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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Governo gaúcho vai criar sistema para controlar uso de agrotóxicos



O governo do Rio Grande do Sul vai criar um sistema de rastreamento eletrônico para controlar o uso de agrotóxicos. A decisão foi anunciada após a revelação de que produtos proibidos no Brasil estão sendo usados em lavouras de arroz do estado, como mostra a reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).

A análise feita dentro da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) encontrou doze tipos diferentes de agrotóxicos em 55 amostras de arroz. Três deles não têm autorização de uso para arroz no Brasil. O que representa um risco para a saúde tanto dos agricultores quanto das pessoas que consomem o alimento.

“Um trabalhador que ficou com a roupa impregnado com o produto está sujeito a um quadro clínico bastante grave, a ponto de ser levado a UTI com insuficiência respiratória”, diz a coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas, Isabela Lucchese Gavioli.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) diz que o contrabando de produtos químicos deve ser fiscalizado pela Polícia Federal e Pela Receita Federal. E que pretende aumentar o controle do uso de agrotóxicos com a contratação de mais agrônomos e um novo sistema eletrônico para o rastreamento dos produtos distribuídos no estado.

Vai estar dentro do sistema todos os produtos com suas dosagens e suas indicações. A receita agronômica só vai sair se o responsável técnico estiver habilitado e se a recomendação for correta”, explica o gerente da divisão de produção vegetal da Seapa, José Candido Motta.

Além do arroz, técnicos que fazem a coleta de amostras de alimentos para um programa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontraram irregularidades no uso de produtos químicos em vários produtos. A anvisa constatou problemas, principalmente no cultivo de pimentão (91,8%), morango (63,4%), pepino (57,4%) e alface (54,2%).

Entre as irregularidades estão a utilização de agrotóxicos não autorizados ou em quantidade acima da permitida. “É importante que a pessoa que está produzindo saiba que a sua produção, a sua propriedade rural, ela é responsável também por saúde pública. À medida que eu produzo observando as boas práticas de produção agrícola, eu vou estar trazendo benefícios para as pessoas que vão consumir o meu produto”, destaca o engenheiro de alimentos, Bruno Hoernig.


Fonte da Imagem: MPB Notícias


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal


Feliz Natal a todos e que a reflexão que esta data nos proporciona possa nos levar a um 2013 melhor, como no vídeo abaixo:

domingo, 23 de dezembro de 2012

Relatório inédito sobre as sérias implicações para o consumo humano de alimentos geneticamente modificados.

Relatório inédito sobre as sérias implicações para o consumo humano de alimentos geneticamente modificados.

Importante documentário para quem quer compreender as consequências dos transgênicos como a perda da biodiversidade alimentar, o domínio do mercado das sementes, a perda de autonomia dos produtores, prejuízos dos produtores que tiveram suas plantações contaminados por transgênicos de plantações vizinhas e os impactos ambientais e sociais.














Para saber mais:

Soja Transgênica - Sustentável? Responsável?

Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente

Querem acabar com a rotulagem no Brasil

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ele denunciou irregularidades na aprovacao de agrotoxicos e foi exonerado

Revista do Idec
Luiz Cláudio Meirelles


Recentemente, um escândalo envolvendo irregularidades na liberação de agrotóxicos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi parar nos jornais. O inseticida Diamante BR, da Ourofino Agronegócios, usado na lavoura de cana-de-açúcar, e o fungicida Locker, da FMC Química do Brasil, usado no plantio de soja, chegaram ao mercado sem passar pela avaliação obrigatória da agência reguladora antes de o produto ser registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Além desses, mais cinco produtos foram considerados irregulares. O caso é grave, já que a Anvisa é a responsável por impedir que produtos perigosos à saúde humana sejam comercializados e, consequentemente, cheguem à mesa dos brasileiros.

O Idec tem acompanhado esse caso com atenção, já que o uso de agrotóxicos faz parte de sua pauta de trabalho. Para tentar entender melhor essa história, o Idec entrevistou uma peça-chave: o ex-gerente geral de toxicologia, Luiz Cláudio Meirelles, que denunciou irregularidades do órgão. Pouco tempo depois, ele foi exonerado do cargo de confiança que ocupou por quase 13 anos.

Em 20 de dezembro, ele volta a integrar a equipe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que o cedeu à Anvisa em 1999. Até lá, está de férias no Rio de Janeiro (RJ), de onde respondeu, por telefone, às perguntas do Idec

Pergunta: Você pode relatar o que aconteceu no caso de sua exoneração da Anvisa?
LUIZ CLÁUDIO MEIRELLES: Vou começar pelo final. A justificativa da Anvisa para a minha exoneração foi que eu não obedeci às regras para o encaminhamento das irregularidades que identifiquei e para o pedido de exoneração do gerente geral da Gavri (Gerência de Avaliação de Riscos), além do fato de o MPF (Ministério Público Federal) ter tomado conhecimento do caso antes de ele ter sido apurado. Eu discordei da justificativa, porque ela está muito aquém do que pode estar por trás disso tudo. Se eu perdi a confiança numa pessoa que é subordinada a mim, eu precisava tomar uma decisão. E, em relação ao MPF, eu não encaminhei nada a eles. Eu era um gestor técnico, detectei um problema, o documentei e encaminhei para os departamentos competentes, respeitando a hierarquia interna.

Posteriormente, a Anvisa me acusou de já ter conhecimento de que o gerente da Gavri era um problema. Eu refutei essa afirmação, porque ele gozava da minha confiança, assim como do supervisor, dos outros gerentes e do diretor. E assim que eu descobri coisas erradas, pedi que fosse exonerado. Mas fui surpreendido com a minha exoneração.

Irregularidades podem acontecer. O problema é usar o episódio para destruir o trabalho da gerência e desregulamentar o setor.

A reação à minha exoneração não foi só minha, envolveu mais gente, porque há algum tempo a gente vem levantando questões nessa área de agrotóxicos que estão sendo muito difíceis de conduzir. A proibição do metamidofós, por exemplo, gerou uma série de reações. Foram parlamentares cobrando da Anvisa e tentando derrubar a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) que proibiu a substância. Vinha sendo assim sistematicamente. Nós respondíamos várias coisas para garantir aquilo que é o nosso papel: retirar os produtos mais tóxicos do mercado e não dar registro para os que são perigosos. Mas a pressão vinha sendo muito grande.

Historicamente dentro da Anvisa, sempre fomos muito pressionados, o meu cargo sempre foi muito pedido por deputados. Teve um tempo em que a senadora Kátia Abreu [PSD-TO] foi para o Congresso falar mal da Anvisa. Nós entramos com representação contra ela, passamos por auditoria dentro da gerência. Mas continuamos tocando o trabalho como tem de ser. Implantamos um programa de resíduo que também foi muito combatido [PARA - Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos]. Não queriam que os dados fossem divulgados, pois isso causava problemas de produção. Então, ao longo dos anos, foi muita pressão. Acho que nos últimos dois anos houve um aumento de questionamento por parte da sociedade civil, levantamento junto à Câmara, filmes veiculados como "O Veneno Está na Mesa", do Sílvio Tendler. Isso também está relacionado a uma reação.

Outra fato é que se está fechando uma norma que pode apertar os critérios de avaliação e classificação toxicológica. Houve muita reação a essa norma, que é a revisão da Portaria 3. Se os critérios para definir se um produto causa câncer ou não forem muito flexíveis ou mais rígidos, isso poderá representar melhores ou piores resíduos na sua mesa. Resíduo melhor não tem, mas pode haver resíduos de produtos mais ou menos perigosos na sua dieta. Um ponto importante sobre a Anvisa precisa ser pensado: o cliente da Anvisa nunca foi a empresa, muito menos quem usa aquele produto na produção. É o consumidor quem tem de ser o cliente da instituição. Uma norma que fala de avaliação toxicológica de um produto é de interesse principalmente dos consumidores de alimentos porque essa norma interfere justamente nos critérios que definem se um produto é ou não carcinogênico (tem potencial cancerígeno). Se uma norma como essa é muito flexível, a nossa salada terá mais produtos que podem causar câncer, causar alterações embrionárias etc. Essa norma vinha sendo alvo de muita pressão.

Pergunta: Mais alguém de fora, além do MPF, sabia das denúncias?
LCM: Não sabia, mas, na medida em que eu fui apurando os fatos, cancelei o ato administrativo que colocava aqueles produtos no mercado, e isso também gerou indagações. E para as empresas que pediram audiência eu tive de informar que algumas irregularidades tinham sido encontradas e que elas estavam sendo encaminhadas para que a autoridade competente investigasse.

A razão de ser da Anvisa em relação aos agrotóxicos é fazer a avaliação toxicológica. Se um produto é liberado sem essa avaliação, é preciso cancelar o ato administrativo e começar tudo de novo. Por isso eu cancelei todos os produtos irregulares e comuniquei o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Isso gerou uma reação, principalmente de quem achava que estava tudo resolvido com o seu produto, só que não estava, porque o processo de liberação não tinha sido feito da maneira correta.

Pergunta: Dá para se ter uma ideia de quando essas irregularidades começaram a ocorrer e de quantos produtos estão envolvidos?
LCM: Eu identifiquei as primeiras irregularidades em meados de agosto, mas teve produto que foi liberado em dezembro do ano passado. A maior parte se concentrou no primeiro semestre deste ano. Foram sete produtos. Pode ser que uma auditoria mostre mais, mas não será uma busca fácil.

Pergunta: E você acha que vâo aparecer mais produtos?
LCM: Pode ser que sim. Espero que a avaliação descubra se existem outros para que o registro possa ser cancelado até que eles sejam regularizados. Não é algo que se descubra facilmente porque, às vezes, a documentação do produto está toda bonitinha. É preciso ver quem fez a nota técnica e se ela foi feita corretamente. Felizmente, nesse primeiro momento, encontramos um número pequeno de empresas e produtos irregulares se compararmos com o número total.

Pergunta: E você já havia solicitado, no passado, investigação sobre outras liberações irregulares?
LCM: Foi a primeira vez que eu detectei irregularidades em relação à avaliação toxicológica e a liberação de produtos formulados. Passamos por auditoria em 2008 e eu nunca desconfiei de que algo errado pudesse estar acontecendo. Esse é o tipo da coisa que você descobre de repente.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Soja Transgênica - Sustentável? Responsável?




Este relatório foi compilado por uma coalizão de cientistas que acreditam que a totalidade de evidências sobre a soja transgênica e o herbicida glifosato devem se tornar acessíveis a todos – governo, indústria, mídia e o público.

Para saber mais: Soja transgênica e o uso do glifosato

Marco Maia e ruralistas podem votar fim da rotulagem de transgênicos

Alimentos transgênicos criam polêmica sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente

sábado, 15 de dezembro de 2012

Entrevista com Susana Prizendt, coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos no estado de São Paulo




Vivemos em um sistema que condena um enorme número de pessoas à falta de comida, à desnutrição, à fome e à morte”

Causa Operária entrevista Susana Prizendt, coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos no estado de São Paulo, iniciativa da qual participam vários movimentos sociais

Causa Operária: Qual é o objetivo da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos?

Susana Prizendt: Em nome da Campanha, gostaria de agradecer a oportunidade oferecida pelo jornal Causa Operária, já que é muito difícil conseguirmos espaço na grande mídia e todo espaço aberto é importante para fomentar o debate com a sociedade. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida é uma iniciativa da qual fazem parte vários movimentos de diferentes áreas, porque o assunto é um tanto complexo. Nós temos entre nós pessoas ligadas aos direitos humanos, porque é um direito básico à alimentação segura da população que está em jogo; dos movimentos campesinos, que reivindicam melhores condições de trabalho no campo e um sistema de distribuição de terra mais justo; da área da saúde e da ciência, que podem fundamentar cientificamente o quanto os agrotóxicos fazem mal a saúde; e também pessoas ligadas aos movimentos ambientalistas porque o meio ambiente realmente está sendo extremamente exposto a danos. Queremos alertar a sociedade sobre a situação calamitosa no campo com o uso completamente abusivo dos agrotóxicos no cultivo.

Causa Operária: O Brasil se tornou tricampeão mundial em uso de agrotóxicos e vice-campeão mundial em plantio de transgênicos. Como isso aconteceu?

Susana Prizendt: Desde a crise [capitalista] de 2008, aconteceu um duplo movimento no mundo. Na maioria dos países desenvolvidos houve uma movimentação e cobrança maiores dos movimentos sociais que exigiram dos governos o endurecimento das leis contra os agrotóxicos e o uso de transgênicos. Vários países já têm leis que proíbem certos princípios ativos e fortes reivindicações para uma regulação mais rigorosa dos transgênicos.

No Brasil, as políticas públicas favorecem os agrotóxicos, que chegam a usufruir de isenção fiscal para comercialização. O governo exige que os agricultores apresentem nota fiscal de agrotóxicos, adubos químicos e sementes para liberar o financiamento público, estabelecendo, assim, a obrigação de comprar o pacote básico de produção imposto pelas multinacionais.

A bancada ruralista do Congresso, representante dos latifundiários, o setor mais retrógrado da sociedade, e das multinacionais, representa essa política e torna o governo refém dos seus interesses.

A partir de 2008 houve um grande deslocamento de capitais dos países desenvolvidos, onde a economia tinha entrado em colapso, para os mercados especulativos de commodities. A produção de matérias primas nos países emergentes e atrasados ficou muito interessante para a obtenção de altos lucros pelas multinacionais do setor do agronegócio. O Brasil tornou-se um lugar ideal para escoar a produção de venenos e sementes transgênicas.

Causa Operária: Alguns princípios ativos que são utilizados no Brasil já foram banidos em vários outros países. Por que isso está acontecendo?

Susana Prizendt: Muitos desses princípios foram banidos em outros países devido à organização mais sólida dos movimentos sociais e dos próprios consumidores. Aconteceu nos últimos tempos um enrijecimento das leis e das concessões, devido à comprovação dos seus malefícios e esses princípios acabaram sendo proibidos em países dos mais diversos tipos, desde a França até o Paraguai.

No Brasil não haviam acontecido ainda amplas mobilizações da sociedade contra as atividades depredadoras do agronegócio. Por isso a urgência da criação da Campanha. O Brasil está começando a acordar, embora muito tarde, para a gravidade da situação. Uma das principais bandeiras, como reinvindicação mínima em torno da qual esperamos agrupar os movimentos sociais, é que estes princípios ativos sejam proibidos no Brasil. Estamos promovendo um abaixo-assinado com o objetivo de pressionar o governo.

Causa Operária: Como funcionam as politicas públicas de incentivo ao uso dos agrotóxicos e transgênicos no Brasil?

Susana Prizendt: Temos um sistema que é muito cruel, pois as empresas, geralmente ligadas aos grandes grupos multinacionais, ficam apenas com a parte do favorecimento, como a isenção fiscal, ajuda para instalar sua rede de distribuição de venenos e outras facilidades para favorecer o domínio pleno do mercado brasileiro. Mas elas não respondem pelos problemas que geram, como os inúmeros problemas de saúde pública, que são cobertos com dinheiro público, sem contar os gravíssimos problemas ambientais, que praticamente são ignorados.

A lógica foi totalmente invertida. Estamos o tempo todo correndo atrás de reparações dos danos causados em vez de correr atrás de impedir que esses danos sejam gerados para a população e o meio ambiente.


Causa Operária: Como as multinacionais influenciam as politicas de incentivo de agrotóxicos e transgênicos?

Susana Prizendt: As multinacionais no Brasil têm uma associação muito forte com os grandes produtores brasileiros desde o final da década de 1990. O sistema político brasileiro está atrelado às multinacionais. Aqui, nós não temos um sistema público de financiamento das campanhas eleitorais; existe um sistema de financiamento privado que permite doações das grandes empresas. Para se eleger um deputado ou qualquer outro profissional para um cargo político, os partidos recorrem aos poderes econômicos com base nas multinacionais, o que torna a troca de favores algo natural. Isso acontece tanto no legislativo como no executivo. Temos a submissão destes políticos aos interesses das multinacionais e a legislação acaba sendo conivente com esses interesses.

Causa Operária: Quais foram as mudanças nas políticas implementadas pelos governos do PT em comparação com os governos do PSDB?

Susana Prizendt: A primeira coisa que acho importante reforçar é que os governos não são só do PSDB ou só do PT, eles são governos de coalisão. Tanto o PSDB, quando se aliou ao DEM, como o PT, que se aliou ao PL ou PMDB, ficaram sujeitos a setores super-reacionários, como por exemplo, os que representam o agronegócio. Incluindo aí os antigos coronéis que querem manter privilégios exorbitantes. Os representantes mais de esquerda, dos movimentos sociais, que reivindicam melhores condições tanto para os camponeses como para a população em geral, têm perdido muita força no governo devido a essas coalisões. Por isso é importante que a sociedade sempre se mobilize e cobre do governo as suas reinvindicações contra os interesses dos ruralistas e das multinacionais. Neste sentido, a atuação de movimentos como o MST, por exemplo, é importante para lutar por uma reforma agrária decente, como já foi feita em grande parte dos países desenvolvidos.

Causa Operária: Como os agrotóxicos estão afetando a nossa saúde e o meio ambiente?

Susana Prizendt: É uma vastidão de problemas que os agrotóxicos causam tanto na saúde do ser humano diretamente como no meio ambiente em geral.

Na saúde humana, entre os que já foram pesquisados, os mais conhecidos são os efeitos neurológicos que afetam a parte psíquica do ser humano, intensificando a ocorrência de transtornos variados que se têm agravados nos últimos anos. Também na parte endócrina, porque certas substancias mimetizam as substâncias dos hormônios. Elas acabam desregulando completamente o sistema hormonal, gerando problemas sérios. Mas o grande problema de saúde pública tem sido o aumento do câncer, que nos últimos anos tem se deslocado de alguns órgãos em que antes eram mais comuns, como por exemplo, o pulmão, para a parte digestiva como pâncreas, intestinos, tireoide, entre outros. O que está diretamente ligado à alimentação com volumes absurdos agrotóxicos.

No meio ambiente todas essas substâncias tóxicas não somem. Por exemplo, quando são usados aqueles aviões agrícolas para pulverizar lavouras, não se tem o menor controle de onde vão parar esses venenos. Eles são carregados pelo vento e pela água da chuva, penetrando no solo e atingindo o lençol freático, ou seja, se espalham por todo o planeta. Existe relato de venenos até nas geleiras. Então a partir do momento que essas substâncias entram no meio ambiente, o ser humano não tem mais controle sobre elas, sendo também ingeridas pelos animais selvagens.

No Brasil temos visto o uso crescente de veneno ao ponto de se chegar a um consumo de cerca de 1 bilhão de litros em um ano. É algo assustador. Se formos dividir isso por habitante, dá uma média de 5,2 litros de veneno para cada. Não que cada pessoa consuma diretamente isso, mas acaba entrando no meio ambiente e em nosso organismo.

Causa Operária: As pesquisas científicas sobre os agrotóxicos e transgênicos são confiáveis?

Susana Prizendt: Existem dois tipos de pesquisas. A maior parte delas é financiada ou autorizada pelas multinacionais, porque envolve a necessidade de usar os produtos registrados por estas empresas. Muitas vezes estão envolvidas leis sobre sigilo e royalties e é necessária uma autorização formal delas, que tentam autorizar apenas as pesquisas que possam controlar e manipular.

As pesquisas independentes são muito boicotadas e raras. É muito mais difícil divulgar os resultados e fazer com que sejam aceitas, pois as multinacionais montam campanhas enormes contra. Normalmente não há recursos destinados para estas pesquisas.

O patrocínio das multinacionais busca resultados favoráveis, pois está obviamente vinculado à venda dos produtos que oferecem.

Causa Operária: No Brasil, há pesquisas independentes das multinacionais?

Susana Prizendt: Por serem pesquisas caras e longas, que exigem equipamentos sofisticados, laboratórios, equipes de trabalho qualificadas etc., ocorrem em número insuficiente no Brasil e não dão conta do volume de testes e estudos que realmente deveriam ser feitos, pois os efeitos são muito variados e há muitos princípios ativos envolvidos. Inclusive, não há estudos que mostrem a relação entre os princípios ativos entre si. Não se sabe o que a interação entre eles pode causar. Além de o setor ser pequeno e com poucos recursos, as multinacionais tentam inviabilizá-lo, principalmente por meio de ataques jurídicos, engessando e processando quem tenta fazer algum tipo de pesquisa independente, ou tentando intimidar os cientistas.



Causa Operária: Existe um mito de que para alimentar a população mundial é necessário produzir com veneno. Ouvimos a senadora ruralista Katia Abreu defender que “pobre tem que comer comida envenenada”. É possível produzir alimentos suficientes sem o uso de agrotóxicos e transgênicos?

Susana Prizendt: A Campanha sempre está mostrando para as pessoas que na verdade acontece o inverso. Se insistirmos nesse sistema produtivo baseado na monocultura, no uso crescente de venenos e transgênicos, na concentração de terra, nós não vamos conseguir alimentar mesmo a humanidade, como, de fato, hoje já não se consegue.

O modelo monocultor enfraquece a terra, gera super pragas resistentes nunca vistas antes. É um sistema que simplesmente produz commodities que são negociadas nos mercados futuros para especulação. Não é um sistema que está preocupado em produzir comida.

Atualmente, a comida está sendo produzida pela agricultura familiar, em condições precárias e quase sem apoio do poder público. Somente será possível alimentar tanto a população atual como a futura se os investimentos forem direcionados para produção de alimentos nutritivos e não para alimentar os lucros de um punhado de especuladores.

Escutamos os representantes do agronegócio falando em produtividade, mas ela se resume nas toneladas de soja, de cana de açúcar e de milho. Isso vai perpetuando um sistema que não é sustentável porque mesmo que se diga que a soja é usada para alimentar animais que serão futuramente comida para os seres humanos, a quantidade de terra necessária para produzir soja para alimentar esse gado poderia estar produzindo muito mais comida para muito mais pessoas, sem provocar tantas doenças nem depredar o meio ambiente, como ocorre nas monoculturas repletas de veneno.

Segundo a ONU [Organização das Nações Unidas], mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo. O que demonstra que a distribuição de alimentos é desigual. Em relação à distribuição de carne, se olharmos o mapa do mundo, não são todos os países que a consomem em quantidade. Apenas uma minoria consome carne habitualmente.

Considerando o transporte, quando pensamos num sistema que é montando para produzir etanol através do milho ou da cana, esse sistema está usando terras que poderiam estar sendo usadas para a produção de alimentos. E quem está usando esse etanol? Bilhões de pessoas no mundo ainda não têm o seu próprio carro e nem irão tê-lo porque o planeta não suportaria o impacto. Quer dizer que vivemos num sistema elitista, que mantém privilégios para uma minoria e que condena, cada vez mais, um enorme número de pessoas à falta de comida, à desnutrição, à fome e à morte. É um sistema assassino. Além de tudo isso, não fazemos a menor ideia do que ele irá acarretar de problemas ambientais, com as mudanças climáticas e com a diminuição da biodiversidade através dos transgênicos e dos venenos promovidos pela monocultura.

O desiquilíbrio ambiental já está sendo violento e não sabemos nem mesmo se será possível produzir as próprias espécies transgênicas, como vimos recentemente na quebra da safra do milho e da soja transgênicos nos EUA que não resistiram à pior seca dos últimos 50 anos.

Causa Operária: Quais seriam as alternativas às políticas que incentivam o modelo de monocultura devastador?

Susana Prizendt: Seria necessário que houvesse uma inversão. Hoje em dia a mão de obra não é formada para atuar fora do modelo devastador. Não temos agrônomos preparados para trabalhar com a terra. Eles não sabem produzir de maneira orgânica. Se você simplesmente tirar os agrotóxicos do processo, isso não basta para a realização do equilíbrio necessário para uma produção orgânica. A produção orgânica é aquela que realmente entende a terra, que sabe quando a terra está equilibrada, que sabe intercalar as culturas, que trabalha com o ecossistema, com o clima local.

Seria necessário que as políticas públicas estivessem direcionadas a investir na formação técnica independente dos interesses das multinacionais e dos latifundiários. Os camponeses precisam de assessoria técnica, equipamentos, boas terras e financiamento. A agroecologia quase não tem financiamento. No Brasil, o governo investe bilhões na agricultura depredadora de exportação que transforma o País num mero produtor de umas poucas matérias primas. Em resumo, o governo investe em uma agricultura que não busca produzir alimentos para o povo brasileiro e sim para o mercado especulativo, e esse dinheiro vai parar na mão de uma minoria que seria a elite da elite. Ou seja eles ficam com o lucro e socializam o prejuízo com a população. Nós buscamos mobilizar a sociedade para se opor a essas políticas.

Causa Operária: Você gostaria de acrescentar algo mais?

Susana Prizendt: Eu gostaria de convidar as pessoas para terem um envolvimento maior com a Campanha. Temos comitês distribuídos no País inteiro. É uma campanha nacional, composta por movimentos como o MST, FioCruz, Via Campesina e Abrasco. A questão é urgente, não dá para adiar mais. As consequências já são terríveis e vão ser cada vez piores. Principalmente porque a tendência é o aumento da concentração de capitais nos países emergentes devido ao aumento da crise nos países mais ricos. Convidamos as pessoas a conhecerem nosso site, toxicos.org. Ele conta com muitas informações sobre o assunto. Sempre estamos preparando materiais informativos para esclarecer a população sobre o tema. Coisa que a grande mídia não faz e que é vital para garantir o direito à alimentação segura e ao ambiente preservado.

Fonte: Eco Debate

Veja também:




VÍDEO COLABORATIVO DA CAMPANHA CONTRA OS AGROTOXICOS E PELA VIDA from susana on Vimeo.

Para aprofundar:
O VENENO NOSSO DE CADA DIA

JH mostra que é possível cultivar hortas mesmo em pequenos espaços

Veja como é possível ter uma horta em pequeno espaço.
Excelente alternativa aos agrotóxicos:



Veja também :


Municípios vão compartilhar responsabilidade sobre o lixo

Municípios vão compartilhar responsabilidade sobre o lixo - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo: "O governo do Paraná está organizando a criação de consórcios regionais para a gestão de resíduos sólidos até março de 2013. O estado será dividido em 20 regionais, que obrigatoriamente serão formadas por mais de 200 mil habitantes, para compartilhar a responsabilidade de gerir a disposição final do lixo. O projeto faz parte do Plano Estadual de Regionalização de Gestão dos Resíduos Sólidos. Segundo Carla Mittelstaedt, diretora de Resíduos Sólidos do Instituto das Águas do Paraná, autarquia vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), os municípios não são obrigados a participar dos consórcios. “Mas para efetuar o repasse destinado ao setor, tanto por parte do governo estadual quanto do governo federal, serão priorizadas cidades consorciadas”, explica." 'via Blog this'

O objetivo é possibilitar que os municípios paranaenses se ajustem ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, instituído pela Lei n.º 12.305/10, que prevê a eliminação de todos os lixões do país até agosto de 2014. “A diretriz é ter uma responsabilidade compartilhada sobre essa questão, com uma gestão conjunta para que todas as cidades possam estar alinhadas com o propósito de extinguir os lixões no prazo estabelecido”, afirma Carla.

Também será debatida a logística de disposição dos resíduos. De acordo com a diretora, isso dependerá da realidade de cada regional. “Transportar o lixo até uma distância de 30 quilômetros é viável. Acima disso precisaria de uma estação de transbordo”, explica.

Notícia completa: Gazeta do Povo



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Casos de câncer causados por agrotóxicos aumentam em Unaí, MG


Em defesa da vida de Frei Gilvander Moreira

Representantes de movimentos sociais, professores e membros do Poder Judiciário defenderam, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que o número de casos de câncer em adultos e crianças, motivados pelo consumo e contato com agrotóxicos, está crescendo na cidade de Unaí e na região Noroeste do Estado. O tema foi debatido nesta quarta-feira (12/12/12), em reunião solicitada pelo deputado Rogério Correia (PT), que tratou, ainda, da criminalização de militantes vinculados a movimentos ambientais e sociais.

De acordo o parlamentar, o assessor de Comunicação da Pastoral da Terra, Frei Gilvander Luís Moreira, estaria sendo ameaçado de morte e prisão por juiz local, por ter disponibilizado um vídeo na internet, que traz depoimentos sobre os efeitos dos agrotóxicos na região. Ele explicou que, apesar da realidade local ser de amplo conhecimento público, o Poder Judiciário tem protegido as empresas que fazem uso dos defensivos e criminalizado os movimentos sociais. “É um fato inusitado. O feijão produzido em Unaí está envenenado e a punição recai sobre quem denuncia”, indignou-se.

Frei Gilvander confirmou as denúncias e apresentou o vídeo com depoimento sobre o uso de tóxicos no feijão. Ele destacou o fato de a cidade estar preparando a construção de um hospital do câncer, apesar de ter cerca de 100 mil habitantes. “Nenhuma cidade no Brasil desse porte conta com um estabelecimento de saúde especializado para esse fim. É mais uma prova de que o problema é grave”, reforçou.

Irregularidades – O assessor do deputado federal Padre João (PT-MG), Francis Guedes, afirmou que existem agrotóxicos utilizados no Brasil de modo irregular, uma vez que teriam sido autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de forma fraudulenta. Ele explicou que, por meio de laudos preparados com assinaturas falsificadas, os defensivos foram liberados sem análise laboratorial. “O deputado Padre João lidera, na Câmara dos Deputados, uma campanha contra agrotóxicos, que pretende sensibilizar o Governo Federal, por meio dos órgãos competentes, a realizar um estudo sobre o impacto do uso desses venenos na população de Unaí e região”, disse.

Novo prefeito – O deputado estadual e prefeito eleito de Unaí, Delvito Alves (PTB), afirmou que, desde 2007, defende o combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos na região. Segundo ele, na época, a Comissão de Saúde da ALMG esteve na cidade para debater o tema, mas não contou com o respaldo do poder público local. “O prefeito era meu adversário político, por isso, não acatou nenhum dos nosso pedidos para que houvesse uma fiscalização maior do uso desses produtos”, lembrou. Ele colocou-se à disposição dos parlamentares, especialistas e movimentos sociais para levar o debate adiante. “A partir de 1º de janeiro, estou pronto a recolocar o assunto na ordem do dia da prefeitura e espero que possamos fazer alguma coisa para mudar essa realidade”, comprometeu-se. Sobre a declaração do novo prefeito, os deputados Durval Ângelo (PT), presidente da comissão, e Rogério Correia se mostraram esperançosos quanto à melhoria da qualidade de vida da população local.

Pesquisas evidenciam os malefícios do consumo no organismo

A professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eliane Novato Silva, fez um relato técnico sobre os efeitos do contato com os agrotóxicos nas pessoas, especialmente em crianças. Ela garantiu que há evidências laboratoriais e teóricas de que os defensivos podem causar malefícios crônicos de curto, médio e longo prazo. Para ela, é preciso uma grande mobilização social para que essa prática seja banida da sociedade brasileira. “O veneno está na mesa das pessoas, tanto no campo quanto nas grandes cidades. Estamos consumindo produtos que já são proibidos em todo o mundo há muito tempo, mas são permitidos no Brasil”, alertou.

O membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG, Élcio Pacheco, reforçou as palavras de professora e tratou como "genocídio" o uso de agrotóxicos no País. Para ele, é preciso que sejam criadas políticas de Estado que acabem com a situação desumana e degradante na qual vivem trabalhadores próximos às plantações. “O Poder Judiciário e o Governo Estadual são coniventes e protegem as empresas que fazem uso desse veneno contra as pessoas”, criticou.

Fiscalização – O representante da Fetaemg, Rômulo Luiz Campos, também criticou a atuação do Poder Judiciário em Unaí, que ameaça frei Gilvander por ter denunciado a realidade de Unaí. Segundo ele, os órgãos públicos deveriam fiscalizar os efeitos desses agrotóxicos nos alimentos e evitar que os casos sejam recorrentes no Estado. “A população de Unaí não é a única vítima desse mal. Outras cidades sofrem com o mesmo problema. A ALMG precisa exigir que o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) faça análises criteriosas dos alimentos que vão para as mesas das pessoas”, cobrou.

O procurador de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça e Conflitos Agrários, Afonso Henrique de Miranda Teixeira, destacou, ainda, que o uso do agrotóxico está diretamente ligado à reforma agrária. De acordo com ele, não se trata apenas de repartir terra, mas também de definir novos modos de produção no campo. “E o veneno, hoje, é usado em alta quantidade e carga de toxidade”, salientou.

A defensora pública e coordenadora da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais, Ana Cláudia Silva, anunciou que foi aberto procedimento administrativo para averiguar o caso de Unaí, e que o problema é de saúde pública, impacta a Previdência Social e a Assistência Social.

Providências – O deputado Durval Ângelo teve requerimento de sua autoria aprovado, em que solicita o envio das notas taquigráficas da reunião e da audiência pública realizada em Unaí, em 2007, quando o tema foi debatido, ao frei Gilvander, ao Ministério do Trabalho, ao Ministério da Saúde, aos Ministérios Públicos Estadual e Federal, à Secretaria de Estado de Saúde, ao Conselho Nacional de Justiça, à Corregedoria Estadual de Justiça e à Defensoria Pública Federal. O objetivo é pedir providências a esses órgãos quanto uso indiscriminado de agrotóxicos em Unaí.

Outros requerimentos – Na reunião, ainda foram aprovados quatro requerimentos sobre temas diversos tratados na comissão. O deputado Paulo Guedes (PT) pede visita à reserva dos índios Xacriabás, em São João das Missões (Norte) para tratar de denúncias de desmatamento; os deputados Durval Ângelo e Alencar da Silveira Jr. (PDT) querem envio, a empresas, das notas taquigráficas da reunião que debateu convênios da Loteria Mineira com Apae, para que façam doações à instituição; e Durval Ângelo pediu, ainda, envio de relato de visitas feitas pela Organização Advogados sem Fronteiras a aldeias dos índios Guarani-Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, com pedidos de providências ao governo daquele Estado, às polícias Civil e Militar também de Mato Grosso do Sul, à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, ao Governo Federal e ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, ele requer visita da comissão em ato de homenagem ao ex-deputado federal Sérgio Miranda (PDT-MG), falecido em novembro, que acontece nesta quinta-feira (13).




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os agrotóxicos, o novo holocausto invisível

"Anualmente, no mundo, cerca de 3 milhões de pessoas se intoxicam pelo uso de agrotóxicos. Mais de 220 mil morrem. Isto significa 660 mortos por dia, 25 mortes por hora. O programa de vigilância epidemiológica dos Ministérios da Saúde e da Organização Panamericana de Saúde de sete países da América Central, estima que cada ano 400.000 pessoas se intoxicam com venenos", escreve Graciela Cristina Gómez, argentina, advogada ambientalista e escritora, em artigo publicado no sítio Ecoportal, 03-12-2012. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

“Se soubesse que o mundo acabaria amanhã, assim mesmo, ainda hoje, plantaria uma árvore” (Martin Luther King Jr.).

Vinte anos após a catástrofe de Bophal, na Índia, mais de 100.000 pessoas ainda sofrem doenças crônicas relacionadas à contaminação causada pelo vazamento.

Esta data [03 de dezembro] foi estabelecida pela organização PAN International (Pesticide Action Network) para recordar as mais de 16.000 pessoas mortas no desastre ocorrido em 1984 pelo vazamento de 40 toneladas de gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um pesticida da Corporación Union Carbide, adquirida em 2001 pela Dow Chimical. Só nos três primeiros dias morreram 8.000 pessoas. (1)

Em 2000, a Eveready, da mesma empresa (Union Carbide Argentina), foi denunciada de enterrar clandestinamente pilhas alcalinas não aptas para a comercialização. O depósito de resíduos tóxicos se encontrava em uma fazenda no quilômetro 752 da estrada 9, na cidade de Jesús María, província de Córdoba. A fábrica funcionou nesse lugar entre 1965 e 1987, mas desde 1994 funciona ali a empresa brasileira Iochpe-Maxion. Esta empresa fez um acordo com a Eveready, atualmente sob licença da empresa Ralston Purina Argentina S.A., para limpar o terreno e transladar os materiais tóxicos. A companhia Ailinco começou a remover os resíduos industriais no final de setembro para transladá-los em caminhões supostamente acondicionados para um local apropriado para ali serem enterrados ou tratados, localizado em Zárate, Buenos Aires. (2)

Anualmente, no mundo, cerca de 3 milhões de pessoas se intoxicam pelo uso de agrotóxicos. Mais de 220 mil morrem. Isto significa 660 mortos por dia, 25 mortes por hora. O programa de vigilância epidemiológica dos Ministérios da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde de sete países da América Central, estima que anualmente 400.000 pessoas se intoxicam com venenos.

A ONU considera que a taxa de intoxicações nos países do sul poderá ser 13 vezes maior do que nos países industrializados, razão pela qual declarou os agrotóxicos como um dos maiores problemas em âmbito mundial. Em 1991, calcula-se que 25 milhões de trabalhadores agrícolas tenham sofrido alguma intoxicação com pesticidas e que estes seriam responsáveis por 437.000 casos de câncer e de 400.000 mortes involuntárias. (3)

Do campo de guerra para o campo semeado

Os agrotóxicos não foram inventados para a agricultura e não foram solicitados pelos agricultores; são um produto de guerra. E hoje, quando vemos os problemas ocasionados pelos agrotóxicos, temos que dizer o seu nome certo: Veneno – Arma Química – Agrotóxico.

Na Primeira Guerra Mundial a Alemanha foi bloqueada e os aliados proibiram a importação do salitre chileno e outros adubos nitrogenados que poderiam ser utilizados na fabricação de explosivos. Quando a guerra terminou os alemães tinham um enorme estoque de nitratos, que já ninguém mais queria. A indústria química os reciclou e foram impostos aos agricultores. Assim nasceram os adubos nitrogenados. A agricultura foi uma espécie de lixeira para a indústria da guerra.

Fruto da guerra, os agrotóxicos foram criados para matar o homem, para destruir suas plantações e não para benefício da humanidade. Quando a primeira bomba atômica explodiu, no verão de 1945, viajava na direção do Japão um barco americano com uma carga de fitocidas, então declarados como LN 8, e LN 14, suficiente para destruir 30% das plantações. Mais tarde, na guerra do Vietnã, estes mesmos venenos, com outros nomes, como agente laranja, serviram para a destruição de dezenas de milhares de quilômetros quadrados de florestas e plantações.

Também o DDT, usado para matar insetos, surgiu na guerra. Para combater a malária. Depois da guerra, novamente a agricultura serviu para canalizar as enormes quantidades armazenadas e para manter em funcionamento as grandes capacidades produtivas que haviam sido montadas. (4)

Mais de 500.000 toneladas de inseticidas obsoletos, proibidos ou que caducaram, se acumulam em quase todos os países em desenvolvimento, supondo uma grave ameaça para a saúde de milhões de pessoas e para o meio ambiente. (5)

Nicarágua: Em um engenho, foram necessárias 986 pessoas mortas por efeitos do agrotóxico Nemagón para que a Assembleia Nacional da Nicarágua começasse a agir. Os resultados são dramáticos. Segundo cálculos, morreram 1.383 trabalhadores e nos últimos anos há uma média de 46 mortes mensais. (6)

Argentina: Em Misiones, cinco de cada mil crianças nascem com mielomeningocele, uma deformação do sistema nervoso central. Em Misiones, estima-se que cerca de 13% da sua população tem alguma incapacidade. “Quando vemos o orçamento que a Monsanto tem para a América Latina, que tem sua grande agência aqui em Posadas, 30 bilhões de dólares são o que ela investe em agrotóxicos para que alguns poucos se enriqueçam e para que todos os demais sejamos incapacitados”. (7)

Ver também os relatórios por província do Grupo de Reflexão Rural, o relatório Pachamama (Ecos de Romang) e As derivações do caso Portillo (jornal El Día, Gualeguaychú), entre outros, que provocam vergonha e impotência em nosso país.

Paraguai: É o terceiro maior exportador e quarto maior produtor mundial de soja. 85% das sementes plantadas pertencem à Monsanto. O Ministério da Saúde registrou 430 casos de envenenamento e morte entre 1990 e 2000.

Neste contexto, talvez o caso mais ressonante no Paraguai seja a morte do menino Silvino Talavera, ocorrida em janeiro de 2003 e que originou o primeiro julgamento de produtores, condenados a apenas dois anos de prisão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) assinala que do total de 3 a 5 milhões de casos anuais de agricultores afetados, 40.000 morrem por intoxicações agudas. (8)

Uruguai: O diretor do Registro Nacional do Câncer, do Ministério da Saúde Pública, Dr. J. A. Vasallo, em seu livro Câncer no Uruguai, de 1989, expressa que há um aumento de 64% nos últimos 30 anos. (9)

Brasil: Está comprovada a contaminação transgênica das Cataratas! Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) no Parque Nacional do Iguaçu confirmou que os cultivos de soja transgênica que abundam em sua zona de influência são a causa da contaminação genética de diversas espécies vegetais. A plantação de soja na região limítrofe ao parque está proibida por lei. (10)

No primeiro semestre de 2004, a China embargou um carregamento de soja proveniente do Brasil que registrava contaminação com fungicida Carboxin e Captan. Este procedimento, segundo ambientalistas, é comum em exportações para países pobres, quando parte da carga comercial é misturada com grãos contaminados. Diante da recusa da China em aceitar o produto contaminado, acredita-se que a soja tenha sido adquirida por países com menor poder de impor restrições comerciais, como é o caso da Indonésia. No entanto, este mesmo lote com níveis de contaminação similares também pode ter parado na mesa dos brasileiros. (11)

Colômbia: É muito difícil calcular as intoxicações na Colômbia e na América Latina porque a maioria dos casos não é registrada. As autoridades subestimam as queixas, como ocorre com milhares de intoxicações pelas fumigações aéreas de Roundup (glifosato) em zonas de cultivos de uso ilícito na Colômbia, em concentrações muito mais altas que as autorizadas pelo uso agrícola.

Cabe recordar aquela ocorrida em 1967 em Chiquinquirá (Boyacá), Colômbia, que envolveu mais de 500 pessoas, 165 das quais precisaram de tratamento médico e 63 morreram. Dezenas de crianças se intoxicaram e morreram quando tomavam café com pão feito com farinha de trigo contaminada com Folidol (paration).

Peru: A tragédia de Tauccamarca, ocorrida em outubro de 1999, onde 24 crianças foram envenenadas e mortas depois de ingerir um alimento contaminado com Parathion, pesticida produzido pela multinacional Bayer, 24 crianças morreram na comunidade cusquenha depois de terem consumido um lanche escolar. A morte foi quase instantânea, em meio a dores atrozes. Outras 22 crianças sobreviveram, mas é possível que seus sistemas nervosos tenham ficado seriamente prejudicados. (12)

Calcula-se em milhares as mortes causadas pelo herbicida paraquat da Syngenta (Gramoxone) no mundo todo. O Paraquat foi responsabilizado por numerosos problemas de saúde nos países em que é utilizado. A Malásia é um dos 13 países que o proibiram, mas há 120 que ainda o usam. Em compensação, a União Europeia o aprovou. (13)

Na Costa Rica, desde 1980 e durante duas décadas tem sido registrado como o maior causador de envenenamentos e responsável por uma terça parte das mortes de centenas de trabalhadores agrícolas. Não se conhece antídoto nem tratamento eficaz para controlar um envenenamento com paraquat.

Estima-se que 85% dos casos não são registrados. Em 2000, foram registrados 752 casos de intoxicação com pesticidas, 12 dentre eles resultaram em morte. (14)

Uma investigação recente sobre a água engarrafada na Índia mostrou altos níveis de lindano, entre outros pesticidas como o DDT e o malation, altamente tóxicos, e por isso houve uma campanha contra a Coca-Cola por vender seus refrigerantes contaminados. Isso na Grã-Bretanha não foi nenhuma novidade, depois de ter acusado a mesma empresa que sua água mineral Dasani tinha o dobro de bromato do que o permitido e de não ser potável, mas, tirada da torneira, a partir dessa data, essa água engarrafada faz furor na Argentina. (15)

Chile: O lindano, apesar de estar proibido desde 1998 pelo Ministério da Agricultura para uso agrícola devido aos seus graves efeitos para a saúde das pessoas, segue sendo aplicado na cabeça de crianças para combater a pediculose. Longe de erradicar o mal, este fungicida provocou resistência e a pediculose se tornou endêmica, segundo reconhecem autoridades do Ministério da Saúde. (16)

México: Os índices de câncer no México aumentaram a partir de 1989. Representa a segunda causa de morte do país. Nesse ano houve 40.628 mortes (48,2 sobre cada 100 mil habitantes). Curiosamente, na cidade de Comitán, região produtora de suínos, e na região Costa de Chiapas, o alto índice de pessoas com câncer de estômago situa a cidade no primeiro lugar em nível mundial nessa doença. Na região é muito usado o lindano para matar os piolhos e atacar a sarna nos porcos. Também é usado em pó, que se aplica no milho para armazená-lo e evitar que seja atacado por insetos ou para que os gorgulhos não estraguem o feijão. Nesta região fronteiriça são realizadas há anos constantes fumigações sobre plantios de comunidades indígenas que atinge também casas, animais domésticos, plantações de milho e de café. Grandes populações de abelhas foram eliminadas e, com isso, os produtores de mel. O lindano, além disso, contamina altamente os solos, rios, poços, lagoas e águas subterrâneas.

Na Zona Altos o lindano também é frequentemente usado pelos agentes da Secretaria da Saúde para a aplicação em crianças de quatro meses para combater piolhos. A IARC, assim como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US EPA), classificou o lindano como possível cancerígeno humano.

Para uso agropecuário, existem três empresas que comercializam o Lindano: Agromundo, Engenharia Industrial e Indústrias Gustaffson. Cabe destacar que esta última foi comprada em 2004 pela multinacional Bayer, uma verdadeira especialista em envenenamento planetário, e que vende o Lindano sob o nome Germate Plus. A Bayer havia comprado, além disso, em 2001, a empresa Aventis Crop Science, uma fusão do Laboratorios Helios, AgrEvo e Rhone Poulenc. Além de borrifar os indígenas de Chiapas com Baygon. (17)

A empresa Anaversa, em Córdoba, Veracruz, em maio de 1991, causou numerosas mortes por câncer e efeitos crônicos na população; a limpeza do local nunca foi feita, nem as vítimas compensadas, embora a empresa tenha cobrado o seguro contra acidentes. Um segundo caso é o da empresa produtora do inseticida Artivi, em Juchitepec, Estado do México. Um terceiro caso é o da Tekchem, em Salamanca, Guanajuato, que produziu por décadas inseticidas organoclorados persistentes, o que produziu problemas de saúde e contaminação ambiental. Em suas instalações, a empresa conserva 84.000 toneladas de resíduos organoclorados que deixou Fertimex mais de 45.000 toneladas de enxofre contaminado. Estas e outras substâncias encontram-se no relento. (18)

As fábricas do espanto

DuPont: Durante a Guerra Civil nos Estados Unidos, ela administrava a metade da pólvora usada pelo exército da União, também dinamites. Continuou sendo um provedor do exército norte-americano tanto na Primeira como na Segunda Guerra Mundial e também colaborou no Projeto Manhattan, sendo responsável pela fábrica de produção de plutônio no Laboratório Nacional Oak Ridge.

A DuPont foi, ao lado da General Motors, o inventor dos CFC (substâncias danosas para a camada de ozônio). Em um relatório enviado por Saddam Hussein à ONU antes da invasão do Iraque revelou que a DuPont havia participado do desenvolvimento do programa nuclear iraquiano. Uma investigação da Agência de Proteção Ambiental acusou a DuPont de ocultar os efeitos do C-8 (um produto usado na obtenção do Teflon). Vários estudos sugerem que o efeito acumulativo deste material é cancerígeno, além de poder provocar deformações na gravidez.

Basf: A Basf é a maior empresa química do mundo. De origem alemã, compreende mais de 160 subsidiárias e conta com mais de 150 plantas de produção em todo o mundo. Entre seus produtos está a anilina, de efeitos cancerígenos para animais e seres humanos.

A IG Farben foi fundada em 1925 a partir da fusão da Basf, da Agfa e da Hoechst. A IG Farben foi a única companhia alemã com seu próprio campo de concentração, onde morreram ao menos 30.000 pessoas, e muitos mais foram enviados para as câmaras de gás. A IG Farben construiu uma fábrica em Auschwitz, com uma força de trabalho de aproximadamente 300.000 escravos.

O gás Zyklon B, que era utilizado nas câmaras de extermínio, era fabricado pela Degesch, uma subsidiária da IG Farben. Com este veneno foram executados milhões de judeus, ciganos e soviéticos.

Acabada a Segunda Guerra Mundial, os países aliados, durante os Julgamentos de Nuremberg, ordenaram o desmembramento do consórcio.

As empresas sucessoras da IG Farben na atualidade são a Bayer, Basf e Hoechst, que herdaram o total das propriedades da IG Farben, mas não as responsabilidades penais.

Atualmente, a Basf lançou uma campanha publicitária que promove o agrotóxico de nome comercial Opera, que é um fungicida – um veneno para fungos – que se utiliza nas monoculturas de soja para controlar doenças de fim de ciclo, em particular a ferrugem asiática. A publicidade mostra uma criança sorridente, com uma pequena planta na mão e com uma extensa plantação de soja ao fundo. A imagem é acompanhada pela frase ‘A inovação Basf está aqui para melhorar sua qualidade de vida’. O idílico da imagem está longe da realidade que o cultivo de soja e seu pacote tecnológico associado representam para o nosso campo e seus habitantes.

Bayer: Produziu até a Primeira Guerra Mundial uma droga chamada diacetilmorfina, uma droga aditiva, vendida originalmente como tratamento da tosse, que depois passou a se chamar heroína. A heroína era uma marca registrada da Bayer, até que foi proibida antes da Primeira Guerra Mundial.

De 1925 até 1951, a Bayer converteu-se em parte da IG Farben, conglomerado das indústrias químicas alemãs que formou a base financeira do regime nazista. O Dr. Fritz ter Meer, condenado a sete anos de prisão pelos crimes de guerra pelo Tribunal de Nuremberg, foi feito Diretor Supervisor da Bayer em 1956, depois que saiu da prisão. Também são de sua atribuição a criação de agentes químicos, tais como: gás mostarda (arma química) e tabun (gás nervoso). (19)

Syngenta: Pesticida assassino e sementes Terminator. O Paraquat é vendido em mais de cem países com o nome genérico de Gramoxone – que representa uma parte importante dos lucros da transnacional radicada na Basileia que, em 2006, teve um lucro líquido declarado em cerca de 900 milhões de dólares – e causou milhares de mortes.

Nascida em 2000 da fusão das divisões agroquímicas da suíça Novartis e do consórcio anglo-sueco AstraZeneca, o Gramoxone segue sendo vendido em todo o mundo e sua expansão não para, como provam as novas fábricas que a empresa abriu na China.

Em maio desse ano, diversas organizações da Ásia, África e Europa, apresentaram uma denúncia contra a Syngenta na FAO. A empresa não respeita seu artigo 3.5 que pede para evitar certos pesticidas extremamente tóxicos. Em julho passado, a Corte de Justiça Europeia também se pronunciou contra esse produto.

As plantas do tipo Terminator produzem sementes estéreis que não dão mais que uma única colheita. Os camponeses não podem utilizá-la novamente como semente. Segundo a denúncia de março de 2006 das organizações suíças, o único objetivo dessa tecnologia é dominar o mercado de sementes e garantir o controle da alimentação mundial, o que implica em uma violação do direito humano da alimentação. (20) No Brasil, uma milícia armada atacou camponeses em um campo experimental da multinacional Syngenta situada em Santa Teresa do Oeste, Paraná. Este campo foi ocupado e denunciado pelos camponeses, mas às 13h30 do dia 21 de outubro, foram atacados. Um membro da Via Campesina, Valmir Mota, de 32 anos, pai de três filhos, foi executado com dois tiros no peito. Outros seis trabalhadores rurais foram gravemente feridos. (21)

Monsanto: Acusada de contaminar os moradores de Times Beach, as águas da população de Anniston, é criadora do Aspartame (Nutrasweet), adoçante de efeito tônico para o cérebro. Não satisfeita com isso, fornece a cafeína para a Coca-Cola.

Foi condenada pelo glifosato Roundup ao ficar demonstrado seu caráter potencialmente cancerígeno e perturbador do sistema endócrino e de provocar efeitos nefastos ao ambiente no longo prazo. (22)

Seu milho transgênico foi aprovado para consumo humano pela União Europeia. Entretanto, dois de seus híbridos submetidos à aprovação contêm a modificação genética Nk603 – foram analisados recentemente pelo instituto francês CRIIGEN, que encontrou claros sinais de toxicidade nos dados apresentados pela empresa fabricante, a multinacional Monsanto.

O terceiro milho aprovado, conhecido como Herculex, foi repetidamente denunciado porque as análises realizadas pelas empresas fabricantes – Pionner e Dow – revelaram sinais de toxicidade que exigem novas pesquisas.

Amigos da Terra, COAG e o Greenpeace denunciaram reiteradamente a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) por não exigir mais pesquisas antes de aprovar novos transgênicos e por não ter em conta as evidências sobre seus efeitos prejudiciais, já que enquanto não se produzir uma melhora radical da avaliação de riscos dos transgênicos, os processos de autorização devem ser suspensos. (23)

Na Índia, o Ministério da Agricultura reconhece que entre 1993 e 2003 ocorreram 100.000 suicídios de camponeses. E entre 2003 e 2006 (outubro) foram registrados 16.000 suicídios cada ano. No total, entre 1993 e 2006 houve cerca de 150.000 suicídios – 30 por dia durante 13 anos! Milhares de camponeses, cuja forma de vida foi destruída, recorreram ao suicídio como única escapatória.

Recorreram ao algodão da Monsanto buscando reduzir o custo em inseticidas, mas a armadilha do endividamento rapidamente tomou conta deles porque as sementes do algodão da Monsanto são ainda mais caras. (24)

O debate negado e os silêncios da imprensa

Essa é uma das principais conclusões feitas por uma meticulosa pesquisa realizada pelo Observatório de Imprensa da Agência Jornalística do Mercosul (APM), da Faculdade de Jornalismo e Comunicação Social da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), da Argentina. Essa pesquisa desnuda as técnicas manipuladoras da imprensa hegemônica.

Uma medição do Observatório de Imprensa da APM constatou que os principais jornais econômicos de Buenos Aires promovem o programa que converte a alimentação em gasolina para os ricos. (25)

A imprensa e os governos se negam a um debate sobre estes temas, negando e ocultando informação, quando justamente, conscientizando a população se evitariam tantas mortes e haveria um melhor manejo e prevenção dos agrotóxicos.

No entanto:

– Vemos na televisão dias atrás um vergonhoso programa de ‘Um mundo de baixo consumo’, aplaudindo os biocombustíveis, mostrando a cultura yanqui, e os carros híbridos, somente acessíveis a Bill Gates. Por que não foi feito no Paraguai, no Brasil ou em Santa Fé mostrando os estragos da soja?

– O mesmo canal levanta uma nota a realizar-se com integrantes da Acción Ecológica sobre mineração, seguramente por pressões. (26)

– A Corte da Província de Catamarca anula um plebiscito sobre a instalação de uma mina de urânio a céu aberto, apoiando-se no artigo 124 da nossa Constituição Federal, sem levar em conta que o artigo 41 está em “Direitos e Garantias” da nossa Constituição, se não se deram conta, e que o povo é soberano e eles são um número, um mero representante desse soberano. (27)

– As Crianças nascidas com deformações em Santa Fé e em Misiones, nunca tiveram uma nota em nenhum jornal de Buenos Aires. Alguns jornais locais e as redes ecologistas brigam sozinhas, expondo estes temas e mostrando ao mundo, que, com pavor, repetem as notícias uma ou outra vez, enquanto a Argentina se cala.

O milagre da soja, segundo alguns rafaelinos que escutamos, envergonhando-nos de serem santafesenses, em uma Universidade de Três de Fevereiro, Buenos Aires, falando de arte, agradecem à soja pela arte!

Brindem com Roundup, senhores... Quando os inseticidas matarem até o último pássaro das montanhas que ainda nos restam, não agradecerão nem à Monsanto, nem à Bayer, nem à Syngenta e companhia. Porque estar no holocausto e não se dar conta já é estar morto em vida.

Notas:

1- Rebelión “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.

2- www.funam.org.ar : “Remueven residuos tóxicos enterrados clandestinamente por Eveready en Córdoba”.

3- www.rel-uita.org “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.

4- www.rel-uita.org “Agrotóxicos de la guerra a la agricultura”.

5- www.Eco2site.com “Nuevo código para pesticidas”.

6- www.nodo50.org ”El drama de los agricultores nicaragüenses afectados por el pesticida nemagón”.

7- www.ecoportal.net “Malformaciones en Misiones por el uso de agrotóxicos”.

8- www.lineacapital.com.ar “Cinco de cada mil niños misioneros padecen malformaciones por agrotóxicos”.

9- www.ecocomunidad.org.uy “Agrotóxicos hasta en la sopa”.

10- Radio mundo real “Brasil: comprueban contaminación transgénica en Parque Iguaçu”.


12- www.rel-uita.org “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.

13- www.ecoportal.net “Syngenta: Contaminación Agroquímica”.

14- www.agroecologia.es “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.


16- Diario El clarín Chile.

17- www.ecoportal.net : “ Otra amenaza, el Lindano. Niños en peligro”.

18- Greenpeace “En el aniversario del accidente de Bhopal, repudian el uso de plaguicidas”.


20- www.paginadigital.com.ar : “La transnacional suiza Syngenta en la mirilla”.

21- Anred org:“Brasil: milicias armadas de Syngenta atacan a campesinos”.

22-Ecos de romang: “Doctor ¡grítelo mas fuerte!”.

23- www.amigosdelatierra.org “Ecologistas y agricultores denuncian que la UE aprobará tres transgénicos potencialmente peligrosos con el voto favorable de España”.


25- Biodiversidala.”Los silencios de la prensa argentina: ¿por qué no debaten sobre Agrocombustibles?

26- www.bolsonweb.com.ar “Canal 13 cancela una nota con un ecologista chubutense”.

27- Página12: “La consulta popular sobre minería que fue impedida por la Justicia”.

Fonte: UNISINOS

sábado, 8 de dezembro de 2012

Ministério da Agricultura pressiona para liberar agrotóxico



Por Evandro Éboli (eboli@bsb.oglobo.com.br) | Agência O Globo (*)

BRASÍLIA - Atas de reunião dos setores do governo responsáveis pela avaliação de agrotóxicos revelam a pressão do Ministério da Agricultura para a liberação de produtos. 

O ministério, que se relaciona com setores do agronegócio, pede prioridade para aprovação de agrotóxicos e atropela a ordem de chegada dos pedidos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária tenta barrar as ações.

A ata de uma reunião do Comitê Técnico de Assessoramento de Agrotóxicos, que reúne o Ministério da Agricultura, o Ibama e a Anvisa - que liberam os agrotóxicos - detalha a pressão. O registro é de uma reunião de novembro de 2011 e o propósito é aprovar ingredientes para combater a ferrugem da soja e a ferrugem da cana de açúcar.

"O CTA acusa o recebimento das demandas de prioridade efetuadas pelo Ministério da Agricultura em função da ferrugem de soja e da ferrugem de cana de açúcar. A Anvisa ressalta que não podem ser acatados pedidos de priorizar os processos de uma empresa em específico, como constam dos ofícios encaminhados pelo Mapa (Ministério da Agricultura)", diz a ata. 
Para a Anvisa, é preciso considerar todos os pedidos que envolvam produtos de combate a essas pragas, e não de determinada empresa

O coordenador de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel, que representa a pasta no CTA, reconhece pressão de empresas e de entidades.

 Mas nega privilégios. Ele diz que a análise na Anvisa leva 40 meses, e que o ideal seriam quatro meses.
Rangel diz que pedidos de prioridade visam resolver problemas urgentes e reconheceu haver pressões:

- Político eu jogo para cima. É com ministros. 

Sou técnico. E técnico fala com técnico.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Justiça decreta prisão de Frei Gilvander por denunciar abuso de agrotóxicos em feijão


O juiz do município de Unaí, região Noroeste de Minas Gerais, decretou a prisão do padre Carmelita, assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e militante dos direitos humanos, Frei Gilvander. O motivo para a prisão foi a divulgação de um vídeo produzido pelo Frei que denuncia o envenenamento da população da cidade de Unaí e região pelo abuso de agrotóxicos utilizados na marca “Feijão Unaí”.

No vídeo, uma trabalhadora de uma escola municipal de Arinos, cidade vizinha de Unaí, relata que o feijão foi enviado para a merenda escolar e que as cozinheiras não suportaram o mau cheiro e os sinais de veneno contidos no feijão, chegando, inclusive a passar mal. Isso se repetiu várias vezes, chegando ao ponto de até descartarem o feijão no lixo.

A cidade de Unaí é a campeã nacional em casos de câncer. Segundo os dados da Comissão Parlamentar da Câmara Federal, em Unaí há 1260 casos de pessoas com câncer por ano. A média mundial não ultrapassa 400 casos anuais para cada 100.000 habitantes. A cidade também é a campeã nacional em produção de feijão e de uso de agrotóxicos, uma verdadeira ameaça a saúde da população.

A prisão de Frei Gilvander se dará caso não retire de circulação o vídeo que faz essa importante denúncia, um verdadeiro ataque à liberdade de expressão e informação. Os diretores do Google e do Youtube estão respondendo a processo pela veiculação do vídeo.

Frei Gilvander é um grande companheiro da luta do povo pobre e por isso desperta o ódio dos poderosos. Em maio, por seu apoio à luta do povo por moradia e denúncia do despejo da Ocupação Eliana Silva e de outras comunidades sofreu dezenas de ameaças de morte. (Veja na entrevista ao Jornal A Verdade clicando aqui). Mas segue firme na luta contando com cada vez mais apoio das comunidades e das pessoas de luta, justas e honestas.

Veja abaixo o vídeo que motivou o decreto de prisão de Frei Gilvander:



Fonte: Jornal A Verdade

Atualização em 03 de abril 2013  o  vídeo pode ser acessado ainda em outro lugar, veja:


Feijão de Unaí está envenenado! Fala de Edivânia, de Escola Municipal de Arinos. from Isaac Kojima on Vimeo.

Veja também:



Justiça determina prisão de frei, caso vídeo não seja retirado da internet

Relatório da Câmara dos Deputados relaciona agrotóxico a câncer em Unaí

Frei tem prisão decretada por divulgar vídeo sobre feijão contaminado fornecido a escolas de MG


Para saber mais:

Questão dos agrotóxicos em Unaí: Informações atuais.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Marco Maia e ruralistas podem votar fim da rotulagem de transgênicos



Uma importante conquista da população brasileira está ameaçada. O projeto de lei de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze pode ir à votação em caráter de urgência nesta semana. Esse PL prevê a não obrigatoriedade de rotulagem de alimentos que possuem ingredientes trangênicos, independentemente da quantidade.


Caso o projeto de lei seja aprovado, corremos sério risco de saúde, pois compraremos alimentos como óleos, bolachas, margarinas, enlatados e papinhas de bebê sem saber se são seguros ou não. Atualmente, cerca de 80% da soja e 56% do milho do País são de origem transgênica. É essa produção crescente e acelerada que leva para a mesa do consumidor um alimento disfarçado ou camuflado que não informa sua real procedência.

Nós, consumidores, temos o direito à informação (artigo 6º do CDC) sobre o que estamos adquirindo ao comprarmos e consumirmos um produto.

A introdução de transgênicos na natureza expõe nossa biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração do patrimônio genético de nossas plantas e sementes e o aumento dramático no uso de agrotóxicos. Além disso, ela torna a agricultura e os agricultores reféns de poucas empresas que detêm a tecnologia e põe em risco a saúde de agricultores e consumidores.

Precisamos que o maior número possível de mensagens contra esse PL cheguem à Câmara dos Deputados. Eles precisam saber que nós não queremos ser enganados e iludidos. Os consumidores têm o poder de escolha e o direito à informação.

Envie uma mensagem agora usando nossa ferramenta!


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