Seguidores

Mostrando postagens com marcador Agrotóxicos - Videos e entrevistas.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Agrotóxicos - Videos e entrevistas.. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2015

“O Doce Veneno dos Campos do Senhor” é escolhida melhor reportagem televisiva pela Associação Nacional dos Procuradores da República


Incidência de câncer chega a ser 30% maior que a média





Na quarta-feira 18 de junho de 2014, o repórter Roberto Cabrini mostrou algumas das graves consequências do uso dos agrotóxicos no Brasil. Intitulada ‘O doce veneno nos campos do senhor’ a reportagem foi exibida no programa Conexão Repórter e mostra o uso indiscriminado de agrotóxicos: trabalhadores rurais totalmente desprotegidos, e a água contaminada que pode atingir populações inteiras.

 No sertão nordestino, a reportagem revela uma região onde a incidência de câncer chega a ser 30% maior que a média. Com câmeras escondidas, produtores mostram como a venda dessas substâncias ainda pede mais controle.

 A pesquisadora Raquel Rigotto – uma das organizadores do recém-lançado livro Dossiê Abrasco: um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, é uma das entrevistadas.

Nesta terça-feira 5 de maio, a reportagem se uniu aos outros 13 vencedores do III Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal, em cerimônia promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília (DF). O evento reuniu autoridades, procuradores da República, jornalistas e instituições de responsabilidade social.

Esta é a primeira vez que a entidade inclui a categoria Jornalismo na premiação. “Os jornalistas são fundamentais no que diz respeito à conscientização e à divulgação de questões de interesse público que envolvem o MPF. Esse reconhecimento é necessário para selarmos essa atuação conjunta que, ao longo dos anos, vem apresentando o trabalho dos procuradores da República para a sociedade”, justificou o presidente da ANPR, Alexandre Camanho.

Rodrigo Janot, procurador-geral da República e integrante da Comissão Julgadora, ressaltou que o evento coroa a prática do bem fazer do Ministério Público Federal e a ação do dia a dia dos membros da instituição. “Quanto mais difícil é a tarefa, mais somos chamados para ser MPF. O que nos faz forte não é falar, é agir de forma reta e simples”, acrescentou. Entre todos os trabalhos inscritos, foram escolhidos como finalistas ações inovadoras, trabalhos históricos e documentos que garantem os direitos da sociedade e a cidadania.

Assista aqui à reportagem “O Doce Veneno dos Campos do Senhor” – Conexão Repórter (Autores: Roberto Cabrini, José Brito, Daniel Vicente, Nelson de Russi e Bruno Chiarioni)





Nota do blogue:

Trabalhadores desprotegidos que se contaminam todos os dias, não é exclusivo do sertão nordestino, isso acontece também nas regiões mais desenvolvidas do país - principalmente na agricultura familiar, e existe uma omissão muito grande da assistência técnica privada e oficial.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

TV Globo exibe reportagem sobre agrotóxicos no Brasil

    FONTE: CONSEA


A reportagem revela dados de um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Câncer, o Inca. O relatório mostra o Brasil como maior consumidor desses produtos no planeta – mais de 1 milhão de toneladas em 2009, uma proporção de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.

Veja também: Em 2014, cada brasileiro consumiu 7,3 litros de agrotóxicos

De acordo com o Inca, as atuais práticas de uso de produtos químicos sintéticos usados para matar insetos ou plantas no ambiente rural e urbano oferecem risco à saúde. A instituição afirma que essas substâncias geram grandes problemas como poluição ambiental e intoxicação de pessoas, como trabalhadores e moradores dos arredores de plantações e criações.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Seminário: Os Agrotóxicos e Seus Impactos Sobre a Saúde - Parte 1



Seminário: Os Agrotóxicos, seus Impactos na Saúde e as Alternativas Agroecológicas no Município de São Paulo, 15/04/13. Ação da Frente Parlamentar Pela Sustentabilidade da Câmara em parceria com a Campanha e movimentos sociais paulistanos que buscam o cultivo pela Vida. (Direção de Fotografia e Edição de Betina Schmid, membro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida).

Pesticidas e Doenças Hematológicas e Oncológicas



Seminário: Os Agrotóxicos, seus Impactos na Saúde e as Alternativas Agroecológicas no Município de São Paulo, 15/04/13. Ação da Frente Parlamentar Pela Sustentabilidade da Câmara em parceria com a Campanha e movimentos sociais paulistanos que buscam o cultivo pela Vida. (Direção de Fotografia e Edição de Betina Schmid, membro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida).

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Agrotóxicos e câncer



O Instituto Nacional de Câncer abre suas portas para discutir grave problema de saúde pública: a relação entre agroquímicos e carcinogênese. Este vídeo-reportagem capta alguns momentos e reflexões do 1º Seminário Agrotóxicos e Câncer, realizado no Rio de Janeiro nos dias 7 e 8 de novembro

terça-feira, 2 de abril de 2013

AGROTÓXICOS PODEM CAUSAM CÂNCER DE MEDULA



Cara Redonda mostra trecho de matéria da TV GLOBO/Programa Rural (agosto de 2012), sobre as pesquisas de especialistas da Universidade Federal do Ceará, em relação à incidência de câncer em agricultores expostos no processo de pulverização de agrotóxicos.

O problema no Brasil ainda reside nas ações dos órgãos responsáveis - ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária, e outros que consideram adequados os altos níveis de agrotóxicos utilizados nas culturas. 

A cada dia surgem denúncias de subornos e outras maneiras de como as corporações, que distribuem e lucram com esses produtos, se utilizam para continuar lucrando no país.

Para saber sobre o que o Cara Redonda acha dos perigosos alimentos transgênicos, acesse:

Aqui,o link de uma matéria onde comissões científicas provaram recentemente (setembro-2012) que transgênicos da Monsanto causam câncer. 

O resultado dessas pesquisas está causando o cancelamento de inúmeros contratos com a Monsanto em várias regiões do planeta:

Jornal Nacional- Reportagem sobre Agrotóxicos na Agricultura

Programa Cultura e Meio Ambiente sobre agrotóxicos

Neste programa você vai conhecer os riscos do uso abusivo dos agrotóxicos, os alimentos que mais apresentam resíduos desses defensivos e as alternativas ao uso do veneno.





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Agrotóxicos e Câncer




Wanderlei Pignati, professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, alerta sobre os riscos do aumento excessivo no uso agrotóxicos e os danos causados à saúde humana.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Impactos do uso de agrotóxicos na saúde do trabalhador e consumidor

Médico e doutor em toxicologia Wanderlei Pignatti em entrevista, coloca sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde do trabalhador, meio ambiente e consumidor final.



sábado, 15 de dezembro de 2012

Entrevista com Susana Prizendt, coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos no estado de São Paulo




Vivemos em um sistema que condena um enorme número de pessoas à falta de comida, à desnutrição, à fome e à morte”

Causa Operária entrevista Susana Prizendt, coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos no estado de São Paulo, iniciativa da qual participam vários movimentos sociais

Causa Operária: Qual é o objetivo da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos?

Susana Prizendt: Em nome da Campanha, gostaria de agradecer a oportunidade oferecida pelo jornal Causa Operária, já que é muito difícil conseguirmos espaço na grande mídia e todo espaço aberto é importante para fomentar o debate com a sociedade. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida é uma iniciativa da qual fazem parte vários movimentos de diferentes áreas, porque o assunto é um tanto complexo. Nós temos entre nós pessoas ligadas aos direitos humanos, porque é um direito básico à alimentação segura da população que está em jogo; dos movimentos campesinos, que reivindicam melhores condições de trabalho no campo e um sistema de distribuição de terra mais justo; da área da saúde e da ciência, que podem fundamentar cientificamente o quanto os agrotóxicos fazem mal a saúde; e também pessoas ligadas aos movimentos ambientalistas porque o meio ambiente realmente está sendo extremamente exposto a danos. Queremos alertar a sociedade sobre a situação calamitosa no campo com o uso completamente abusivo dos agrotóxicos no cultivo.

Causa Operária: O Brasil se tornou tricampeão mundial em uso de agrotóxicos e vice-campeão mundial em plantio de transgênicos. Como isso aconteceu?

Susana Prizendt: Desde a crise [capitalista] de 2008, aconteceu um duplo movimento no mundo. Na maioria dos países desenvolvidos houve uma movimentação e cobrança maiores dos movimentos sociais que exigiram dos governos o endurecimento das leis contra os agrotóxicos e o uso de transgênicos. Vários países já têm leis que proíbem certos princípios ativos e fortes reivindicações para uma regulação mais rigorosa dos transgênicos.

No Brasil, as políticas públicas favorecem os agrotóxicos, que chegam a usufruir de isenção fiscal para comercialização. O governo exige que os agricultores apresentem nota fiscal de agrotóxicos, adubos químicos e sementes para liberar o financiamento público, estabelecendo, assim, a obrigação de comprar o pacote básico de produção imposto pelas multinacionais.

A bancada ruralista do Congresso, representante dos latifundiários, o setor mais retrógrado da sociedade, e das multinacionais, representa essa política e torna o governo refém dos seus interesses.

A partir de 2008 houve um grande deslocamento de capitais dos países desenvolvidos, onde a economia tinha entrado em colapso, para os mercados especulativos de commodities. A produção de matérias primas nos países emergentes e atrasados ficou muito interessante para a obtenção de altos lucros pelas multinacionais do setor do agronegócio. O Brasil tornou-se um lugar ideal para escoar a produção de venenos e sementes transgênicas.

Causa Operária: Alguns princípios ativos que são utilizados no Brasil já foram banidos em vários outros países. Por que isso está acontecendo?

Susana Prizendt: Muitos desses princípios foram banidos em outros países devido à organização mais sólida dos movimentos sociais e dos próprios consumidores. Aconteceu nos últimos tempos um enrijecimento das leis e das concessões, devido à comprovação dos seus malefícios e esses princípios acabaram sendo proibidos em países dos mais diversos tipos, desde a França até o Paraguai.

No Brasil não haviam acontecido ainda amplas mobilizações da sociedade contra as atividades depredadoras do agronegócio. Por isso a urgência da criação da Campanha. O Brasil está começando a acordar, embora muito tarde, para a gravidade da situação. Uma das principais bandeiras, como reinvindicação mínima em torno da qual esperamos agrupar os movimentos sociais, é que estes princípios ativos sejam proibidos no Brasil. Estamos promovendo um abaixo-assinado com o objetivo de pressionar o governo.

Causa Operária: Como funcionam as politicas públicas de incentivo ao uso dos agrotóxicos e transgênicos no Brasil?

Susana Prizendt: Temos um sistema que é muito cruel, pois as empresas, geralmente ligadas aos grandes grupos multinacionais, ficam apenas com a parte do favorecimento, como a isenção fiscal, ajuda para instalar sua rede de distribuição de venenos e outras facilidades para favorecer o domínio pleno do mercado brasileiro. Mas elas não respondem pelos problemas que geram, como os inúmeros problemas de saúde pública, que são cobertos com dinheiro público, sem contar os gravíssimos problemas ambientais, que praticamente são ignorados.

A lógica foi totalmente invertida. Estamos o tempo todo correndo atrás de reparações dos danos causados em vez de correr atrás de impedir que esses danos sejam gerados para a população e o meio ambiente.


Causa Operária: Como as multinacionais influenciam as politicas de incentivo de agrotóxicos e transgênicos?

Susana Prizendt: As multinacionais no Brasil têm uma associação muito forte com os grandes produtores brasileiros desde o final da década de 1990. O sistema político brasileiro está atrelado às multinacionais. Aqui, nós não temos um sistema público de financiamento das campanhas eleitorais; existe um sistema de financiamento privado que permite doações das grandes empresas. Para se eleger um deputado ou qualquer outro profissional para um cargo político, os partidos recorrem aos poderes econômicos com base nas multinacionais, o que torna a troca de favores algo natural. Isso acontece tanto no legislativo como no executivo. Temos a submissão destes políticos aos interesses das multinacionais e a legislação acaba sendo conivente com esses interesses.

Causa Operária: Quais foram as mudanças nas políticas implementadas pelos governos do PT em comparação com os governos do PSDB?

Susana Prizendt: A primeira coisa que acho importante reforçar é que os governos não são só do PSDB ou só do PT, eles são governos de coalisão. Tanto o PSDB, quando se aliou ao DEM, como o PT, que se aliou ao PL ou PMDB, ficaram sujeitos a setores super-reacionários, como por exemplo, os que representam o agronegócio. Incluindo aí os antigos coronéis que querem manter privilégios exorbitantes. Os representantes mais de esquerda, dos movimentos sociais, que reivindicam melhores condições tanto para os camponeses como para a população em geral, têm perdido muita força no governo devido a essas coalisões. Por isso é importante que a sociedade sempre se mobilize e cobre do governo as suas reinvindicações contra os interesses dos ruralistas e das multinacionais. Neste sentido, a atuação de movimentos como o MST, por exemplo, é importante para lutar por uma reforma agrária decente, como já foi feita em grande parte dos países desenvolvidos.

Causa Operária: Como os agrotóxicos estão afetando a nossa saúde e o meio ambiente?

Susana Prizendt: É uma vastidão de problemas que os agrotóxicos causam tanto na saúde do ser humano diretamente como no meio ambiente em geral.

Na saúde humana, entre os que já foram pesquisados, os mais conhecidos são os efeitos neurológicos que afetam a parte psíquica do ser humano, intensificando a ocorrência de transtornos variados que se têm agravados nos últimos anos. Também na parte endócrina, porque certas substancias mimetizam as substâncias dos hormônios. Elas acabam desregulando completamente o sistema hormonal, gerando problemas sérios. Mas o grande problema de saúde pública tem sido o aumento do câncer, que nos últimos anos tem se deslocado de alguns órgãos em que antes eram mais comuns, como por exemplo, o pulmão, para a parte digestiva como pâncreas, intestinos, tireoide, entre outros. O que está diretamente ligado à alimentação com volumes absurdos agrotóxicos.

No meio ambiente todas essas substâncias tóxicas não somem. Por exemplo, quando são usados aqueles aviões agrícolas para pulverizar lavouras, não se tem o menor controle de onde vão parar esses venenos. Eles são carregados pelo vento e pela água da chuva, penetrando no solo e atingindo o lençol freático, ou seja, se espalham por todo o planeta. Existe relato de venenos até nas geleiras. Então a partir do momento que essas substâncias entram no meio ambiente, o ser humano não tem mais controle sobre elas, sendo também ingeridas pelos animais selvagens.

No Brasil temos visto o uso crescente de veneno ao ponto de se chegar a um consumo de cerca de 1 bilhão de litros em um ano. É algo assustador. Se formos dividir isso por habitante, dá uma média de 5,2 litros de veneno para cada. Não que cada pessoa consuma diretamente isso, mas acaba entrando no meio ambiente e em nosso organismo.

Causa Operária: As pesquisas científicas sobre os agrotóxicos e transgênicos são confiáveis?

Susana Prizendt: Existem dois tipos de pesquisas. A maior parte delas é financiada ou autorizada pelas multinacionais, porque envolve a necessidade de usar os produtos registrados por estas empresas. Muitas vezes estão envolvidas leis sobre sigilo e royalties e é necessária uma autorização formal delas, que tentam autorizar apenas as pesquisas que possam controlar e manipular.

As pesquisas independentes são muito boicotadas e raras. É muito mais difícil divulgar os resultados e fazer com que sejam aceitas, pois as multinacionais montam campanhas enormes contra. Normalmente não há recursos destinados para estas pesquisas.

O patrocínio das multinacionais busca resultados favoráveis, pois está obviamente vinculado à venda dos produtos que oferecem.

Causa Operária: No Brasil, há pesquisas independentes das multinacionais?

Susana Prizendt: Por serem pesquisas caras e longas, que exigem equipamentos sofisticados, laboratórios, equipes de trabalho qualificadas etc., ocorrem em número insuficiente no Brasil e não dão conta do volume de testes e estudos que realmente deveriam ser feitos, pois os efeitos são muito variados e há muitos princípios ativos envolvidos. Inclusive, não há estudos que mostrem a relação entre os princípios ativos entre si. Não se sabe o que a interação entre eles pode causar. Além de o setor ser pequeno e com poucos recursos, as multinacionais tentam inviabilizá-lo, principalmente por meio de ataques jurídicos, engessando e processando quem tenta fazer algum tipo de pesquisa independente, ou tentando intimidar os cientistas.



Causa Operária: Existe um mito de que para alimentar a população mundial é necessário produzir com veneno. Ouvimos a senadora ruralista Katia Abreu defender que “pobre tem que comer comida envenenada”. É possível produzir alimentos suficientes sem o uso de agrotóxicos e transgênicos?

Susana Prizendt: A Campanha sempre está mostrando para as pessoas que na verdade acontece o inverso. Se insistirmos nesse sistema produtivo baseado na monocultura, no uso crescente de venenos e transgênicos, na concentração de terra, nós não vamos conseguir alimentar mesmo a humanidade, como, de fato, hoje já não se consegue.

O modelo monocultor enfraquece a terra, gera super pragas resistentes nunca vistas antes. É um sistema que simplesmente produz commodities que são negociadas nos mercados futuros para especulação. Não é um sistema que está preocupado em produzir comida.

Atualmente, a comida está sendo produzida pela agricultura familiar, em condições precárias e quase sem apoio do poder público. Somente será possível alimentar tanto a população atual como a futura se os investimentos forem direcionados para produção de alimentos nutritivos e não para alimentar os lucros de um punhado de especuladores.

Escutamos os representantes do agronegócio falando em produtividade, mas ela se resume nas toneladas de soja, de cana de açúcar e de milho. Isso vai perpetuando um sistema que não é sustentável porque mesmo que se diga que a soja é usada para alimentar animais que serão futuramente comida para os seres humanos, a quantidade de terra necessária para produzir soja para alimentar esse gado poderia estar produzindo muito mais comida para muito mais pessoas, sem provocar tantas doenças nem depredar o meio ambiente, como ocorre nas monoculturas repletas de veneno.

Segundo a ONU [Organização das Nações Unidas], mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo. O que demonstra que a distribuição de alimentos é desigual. Em relação à distribuição de carne, se olharmos o mapa do mundo, não são todos os países que a consomem em quantidade. Apenas uma minoria consome carne habitualmente.

Considerando o transporte, quando pensamos num sistema que é montando para produzir etanol através do milho ou da cana, esse sistema está usando terras que poderiam estar sendo usadas para a produção de alimentos. E quem está usando esse etanol? Bilhões de pessoas no mundo ainda não têm o seu próprio carro e nem irão tê-lo porque o planeta não suportaria o impacto. Quer dizer que vivemos num sistema elitista, que mantém privilégios para uma minoria e que condena, cada vez mais, um enorme número de pessoas à falta de comida, à desnutrição, à fome e à morte. É um sistema assassino. Além de tudo isso, não fazemos a menor ideia do que ele irá acarretar de problemas ambientais, com as mudanças climáticas e com a diminuição da biodiversidade através dos transgênicos e dos venenos promovidos pela monocultura.

O desiquilíbrio ambiental já está sendo violento e não sabemos nem mesmo se será possível produzir as próprias espécies transgênicas, como vimos recentemente na quebra da safra do milho e da soja transgênicos nos EUA que não resistiram à pior seca dos últimos 50 anos.

Causa Operária: Quais seriam as alternativas às políticas que incentivam o modelo de monocultura devastador?

Susana Prizendt: Seria necessário que houvesse uma inversão. Hoje em dia a mão de obra não é formada para atuar fora do modelo devastador. Não temos agrônomos preparados para trabalhar com a terra. Eles não sabem produzir de maneira orgânica. Se você simplesmente tirar os agrotóxicos do processo, isso não basta para a realização do equilíbrio necessário para uma produção orgânica. A produção orgânica é aquela que realmente entende a terra, que sabe quando a terra está equilibrada, que sabe intercalar as culturas, que trabalha com o ecossistema, com o clima local.

Seria necessário que as políticas públicas estivessem direcionadas a investir na formação técnica independente dos interesses das multinacionais e dos latifundiários. Os camponeses precisam de assessoria técnica, equipamentos, boas terras e financiamento. A agroecologia quase não tem financiamento. No Brasil, o governo investe bilhões na agricultura depredadora de exportação que transforma o País num mero produtor de umas poucas matérias primas. Em resumo, o governo investe em uma agricultura que não busca produzir alimentos para o povo brasileiro e sim para o mercado especulativo, e esse dinheiro vai parar na mão de uma minoria que seria a elite da elite. Ou seja eles ficam com o lucro e socializam o prejuízo com a população. Nós buscamos mobilizar a sociedade para se opor a essas políticas.

Causa Operária: Você gostaria de acrescentar algo mais?

Susana Prizendt: Eu gostaria de convidar as pessoas para terem um envolvimento maior com a Campanha. Temos comitês distribuídos no País inteiro. É uma campanha nacional, composta por movimentos como o MST, FioCruz, Via Campesina e Abrasco. A questão é urgente, não dá para adiar mais. As consequências já são terríveis e vão ser cada vez piores. Principalmente porque a tendência é o aumento da concentração de capitais nos países emergentes devido ao aumento da crise nos países mais ricos. Convidamos as pessoas a conhecerem nosso site, toxicos.org. Ele conta com muitas informações sobre o assunto. Sempre estamos preparando materiais informativos para esclarecer a população sobre o tema. Coisa que a grande mídia não faz e que é vital para garantir o direito à alimentação segura e ao ambiente preservado.

Fonte: Eco Debate

Veja também:




VÍDEO COLABORATIVO DA CAMPANHA CONTRA OS AGROTOXICOS E PELA VIDA from susana on Vimeo.

Para aprofundar:
O VENENO NOSSO DE CADA DIA

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Com a minha saída da Anvisa, o que fica de mais relevante não é a perda do cargo, mas sim que a saúde pode ficar fragilizada'

Há 12 anos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o gerente-geral Luiz Cláudio Meirelles foi exonerado no dia 14 de novembro após ter denunciado irregularidades no processo de liberação de seis agrotóxicos. De acordo com Meirelles nesta entrevista, a sua saída deve ser encarada como a suscitação do debate sobre saúde e que, a partir de agora, os movimentos sociais e pessoas relacionadas à saúde em geral devem estar em estado de vigilância sobre o tema e na atuação da Agência daqui para frente.


Qual era a atuação do Sr. na Anvisa?

Fui cedido para a Anvisa em 1999 pela Fiocruz e participei da criação da Agência. Em agosto do mesmo ano assumi a gerência de análise toxicológica e, em 2008, o cargo de gerente-geral de toxicologia (GGTox). Basicamente, quando a gente pensou na organização da GGTox, era estruturar toda parte de avaliação toxicológica e fortalecer esse tipo de análise no Brasil com base no que a lei determina. Já existia uma portaria e algumas leis e o princípio maior que norteou o nosso trabalho foi exatamente dar concretude a essa legislação. O nosso objetivo principal era avaliar a segurança destes produtos, desde o trabalhador ao consumidor. O trabalhador entende-se aquele que trabalha na fábrica e o agricultor, já o consumidor os que consomem alimentos que podem estar contaminados por este tipo de produto que está sendo autorizado. O primeiro passo que foi dado foi descer o decreto 98816 - que é o decreto que regulamentava a lei de agrotóxicos - que revisamos e terminamos em 2001 e 2002 foi publicado o novo decreto 4074/02, reforçando e fortalecendo as exigências para a segurança no campo da saúde. Do ponto de vista regulatório isso foi um grande marco. De lá para cá, trabalhamos em vários outros regulamentos e com questões como os resíduos de embalagens, a coleta de dados, que é precária, a reavaliação toxicológica e muitas outras coisas.

Como você foi descobrindo as fraudes?

Eu estava de férias e uma das minhas gerentes me ligou e falou que o pessoal do Ibama tinha falando que havia um produto sendo comercializado que nós autorizamos, mas que ainda estava na fila de autorização do Ibama. A minha gerente verificou o produto em nosso controle interno e ele constava em situação de análise. No passo a passo, o registro é feito pelo Ministério da Agricultura, mas para fazer isso ele se baseia em dois documentos : um da Anvisa - que é em forma de avaliação toxicológica - e o do Ibama - que é um parecer. A partir daí, o Ministério pode entrar com o parecer deles que é de eficácia agronômica, dar o número, fechar o processo, publicar e registrar o produto.

Quando descobrimos essa falha fomos investigar e realmente existia um deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica. O nosso processo interno passa por várias etapas, mas vimos que algumas haviam sido puladas neste processo porque nem nota técnica tinha. Ele passou direto e foi gerado um documento de autorização, pulando a da avaliação toxicológica que é a fase mais importante, a razão de existirmos.

Quando vimos as irregularidades, acendi o sinal vermelho porque trabalhava em confiança com todos os meus gerentes. Pedi para a gerente que mexe com toda a parte documental para levantar se haviam outros casos e encontrei mais quatro processos com situação parecida e quase perto da minha exoneração mais um. Existem processos inclusive com assinatura incompatível com a minha. A questão da falsificação da minha assinatura é grave, mas o mais grave é não ter passado pela avaliação toxicológica.

Logo que descobrimos isso tudo no primeiro produto, congelamos o sistema interno, fizemos um backup e guardamos. A cópia está disponível agora no modo leitura. À medida que iríamos identificando o produto-problema, mandávamos um email para nossos superiores e suspendíamos o informe de avaliação toxicológica. Também encaminhei os ofícios ao Ministério da Agricultura, com cópia para o IBAMA, notificando as decisões e solicitando as medidas adequadas.

Qual foi a reação da Anvisa?

Ao descobrir, em agosto, minha primeira atitude foi encaminhar os fatos para o diretor da Coordenação de Segurança Institucional, que é diretor-adjunto do diretor-presidente, e informei também à Diretoria de Monitoramento. E a primeira atitude da Anvisa foi encaminhar para corregedoria interna que investiga as ações dos servidores. Mas, como tinha havido ente externo, com suspeita de favorecimento inclusive, tinha que ser mais rápido, o que não ocorreu. A Anvisa tomou a decisão de avisar ao Ministério Público e à Polícia Federal somente no dia 19 de novembro.

Como foi exoneração do seu gerente?

Solicitei ao diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI e isso ocorreu em 40 dias. Tomei esta atitude porque os problemas estavam relacionados às atividades de sua gerência. Mas não o acusei, apenas pedi para que me informasse o que tinha acontecido. Esse tipo de situação pode acontecer em qualquer lugar, mas o problema é não tomar atitude imediata porque isso fragiliza a instituição. A intenção era manter a credibilidade e não criar nenhum tumulto. A nossa credibilidade existe e eu não iria permitir que ela fosse abalada por uma questão pontual.

Com a sua saída o movimento social perde?

O movimento social interage muito com a Anvisa e por isso que todo mundo nos abraçou, porque tem confiança no nosso trabalho. Sempre falei que minha gestão era compartilhada e esse comprometimento e profissionalismo as pessoas percebem. O que o movimento social veio me dizer é que com minha saída causou um sentimento de perda, porque quando você interage e ouve é diferente.

É claro que a minha saída pode ser aproveitada com o debate que suscitou. Agora é preciso ser vigilante e bem atuante lá dentro. Precisamos saber quem são as pessoas. Com a entrada do novo gerente-geral saberemos qual é o norte. Agora há coisas que temos que exigir como os processos transparentes, as reavaliações etc. É preciso entender a responsabilidade que é liberar um produto, porque uma vez liberado, as pessoas vão consumi-lo. Não adianta depois ficar só contando as vítimas. Outro fator de grande importância é saber resistir à pressão das empresas.

Como você avalia a sua exoneração e agora a Anvisa concordando com a sua denúncia?

Na minha carta está exatamente o que o diretor falou para minha gerência e para mim, já na nota dele liberada recentemente há informações contraditórias. Ele diz que minha exoneração não tem nada a ver com o caso e que eu mantive um gerente suspeito durante um tempo. Isso não é verdade. O gerente tinha capacidade técnica e gozava da minha confiança como todos os outros gerentes. No momento em que eu descobri, tomei as providências rapidamente e pedi a exoneração dele. Agora quando ele coloca isso no texto, se ele sabia que eu sabia, ele também não fez nada. Estou preparando um texto como resposta e vou juntar ao relatório de gestão para colocar no ar. Quando ele me demitiu foi alegando as razões como a denúncia ao Ministério Público e a outra é que encaminhei equivocadamente a exoneração do gerente. Mas eu procurei duas vezes o diretor-adjunto e respeitei a ordem hierárquica, com a firmeza de que nada seria negociado.

E toda essa mobilização a seu favor?

A minha saída é pouco importante, o que fica de maior é mostrar que a saúde pode ficar fragilizada. E essa foi a leitura de todo o movimento social. A nossa gestão era compartilhada, não era um burocrata de governo. A gente interagia com universidades, com várias áreas da Fiocruz, com os movimentos sociais.

Qual será sua atuação agora na Fiocruz?
Voltarei para o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH) na ENSP e sei que tem um grupo muito forte e articulado dentro da Fiocruz de combate ao agrotóxicos. Vamos unir forças.


Entrevista concedida à Viviane Tavares - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

FONTE:


PARA ENTENDER:

Gerente-Geral de Toxicologia da ANVISA é exonerado por denunciar corrupção

Procurador considera ‘gravíssima’ denúncia contra Anvisa

1. Foi exonerado o ex-diretor geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles. Ele vinha sendo um dos responsáveis pelo aprimoramento dos mecanismos de registro e controle dos agrotóxicos no país – e foi, aliás, um dos organizadores do seminário do Inca que apresentamos no vídeo acima. "Meirelles era uma pedra no sapato da indústria agroquímica", comentou um dos pesquisadores durante o evento. "É óbvio que sua exoneração foi motivada por interesses políticos e econômicos vinculados ao lobby dos agrotóxicos e do agronegócio", rumoravam os participantes. Aos fatos: ele teve sua assinatura falsificada – dentro da própria Anvisa – para facilitar a liberação de venenos agrícolas sem a necessária avaliação toxicológica. Denunciou a irregularidade, mas o imbróglio custou-lhe o cargo. Em carta aberta, Meirelles explica as tensões que contextualizam sua exoneração, dando a entender que a problemática dos agrotóxicos no Brasil é não apenas um alerta à saúde pública, mas também um assunto deveras distante da transparência.

sábado, 20 de outubro de 2012

O VENENO NOSSO DE CADA DIA



Filme de Mari-Monique. Após 34:58 min a legenda esta em português

Our Daily Poison / Notre poison quotidien.

"A problemática dos pesticidas, que tantos males causa à população mundial. Um documentário chocante que revela a falta de segurança no sistema que esta  está mais preocupado com a proteção de segredos comerciais do que com a saúde humana.

"Notre poison quotidien" (O veneno nosso de cada dia), de Marie-Monique Robin, tenta também desvendar como são calculados os valores de IDA - Ingestão Diária Aceitável - para diversos produtos como agrotóxicos, resíduos de plásticos e o aspartame.

A Ingestão diária aceitável - IDA - é um valor numérico, medido em mg/kg, que determina a quantidade que se pode consumir de uma substância durante todos os dias, com segurança, por toda a vida. Na prática, para os agrotóxicos, por exemplo, determina qual limite máximo de resíduo é aceitável em um alimento. Era de se esperar que este índice fosse calculado com um alto grau de rigor científico, para que em nenhum momento colocasse a vida dos consumidores em risco.

Mas Marie-Monique nos mostra justamente o contrário.

 No mesmo estilo investigador de "O Mundo Segundo a Monsanto", a diretora percorre centros de pesquisa e agências reguladoras em vários países tentando descobrir como este índice é definido.

 E ela não deixa dúvidas: através de estudos científicos pagos pelas empresas, e com a ajuda de diretores de agências reguladoras com ligações com a indústria, os próprios fabricantes das substâncias é que definem o nível aceitável."

Por Victor Mendes


Ainda sobre a ingestão diária aceitável que é um dos temas centrais do filme de Marie Monique, vejamos     a seguir o questionamento feito pela Associação Brasileira de Saúde  coletiva – ABRASCO.






A avaliação dos impactos dos agrotóxicos na saúde decorrente do consumo de alimentos produzidos com a utilização de agrotóxicos é realizada fundamentalmente com base em estudos experimentais animais, nos quais o principal indicador é a ingestão diária aceitável - IDA. Parte-se da crença de que o organismo humano pode ingerir inalar ou absorver certa quantidade diária, sem que isso tenha consequência para sua saúde. O IDA deriva de outro conceito a dose letal de 50% de morte de cobaias expostas (DL50). Trata-se de um indicador de toxicidade que significa que a metade da população de cobaias no estudo morre ao ser submetido a uma determinada concentração de agrotóxico. Mediante uma abstração matemática, esse número é extrapolado para os humanos. Assim se busca um valor aceitável de exposição humana. Esses indicadores não têm sustentabilidade científica quando queremos tratar de proteção da saúde. Trata-se na realidade de uma forma reducionista do uso da toxicologia para sustentar o uso de veneno, criando álibis cientificistas para dificultar o entendimento da determinação das intoxicações humanas especialmente as crônicas, decorrentes das exposições combinadas, por baixas doses e de longa duração (Carneiro, 2012, pág 47).  

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA,   também questiona a metodologia adotada para definir os limites de ingestão diária ao não considerar muitos outras fatores importantes para a segurança  da saúde das pessoas como coexposições, idade, sexo, nutrição, situações fisiológicas, genética, condições de trabalho, condições de vida e além do que o organismo humano não se comporta de uma forma idêntica como se fosse uma máquina:



Outro aspecto importante, que traz preocupação para o Consea, é o fato de que as metodologias utilizadas pelo governo para definir os limites da Ingestão Diária Aceitável (IDA) de agrotóxicos levam em consideração um “indivíduo médio de 60 kg”, menosprezando, portanto, o impacto dessas substâncias sobre grupos mais vulneráveis como idosos e crianças, entre outros. Além disso, esse conceito, que deveria ser um parâmetro para garantir a saúde da população exposta a alimentos com agrotóxicos, não considera os efeitos da combinação de vários agrotóxicos ingeridos em uma mesma refeição ou ao longo do mesmo dia (CONSEA, 2012 pág. 24).


Corraborando o texto acima Wanderlei Pignati doutor  em Saúde Pública e professor da Universidade Federal de Mato Grosso em entrevista  a revista Galileu  também questiona os limites de Ingestão Diária Aceitável pois os sistemas de resposta do organismo humano não são iguais e isso não é considerado e além do que esses limites variam de acordo com o país o que coloca em xeque o rigor científico que deveria ter ao estipular os limites de ingestão diária.

Existe hoje a determinação de um limite máximo de resíduo por alimento. Esse limite não deveria existir, é absurdo. Cada pessoa tem uma sensibilidade diferente aos produtos. Sabe como esse limite é determinado? A partir da média da sensibilidade das pessoas, são medidas arbitrárias. No Brasil, por exemplo, um quilo de soja pode ter 10 miligramas de glifosato [princípio ativo de um agrotóxico famoso]. Nos EUA o limite é de 5 mg, na Argentina 5 mg, mas na Europa é 0,2 mg (REVISTA GALILEU, 2010).


No Seminário de Enfrentamento aos Impactos dos Agrotóxicos na Saúde Humana e no Ambiente, Karen Friedrich, pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde também questionou o limite de ingestão diária permitida de agrotóxicos:


(...) a ingestão diária aceitável de agrotóxicos nos alimentos segue um modelo linear de dose e efeito, mas esse paradigma é rompido pelos carcinógenos genotóxicos presentes no defensivo agrícola, para os quais não existe limite seguro. Segundo Karen, estudos recentes têm comprovado que a exposição humana a baixas doses de agrotóxicos causa desregulação endócrina e imunotoxidade. A desregulação endócrina gera efeitos como alterações nas funções hormonais, responsáveis pelos processos neurocomportamentais, reprodutivos, nas funções cardiovasculares, renais, intestinais, neurológicas e imunológicas. No caso da imunotoxidade, disse ela, podem ocorrer reações alérgicas e de hipersensibilidade ou imunossupressão, tornando as pessoas mais suscetíveis ao aparecimento de tumores ou à infecção por patógenos. Os períodos mais críticos são o pré-natal e pós-natal, quando se desenvolvem o sistema nervoso, endócrino e imunológico (Informe ENSP, 2012).

Esta pequena revisão sobre a Ingestão diária aceitável faz parte do trabalho de conclusão de uma pós que estou fazendo e o TCC é sobre AGROTÓXICO NO BRASIL – USO E IMPACTOS AO MEIO AMBIENTE E A SAÚDE PÚBLICA

Fonte: 
Carneiro FF, Pignati W, Rigotto RM, Augusto LGS, Rizollo A, Muller NM, Alexandre VP, Friedrich K, Mello MSC. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO; 2012. 1ª Parte. 98 p

CONSEA  - Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional . Os impactos dos agrotóxicos na segurança alimentar e nutricional: contribuições do Consea. Disponível em: < http://www4.planalto.gov.br/consea/noticias/imagens-1/mesa-de-controversias-sobre-agrotoxicos/caderno-da-mesa-de-controversias-sobre-agrotoxicos> Acesso em: 29 setembro de 2012

Revista GALILEU, 2010.              Entenda porque o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo. Disponível em: :< http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI150920-17770,00-ENTENDA+POR+QUE+O+BRASIL+E+O+MAIOR+CONSUMIDOR+DE+AGROTOXICOS+DO+MUNDO.html>. Acesso em: 01 de outubro de 2012.

Informe ENSP, 2012.   Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Seminário discute os agrotóxicos e os impactos na saúde pública. Disponível em:<   http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/30423>. Acesso em: 29 setembro de 2012.


Para saber mais:

O VENENO ESTA NA MESA de Silvio Tendler.






O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO  de  Marie -  Monique

Veja um resumo do filme acessando:






Para aprofundar:







Exposição a agrotóxicos pode causar alterações no DNA, mostra pesquisa

Estudo mostra que uso de agrotóxicos pode mudar o comportamento de gerações futuras

ATUALIZAÇÃO EM  21 OUTUBRO 2012

Veja Também:

Uma reportagem de Rui Araújo para o Repórter TVI.

Uma investigação sobre os alimentos perigosos que são vendidos nos grandes supermercados em Portugal.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entenda por que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo




O Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxico, embora não seja o campeão mundial de produção agrícola. O País ainda é o principal destino de agrotóxicos barrados no exterior. Para entender por que isso acontece, entrevistamos o pesquisador do assunto, Wanderley Pignati, doutor em Saúde Pública e professor da Universidade Federal de Mato Grosso. Confira abaixo:


Por que o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos? Temos mais pragas que os demais países?
É uma somatória de razões. A mais óbvia é que somos um dos maiores produtores agrícolas do mundo, de soja principalmente. Uma outra é que nossas sementes melhoradas já são pensadas para usar agrotóxicos. São selecionadas até um certo ponto em que, realmente, dependem destes produtos. E, para dar a produtividade que se espera, demandam grandes quantidades. Em terceiro lugar, não temos mais pragas, mas, por usarmos agrotóxicos há tantos anos, nossas pragas ficaram mais resistentes. É um espiral que vai aumentando.

Como outros países evitam o uso de agrotóxicos?

Eles limitam o uso de agrotóxicos mais tóxicos. Aqui usamos agrotóxicos que foram proibidos em 1985 na União Européia (UE), Estados Unidos e Canadá. No Brasil, estamos tentando revisar o uso de 14 tipos há dois anos e não conseguimos, porque dependemos do parecer do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente e o parecer do próprio sindicato dos produtores.


Na UE existe uma fiscalização mais rigorosa. Aqui aplicamos dezenas de agrotóxicos por avião, coisa que é proibida lá. Jogamos agrotóxicos por avião perto de casas, animais, gado, nascentes de rios e córregos. Outro fator importante é a conscientização da população europeia, que cobra este tipo de cuidado do governo e dos produtores.


Agrotóxico faz mal mesmo se for usado corretamente?

Não existe uso seguro. Isso é uma fala dos produtores de agrotóxico. Por exemplo, se o trabalhador que aplica estiver como um astronauta – isolado com todos os equipamentos de proteção (EPI), inclusive para respirar – ele é menos prejudicado, mas não existe uma proteção 100% dos trabalhadores. E qual a proteção ao ambiente? Isso vai sempre deixar resíduos em alimentos, contaminar rios, ar, lençóis freáticos. Que segurança é essa?

E se formos mais a fundo nessa discussão, veremos que é uma contaminação intencional. Em termos jurídicos, fala-se em crime culposo quando a pessoa não teve a intenção de cometê-lo e doloso quando teve. Aqui não é um crime culposo. Não é culpa do vento que mudou o agrotóxico de direção, mas do agricultor que cometeu um ato inseguro e intencional. Existe a intenção de poluir para atingir o alvo dele – no caso, os insetos, as pragas. Ele aceita conscientemente essa consequência.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as intoxicações por agrotóxicos são três milhões anuais. 

Destes, 2,1 milhões de casos acontecem nos países em desenvolvimento. Mais de 20 mil pessoas morrem no mundo, 14 mil estão nas nações do terceiro mundo. 

Existe alguma razão para que essas mortes concentrem-se nestes países?

Utiliza-se mais agrotóxico, em primeiro lugar, porque se produz mais alimentos em países em desenvolvimento. Muitas dessas lavouras usam agrotóxicos proibidos na União Europeia, EUA e Canadá. Ora, se são mais tóxicos e proibidos lá, naturalmente acontecerão mais mortes aqui na América Latina e na África. E quer saber mais? Muitos desses agrotóxicos são produzidos no primeiro mundo e vendidos para o terceiro.

Como um agrotóxico provoca a morte de uma pessoa? Que outros males eles podem causar à saúde?

Depende do agrotóxico. Aqui no Mato Grosso, por exemplo, já vimos caso de trabalhador que estava no trator com o ar condicionado ligado, jogando agrotóxico. Como o filtro de ar estava vencido, e ele não usava máscara dentro do trator, morreu de intoxicação aguda. Alguns agrotóxicos também causam câncer, problemas neurológicos, má formação fetal e desregulação endócrina. São extremamente prejudiciais à saúde humana. Estão na água, no ar, na chuva.

Os defensivos agrícolas demoram de três a quatro anos para degradar e o produto é tão prejudicial quanto a substância inicial. Um grande problema são doenças crônicas que acontecem durante anos de uso continuado de níveis baixos de agrotóxicos. Existe hoje a determinação de um limite máximo de resíduo por alimento. Esse limite não deveria existir, é absurdo. Cada pessoa tem uma sensibilidade diferente ao produtos. Sabe como esse limite é determinado? A partir da média da sensibilidade das pessoas, são medidas arbitrárias. No Brasil, por exemplo, um quilo de soja pode ter 10 miligramas de glifosato [princípio ativo de um agrotóxico famoso]. Nos EUA o limite é de 5 mg, na Argentina 5 mg, mas na Europa é 0,2 mg.

Qual a punição dada ao agricultor que permite que seus funcionários ou clientes sejam intoxicados no Brasil?
 
Primeiro ele vai responder ao Ministério do Trabalho, porque será notificado como um acidente de trabalho. Depois, podem entrar com uma ação de crime doloso [intencional] contra ele. Porque se contratou, tem que dar toda a proteção ao trabalhador. A punição depende muito da força do Sindicato.

Na sua opinião, os alimentos transgênicos são uma solução para o uso de agrotóxicos?

Pelo contrário. Alguns transgênicos são feitos para ser mais resistentes aos agrotóxicos, por isso se usa ainda mais, como a soja resistente ao glicosato.

Quais são as lavouras que mais usam agrotóxicos no Brasil?

Por hectare é o algodão. Logicamente não comemos algodão, mas sua semente é usada para fazer ração de gatos e outros animais. Outras lavouras que usam muito agrotóxico são as de tomate, morango, hortaliças em geral, soja e milho.

Como se proteger? Basta lavar bem as verduras e legumes?

Não. O consumidor deve também consultar os dados do PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos] da Anvisa. Nos dados de 2009, ele descobrirá os alimentos que têm problemas e poderá evitá-los. Mas é preciso ainda pressionar a Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente para que façam uma vigilância mais dura.


Fonte: Revista Galileu

Para saber mais:

Estudo mostra que uso de agrotóxicos pode mudar o comportamento de gerações futuras