultura. É o que constataram pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Eles escolheram o tomate e o morango – dois dos alimentos mais suscetíveis a pragas e, portanto, ao uso de agrotóxicos – para mostrar como técnicas alternativas podem ajudar a repelir insetos de forma natural. Os métodos deram certo e já estão sendo utilizados por produtores orgânicos da região Norte do estado.

Em um dos experimentos, o mestrando do programa de pós-graduação em Agronomia Fernando Hata utilizou o plantio de alho com o morango para afastar o ácaro rajado. A praga, que causa o apodrecimento das folhas da planta, foi repelida pelo cheiro forte do alho. 

“Podemos diminuir em até 50% a população de ácaro com o plantio do alho próximo ao morango. Isso reduz bastante o uso de veneno, se o agricultor tiver uma produção convencional”, comenta o pesquisador.

Hata assinala que, no caso do produtor orgânico, a técnica também propicia um controle melhor sem o uso de agrotóxicos. A alternativa já é empregada por produtores de Pinhalão e Jandaia do Sul.

Ervas

O doutorando Mateus Gimenez Carvalho, por sua vez, plantou coentro e manjericão entre mudas de tomate. O resultado foi uma repelência natural à mosca branca, praga que transmite um vírus que afeta o desenvolvimento da planta. 

Assim como na outra pesquisa foi o odor liberado pelas plantas cultivadas em consórcio que espantou as moscas. Agora, Carvalho busca uma maneira de afastar outro inimigo dos agricultores – a traça do tomateiro. “Essas [mosca branca e traça] são duas pragas que causam muitos danos ao tomate. Quero me aperfeiçoar nesta pesquisa”, salienta.

O estudante observa que o experimento já realizado ajuda a reduzir em até 70% a mosca branca na produção. Além disso, a contribuição com o meio ambiente é garantida a partir da diminuição no uso de agrotóxicos, prática cada vez mais comum nesse tipo de cultura.

 “Tem produtor que aplica de duas a três vezes por semana agrotóxicos no tomate, ainda mais quando se cultiva em época de muito calor. A praga cria até resistência e tudo chega ao consumidor final”, alerta.

Quem aderiu à estratégia de Carvalho já relata benefícios. “A técnica ameniza bastante as pragas. Só usamos inseticida em último caso”, afirma Almir Almeida Ramos, que administra uma propriedade rural de Londrina. A plantação de tomate do local passou a contar com coentro desde a última safra.

* * * * *

Estratégia abre espaço para renda extra

Foi na propriedade do agricultor Lauro Wittmann, 52 anos, de Jandaia do Sul, que o pesquisador Fernando Hata viu pela primeira vez o plantio de morango em consórcio com alho.

 Na época, Wittmann já observava os benefícios da iniciativa no controle de praga e o pesquisador percebeu que a estratégia precisava ser mais bem estudada. “O plantio era sem muita certeza de que daria certo”, lembra Hata.

É por experiência própria, no entanto, que o produtor de morangos conta como o alho é útil para repelir o ácaro rajado. Agricultores conhecidos dele chegaram a tentar usar ervas, como o manjericão, no controle de pragas do morango, mas o resultado não foi semelhante.

 “As plantas faziam sombras no morango e atrapalhavam o cultivo. Com o alho, não. É algo que não compete com o morango e acaba sendo mais uma fonte de renda”, diz Wittmann. Ele abriu mão do uso de agrotóxicos em sua produção desde 1999 e comercializa o alho produzido com o morango em feiras orgânicas da região.

Iniciativa

Fazenda Escola testa mais métodos e plantas

Criar condições para que inimigos naturais das pragas surjam para controlá-las também pode ser uma alternativa para eliminar o uso de agrotóxicos na agricultura.

 Pesquisador na área de controle biológico conservacionista, o professor de Agronomia Ayres de Oliveira Menezes Júnior, também da Universidade Estadual de Londrina, explica que a estratégia consiste na preservação da diversidade ecológica existente nas áreas naturais. “Se isso for conservado [a natureza], o produtor vai observar que os inimigos naturais das pragas farão o controle.

 Mas ele precisa ter consciência disso para aproveitar estes benefícios”, afirma o pesquisador.Outra forma equilibrada ecologicamente de substituir a aplicação de veneno nas plantações é o cultivo paralelo de plantas com outras aptidões, como o apresentado na pesquisa do morango e tomate. 

Mas o produtor, salienta o professor, pode ir além, usando girassol, mamona e trigo sarraceno, por exemplo, para atrair inimigos naturais das pragas que atingem a cultura principal. Na Fazenda Escola da UEL, a estratégia é utilizada em meio ao plantio de soja e de milho. 

O trigo sarraceno atrai joaninhas que ajudam a combater pulgões do milho. Já a mamona atrai vespas que se alimentam, por sua vez, de lagartas que atacam a soja. 

O professor do Departamento de Agronomia da UEL e orientador das pesquisas envolvendo morango e tomate, Maurício Ventura, observa que outra vantagem da pesquisa é a possibilidade de evitar o manuseio e aplicação de agrotóxicos, a partir destas estratégias. 

Isso, destaca ele, ajuda a garantir mais saúde ao agricultor e ao consumidor final do produto.