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segunda-feira, 25 de março de 2019

Estudo encontra resíduos de agrotóxicos na água de 22 municípios de SC


Resultado de imagem para veneno na agua

Foram analisadas amostras de 90 cidades. Foram achadas até substâncias banidas na União Europeia.

Republicado do site: G1 SC


Um estudo feito a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) encontrou resíduos de agrotóxicos em amostras de água do abastecimento público de 22 municípios do estado. Foram achadas até substâncias banidas na União Europeia. O estudo contemplou 100 coletas em 90 cidades catarinenses.

A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) diz em nota que "nenhuma amostra de água coletada na saída de suas estações de tratamento, em todo o Estado de Santa Catarina, apresenta qualquer inconformidade. Todas as amostras coletadas atendem à Consolidação Número 5 do Ministério da Saúde, portaria que define os padrões de potabilidade da água. Sendo assim, a Companhia reitera que a água distribuída nos municípios do Sistema Casan está completamente dentro dos níveis de potabilidade exigidos".

A coleta e análise das amostras foi feita entre março e outubro de 2018. O parecer técnico foi feito pela professora Sonia Corina Hess, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela explicou que as amostras foram coletadas pelo MPSC, que mandou os resultados para que ela fizesse a análise.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CHUVA DE VENENO AMEAÇA PARQUES NACIONAIS

POR ANA LUCIA AZEVEDO


RIO - Uma serra que traz o pranto no nome chora veneno. Trazidos pela chuva, agrotóxicos contaminam os campos de altitude da Serra da Mantiqueira no Parque Nacional do Itatiaia, um dos lugares de natureza mais rara e espetacular do Brasil. Cientistas da UFRJ descobriram contaminação por endosulfan, um pesticida altamente tóxico e proibido no país desde 2014, mas capaz de permanecer por décadas no ambiente.




A Mantiqueira é a “serra que chora”. Alusão à lenda tupi sobre o pranto de uma índia de coração partido e à chuva copiosa que alimenta nascentes fundamentais para plantações e cidades de Rio, São Paulo e Minas Gerais.

domingo, 24 de julho de 2016

Resíduos de herbicidas na água diminui imunidade de peixes

Publicada em: O Nacional
Cuidado com a contaminação da água por defensivos agrícolas é de extrema importância para evitar redução da produtividade
Crédito: Divulgação

Pesquisa realizada na UPF mostrou que o herbicida atrazina prejudica a saúde dos peixes, deixando-os menos resistentes a infecções.

O jundiá é um peixe nativo da América do Sul com presença significativa na alimentação da população. No sul do Brasil, as áreas vizinhas à piscicultura são frequentemente agrícolas, onde ocorre o uso de defensivos, como herbicidas, que contaminam as águas. 

Os efeitos de um desses produtos na saúde dos peixes foi analisado pela mestranda Karina Kirsten, do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da Universidade de Passo Fundo (PPGBioexp/UPF). O trabalho, intitulado “Atrazina reduz a expressão de genes imunológicos em peixes”, mostrou que o herbicida atrazina prejudica a saúde dos peixes, deixando-os menos resistentes a infecções.

sábado, 16 de julho de 2016

ANVISA divulga lista dos alimentos com maior nível de contaminação


do Site Saúde Popular

Se você acha que frutas e legumes eram saudáveis, é melhor rever seus conceitos. Ao invés de nutrientes, você pode estar ingerindo produtos tóxicos que fazem muito mal para sua saúde

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou uma lista com alimentos considerados saudáveis por todos, mas que em testes exibiram alto nível de contaminação por agrotóxicos.

Para fazer o levantamento, a Anvisa levou em consideração dois pontos fundamentais:

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Altos níveis de herbicida são encontrados em 14 cervejas populares da Alemanha

Os testes foram realizados pelo Instituto Ambiental de Munique que relevou a presença de glifosato em níveis até 300 vezes superiores ao permitido na água potável.

As 14 marcas de cervejas alemãs que, de acordo com os testes realizados pelo Instituto Ambiental de Munique, contém traços do herbicida. Foto: Divulgação.

Além de lúpulo, malte, fermento e água, ingredientes permitidos pela célebre Lei de Pureza da Baviera, que remonta a 1516, um quinto elemento foi encontrado nas cervejas alemãs. Testes conduzidos pelo Instituto Ambiental de Munique, na Alemanha, e divulgados nesta quinta-feira (25), encontraram traços de glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo e largamente empregado também no Brasil em lavouras de soja, em 14 populares marcas do país.

Algumas delas inclusive são vendidas no Brasil. As informações são da agência alemã Deutsche Welle.

domingo, 19 de abril de 2015

Estudo diz que contaminação da água por inseticidas é subestimada

Da France Presse


Trabalhador aplica inseticida em pequena plantação de Limoeiro do Norte, no Ceará, em janeiro deste ano. Uso excessivo de substâncias químicas contamina rios e reservatórios (Foto: Davi Pinheiro/Reuters)
A poluição dos cursos de água, rios e estuários do mundo por inseticidas agrícolas é subestimada e tem um impacto devastador sobre os ecossistemas aquáticos - revelou uma pesquisa alemã publicada nos Estados Unidos.

Os autores analisaram 838 estudos publicados entre 1962 e 2012, analisando aquáticos 2.500 locais em 73 países para determinar se as concentrações dos 28 pesticidas mais utilizados excedeu os limites autorizados.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Além de desertificação, São Paulo tem água de subsolo contaminada

por Júlio Ottoboni*


São Paulo e parte dos Estados do Sul e Sudeste do país podem entrar tanto num ciclo de desertificação como de extermínio de suas reservas hídricas existentes no subsolo. A influência das queimadas e do desmatamento amazônico no ciclo das chuvas nas porções mais ao sul do país alarma tanto os cientistas tanto quanto aos níveis de contaminação das águas potáveis existentes. 

 Com o volume de águas de superfície em diminuição considerável, as reservas subterrâneas estão em boa parte comprometidas. Seja por contaminação por esgoto, pesticidas ou mesmo pela falta de potabilidade. Há estudos sobre o uso a exaustão desses recursos em regiões onde o aquífero tem uma distribuição demasiadamente irregular.

 Desde 1998, pesquisadores da USP e outras entidades alertam para a exploração demasiada e sem critérios das águas subterrâneas, principalmente na agricultura. No trecho paulista, o Aquífero Guarani é explorado por mais de 1000 poços e isso ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Já a área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km², onde se encontram a maior parte dos poços e grande parte dos problemas de contaminação.

 Há 13 anos um grupo de cientistas do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea (Cepas) do Instituto de Geociências da USP pesquisa quanto a presença de Nitrato nas águas subterrâneas. Os estudos mostram uma crescente contaminação por esgoto urbano em diversas cidades paulistas. Esse elemento químico surge em processos de decomposição bacteriológica de matéria orgânica presente nos dejetos. 

 “Em locais onde não há saneamento, a contaminação ocorre pelas fossas sépticas e negras, já nas áreas com redes de esgoto o problema são os vazamentos. As redes são antigas e não passam por manutenção periódica. 
A presença do nitrato em áreas urbanas com rede de esgoto não era esperada de forma tão intensa”, afirma o professor da USP Ricardo Hirata.

 O nitrato é cancerígeno e pode desenvolver diversas doenças, principalmente síndromes em crianças. São Paulo tem uma grande dependência da água subterrânea.

 Segundo a pesquisa da USP, cerca de 75% das cidades paulistas têm o abastecimento público total ou parcial feito por águas de aquíferos. 

 “No Estado de São Paulo, quase 60% dos poços tubulares são ilegais, ou seja, não têm controle por parte do estado, com possibilidades de terem problemas de qualidade de suas águas.

 Isso significa que a população pode estar ingerindo água degradada por nitrato ou outros contaminantes e não saber”, alerta o professor da USP.

 Além do problema da recarga, dificultado pela falta de chuvas, descontaminar a água com nitrato é algo caro e algumas situações inviável. Para agravar o quadro, há uma redução drástica da água de subsolo em diversas regiões. 

A supressão das matas ciliares que recobrem as bacias tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o seu tratamento. O alerta para as péssimas condições das águas, tanto de superfície como de subsolo, foi feito também pelo pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE).
 Segundo ele, em áreas com floresta contígua a cursos d’água que estão protegida, com algumas gotas de cloro por litro se tem água para consumo humano. “ Já em locais com vegetação degradada é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor. 

Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300.

 Essa conta precisa ser relacionada com os custos do desmatamento”, afirmou. Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada existe uma quantidade maior de água, por processos naturais, essa retorna para a atmosfera e favorece a precipitação. 

O escoamento da água das chuvas é mais lento, favorecendo a recarga e minimiza a erosão.

 A vegetação funciona como um filtro natural e ajuda a infiltrar a água no solo. “Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d’água. 


Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea”, explicou Tundisi. * Júlio Ottoboni é jornalista diplomado e pós-graduado em jornalismo científico.

Fonte: Envolverde

terça-feira, 10 de junho de 2014

Laudo revela contaminação por agrotóxicos em água tratada no norte do Paraná


                       A água tratada fornecida pela Sanepar aos moradores do distrito de Aricanduva, que pertence ao município de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), foi contaminada por oito tipos de agrotóxicos, aponta o relatório do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente.


Técnicos do órgão de apoio do Ministério Público (MP) realizam a coleta no segundo semestre do ano passado em nove pontos na região onde está instalada a indústria produtora de inseticidas Nortox, entre Arapongas e Apucarana.

Conforme o laudo ao qual o portal Bonde teve acesso, em sete pontos foram coletadas amostras provenientes de rios e nascentes de duas microbacias próximas da indústria e de áreas de plantios, onde agricultores também podem estar utilizando pesticidas.

Em alguns pontos, mais de 20 tipos de agrotóxicos foram encontrados.

"É necessário destacar o histórico relatado pelo proprietário da pequena fazenda, segundo qual as plantações de subsistência no local jamais receberam pesticidas. Apesar disso, um total de 28 pesticidas diferentes foram identificados", afirma a equipe técnica ao comentar as amostras retiradas de um dos rios pesquisados.

As águas analisadas ainda foram retiradas de um poço e da torneira, o que é destacado pelos pesquisadores durante o laudo. "Observa-se grande variedade de pesticidas em todas as amostras, inclusive no Ponto P 15 T (torneira) após tratamento para distribuição de água." Entre os oito agrotóxicos encontrados na água tratada está o atrazina, herbicida que é utilizado no plantio de cana-de-açúcar e milho.
No relatório final, a equipe técnica conclui que a qualidade da água "não atinge os parâmetros" para os rios e "tampouco os de potabilidade". "Sugere-se interromper o consumo humano e animal com as águas analisadas, devido ao risco sanitário oferecido pelas águas contaminadas", recomenda o Centro de Apoio, sem apontar os responsáveis pelo dano ambiental.

Necessidade de novas amostras

O levantamento também pede que novas amostras provenientes de locais fora da influência da empresa e da estação de tratamento de efluentes desativada sejam analisadas "a fim de comparar a qualidade da água".

As promotorias do Meio Ambiente de Apucarana e Arapongas já solicitaram a avaliação de novas amostras depois que os inquéritos retornaram de Curitiba.

O promotor do meio ambiente de Apucarana, Vilmar Antônio Fonseca, informou que abriu inquérito em separado para apurar a qualidade da água na cidade e solicitou a coleta e análise da Sanepar em diferentes pontos do município.

Ele lembrou que a água tratada retirada de Aricanduva e avaliada pelo Centro de Apoio é proveniente do Parque da Raposa, responsável por abastecer bairros na zona norte de Apucarana. "Uma das medidas já tomadas é a proibição de atividades agrícolas em áreas próximas ao Parque da Raposa por conta do risco de contaminação", explicou.

Já a promotora do meio ambiente de Arapongas, Leda Barbosa Lorejan, vai solicitar que a prefeitura recolha novas amostras em diversas regiões do município e uma análise detalhada com a contratação de um laboratório para realização do exame de cromatografia, que não seria realizado pela Sanepar.

"Infelizmente, os agrotóxicos são utilizados de maneira indiscriminada em todo Estado. Pesquisas realizadas no Paraná apontam a maior incidência de neoplasias em áreas com grande utilização de herbicidas e agrotóxicos", alerta.

A promotora tratou com cautela a sugestão do relatório de interrupção do abastecimento e ressaltou a necessidade de novas amostras para estudo do caso e ainda para verificar eventuais responsáveis pela contaminação. "Recentemente, Arapongas passou por um racionamento e não podemos tomar medidas que possam levar os moradores a buscar alternativas em outras fontes, que podem até estar em uma situação ainda pior", respondeu.

Em nota enviada ao portal Bonde, a assessoria de imprensa da Sanepar disse que a empresa tomou conhecimento do laudo no mês de abril.

"Em contato com o MP, foi solicitado à Sanepar uma série de laudos e documentos. Sanepar efetuou em maio coletas e análises de água em 10 pontos do sistema de abastecimento de Aricanduva. Foram análises extras às que são feitas regularmente pela Sanepar, em rigoroso cumprimento à Portaria 2.914 do Ministério da Saúde, que determina os parâmetros da água potável e a frequência com que devem ser feitas as análises. Em nenhuma dessas amostras foi detectado qualquer índice de contaminação, assim como em todos os laudos feitos anteriormente. Foram encaminhados ao Ministério Público os laudos das análises de água in natura, produzida e distribuída pelo sistema de Apucarana, que abastece Aricanduva, dos últimos cinco anos. Todos os laudos feitos comprovam que a água distribuída à população de Apucarana e Aricanduva tem a qualidade exigida pelo Ministério da Saúde para ser distribuída à população", garante a Sanepar.

Entre quarta-feira (4) e sexta-feira (6), a reportagem procurou a Nortox, no entanto, não obteve uma posição da empresa sobre o assunto até o fechamento da matéria.

Fonte: Bonde

Colaboração: Edilson Gonçalves

Mais sobre o tema acesse: Resíduos de agrotóxicos na água

quarta-feira, 19 de março de 2014

DÁ PARA BEBER ESSA ÁGUA?

Agrotóxicos, metais pesados e substâncias que imitam hormônios podem estar na água que chega à torneira da sua casa ou na mineral, vendida em garrafões, restaurantes e supermercados. Saiba por que nenhuma das duas é totalmente segura




Pesquisar sobre a água não é fácil. Não existem leis ou regras que definam um critério uniforme para a divulgação de dados. Esperei mais de 15 dias, por exemplo, para receber as análises de qualidade para o município de São Paulo, segundo as normas da Portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde. Os mesmos resultados para o Rio de Janeiro estão disponíveis para consulta de qualquer pessoa no site da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), responsável pelo tratamento de água na cidade. Não se sabe por que uma das concessionárias fornece a informação publicamente, enquanto a outra não diz nada sobre o assunto.

Depois de muita espera e de uma dezena de e-mails trocados, recebi quase todas as análises da capital paulista feitas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), encarregada da água e do saneamento na metrópole. No primeiro envio, porém, faltavam vários dos parâmetros considerados pela portaria do Ministério da Saúde. Por quê? Não há como saber. Depois de insistir mais, recebi todos os dados (aqui, aqui, aqui e aqui).

Como primeiro resultado dessa investigação sobre a qualidade da água, posso dizer que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, dá para beber a água da torneira sem correr o risco de ser vítima de uma contaminação microbiológica. Ninguém vai passar mal, nem ter diarreia. É preciso, no entanto, verificar se a caixa d’água do imóvel está limpa. Tanto em um prédio como em uma casa, ela precisa ser lavada a cada seis meses. Nos condomínios, o síndico é o responsável por cuidar da execução do serviço. Nas residências, o proprietário tem que fazer o trabalho ou contratar uma empresa para isso. Se a limpeza estiver em dia, tudo bem.

A água usada para abastecimento público passa por um processo de tratamento e desinfecção mecânico e químico, que elimina toda a poluição microbiológica (coliformes totais – grupos de bactérias associadas à decomposição da matéria orgânica – e Escherichia coli). “A água da torneira é controlada várias vezes por dia, para se ter certeza de que está sempre dentro dos padrões de qualidade”, afirma Jorge Briard, diretor de produção de água da Cedae, no Rio. Mas o fato de se poder beber a água da torneira não quer dizer que o líquido não esteja poluído – e que não possa causar problemas de saúde no longo prazo.



REGRAS “ADAPTADAS À REALIDADE BRASILEIRA”


Na água do abastecimento público existem vários tipos de poluentes tóxicos. Estudos científicos associam o consumo de muitos deles ao aumento da incidência de câncer na população, enquanto outros têm efeitos ainda pouco conhecidos na saúde. Estão presentes na água que bebemos substâncias químicas como antimônio, arsênio, bário, cádmio, chumbo, cianeto, mercúrio, nitratos, triclorobenzeno, diclorometano; agrotóxicos como atrazina, DDT, trifluralina, endrin e simazina; e desinfetantes como cloro, alumínio ou amônia.

A portaria do Ministério da Saúde controla os níveis de 15 produtos químicos inorgânicos (metais pesados), de 15 produtos químicos orgânicos (solventes), de sete produtos químicos que provêm da desinfecção domiciliar e de 27 tipos de agrotóxicos presentes na água. Na primeira norma de potabilidade da água do Brasil, a Portaria 56/1977, havia apenas 12 tipos de agrotóxicos, 10 produtos químicos inorgânicos (metais pesados) e nenhum produto químico orgânico (solventes), nem produtos químicos secundários da desinfecção domiciliar.


 Tanques usados nas quatro fases do processo de tratamento de água da Estação do Guaraú, em São Paulo: coagulação, floculação, decantação e filtração (Foto: Anne Vigna)
Tanques usados nas quatro fases do processo de tratamento de água da Estação do Guaraú, em São Paulo: coagulação, floculação, decantação e filtração (Foto: Anne Vigna)

sábado, 13 de julho de 2013

Monitoramento de agrotóxicos na água para consumo humano no Brasil







Deve ser lembrado que no Brasil estão autorizados 497 princípios ativos de agrotóxicos. 

O Ministério da Saúde apresenta este monitoramento mas deixa de dizer como fica os outros 495 princípios ativos que não estão normalizados.

 Por quê os demais 495 p.a. não se normaliza? 

Por quê a água está sob controle do Ministério da Saúde diretamente e não sob os regulamentos da ANVISA. Água não é alimento???? 

Pois então, alguém dirá, mas é um começo, ou melhor isso do que nada. Balela o Ministério da Saúde tá enrolando com essa questão há anos. 

Detectar veneno na água vai ser uma bomba maior que os venenos que estão sendo detectados no alimentos e, pior, 40 a 60% da água que pode ser própria para o consumo humano está armazenada nos solos, sendo assim solo contaminado com agrotóxicos é igual a água contaminada com agrotóxicos.

 São 497 e não 22 somente. Solo contaminado é igual a água contaminada, portanto, se água é alimento, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da ANVISA deve começar a analisar água urgente para que se possa ter um mínimo de credibilidade naquilo que nos é mostrado como o estudo abaixo.

Comentário Alfredo Benatto

Para Aprofundar:

Wanderlei Pignati: Até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Estações de tratamento não retiram agrotóxicos da água

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgou resultado de uma pesquisa (em 2007)  para avaliar o teor de contaminação por agrotóxicos em mananciais de água e estações de tratamento de água. Um dos coordenadores da pesquisa, o toxicologista Jefferson José Oliveira da Silva, disse à folha de dourados que em todas as amostras coletadas nos oito estados do país, foram encontradas substancias provenientes de agrotóxicos. Dourados foi uma das cidades onde foram coletadas amostras para a pesquisa de laboratório.

Segundo Jefferson, o objetivo da pesquisa era justamente detectar o grau de presença de agrotóxico na água potável de regiões “altamente agrícolas”, portanto, com grande utilização de agrotóxicos. Além disso, informou, a pesquisa deverá “subsidiar mudanças na portaria da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que determina o controle de qualidade da água quanto à presença dessas substâncias”.

De acordo com o pesquisador em todos os estados pesquisados (Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), a água coletada estava contaminada mesmo “depois de terem passado por todo processo de tratamento das estações” das empresas de saneamento.

Um dos fatores mais preocupantes do resultado da pesquisa é justamente a constatação de que nenhuma empresa de saneamento do país (incluindo a Sanesul), possui mecanismo para filtrar essas substancias tóxicas, que acabam nas residências da população, para o consumo; uma vez que maior parte da água consumida em Dourados é retirada do rio Dourados, cujas margens são ladeadas por plantações e para onde levam as chuvas os resíduos dos venenos lançados nas lavouras.

Segundo Jefferson, há uma grande diversidade de agrotóxicos utilizados no país, (“os agrotóxicos constituem um grupo de mais de 200 substâncias diferentes”), o que torna “inviável economicamente fazer a análise laboratorial. “A solução seria que cada região, de acordo com sua vocação agrícola e, portanto, com os agrotóxicos que costumam ser usados, analisasse um grupo específico de substâncias”, recomenda Jefferson.

Jefferson minimiza afirmando que “a quantidade de agrotóxico detectada está dentro de níveis aceitáveis, porque a luz do conhecimento atual não existe confirmação de que essas substâncias trazem algum problema de saúde nesses níveis de contaminação”, muito embora não arrisque afirmar que não haja risco para a saúde humana.

Segundo o relatório, os níveis de agrotóxicos encontrados na água após o tratamento, para o consumo humano, foram, na grande maioria das vezes, inferiores aos limites máximos hoje tolerados por organismos internacionais. “Mas, uma vez que os métodos de tratamento não eliminam os agrotóxicos, os níveis dessas substâncias na água podem aumentar ou diminuir de acordo com variáveis ambientais e econômicas. Por isso, é necessário um monitoramento contínuo da água”, alerta Jefferson Silva. “Nosso relatório técnico vai subsidiar a Funasa para mudanças na legislação”, adianta Jefferson.

Para o Iagro, órgão do Governo do Estado responsável pela fiscalização da utilização de agrotóxicos nas lavouras, é impossível saber exatamente quanto de veneno é jogado nas lavouras. Dalmo Henrique Franco da Silva, engenheiro agrônomo e fiscal do Iagro, disse que este controle só será feito a partir do ano que vem, quando estará operando um sistema de computador que fará o controle a partir das casas de revenda.

Segundo estimativa da secretaria Municipal de Agricultura Familiar cerca de 200 toneladas de embalagens vazias de agrotóxico são recolhidas todos os anos na Central de Recolhimento, o que deve corresponder a pelo menos um milhão e meio de litros de agrotóxicos jogados nas lavouras da região, todos os anos. Boa parte desse veneno deságua no rio Dourados e chega ás residências.

Fonte: http://www.folhadedourados.com.br/view.php?cod=2860


Para aprofundar:

Pesquisa diz que água tem agrotóxico
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2012/05/pesquisa-diz-que-agua-tem-agrotoxico.html?spref=fb


QUE ÁGUA ESTAMOS BEBENDO?
Até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2011/12/que-agua-estamos-bebendo.html

domingo, 27 de maio de 2012

Pesquisa diz que água tem agrotóxico





Colaboração:  Moyses Galvão Veiga

Para aprofundar:

QUE ÁGUA ESTAMOS BEBENDO?
Até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe
http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2011/12/que-agua-estamos-bebendo.html




domingo, 18 de dezembro de 2011

QUE ÁGUA ESTAMOS BEBENDO?

Até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe

Se você pegar a Portaria 518 de 2004, do Ministério da Saúde, que chama-se Portaria da Potabilidade da Água, dá pra ver o que é permitido ter na água hoje. A gente fala muito de coliformes  fecais. Mas e os agrotóxicos são permitidos? E os solventes? E metais pesados? Todos eles são permitidos.

O litro de água que você bebe hoje, de acordo com essa portaria, pode ter 13 tipos de metais pesados, 13 tipos de solventes, 22 tipos de agrotóxicos diferentes e 6 tipos de desinfetantes. Hoje, a questão mais importante na contaminação da água não é mais a bactéria, mas toda essa contaminação química.

 Se você comparar essa portaria com a da Uniao Européia, vai ver que aqui tem 22 tipos de agrotóxicos enquanto lá pode ter, no máximo, cinco.  Os limites lá são ínfimos.
Enquanto lá você pode ter 20 microgramas de glifosato, aqui pode ter 500 microgramas. E ainda querem subir para mais. A primeira portaria, de 1977,  podia ter 12 agrotóxicos, 10 metais pesados, zero solventes e zero derivados de desinfetantes. A seguinte já é de 1990.  A vigente é de 2004. Isso acompanha o crescimento da população urbana e rural, que se  reflete na água. Os agrotóxicos são a poluição rural. Não se faz um tratamento adequado da água, só tiram os coliformes, botam cloro e fazem um tratamento primário. Esse tratamento, de 100 anos atrás, é feito por decantação.

Veja a entrevista com Wanderlei Pignati, médico e doutor na área de toxicologia.




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A ameaça do veneno que chega do campo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A ameaça do veneno que chega do campo



Cuiabá, Brasil, 25/7/2011 – A água potável no Brasil pode conter 22 tipos de agrotóxicos, 13 de metais pesados, 13 de solventes e seis de desinfetantes. Essa presença contaminante é tolerada até níveis fixados em uma escala oficial, que às vezes é ultrapassada por conveniências econômicas e devido a controles inadequados. Até 1977 as autoridades determinavam que a água própria para consumo humano não podia conter resíduos de mais de 12 agrotóxicos e dez metais. Nada sobre os demais. Desde então foram feitas duas atualizações, em 1990 e 2004, “legalizando” os resíduos de novos insumos químicos usados na agricultura e na indústria, lamentou Wanderlei Pignati, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Em comparação, a União Europeia só admite cinco agrotóxicos, com limites inferiores aos previstos no Brasil e um total que impede que cada um chegue ao máximo tolerado, cuidado este também não adotado no Brasil. O controle de qualidade da água potável, ainda baseado em eliminar bactérias, não acompanha a crescente contaminação química, que exige equipamentos “caros e sofisticados” em medições complexas, afirmou Pignati, especialista que é referência nacional na pesquisa e na luta contra o que se considera abuso de venenos agrícolas.
O Brasil se converteu, há três anos, no maior consumidor mundial de defensivos agrícolas de cultivos, apesar de produzir, por exemplo, menos de um terço de grãos do que os Estados Unidos. É o custo da liderança em agricultura tropical, alcançado nas últimas décadas e que lhe permitiu exportar US$ 76,4 bilhões em bens deste setor no ano passado. A façanha econômica brasileira se concretizou graças a muita pesquisa agronômica e intenso emprego de fertilizantes, inseticidas, herbicidas e fungicidas, além da aposta nas monoculturas extensivas, especialmente a soja, que se converteu no principal produto das exportações, superando de longe os tradicionais café e açúcar.
O Estado do Mato Grosso, no centro oeste do país e na fronteira sudeste da Amazônia, sintetiza essa mudança ao se constituir no maior produtor nacional de soja e, por extensão, também o maior consumidor de defensivos agrícolas, denominação para os agroquímicos preferidos pelos produtores e camponeses.
Além de expandir a área plantada, o que ocorre a partir do desmatamento, o setor produtor local intensificou o uso de agrotóxicos. “Há dez anos aplicavam-se oito litros em um hectare de soja, hoje são dez litros”, disse Pignati. “Os agrotóxicos são uma droga lícita, como o álcool e o tabaco”, acrescentou ao responder uma pergunta da IPS. O modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro estimula seu uso, isentando-os, por exemplo, do imposto comercial que, no entanto, é aplicado em medicamentos, em uma prioridade reversa, em detrimento da saúde, ressaltou o especialista.
Pignati é um dos ativistas da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lançada no Mato Grosso no começo de junho, que se dedica a estudar o assunto e divulgar seus conhecimentos desde que chegou à conclusão de que é mais eficiente atacar as causas das enfermidades do que formar médicos para tratamentos individuais. Na universidade, vinculou-se ao Departamento de Saúde Coletiva. O Mato Grosso consome cerca de 150 milhões de litros de agrotóxicos por ano, equivalente a 50 litros por habitante, contra a média nacional de 5,2 litros, segundo Pignati.
É inevitável contaminar as águas em um Estado que possui milhares de nascentes fluviais que alimentam as bacias do Rio da Prata e outras quatro amazônicas, alertou Pignati. O sistema de tratamento da água para consumo da população data de “cem anos atrás” e busca retirar contaminantes por decantação, mas muitos produtos químicos escapam desse método e ficam dissolvidos na água, explicou. Seus efeitos não são apenas as diarreias, mas neurológicos, cancerígenos, endocrinológicos, psiquiátricos e sua presença persiste durante décadas.
A “disfunção endócrina”, um tema recente evidenciado pela proliferação de diabetes, hipotireoidismo e outros distúrbios, servem de alerta para esse problema, alerta o médico. O risco sanitário no Brasil aumenta pelo uso de venenos que há muito tempo foram proibidos em outros países, especialmente na Europa. O caso emblemático é o Endosulfan, um inseticida responsável por intoxicações fatais, abortos, má-formação fetal e danos aos sistemas nervoso e imunológico.
Uma resolução governamental de 2010 determina sua abolição gradual no Brasil. O Endosulfan estará proibido somente a partir de 2013, e nas próximas semeaduras ainda será permitida a utilização de 14,8 milhões de litros. Outros 13 produtos estão sendo avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação desses venenos por meio de aviões, o que agrava a contaminação de pessoas, água e biodiversidade devido à dispersão incontrolada, é um alvo prioritário dos ambientalistas.
Uma “chuva de agrotóxicos”, lançada por um avião pulverizador, caiu em março de 2006 sobre Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes no norte do Mato Grosso, rodeada de soja em uma época ou de milho e algodão, em outra. A intoxicação de pessoas, animais e plantações provocou condenações e amplos debates. Outro grande impacto teve a divulgação em março de um estudo feito por Danielly Palma, coordenado por Pignati, que identificou a presença residual de agrotóxicos no leite materno de 62 mulheres examinadas no ano passado em Lucas de Rio Verde em 2010.
Em todas havia DDE, que é no que se transforma o DDT (dicloro difenil tricoloroetano), e em 44% delas foram encontrados resíduos de Endosulfan. Mas estas críticas e pesquisas são relativizadas por dirigentes políticos do mundo dos grandes negócios agropecuários. A comparação com a Europa é indevida, devido às condições distintas. Os agricultores brasileiros cumprem as regras fixadas pela Anvisa, o órgão regulador do Ministério da Saúde, afirmou Seneri Paludo, diretor-executivo da Federação da Agricultura de Mato Grosso.
A quantidade de consumo de defensivos agrícolas por quantidade de habitantes tampouco é uma medida legítima, acrescentou Paludo. Os agricultores tendem a usar “uma dose inferior à necessária, o que às vezes agrava as pragas”, porque os defensivos representam maiores custos, afirmou. Sua disposição em proteger o meio ambiente se comprova pelo fato de Mato Grosso ser líder nacional em coleta de embalagens de agroquímicos usados, ressaltou o dirigente.
Por sua vez, Edu Pascoski, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, argumenta que os resíduos identificados nas pesquisas em seu Município “estão dentro dos níveis aceitáveis”, fixados pela Anvisa. Também justificou que o DDT e o DDE permanecem nos seres humanos por mais de 60 anos, por isso o que foi encontrado nos estudos de Danielly Palma pode refletir o uso do produto em etapas muito anteriores à sua proibição em 1998.
Contudo, se forem verificados “abusos no uso de agroquímicos”, isso será devido a permissões dadas por autoridades nacionais, afirmou Pascoski, após garantir que sua cidade apresenta bom desempenho ambiental, com um acompanhamento constante da qualidade da água potável, áreas de proteção preservadas ou em recuperação e abundante vegetação. Envolverde/IPS

As informações são do site:
Envolverde - Jornalismo e Sustentabilidade.
http://envolverde.com.br/noticias/a-ameaca-do-veneno-que-chega-do-campo/

sábado, 3 de dezembro de 2011

Rios europeus estão contaminados por químicos



A contaminação dos rios europeus por pesticidas é mais problemática do que o que se pensava.

Os pesticidas são um problema mais sério do que o que se pensava. Cientistas do Centro de Investigação Helmholtz fizeram um estudo onde analisaram 500 substancias orgânicas obtidas dos leitos de quatro rios europeus. Os rios analisados através de 750 mil amostras foram o Elba (Republica Checa e Alemanha), o Danúbio (abrange 10 países europeus), o Schelde (Bélgica) e o Llobregat (Espanha).

Os resultados são claros: 38% das substancias estão presentes em doses consideradas nocivas.

Um dos compostos mais encontrados foi o dietilhexil ftalato, que pode interferir com a fertilidade e que será proibido na União Europeia a partir de 2015. a seguir vem o bisfenol A, que é empregado em plásticos e o diclofenaco e ibuprofeno, duas substâncias farmacêuticas usadas em medicamentos. Relativamente aos pesticidas, os mais problemáticos foram o diazinon, a azoxistrobina e terbutilazina.

Trata-se de produtos que danificam o meio ambiente e que, em muitos casos, não constam na lista de vigilância e regulamentação prioritárias por isso o grupo de investigação sugere a atualização da lista oficial e diz que é uma necessidade urgente.


Fonte:
TVNET - Rios europeus estão contaminados por químicos

E no Brasil  como será que esta?
Vejam:

Estudo mostra que o Aquífero Guarani está contaminado por agrotóxicos

http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com/2011/12/estudo-mostra-que-o-aquifero-guarani.html

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Estudo mostra que o Aquífero Guarani está contaminado por agrotóxicos


Aquífero Guarani 


Aquífero  Guarani, manancial subterrâneo de onde sai 100% da água que abastece Ribeirão Preto, cidade do nordeste paulista localizada a 313 quilômetros da capital paulista, está ameaçado por herbicidas.

A conclusão vem de um estudo realizado a partir de um monitoramento do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) em parceria com um grupo de pesquisadores, que encontrou duas amostras de água de um poço artesiano na zona leste da cidade com traços de diurom e haxazinona, componentes de defensivo utilizado na cultura da cana-de-açúcar.

No período, foram investigados cem poços do Daerp com amostras colhidas a cada 15 dias. As concentrações do produto encontradas no local foram de 0,2 picograma por litro – ou um trilionésimo de grama. O índice fica muito abaixo do considerado perigoso para o consumo humano na Europa, que é de 0,5 miligrama (milésimo de grama) por litro, mas, ainda assim, preocupa os pesquisadores, que analisam como possível uma contaminação ainda maior.

No Brasil, não há níveis considerados inseguros para as substâncias. Ainda assim, a presença do herbicida na zona leste – onde o aquífero é menos profundo – acende a luz amarela para especialistas. Segundo Cristina Paschoalato, professora da Unaerp que coordenou a pesquisa, o resultado deve servir de alerta. “Não significa que a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, disse ela.

O monitoramento também encontrou sinais dos mesmos produtos no Rio Pardo, considerado como alternativa para captação de água para a região no longo prazo. “Isso mostra que, se a situação não for resolvida e a prevenção feita de forma adequada, Ribeirão Preto pode sofrer perversamente, já que a opção de abastecimento também será inviável se houver a contaminação”.

Aquífero ameaçado
O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto.

A água do SAG é de excelente qualidade em diversos locais, principalmente nas áreas de afloramento e próximo a elas, onde é remota a possibilidade de enriquecimento da água em sais e em outros compostos químicos. É justamente o caso de Ribeirão, conhecida nacionalmente pela qualidade de sua água.

Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (Soderma), Ribeirão corre o risco de inviabilizar o uso da água do aquífero in natura. “A zona leste registra plantações de cana em áreas coladas com lagos de água do aquífero. É um processo de muitos anos, mas esses defensivos fatalmente chegarão ao aquífero, o que poderá inviabilizar o consumo se nada for feito”, explica.
Já para Marcos Massoli, especialista que integrou o grupo local de estudos sobre o aquífero, a construção de casas e condomínios na cidade, liberada através de um projeto de lei do ex-vereador Silvio Martins (PMDB) em 2005, é extremamente prejudicial à saúde do aquífero. “Prejudica muito a impermeabilidade, o que atinge em cheio o Aquífero”, diz.
Captação

Outro problema que pode colocar em risco o abastecimento de água de Ribeirão no médio prazo é a extração exagerada de água do manancial subterrâneo. Se o mesmo ritmo de extração for mantido, o uso da água do Aquífero Guarani pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto.

A alternativa, além de reduzir a captação, pode ser investir em estruturas de captação das águas de córregos e rios que, além de não terem a mesma qualidade, precisam de investimentos significativamente maiores para serem tratadas e tornadas potáveis. A perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolveu quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo. O cálculo final foi entregue no fim do ano.

O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha. Pelas contas dos especialistas, a cidade extrai 4% mais do que poderia do manancial. A média de consumo diário de água em Ribeirão é de 400 litros por habitante, bem acima dos 250 litros da média nacional. Por hora, a cidade tira do aquífero 16 mil litros de água. Vale lembrar que a maior parcela de água doce do mundo, algo em torno de 70%, está localizada, em forma de gelo, nas calotas polares e em regiões montanhosas.

Outros 29% estão em mananciais subterrâneos, enquanto rios e lagos não concentram sequer 1% do total. Entretanto, em se tratando da água potável, aproximadamente 98% se encontram no subsolo, sendo o Aquífero Guarani a maior delas. A alternativa para não desperdiçar esses recursos é investir em reflorestamento para garantir a recarga do aquífero, diz o secretário-geral do projeto, Luiz Amore.

As informações são do site Portal Eco Debate

Estudo mostra que o Aquífero Guarani está contaminado por agrotóxicos | Portal EcoDebate:

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